segunda-feira, 30 de novembro de 2009

De direitos iguais a todas as cores ou da compensação idiota

Imagine você leitor uma manchete nos seguintes termos: “Casa Noturna X na Vila Olímpia (SP) após 10 anos aceita a entrada de NEGROS.” Acha um absurdo? Eu acho o cúmulo, o fim. Foi com um misto de incredulidade e espanto que li uma matéria do UOL neste final de semana: Bloco Ilê Aiyê passa a aceitar brancos no Carnaval de Salvador e gera polêmica.

Os militantes do movimento negro brasileiro são estranhos, eles não se contentam com o fim do racismo, eles querem vingança, eles querem que, por graves erros do passado, haja compensações, um racismo invertido onde eles obviamente serão os grandes beneficiados. Não basta que a cor da pela não seja pra ninguém um peso, para o movimento negro a cor negra tem que ser, sim, um beneficiador, um facilitador. Eles querem ganhar por serem negros E militantes. Se você não tem rancor, não serve aos propósitos, você tem que bater no peito e dizer que é perseguido, vítima, um coitado, um prejudicado, tem que falar que por ancestrais distantes terem apanhado nas plantações de cana VOCÊ tem que receber a indenização. Em dinheiro, óbvio. Você tem que ser acima de tudo um militante.

Atribuir aos da sua cor direitos exclusivos é racismo. A desigualdade pra essa gente é instrumento de justiça, vingança. Eles querem dizer que sentem orgulho de serem negros, mas ai de você branco que ousar dizer que tem orgulho de ser branco...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Quanto mais cores, mais gula...


Todo nutricionista gosta de falar que as cores são importantes para uma dieta balanceada. Quanto mais cores nos pratos, melhor. Pois cuidado quando o assunto não são os vegetais. Quando falamos de doces, mais cores e mais variedade também significam exagero. Em um estudo, quando havia 6 cores diferentes de doces no mesmo pote, as pessoas comiam 69% mais do que quando haviam potes sem diferença de cores. Quando havia 7 ou 10 diferentes cores de M&M’s, os expostos aos 10 comeram 43% a mais!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Camada de Ozônio

Vocês se lembram de como a camada de ozônio havia virado assunto de qualquer mesa de bar nos idos anos 80? Dizia-se que o tamanho do buraco nela era do tamanho dos EUA ou da Antártida. E onde foi parar tudo isso?

Essa camada está hoje em muito melhor situação do que ela estaria caso medidas drásticas não fossem tomadas dos anos 1980 pra cá. Mas o estrago só será revertido em décadas futuras, mostrando o quão importante foram essas mudanças nas legislações. Essa demora é porque muito do gás usado e lançado já há mais de duas décadas continua por aí fazendo estrago, o que dá uma dimensão do quão agressivo ele é para a camada de ozônio

Esse gás ozônio quando na alta atmosfera nos protege dos efeitos nocivos dos raios UVB. Quando o ozônio está presente na baixa atmosfera (como nas cidades mais poluídas) ele é nocivo. Em 1987, 24 nações ratificaram o Protocolo de Montreal que bania o uso e produção de quase 100 substâncias que agrediam a camada de ozônio. Ele foi assinado por todos os membros da ONU e não se limitava ao CFC como muitos pensam.

Houve uma grande mudança nos aerossóis e refrigeradores. 97% das substâncias do Protocolo de Montreal foram substituídas por alternativas “amigas da atmosfera”. As demais serão extintas em 2040. As previsões calculam que 20 milhões de casos de câncer de pele e 130 milhões de casos de cataratas podem ter sido evitados nesses 20 anos.

Agora em Novembro haverá (dessa vez) no Egito o encontro anual do Protocolo, então talvez ouviremos (ou leremos) novamente um pouco mais desse gás que andava meio esquecido. O que talvez não veremos mais é a paranóia justificada que tomou conta da cultura pop quando o medo ainda existia. Um dos exemplos está no comercial abaixo que aparece no filme Robocop 2 (idem, EUA 1990).

