quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Quem seria o melhor ator da história?

Meu amigo Ronalt me mandou já faz um tempinho um artigo do genial Bill Simmons sobre quem seria o maior ator ou atrtiz de todos os tempos. Eu tenho os meus preferidos a quem assisti ainda em vida. E não são poucos. Fora de ordem e incompleto aqui vão os que “me levam ao cinema”: Robert De Niro, o monstro Al Pacino, Tom Hanks, Sean Penn, o meu Obama Will Smith, Denzel Washington, Kevin Spacey, Daniel Day Lewis e outros.

Esqueça qualquer nome desses! A resposta para Simmons é Meryl Streep. Aos 60 anos ela tem 40 filmes no currículo* (fora outras pequenas aparições especiais ou vozes em desenhos). Ela tem 2 estatuetas do Oscar. Uma por melhor atriz coadjuvante em "Kramer vs Kramer" (idem, EUA 1979) e de melhor atriz em “A Escolha de Sofia” (Sophie´s Choice, EUA 1982). Além desses 2 prêmios ela tem outras 13 indicações! Tem também 23 indicações ao Globo de Ouro com 6 prêmios e mais 2 Emmy's.

Apenas Katharine Hepburn teve mais prêmios (4 estatuetas Oscars e 12 indicações), mas Meryl Streep ainda tem (teoricamente) muitos anos pela frente. E outros monstros como Jack Nicholson? 3 Oscar´s e 12 indicações. De Niro? 2 e 6. Pacino? 1 e 8. Nenhum outro sequer chega perto dela!

Simmons inclusive se deu ao trabalho de fazer um ranking com pontos em função dos prêmios e indicações o que prova que Meryl Streep é mesmo a segunda e com chances reais de assumir em breve a liderança. Justo? Bom, aí ao menos teoricamente você teria também que pesar Globo de Ouro e mesmo Emmy’s. É inegável que seus trabalhos são os mais lembrados na história das premiações. Compará-la com homem já é mais difícil, já que a briga no lado masculino é mais dura, o que não tira em nada o seu mérito. Mas não deixa de ser ibem nteressante essa análise resgatando um nome que muitos deixariam escapar.

*a título de curiosidade, um dos principais atores brasileiros do cinema nacional, Selton Mello, tem uma média fantástica de participação em filmes. Hoje ele tem mais filmes do que anos de vida! Média maior que 1 filme por ano de vida!! Tudo bem que infelizmente em muitos ele se limita apenas a refazer o seu fantástico Chicó de “O Auto da Copadecida” (2000) fazendo a versão Chicó traficante, o Chicó urbano, o Chicó viciado... mas é, apesar disso, um ator fantástico!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Até onde o governo vai pra nos "proteger"?

Juntemos as últimas medidas que li:

- a Prefeitura de São Paulo vai apoiar um boicote à carne para "salvar o planeta";

- no Estado de São Paulo (e em breve muitos outros estados) já não se pode mais fumar em locais públicos fechados e abertos, mesmo que em parques não haja malefício algum aos demais;

- a banana agora tem que ser vendida em quilo, não mais em cacho ou unidade;

- melancia também por quilo;

- alguns rondam a estúpida ideia do imposto do açúcar a ser colocado em refrigerantes e açúcar;

- Gatorade e outros isotônicos têm que vir com o aviso expresso de ser bebida para atletas, seja lá o que isso signifique;

- produtos de baixo valor nutricional teriam sua campanha restrita, o que também gera problemas para a venda de água que tem zero de nutrientes.

Se você, leitor, lembrou de outra excentricidade, pode me lembrar nos comentários. O que quero dizer é que se o estado se preocupa tanto e cuida tão bem assim de nossa saúde, não tenha você mesmo medo de mais nada! Quem pode ir ou ser contra?

