terça-feira, 15 de março de 2011

Os "meus" melhores Sambas-Enredo

Com um pouco de atraso (ou um pouco adiantado, como preferir), resolvi testar minha memória e listar os sambas-enredo que mais gostei desde que me dou por gente. Queria chegar a 10, mas acabei escolhendo 11 e não consigo sacrificar nenhum deles. Algumas letras são geniais. Geniais mesmo! Sem exagero! Mas o mais novo data de 1998, 10 são da década de 90, quando acompanhava com mais ímpeto. As escolas melhoraram muito, mas as letras dos sambas realmente não me encantam mais.

Segue a lista em ordem cronológica:

“Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós” (1989)
G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense

Um dos mais belos e conhecidos sambas de todos os tempos foi puxado pelo grande Dominguinhos do Estácio.

Liberdade!, Liberdade!/ Abre as asas sobre nós/ E que a voz da igualdade/ Seja sempre a nossa voz (mas eu digo que vem)/ Vem, vem reviver comigo amor/ O centenário em poesia/ Nesta pátria mãe querida/ O império decadente, muito rico incoerente/ Era fidalguia e por isso que surgem/ Surgem os tamborins, vem emoção/ A bateria vem, no pique da canção/ E a nobreza enfeita o luxo do salão, vem viver/ Vem viver o sonho que sonhei/ Ao longe faz-se ouvir/ Tem verde e branco por aí/ Brilhando na Sapucaí e da guerra/ Da guerra nunca mais/ Esqueceremos do patrono, o duque imortal/ A imigração floriu, de cultura o Brasil/ A música encanta, e o povo canta assim e da princesa/ Pra Isabel a heroína, que assinou a lei divina/ Negro dançou, comemorou, o fim da sina/ Na noite quinze e reluzente/ Com a bravura, finalmente/ O Marechal que proclamou foi presidente/


“De Bar Em Bar” (1991)
G.R.E.S União da Ilha do Governador

Um samba-enredo à altura do homenageado, o sambista-poeta Didi, vencedor de nada menos que 22 sambas!

Hoje eu vou tomar um porre!/ Não me socorre/ Que eu tô feliz! (bis)/ Nessa eu vou de bar em bar/ Beber a vida/ Que eu sempre quis/ E no bar da ilusão eu chego/ É pura a paixão que eu bebo/ Amor, me deseja, me dá um chamego/ Me beija e faz um cafuné/ "Bebo" vem e "bebo" vai/ Que nem maré (bis)/ Balança mas não cai/ Boêmio é!/ Garçom! Garçom!/ Bota uma "cerva" bem gelada aqui na mesa/ Que bom! Que bom!/ Minha alegria deu um porre na tristeza/ Poeta, enredo da canção/ Cartilha que eu aprendi/ Canta a Ilha d'emoção/ Saudade de você, Didi! (Amor, amor!)/ Amor, amor! Eu vô!/ É nessa aqui que eu vô!/ O Sol vai renascer do meu astral (bis)/ Amor, amor! Eu vô!/ Ô skindô, skindô!/ Num gole eu faço um Carnaval/ Olha eu falei que eu vô!...


“Sonhar Não Custa Nada! Ou Quase Nada” (1992)
G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel



Outro samba-enredo histórico e maravilhoso! A escola foi vice-campeã com ele.

Sonhar não custa nada/ O meu sonho é tão real/ Mergulhei nessa magia/ Era tudo que eu queria/ Para esse carnaval/ Deixe a sua mente vagar/ Não custa nada sonhar/ Viajar nos braços do infinito/ Onde tudo é mais bonito/ Nesse mundo de ilusão/ Transformar o sonho em realidade/ E sonhar com a mocidade/ E sonhar com o pé no chão/ Estrela de luz/ Que me conduz/ Estrela que me faz sonhar/ Amor, sonhe com os anjos (não se paga)/ Não se paga pra sonhar/ Eu sou a noite mais bela/ Que encanta o teu sonho/ Te alucina por te amar (amar, amar)/ Vem nas estrelas do Céu/ Vem na lua de mel/ Vem me querer/ Delírio sensual/ Arco-íris de prazer/ Amor, eu vou te anoitecer/ Eu vejo a lua no céu/ A mocidade a sorrir/ De verde-e-branco na Sapucaí.


“Peguei Um Ita no Norte” (1993)
G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro


O mais famoso da história da escola que lhe rendeu o título naquele ano.