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They say that 2 minutes in the California sunshine, is too much these days. After we lost the ozone layer. But, that was before there was Sunblock 5000. Just apply a pint to your body, and you're good for hours.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Efeito Tiger Woods

Um estudo muito interessante feito pela pesquisadora Jennifer Brown da Kellogg School of Management at Northwestern University encontra um tal "Fator Tiger Woods", que seria o efeito depreciativo em nosso desempenho quando enfrentamos no esporte algum adversário incrivelmente superior em uma modalidade como o golfe em que não derrotamos diretamente nosso adversário, como no tênis ou nas lutas.

Pesquisando dados dos torneios da PGA entre 1999 e 2006 ela verificou que a presença do astro americano adiciona 0,2 rebatidas no desempenho dos grandes jogadores e 0,8 rebatidas na média geral. A explicação da autora é que os demais atletas já sabendo da iminente derrota, não jogariam tudo o que poderiam. Já outro autor acha que os adversários estejam tentando de um modo excessivo, tomando mais riscos do que tomariam sem a presença dele.

Independente de qual seja explicação, as consequências são mensuráveis. Tiger Woods que se tornou recentemente o primeiro atleta bilionário deve uma parte disso a esse efeito. Para ser mais exato, ele deve U$4,9 milhões ao tal fator. Nada mal.

p.s.: a foto acima é de Tiger Woods treinando aos 3 anos àqueles que acham que o sucesso vem somente pelo acaso e/ou talento puro.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Da roupa que ajuda e que atrapalha

Um estudo interessante aponta a relação do conforto da nossa roupa para a manutenção de nosso peso. Veja só, roupas apertadas ou justas supostamente fariam as pessoas notar que elas estão acima do peso, tendo assim maior cuidado com a silhueta e a dieta, certo? Pois pesquisadores da University of Wisconsin-Lacrosse viram que com essas roupas as pessoas acabam se movimentando menos em função do desconforto fazendo assim com que se movimentem ainda menos, economizando importante energia na guerra contra a balança. Em vestimentas mais casuais as pessoas caminhavam até 8% mais do que com roupas mais formais.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Qual você escolhe? O primeiro!

Será que alguém fazendo entrevista de emprego teria mais chances de conseguir a vaga por ser o primeiro (e não o segundo, terceiro ou último) a ser entrevistado? Alguém em uma eleição pode ser favorecido por seu nome ser o primeiro na cédula e não o sétimo? Será que há um peso psicológico das posições no resultado de nossas escolhas?

Um novo estudo do periódico Psychological Science investigou isso em um teste-cego de vinho (sempre ele!). 142 pessoas de 19 a 75 anos participaram. Foi pedido que eles experimentassem até 5 amostras, porém o que eles não sabiam era que todas eram do mesmo vinho.

E quem foi o escolhido? O primeiro! O resultado foi parecido mesmo entre os experts e os não-iniciados. Uma curiosidade aqui é que os com maior experiência tendiam também a escolher o mais recente (último) quando havia mais de 3 vinhos no teste-cego.

Ou seja, os participantes são enviesados a escolher o primeiro testado e aqueles que entendem um pouco mais do assunto acabam pegando também o que consideram melhor dentre as últimas opções dadas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Bach a alegria dos homens

Desde a criação do blog decidi por não escrever nos feriados. Seguindo uma linha de meu amigo PJ, vou tentar postar nos feriados algumas obras musicais interessantes. Hoje separo uma das mais famosas de Johann Sebastian Bach. O seu Prelúdio da Suite No. 1 é um dos argumentos daqueles que defendem que Bach é a prova da existência de Deus.

Composto no período que vai de 1717 a 1723, é improvável que o leitor não o conheça. Mais recentemente ele voltou à arte pop no trailer do belo filme "O Solista" (The Soloist, EUA 2009). Talvez seu intérprete mais famoso seja Yo-Yo Ma, mas ainda prefiro o vídeo que vai abaixo.



