quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sócrates, o craque da bola. E só da bola.


Sócrates era um gênio da bola. Pouco o vi jogar. Tenho vagas lembranças de um partidaço: Brasil x Polônia pelas oitavas de final da Copa de 86. Brasil 4 a zero e o “Doutor” fez um gol de pênalti naquele estilo de cobrar sem tomar distância, como se fosse um peladeiro. Mesmo estilo que usou na cobrança defendida no jogo seguinte contra nossos carrascos franceses.

Pelo que pude ler nos excelentes obituários internacionais (aqui na The Economist e aqui no The Washington Post), o “Magrão”, seu apelido entre os boleiros, jogava o fino do fino da bola. Articulado e com inteligência acima da média, Sócrates, com o perdão do trocadilho infame, foi elevado à condição de uma espécie de pensador do futebol. Médico formado pela USP, foi habilidoso para conduzir os estudos em uma faculdade tão difícil com a exigente vida de um atleta de alto rendimento.

Depois de abandonar os campos atacou de comentarista de futebol e de questões políticas. E é aí que vemos que a morte enobrece e melhora as qualidades daqueles com os quais simpatizamos. Sua doença, que ele poucas vezes conseguiu admitir, passou a ser uma espécie de forma de expressão, de prova de libertinagem, de como é viver intensamente. Bobagem. O álcool, o alcoolismo, o câncer... nada disso nos faz melhor. Ele perdeu para a doença sem ter controle sobre isso. E isso não o faz em nada pior.

Por fim, se ele foi um craque em campo e um rebelde fora dele, isso não o torna um democrata. Não confundamos fim da concentração no futebol profissional e voto direto para presidente do Corinthians como premissa para ser um democrata. Sócrates nunca escondeu em entrevistas que para ele Cuba e Fidel eram os modelos a serem seguidos. O que há de democrata nisso??

Nunca tive a menor paciência com a enorme chatice que eram suas entrevistas. Em meio à histórica pobreza intelectual dos atletas de nosso futebol, um personagem simpático e (muito) bem letrado ganhou ares de craque também das letras. Uma bobagem.

3 comentários:

Altamirando Macedo disse...

Balu, cadê você?

A todos, autor, comentaristas e visitantes. Um Feliz Natal com o desejo de que 2012 seja repleto de benefícios e satisfações tanto quanto possam desfrutar.
Sinceramente, são meus votos

Danilo Balu disse...

Poxa, obrigado, Altamirando!
Não é por falta de vontade que tenho escrito tão pouco, mas falta de assunto e inspiração mesmo...

Desejo tb um Feliz 2012 pra vc e todos os seus!! Que os votos se estendam aos leitores desse humilde espaço.

Um fraternal abraço!

Anônimo disse...

Onde busca suas informações sobre Cuba para tal afirmação? texto superficial com pouco contexto histórico.

Blog Widget by LinkWithin