Chegamos a uma situação onde o estado acha que sabe decidir por nós o que é melhor para nós mesmos! Saudades daquele tempo em que eu podíamos ir ao supermercado entupir minhas artérias de Bono de Chocolate sem fazer mal a ninguém sem ter uma instituição achando que decide o que é melhor pra mim. O brasileiro é um povo tão acomodado que prefere um estado paternalista cuidando até do seu próprio cardápio e costumes.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Michele Lula Obama da Silva

Por motivo de viagem de trabalho por alguns dias fiquei fora da internet e das notícias do mundo e eis que recebo então pelo meu amigo PJ essa foto que ele acha que será a fotografia do ano por seu simbolismo. Nela vemos a Primeira-Dama americana Michelle Obama no encontro da reunião dos chefes de Estado do G20. Michelle fez questão de dar boas-vindas abraçando e beijando quase todos os estadistas, mas diante de um sorridente Berlusconi o protocolo foi outro, ela apenas estendeu o braço para um aperto de mão.

A fama de Silvio Berlusconi não ser das melhores não justifica o ato. A esposa de Obama vinha muito bem no papel que lhe cabe, vinha recebendo elogios de todos os tipos, mas ela passou dos limites! Ela, ao contrário do italiano, não foi eleita para representar um país. Os pecados que ela condena nele são, até onde sabemos, de ordem privada. Então se Michelle não consegue cumprimentá-lo direito, deveria na sua privacidade ter pedido ao seu marido que não estivesse ali. Ela não entendeu que ali ela é um mero penduricalho, um enfeite, nada mais. Não queremos nem precisamos saber o que ela pensa. Com esse gesto infantil ela chega a desrespeitar um representante de uma nação amiga.

O papel de Primeira-Dama tem e deveria ser sempre o da discrição, separando sempre o público do privado. Não faz muito tempo tivemos a nossa fazendo aquela idiotice de, no quintal do Palácio da Alvorada, desenhar uma enorme estrela do PT como se lá fosse o quintal da casa dela. Dona Marisa comete besteiras graves como seu marido, que recentemente mais uma vez mostrou verdadeiramente o que pensa. Lula concedeu uma entrevista coletiva e voltou irresponsavelmente a defender o país dos aiatolás. Ao se referir ao papel do país afirmou:

“Nós somos o único PARTIDO do mundo que pode...”

Se para Michelle Obama sua opinião sobrepuja seu papel em funções de estado, para Lula e Marisa o partido tomou o lugar do país.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Comer menos carne resolve mesmo nossos problemas?

Eu não confio em quem não come carne ou não gosta de sorvete. A grande maioria dos vegetarianos que conheço são uns chatos e os outros poucos legais deixam de lado o bife de picanha sem os mínimos cuidados que compensem as carências que uma dieta 100% vegetariana causa no nosso organismo. Eu não quero discutir porque parece discutir religião. Respeito quem tenha essa atitude que é nobre quando não se come carne para não matar um animal. O que não pode é fazer pregação chata na mesa e ser hipócrita de ficar comprando sapato e materiais de couro legítimo e suplementos vitamínicos para suprir o vegetarianismo como se essas coisas caíssem do céu e não viessem do lombo ou do tutano de um ruminante.

No mais, fica o convite para que conheçam o sistema de abate de metade da carne nacional. Se você só come produtos das grandes distribuidoras (Perdigão, Sadia...) parabéns! Mas se você come daquele açougue “fundo de quintal” da esquina, pode ser que esteja comendo carne com muito hormônio e que a morte do animal seja na base da marretada na cabeça, sem nenhuma anestesia nem método digno. Coisa triste e forte. Difícil ficar indiferente. Mas se come de distribuidor legalizado, não se preocupe com hormônios em frangos e carne, isso é proibido e – acredite! – bem fiscalizado no país! Mas o abuso contra frangos é um fato.

Continuando, li que a Prefeitura de São Paulo vai apoiar a partir do dia 3 de outubro um boicote à carne para "salvar o planeta" em uma campanha do lobby de ONGs liderada no Brasil pela Sociedade Vegetariana Brasileira que pretende tornar o movimento nacional. A justificativa para o estímulo à alimentação vegetariana seria porque a dieta carnívora em ampla escala "é comprovadamente insustentável" além de não trazer benefícios à saúde. Bom, aí temos uma mentira e uma meia-verdade. Já falei aqui que uma dieta com produtos animais em quantidade moderada pode ser ainda melhor para reduzir o uso dos recursos naturais do que a dieta exclusivamente vegetariana. Lembremos sempre que a distância do produto tem peso fortíssimo no quanto dos recursos naturais são mobilizados. E o que seria “não trazer benefícios”? Aqui a tática é a de se repetir uma mentira para que ela se torne verdade. Você pode não gostar de carne, mas falar que ela é nociva é mentir. Ela em excesso faz mal, mas comer espinafre em excesso também faz mal. Comer abacate também entope as artérias se consumido diariamente. Os defensores adoram falar em lobby da indústria pecuária como se agricultores ou restaurantes vegetarianos fossem ONGs e não produtores que também têm seus justos lucros.