Recentemente na TV brasileira também foi veiculado aquele que, na humilde opinião deste que vos escreve, é um dos comerciais mais belos da indústria esportiva. O anúncio da Olympikus não deixa de ser inspirador.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O gesto de Obama

Na visita do presidente dos EUA Barack Obama à Ásia, algo interessante aconteceu quando ele foi ao Japão. No momento de cumprimentar o Imperador japonês Akihito, Obama fez aquele gesto típico de se curvar. Como pode ver pela foto, o gesto pareceu meio exagerado. Segundo o próprio código social japonês, existem quatro níveis que variam de acordo com a situação. Eles vão da simples inclinação de cabeça às inclinações de 15 a 45 graus.

Diferentemente daqui, o que o presidente dos EUA faz em exercício é sempre levado muito a sério, é a tal da liturgia do cargo. Mas há também um simbolismo muito grande. Algumas críticas vieram porque um presidente americano não deveria jamais, para quem quer que fosse, nem mesmo para reis e príncipes, fazer um gesto como esse. Os aliados não esperariam por isso e aos inimigos isso soaria como sinal de fraqueza já que o gesto simboliza honra, respeito e veneração, mas também sinal de submissão.

Pode parecer um exagero, mas antigos presidentes americanos cumprimentaram os imperadores japoneses com apertos de mão. Até na rendição japonesa na 2a Guerra não há imagem desse gesto de nenhum dos dois lados. Se analisar imagens dos encontros entre os principais líderes mundiais nos últimos anos com o imperador no Japão, verá que eles não se curvam. Não há gesto de gentileza ou "boa vontade" que justifique. Parece às vezes, sim, que Obama não estaria mais em campanha para presidente dos EUA, mas sim para presidente do Mundo. Ele continua com alguns vícios populistas, como uma promessa ainda a se cumprir. Até onde ele está disposto a seguir esse jogo? Não sabemos. Ao tentar por vezes fazer com que sua pessoa seja superior à do presidente dos Estados Unidos, ele comete deslizes feios de se ver.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Latifúndios ou não?

Existe um autor interessante que defende que as empresas que contratam mão de obra infantil e/ou paga salários de miséria no Sudeste Asiático ou na América Central, ao invés de serem demonizadas fazem, sim, um bem à economia local, pois essas pessoas ou não teriam trabalho ou ainda teriam um salário e condições ainda piores nas empresas locais. No ótimo “Economia Sem Truques - O Mundo A Partir Das Escolhas De Cada Um” os autores explicam as razões pela qual não adianta se proibir abusos como esses quando não existem opções e alternativas que tragam melhoras reais à vida dessas pessoas. É mais uma questão de falta de escolha do que má escolha.

Em meio à selvageria dos bandidos que organizam o MST e roubam o dinheiro público, se coloca mais uma vez em discussão a reforma agrária. Um dos argumentos mais usados é o de combate às grandes propriedades porque justamente as pequenas que seriam responsáveis pela produção de alimentos no país. Bobagem completa! Se dependêssemos dos pequenos produtores, estaríamos em um patamar africano e com menos empregos. Na mesma linha de raciocínio usado no livro que citei, um artigo divertido da Slate vem explicar porque as grandes são sempre melhores que as opções de micro e pequenos agricultores.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Baterias

Li dia desses uma explicação interessante que mostra que as baterias dos aparelhos eletrônicos são um artefato super ultrapassado, elas não acompanham a Lei de Moore que prega a rápida evolução dos hardwares. Elas ficam cada vez menores, melhores e mais baratas, mas ainda são limitadoras do trabalho uma vez que não conseguimos ver um filme inteiro em um celular e um laptop passa a ser inútil em viagens muito longas sem um carregador.

Da bateria de nosso celular e laptop só temos uma certeza: em breve ela será inútil porque não conseguiremos mais recarregá-la sem que ela fique zerada novamente em poucos minutos fora da fonte. Mas há jeitos de cuidar dela para que dure mais, próximo do prazo máximo de 2 anos para quais elas foram desenhadas. Tem especialista que diz que elas devem ser sempre recarregadas outros que elas deveriam ser carregadas o mínimo possível. O que é o correto?