Lá vou eu, lá vou eu lá vou eu/ Me levo pelo mar da sedução (sedução)/ Sou mais um aventureiro/ Rumo ao Rio de Janeiro, adeus adeus,/ Adeus Belém do Pará/ Um dia volto, meu pai/ Não chore, pois vou sorrir/ Felicidade, o velho Ita Vai partir/ Oi no balanço das ondas, eu vou/ No mar eu jogo a saudade, amor/ O tempo traz esperança e ansiedade/ Vou navegando em busca da felicidade/ Em cada porto que passo/ Eu vejo e retrato em fantasias/ Cultura, folclore e hábitos/ Com isso refaço minha alegria/ Chego ao Rio de Janeiro/ Terra do samba, da mulata e futebol/ Vou vivendo o dia a dia/ Embalado na magia/ Do seu Carnaval, explode/ Explode Coração/ Na maior felicidade/ É lindo o meu Salgueiro/ Contagiando sacudindo essa cidade


“Atrás da Verde e Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu” (1994)
G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira


Provavelmente o samba mais conhecido da década. Uma pena que os jurados não foram simpáticos nas notas.

Bahia é luz/ De poeta ao luar/ Misticismo de um povo/ Salve todos orixás/ Quem me mandou/ Estrelas de lá/ Foi são salvador/ Pra noite brilhar/ Mangueira!/ Jogando flores pelo mar/ Se encantou com a musa/ Que a Bahia dá/ Obá berimbau ganzá/ Ô capoeira bis/ Joga um verso pra Iaiá/ Caetano e Gil ôô/ Com a tropicália no olhar/ Doces bárbaros ensinando/ A brisa a bailar/ A meiguice de uma voz/ Uma canção/ No Teatro Opinião/ Bethânia explode coração/ Domingo no parque amor/ Alegria alegria eu vou/ A flor na festa do interior/ Seu nome é Gal/ Aplausos ao cancioneiro/ É carnaval é Rio de Janeiro/ Me leva que eu vou/ Sonho meu bis/ Atrás da verde-e-rosa/ Só não vai quem já morreu


“Catarina de Médicis na Corte dos Tupinambôs e Tabajères” (1994)
G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense


Uma pequena passagem em francês no samba-enredo que ajudou a dar o título à escola.

Hoje vou colorir toda a cidade/ De alma pintada eu vou/ Sou da Corte a fantasia/ Trago o "novo mundo" de esplendor/ A magia da floresta levei/ Enfeitando esta festa cheguei/ Puro na emoção, simples na paixão/ Sonho e poesia em Ruão/ Mon amour c'est si beau!/ Esse jogo, essa dança (bis)/ Tabajer, Tupinambôs/ E lá nas margens do Sena/ O Brasil a imagem/ De nudez e coragem/ Índios marujos, enfim/ Misturavam-se assim/ Na mais linda paisagem/ E a platéia no bis/ Com a Imperatriz a delirar/ Na França o bom selvagem/ Deu o tom de igualdade/ Fraternité, liberte/ Sou índio, sou forte/ Sou filho da sorte, sou natural (bis)/ Sou guerreiro/ Sou a luz da liberdade, carnaval


“Criador e Criatura” (1996)
G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel


Outro samba-enredo incrível, desta vez veio junto com o título.

Cheio de amor/ O Criador/ Findou sua divina solidão/ Fez surgir a natureza/ Universo de fascinação/ Luz, terra e mar/ No firmamento astros a bailar/ E numa luminosa inspiração/ Faz o homem a mais sublime criação/ Assim, o homem com sua ousadia/ Avança o sinal no jardim do amor/ Deu um salto, dominou a terra/ Terra de Nosso Senhor/ Olha pra mim, diga quem sou/ Eu sou o espelho, sou o próprio Criador/ Gênios, artistas e inventores/ Fazem um mundo diferente/ Mexem com a vida da gente/ Dando asas à imaginação/ Em uma nova era/ A gente não sabe o que nos espera/ Vem nessa, amor, pra um novo dia/ Brincar no paraíso da folia/ A mão que faz a bomba, faz o samba/ Deus faz gente bamba/ A bomba que explode o nesse carnaval/ É a Mocidade levantando o seu astral


“Trevas! Luz! A Explosão do Universo” (1997)

G.R.E.S. Unidos do Viradouro


Em 1996 a escola quase foi rebaixada, em 1997 com seu samba-enredo mais famoso eles deram a volta por cima conquistando o título sob o comando do carnavalesco Joãozinho 30. Mais uma vez Dominguinhos da Estácio é o puxador de um grande samba. O destaque, porém, foi a popularização (não invenção!) da paradinha e do funk da bateria pelo Mestre Jorjão.

