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A cartilha de Dilma prega luto e choro em público nas tragédias no Rio.
Em SP, ela reserva apenas críticas ao governo PSDB-DEM. |
O Rio de Janeiro foi assolado por uma tragédia da qual muita gente calhorda diz tratar-se de algo tipicamente americano, justo nós que temos mais de 50 mil assassinatos por ano. Nos países civilizados, é mais provável você morrer pelas próprias mãos (suicídio) que pela mão de um outro (homicídio), mas não aqui no Brasil, onde temos acesso a armas muito mais restrito que o modelo americano, mas onde se mata 4 vezes mais. Cínicos.
Em momentos dramáticos como esse, as sugestões mais apressadas reaparecem. Houve uma onda de gente culpando os votantes do plebiscito do desarmamento como cúmplices sanguinários. É aquela teoria torta como caule no cerrado que não sobrevive a uma olhadela aos números ou à lógica. Quando uma pessoa sai gritando dizendo que a derrota do desarmamento matou as criancinhas cariocas ignora propositadamente que foi um desequilibrado mental, sem porte de arma e com um revólver roubado quem saiu atirando.
Infelizmente uma sociedade democrática não está 100% pronta contra doidos que atiram em multidões, matam em série ou explodem aviões civis. Mas ao apontarmos o dedo inconsequente da culpa contra tudo que pode matar, vamos acabar por acertar outras coisas. Assim, quem defende a restrição de armas tem obrigação moral de defender também o fim do cigarro (a grávida fumante mata facilmente seu filho) ou ainda os carros (25 mil mortes por ano no país), facas (20% dos homicídios são com armas brancas) e tudo que possa ser usado para matar. No pacote entra também as piscinas, que matam mais crianças do que as armas de fogo, acredite!
Na gritaria em meio ao luto, as pessoas esquecem as diferenças tecnicistas, mas fundamentais, entre “porte legal de arma”, ”desarmamento” e “contrabando”. Você proibir totalmente a venda de arma não muda as coisas porque o bandido nunca entrou na fila para tirar porte nem paga imposto comprando revólver regulamentado, ele recorre ao mercado negro, aquele mesmo onde VOCÊ também compra produtos roubados, filmes e jogos piratas, sempre com a absoluta certeza da impunidade.
Restringir o porte? Por incrível que pareça, a lei que rege o porte de arma no Brasil é moderna e muito rigorosa, mas o problema está na facilidade em comprar um revólver sem registro e a certeza da impunidade que faz qualquer um sair incólume mesmo metendo bala na testa de quem se queira. Desarmamento? Ele foi muito eficaz no passado em diminuir a morte domiciliar de crianças envolvidas em acidentes, mas não espere que o bandido se sensibilize e devolva sua ferramenta de trabalho. Só devolve arma o cidadão de bem arrependido, porém não é esse quem mata indiscriminadamente. Quem mata à margem da lei muitas vezes utiliza armas que já são proibidas por serem exclusivas das forças armadas e que não mudaria em nada com nova legislação.
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Nosso Ministro da Justiça se apressou em dar uma "ótima"
solução: uma campanha de desarmamento das pessoas de bem. |
Proibir por proibir? Então vamos voltar à idade da pedra, a menos que você convença e fiscalize o mundo inteiro, o planeta todo, o que é praticamente impossível. Aos que acham que todo e qualquer esforço vale a pena porque “menos arma é menos morte”, vai ter que entrar na luta contra o cigarro, piscinas e tudo mais. Nessa lógica um grande amigo meu escreveu o seguinte sobre as armas:
Só o fato de uma arma poder ser comprada legalmente por um civil, já aumenta o número de armas no mercado, independente do número de portes. E não acho que a lei seria a maior revolução contra a violência, mas acho que ajudaria, então já valeria a pena aprovar.
Eu adapto para o seguinte:
"Só o fato de um cigarro poder ser comprado legalmente por uma gestante de bem, já aumenta o número de cigarros no mercado, independente do número de maços. E não acho que a lei seria a maior revolução na área da saúde, mas acho que ajudaria, então já valeria a pena aprovar."
Quem encara? E quem também defende o fim do álcool que gera tantas mortes ao volante? Vou mais longe, estatisticamente, a simples divulgação de notícias de chacinas como essa, ou mesmo de suicídios e até de queda de avião, aumenta a repetição desses casos. Incrível, não? Seguindo esse raciocínio, deveríamos promover a censura, proibir a divulgação porque ela “reduziria”, “ajudaria”, “já valeria a pena”? O que fazer? O jeito mais eficaz é o de combater o verdadeiro vilão: a impunidade. Mas isso dá muito trabalho, o povo brasileiro prefere ver sangue, nem que para isso atropelemos a lei, a constituição ou alguns outros direitos.