Isidor Buchmann, CEO da Cadex Electronics, empresa Canadense do ramo de baterias diz que as baterias de laptop duram mais quando as mantemos sempre entre 20% e 80% da capacidade máxima. O calor é o principal vilão que joga contra durabilidade, então o melhor seria recarregá-la com o computador desligado e, uma vez na fonte, deveríamos retirar a bateria para que fique protegida e distante do calor. E não se esqueça de salvar de tempos em tempos o seu trabalho!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Celebridades...

Luciano Huck é o brasileiro de maior número de seguidores no Twitter com quase 1,5 milhão pessoas. Ele é também uma das pessoas mais inteligentes da TV brasileira. Quem o acompanha no microblog, viu no dia seguinte dele festejar o aniversário de um de seus 2 filhos que ele havia descoberto que um convidado colocara na Internet uma foto da festa. Ele então protestou no Twitter contra o autor do vazamento e convocou sua tropa para descobrir e denunciar o culpado.

Quinze minutos depois estava tudo resolvido. Poderíamos achar que ele fez isso para manter a privacidade da família, certo? Pois chegaram logo depois às bancas duas revistas com fotos de capa e mais fotos e fotos da festa. Huck não havia ficado indignado ao ver sua intimidade exposta, mas sim com o fim do ineditismo que prometera e vendera na forma de exclusividade às revistas.

Algum erro nisso? Não, pois ele faz e vende como bem quiser a sua imagem. Mas o discurso lido por aqueles que não conhecem detalhes de seus acertos financeiros fazia parecer como que um pai que queria apenas reservar seus filhos. Não! Ele queria apenas direito à exclusividade de vender o click ensaiado de sua celebração "espontânea". É assim o mundo das celebridades.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Normal ou Diet?

Tem uma piada meio tonta que diz que comida diet engorda porque você só vê gente gorda comendo muito dela. Bom, eu quase nunca vejo mulher gorda tomando refrigerante normal, todas tomam refrigerante diet ou light. Será que faz algum sentido?

Lembro que no primeiro ano de Nutrição lá na USP um professor fantástico que tive tinha uma tese em que ele achava que os adoçantes poderiam ter uma consequência de fazer com que o corpo gastasse menos energia por causa do desbalanço entre o gosto adocicado enviado ao cérebro e a falta de energia ingerida. Pois um estudo recente da Purdue University mostra que essa teoria faz sentido. Esses adoçantes dietéticos enganam nosso organismo criando confusão com essa falta de correlação entre o sabor doce e as calorias ingeridas. Lembremos que o corpo associa desde milhões de anos atrás o gosto doce ao açúcar e à energia dos alimentos. Um efeito rebote dos adoçantes seria então o corpo desesperadamente querer mais e mais alimentos doces porque não há ainda energia.

No experimento eles alimentaram ratos com adoçantes. Pois os mickeys aumentaram a ingestão de calorias (*por favor, nunca usem o termo “ingesta”, pois ele não existe e é MUITO mais feio que o “a nível de”), aumentaram de peso e a quantidade de gordura, ou seja, esses produtos alterariam a homeostase e os processos fisiológicos dos roedores.

Como você não é um camundongo, você pode desconfiar, mas algo com resultados similares foi feito com 12 mulheres. Quando consumiam açúcar as áreas do cérebro relacionadas ao prazer eram melhor estimuladas do que quando era consumido Splenda. A hipótese é que com o adoçante o corpo parecia não ter ficado saciado. Ou seja, podemos enganar o paladar, mas não o cérebro que dá sinais de não gostar de ser deixado pra trás porque quando ingerimos o gosto doce, mas não as calorias correspondentes, ele dá um jeito para que depois consumamos calorias como nunca.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Taxando a gordura