Vou cair na gandaia com a minha bateria/ No balanço da mulata, a explosão de alegria/ Lá vem a Viradouro aí, meu amor/ É big-bang, coisa igual eu nunca vi, que esplendor/ Vem das trevas, tudo pode acontecer/ A noite vira dia, luz de um novo amanhecer/ Vai meu verso buscar a Terra em embrião/ Da poeira do universo desabrocha a natureza em/ expansão/ Óh, Mãe Iemanjá, deusa das águas, Nanã, deixa o solo/ se banhar/ Orá, iê, iê, ô, Mamãe Oxum, vem com Ondinas reinar/ Orá, iê, iê, ô, Mamãe Oxum, vem com Ondinas reinar/ No fogo a salamandra a dançar, as pombas brancas/ simbolizando o ar/ Explodem as maravilhas, vejo a vida brilhando afinal/ Surge o homem iluminado, com hinos de luta e cantos/ de paz/ É o equilíbrio entre o bem e o mal, e com o coração/ nessa folia


“De Corpo e Alma Na Avenida” (1997)
G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel


Foram vice-campeões na avenida, mas levaram o Estandarte de Ouro.

Eu vou, eu vou, amor!/ Eu vou nessa viagem/ De corpo e alma com a Mocidade/ Semeando amor, espanto a dor/ Sou alegria, arrepiando esta cidade/ Dos pés à cabeça/ Marcando forte, vai meu coração/ Porque o coração é o grande palco da paixão,/ É onde aperta a saudade/ E pulsa forte a emoção/ Me beija na boca/ Vem me abraçar/ Tem cheiro de amor no ar/ Ouvindo teu canto ecoar/ Nos teus olhos vejo/ Minha estrela brilhar/ Máquina da vida/ Mão abençoada foi quem criou/ Nasce, cresce, envelhece/ A mente comanda, o corpo obedece/ És célula viva!/ Corre na veia da gente/ Luz que brilha no ventre/ Raiz dos seus descendentes/ Senhor que criou nesse mundo a matriz/ Faz esse povo feliz/ Saúde e harmonia/ Prazer de viver/ Vou virar pelo avesso/ Teu avesso eu quero ver


“Linda, Eternamente Olinda” (1997)
G.R.E.S. Portela


A maior vitoriosa do Carnaval Carioca (21 títulos), amarga mais de duas décadas de jejum. Nem mesmo esse belo samba-enredo conseguiu ajudar, ficando a escola em um decepcionante 8º.

Eu naveguei, encontrei/ Um paraíso secular/ Novo mundo vou mostrar/ Majestosa e tão bela/ Vim brilhar na passarela/ Oh! Linda eterna Portela/ Nas ladeiras poesia/ Seu ouro branco e coqueirais/ Bordada pelo mar/ Ninguém esquecerá/ Seu folclore popular/ Vou invadir seu coração, Olinda/ Encantando esta nação, tão linda/ Acervo de beleza natural/ Olinda, patrimônio mundial/ Vou viajando assim/ No frevo e maracatu/ Ciranda e serenata/ Vejam!/ Como é lindo seu carnaval/ Quarta-feira de cinzas/ Vou sair no bacalhau/ E a Portela/ Mostra como é linda/ Oh! Linda, Olinda


“Orfeu, o Negro do Carnaval” (1998)
G.R.E.S Unidos do Viradouro


Mais uma vez ele, Dominguinhos da Estácio emprestando sua voz a um grande samba-enredo. Mas a incoerência da apuração os deixou com um decepcionante 5º lugar.

Lá, onde a vida faz a prece/ E o Sol brilhante desce para ouvir/ Acordes geniais de um violão/ É o reino de Orfeu, rei das cabrochas/ Seduzidas pela sua inspiração/ Eurídice, o verdadeiro amor/ Do vencedor por aclamação geral/ Da escola de samba do morro/ Que vai decantar nos seus versos/ A história do carnaval/ É na magia do sonho que eu vou/ Mitologia no samba, amor (bis)/ Aí, o zumbido da fatalidade/ Que atinge a cidade/ Traz mais uma desilusão/ Orfeu caiu no abismo da saudade/ E voa para a eternidade/ Levado pela ira da paixão/ Tem no seu talento, reconhecimento/ Num desfile magistral/ O Grêmio do morro venceu/ E o samba do negro Orfeu/ Tem um retorno triunfal/ Hoje o amor está no ar/ Vai conquistar seu coração (bis)/ "Tristeza não tem fim, felicidade sim"/ Sou Viradouro sou paixão


“O Amanhã” (1978) da G.R.E.S União da Ilha do Governador é um dos sambas mais conhecidos, mais regravados e mais lembrados da história. Pouca gente sabe a origem apesar de cantar muita festa. Tem passagens geniais na letra:

"Como será o amanhã
Responda quem puder
O que irá me acontecer
O meu destino será como Deus quiser"



A mesma escola em 1982 desfilou ao som de outro clássico, o “É Hoje“. Tem passagens inesquecíveis:

"A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da Terra
Será que eu serei
o dono desta festa um rei
No meio de uma gente tão modesta"

Um comentário:

Danilo disse...

Cara, tenho um CD da Rateria com 8 ou 9 dessa lista... Sensacional!

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