Já disse aqui que sou totalmente contra impostos contra produtos que são considerados vilões da globesidade. Refrigerantes e açúcar são os alvos da vez. Mas com a carne o problema são os limitados recursos naturais. Eu acredito realmente que o jeito é você taxar fortemente os produtos mais poluentes como a carne suína e a de frango. Ficar apenas no lenga-lenga com campanhas de conscientização não adianta. Que a coisa seja organizada, não na base do medo ou da meia-verdade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A dieta do palhaço

Já dizia alguém: cada um com seus demônios. Confesso que não consigo conviver muito bem com pessoas burras. Alguns, na ânsia de combater o que não gostam, atropelam regras básicas para construir suas opiniões de algo. No excelente filme Super Size Me (idem, EUA 2004), sobre qual falei em artigo no webrun, o diretor não se limitou a comer por 30 dias 100% de suas refeições no Mc Donald´s, ele foi mais longe! E foi exatamente isso que fez de seu filme algo essencial no assunto. Talvez por não ganhar o dinheiro que o diretor Morgan Spurlock ganhou com seu filme, outro autor teve sua revanche escrevendo que teve a ideia primeiro.

Por 65 dias esse autor do artigo comeria praticamente apenas hambúrgueres. Segundo ele, sua saúde mental se deteriorou depois de apenas 23 dias, ele havia se tornado momentaneamente mais “burro”. Uma burrice que seria curada depois de alguns dias fora da dieta do palhaço.

O autor pode não gostar de fast food, mas é gostoso! Prova disso é a quantidade vendida. Não precisa ter mais do que o Tico e o Teco habitando o que vai acima do pescoço pra saber que o excesso dele faz mal. Eu convido o autor a fazer a mesma dieta consumindo apenas brócolis por 65 dias. Nada mais que brócolis e veremos se a saúde dele melhora ou se ele apresenta algum outro sintoma. Eu vou achar esse um bom experimento se ele ficar mais saudável, mais – como dizia mesmo minha avó? - “corado” e ainda fizer dinheiro como fez o diretor Spurlock. De resto, também na Nutrição, sem demônios e muita parcimônia na hora de comer! Minha avó já sabia disso.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Menos ternos em Bangladesh

O uso de terno e gravata é um costume europeu. Faz sentido quando se vive em um continente tão mais frio. Aqui no Brasil, o uso não tem muita lógica, a não ser que se queira impor respeito. Mas já diz o ditado: manda quem pode e obedece quem tem juízo. Foi usando desse direito que a primeira-ministra de Bangladesh ordenou a funcionários do governo do sexo masculino que deixem de usar ternos, jaquetas e gravatas para economizar eletricidade.

Sheikh Hasina disse aos funcionários públicos que a medida é para minimizar o uso de ar condicionado que não deve ser ligado em temperaturas inferiores a 24ºC. Nem mesmo ministros terão que usar a vestimenta. Como deixar a gravata não é suficiente, os relógios foram adiantados em uma hora para economizar eletricidade durante o dia. O horário de verão funciona? Não é esse o ponto. A questão é você crescer 6% ao ano como eles e não se preocupar em acertar o setor energético e achar que usando menos roupa resolve.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Imposto sobre refrigerantes

Vivemos em um mundo mais chato. Mas ainda há esperanças! Saiu nessa semana uma reportagem muito esclarecedora na Veja sobre açúcar e refrigerante (assinante lê aqui) e depois de lê-la fica difícil não abandonar o refrigerante normal trocando por sua versão diet/light. Nela eles citam o estado de Nova Iorque que engavetou uma proposta de lei que sobretaxava em 18% os refrigerantes e sucos não naturais (tecnicamente todo suco é natural, mas aqui eles sobretaxariam aqueles com menos de 70% de suco natural, os néctares). Perdendo a batalha foram atrás de ganhar a guerra. A cidade de Nova Iorque criou então uma campanha agressiva para combater o alto consumo dessas bebidas calóricas onde se vê uma garrafa de refrigerante remetendo à Coca-Cola que transborda em gordura (daquelas amarelas) um copo com gelo.