Falei rapidamente aqui outro dia da questão da globesidade e qual o preço que os obesos (ou gordos) pagam por isso. Há o inegável, reconhecido e ainda subavaliado (por eles) prejuízos à saúde deles, porém, há ainda o preço que a sociedade impõe, seja porque os considera menos atraentes fisicamente ou menos esforçados, assim eles recebem menores salários que aqueles com o peso dentro do IMC adequado. Mas não é só isso. A obesidade sobrecarrega a sociedade já que eles utilizam mais dos sistemas de saúde. Se os cigarros têm altos impostos pra reduzir o consumo, mas a taxação de alimentos gordurosos e/ou calóricos ainda não encontra muitos defensores, deveriam os obesos assim pagar mais impostos?

No longo processo de debate para um novo modelo de sistema de saúde americano essa questão vem sendo levantada. Alguns planos de saúde querem esse direito. É correto? Justo? Confesso que nunca pensei muito a respeito. Há o forte e equivocado juízo de que só é gordo quem quer ou quem não se esforça. A obesidade é uma doença e ninguém pensa em sobretaxar um diabético que quer um plano de saúde ou um insuficiente renal, por exemplo. Mas uma saída que estão apontando é dar descontos àqueles que estariam em forma, o que não muda muita coisa, mas é diferente. Se em aviões já se aceita que os gordos paguem mais, acho que esse novo custo não me parece impossível de acontecer em breve.

Mas o ponto é outro, uma parte das pessoas que avançam o limite da quantidade de calorias adequadas sabe que há o risco de problemas. Seu propósito declarado ou consciente não é o de se matar entupindo as artérias, mas independente de tudo, ele causa um dano objetivo. Mas o argumento é que ele é sempre vítima de tudo, se não da sociedade, da propaganda, do sistema, seja lá o que seja isso. E isso vale para o que bebe álcool e dirige bêbado, para o que cheira cocaína e faz passeata pela paz no domingo ou para o que faz sexo inseguro com várias e depois corre atrás do AZT gratuito. A responsabilidade individual parece ter sido banida, somos e queremos sempre ser vítimas de algo ou de um “inimigo” que não se personifica, nem seja claro e definido, para que assim não tenhamos que enfrentar a real culpa ou custo das nossas escolhas.

A pessoa hoje só quer obter prazer e o custo será repassado adiante, transferido obviamente para a sociedade. Assim que chegam as inevitáveis consequências negativas da escolha seria o caso de responsabilizar as pessoas pelas decisões feitas? No caso das drogas me parece bem claro, mas e no caso da obesidade? A se discutir.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Andar falando ao celular é seguro?

Um estudo bem interessante joga luz em algo em que pouco damos atenção: andar falando ao celular.

Pois uma reportagem que fala da pesquisa mostra que caminhar falando ao celular distrai tanto que geraria uma certa cegueira por falta de atenção. Os pesquisadores da Western Washington University fizeram o estudo utilizando pessoas andando falando ao celular, ouvindo MP3, andando com algum colega ou apenas andando sozinho.

Quando falando ao celular, as pessoas andavam mais lentamente, mudavam de direção mais vezes e eram menos capazes de perceber outras pessoas ao seu redor. Em outro estudo os que tagarelavam ao telefone estavam menos propensos a notar uma atividade atípica no seu trajeto como um palhaço em um monociclo.

Se andar já é uma atividade que requer pouca atenção, o que nos faz crer que poderíamos realmente dirigir também falando no celular?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Rio de Janeiro continua (MUITO) violento...

Dizem que o primeiro passo para um alcoólatra (ou dependente químico) na hora de tentar a cura é aceitar e reconhecer o vício. Tão logo as primeiras críticas à então candidatura do Rio de Janeiro como sede olímpica surgiram, alguns afoitos começaram a gritar "anti-patriotas" aos cariocas ou "bairristas" se Paulistas. Mas não é esse o mote do texto. Essa semana ouvi 2 absurdos ditos por José Mariano Beltrame, atual Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Na primeira pérola ele disse:

O Rio de Janeiro não é violento. O Rio de Janeiro tem núcleos de violência”.

Depois disso ele emendou:
Nós temos índices de criminalidade em determinadas áreas do Rio de Janeiro que são índices europeus”.

É um absurdo um sujeito desses ainda estar no cargo já que ele ainda não se deu conta dos níveis de violência que existem na cidade da qual ele é o número 1 em matéria de segurança pública. Ele é acometido do mesmo problema que alguns dos que amam a cidade padecem, não enxergar o óbvio, a violência no Rio de Janeiro atingiu índices de guerra civil.

O secretário quando diz que os índices são localizados ou são em algumas regiões de níveis europeus, deve ignorar que até em guerras há calmarias. Ele que tente explicar aos milhares de mortos essa sua tese estúpida e irresponsável.

O problema nas declarações é o secretário tentar reduzir a questão minimizando as consequências dela. Já disseram alguns que as autoridades comemoraram a escolha como sede olímpica com um discurso como se o mais difícil já tivesse passado, como se os problemas fossem de fácil solução, como se dependêssemos apenas de uma tal vontade política, como se tudo fosse acontecer e funcionar naturalmente.

Já disse aqui em outra ocasião, o brasileiro como em tantos outros aspectos já se acostumou com a violência local, ele a considera inerente, como uma paisagem, como um Cristo Redentor que faz parte do país e que não choca nem dispensa muita atenção. Se o povo mal enxerga o problema e paga para um secretário dizer que ele nem é assim tão sério, é sinal de que chegamos onde esperávamos. Assim é o Brasil.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UNITALEBAN

Não é segredo para ninguém, se você perder o RG dentro da UNIBAN, acabará matriculado lá. É assim também na UNIP, aquela que distribui “pen drives” aos alunos para que façam elogios da instituição no Enade. Esse é talvez o maior efeito colateral do péssimo ProUni. Lula, o presidente que faz apologia para que não se estude, aquele que já falou mais de uma vez que tem sono ao ler, acha que pagar universidades picaretas para aceitar aluno financiado pelo estado é investimento. Antes, essas porcarias de instituições ao menos tinham que convencer os candidatos, hoje basta ter um padrinho que garanta a demanda patrocinada com o seu, o meu, o nosso dinheiro.

Se você voltou de Marte ontem, talvez não tenha acompanhado a perseguição que houve a uma aluna da UNIBAN em função de seu micro vestido vermelho. Uma horda de alunos perseguia a dita cuja aos gritos de “pu.ta”. Fica claro que, mesmo inaceitável, parecia que tudo corria como resultado de uma decisão irracional de uma multidão que ficava inconsequente em sua decisão. Óbvio que isso não justifica em NADA o abuso, mas havia um quê de impulso, mas os problemas começaram quando, passado o momento, você ouvia as pessoas dizendo que a roupa da garota era a razão da revolta, ela seria a culpada, o gesto dos idiotas teria sido motivado, justificado. Se houvesse um estupro, parecia que o criminoso teria a razão. A que ponto chegamos?

A vítima deu mostras de não saber respeitar códigos de condutas sociais, mas NÃO há crimes para isso. Crime é você ameaçar alguém por fazer algo do qual VOCÊ discorde. Mas quando achávamos que havíamos visto o pior, a “conceituada” instituição anunciou nos jornais dominicais a expulsão da garota. Quando pensávamos que a UNIBAN estaria em problemas por ter que dar uma resposta à sociedade julgando os exaltados, ela deu, sim, um sinal às suas clientes: ou vocês se comportam ou o linchamento público, quiçá o estupro, as aguarda! Se nossos delinquentes se exaltarem, não temos nada a fazer que não a expulsão. Afinal, aos olhos da UNIBAN, essa é uma reação legítima, justa, quase a adequada.

À aluna, basta lamentar que ela seja uma sem-ONG. Fosse uma negra, uma lésbica, uma índia, hoje estaria sendo amparada pelas incontáveis ONGs patrocinadas com dinheiro público. Como é loira e branca, vai ter que se virar sozinha.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Aquecimento Global? Quem liga pra isso?

O livro Superfreakonomics já está gerando muita polêmica mundo afora por uma razão simples, eles defendem que o aquecimento global pode não ser esse bicho de 7 cabeças que andam pintando. Não li ainda (mas comprarei e lerei com certeza), então prefiro não falar muito pra não cometer os erros que estão cometendo, os mesmos que “não leram (o primeiro livro) e não gostaram” criticando com a absurda acusação de que eles defendiam o aborto de pobres como política de segurança pública quando apenas mostraram a ligação entre os fatos, mais aborto, menos violência.

À época da ECO 92 no Rio de Janeiro, muito se falava dos problemas ambientais. Depois ainda teve o tema da camada de ozônio. Isso tudo saiu da pauta global e voltou apenas com o Nobel da Paz do Al Gore. Mas veio a crise econômica global e novamente a pauta se alterou e hoje pesquisas indicam que os americanos estão muito menos preocupados com o tema aquecimento global do que estiveram recentemente. Egoísmo americano? Duvido. Acredito em resultados similares no mundo todo.

A razão principal é que a nossa atenção mesmo para assuntos políticos ou ideológicos parece ser muito influenciado pela distração com outras coisas, desde temas de interesse global (crise econômica), até a chegada do inverno que nos faz esquecer as altas temperaturas e vai até crianças chatas chorando, pequenas tarefas feitas simultaneamente ou então nossa cabeça está mesmo é pensando no nosso seriado favorito que está prestes a começar e o chato do entrevistador não termina logo o questionário.

Duvida? Este interessante teste online (em inglês) sem valor científico faz perguntas de modo que você responde concentrado e depois com algo bem simples tirando parte de sua atenção. Confira!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Gripe, Escuridão e Vitamina C

Um tempo atrás quando falava sobre vacinas contra gripes usei um trecho de uma música daquela ex-banda em atividade, o Titãs. No verso “o sorvete me deixou gripado pelo resto da vida" eles perpetuam o monte de bobagem que se ouve sobre gripes. As pessoas acham de verdade que tomar sorvete, beber líquidos gelados ou andar descalço causam gripe. Se fosse assim, os dinamarqueses que vivem num frio incrível e devem tomar por baixo umas 9 vezes mais sorvete que os brasileiros, deveriam todos morrer disso.

No mesmo texto lembrei meu grande professor, o falecido Gegê, explicava o mecanismo tonto que faz as pessoas tomarem vitamina C para se curar de gripes e resfriados. Eu ainda acho que todo mundo tem que comprar esses suplementos, pois não resolvem NADA, mas também não fazem muito mal e ainda geram emprego e movimentam a economia. Só não espere que ele TAMBÉM te cure.

Mas daí um dia desses aparece algo que realmente pode ser muito inovador. Um novo estudo mostra que não importa onde você esteja, você estaria sempre mais suscetível a resfriados ou gripes durante o inverno. Mas não seria apenas por causa das aglomerações, pois algumas pesquisas e teorias vêm mostrando que mesmo quando exposto ao vírus também no verão, o risco de contrair esses problemas é menor. Por quê? Isso seria por uma menor quantidade de vitamina D. A vitamina é sintetizada naturalmente pelo nosso organismo quando exposto à luz solar. Como no inverno em algumas regiões do planeta, como na Europa, os dias ficam bem mais curtos, estaríamos menos expostos à ela. Ou seja, contrair essas doenças seria resultado também de uma redução da quantidade de luz solar, algo como a escuridão como um fator de dispersão das doenças e questão. Quero só ver quem vai comprar suplemento de Vitamina D...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Qual o tamanho do gol? Depende.

Nossas percepções provam ser altamente relacionadas com o resultado no desempenho de nossas ações e com o esforço necessário para realizar a tarefa. A distância que temos que caminhar parece maior quando se trata de subida ou se estamos cansados ou indispostos, não é?

Pois há uma história curiosa naquela traumática decisão de pênaltis entre Brasil e França nas quartas-de-final da Copa de 86. Júlio Cesar, um baita zagueiro que marcou toda uma geração, disse certa vez em entrevista na TV com aquele sotaque caipira forte que quando levantou a cabeça após ajeitar a bola para a cobrança viu o gol “piquinininho” e o goleiro francês Joël Bats de braços abertos tocando as duas traves com as mãos. Qual foi o resultado? A bola explodiu na trave, o Brasil chorou e há quem jure que até hoje a trave balance por causa de tamanha pancada.

Até o Rei Pelé disse certa vez que no momento de cobrar o pênalti o gol diminui e o goleiro cresce. Pois estudos nos últimos anos vêm mostrando que esses são mais do que causos, que o desempenho pode afetar de verdade a percepção momentânea de grandes atletas.

Jessica Witt e colaboradores da University of Virginia em estudos passados com jogadoras de softbol comprovaram que há mudanças da percepção do tamanho da bola nessas jogadoras em função dos resultados de desempenho nas rebatidas. Ou seja, quando elas acertam, a bola parece ser maior do que realmente é e quando erram, ficam menores. Já com golfistas eles verificaram que o tamanho do buraco também se altera de acordo com o resultado.

Com 23 jogadores da National Football League (NFL) nos EUA eles fizeram um outro experimento avaliando o tamanho do Y (o “gol” no futebol americano) após 10 chutes. Aqueles que fizeram 3 ou mais acertos avaliaram o gol como sendo maior e quem acertou 2 ou menos, como menor. E não é só isso! Nos erros eles também achavam que o lado para o qual erraram parecia encurtado, ou ainda com o Y mais alto ou baixo do que o correto quando o erro era no eixo vertical.

Para que não houvesse dúvidas de que essa percepção fosse APÓS os erros ou acertos, na pesquisa com o pessoal da NFL eles fizeram também medidas antes E depois. E eis que a percepção de tamanho foi a mesma antes e mudou apenas depois em função do resultado!

p.s.: a foto do post é o do pênalti em 94 que eu prefiro lembrar depois de ter chorado com o Júlio César em 86. Ele deu a volta por cima, o italiano Roberto Baggio também, como mostra esse belo comercial.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Nome pode atrapalhar? - parte 2

Um tempinho atrás em um post sobre a influência dos nomes no futuro das pessoas, falava da minha teoria de que alguns nomes característicos de regiões do país (notadamente e francamente o Nordeste) ou de classes sociais (sem hipocrisia, as mais pobres) poderiam receber um tratamento menos justo em ocasiões como aquelas em que você não tem contato com a pessoa, mas apenas lê (carta ou e-mail) ou ouve (telefone) ela dizer como se chama.

Em outro post que falava sobre criminalidade e a aparência da pessoa (feios e bonitos) eu citei o fato de alunos mais bonitos receberem mais atenção dos professores. Mas parece que não são apenas os mais bonitinhos, não. Um estudo da University of Oldenberg baseado em um extenso questionário online preenchido anonimamente conclui que a grande maioria dos professores alemães traça um paralelo entre o desempenho escolar dos alunos e o primeiro nome deles.

Cerca de 2000 professores do ensino elementar anonimamente disseram que nomes tradicionais e obviamente germânicos são associados com melhor desempenho e melhor comportamento. Por outro lado, de nomes não-tradicionais e não-germânicos (de imigrantes, por exemplo) eles esperam piores notas e mais “arte” em classe.

Por incrível que pareça, a gritante maioria dos professores disseram fazer essa associação com o primeiro nome sem nem pensar duas vezes. Apenas uma pequena porcentagem disse na pesquisa anônima fazer uma segunda consideração. Ou seja, há um claro sinal de rotular negativamente alguém pelo nome. Vai ficando claro que nome não ajuda, mas pode atrapalhar.

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