O problema de criar aversão com essa campanha está longe de resolver o problema. As pessoas erroneamente acham que evitando os refrigerantes em favor de bebidas como isotônicos, estimulantes que dão asas, néctares (os tais “falsos sucos”) e sucos, elas estariam assim fugindo do excesso calórico e de açúcar que seria em si a causa do problema, não importando a forma dessas calorias ingeridas.

Porém, se os sucos são menos consumidos e comprovadamente mais saudáveis, por outro lado são igualmente calóricos e têm muito açúcar. Então as pessoas bebem suco de laranja “achando” que seria inofensivo como água. Mas assim como as frutas possuem muito mais fibras que os sucos, em grande quantidade (3 ou 4 laranjas por copo de 200ml) elas também possuem muito mais calorias e é aí que mora a armadilha já que quando as pessoas contam calorias elas geralmente acabam se esquecendo ou desconsiderando as calorias advindas dos líquidos. Escrevi inclusive antes a respeito de como em uma dieta cortando líquidos havia uma maior perda de peso já que as pessoas subestimam a quantidade de calorias dos líquidos. Mas sabemos que infelizmente falar mal de suco não dá voto e ainda fere suscetibilidades alheias.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Quantos anos tem o Totó?

O cachorro mais velho do mundo, a cadela Chanel, morreu de causas naturais aos 21 anos de idade, ou 147 anos de idade canina quando projetadas para uma idade humana, exercício esse que algumas pessoas fazem para calcular a idade das Lessie´s.

Essa conta serve para fazer um parâmetro de quantos anos o K-9 teria caso fosse uma pessoa. A fórmula oficial usada pela American Veterinary Medical Association atribui a um Rintintin de tamanho médio 15 anos de “idade humana” ao final do primeiro ano de vida do pulguento e mais 9 anos no segundo ano dele. Depois desses 2 anos, cada ano do Beethoven equivaleria a 5 anos de um humano. Difícil? Você encontra aqui* uma fórmula simples levando-se em consideração também o peso da bola de pêlo já que os maiores morrem mais cedo e os menores vivem mais. Ou seja, isso não tem nada de ciência, é mais para satisfazer curiosidade de donos de cachorro que hoje gastam fortunas em lojas para animais de estimação, aquele lugar que no Brasil ganha o nome bizarro de pet shop.

Isso tanto não é ciência que a estimativa de vida hoje para humanos é de 77 anos contra os 49 de 1901. Como comparar então, já que 32% dos exemplares do melhor amigo do homem viviam mais que 6 anos em 1987 e hoje esse porcentual está em torno de 44%? Nem quero saber! Basta um “vida longa aos cães”! Cães dos outros, que se diga, porque eles dão um trabalho...

*na tabela e convesão 1 kg equivale a aproximadamente 2,2 "pounds".

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Imposto Verde

Fui assistir ao novo filme de Sacha Baron Cohen, Brüno (idem, EUA 2009), e em um momento do filme o personagem sai procurando ajuda profissional para consultoras que o ajudariam na escolha de qual causa uma celebridade deveria defender para ser vista com bons olhos. Uma delas foi direto ao ponto, o combate ao aquecimento global é a causa do momento. Uma consultora não muito diferente dessas tomou as páginas da Revista Veja nessa semana (assinante acessa o artigo aqui). É desalentador ver que uma profissional do ramo ainda tenha dificuldades de entender como esse mundo de preservação da natureza funciona.

A entrevistada foi a consultora francesa Élisabeth Laville, 43 anos. Ela ajuda empresas a implantar políticas de sustentabilidade ambiental. Para a Srta. Laville “se o consumidor sabe que comer muita carne vermelha não é bom, é sua responsabilidade comer menos carne”. Sem dúvida que deve ser assim! Mas como fazer comê-lo menos carne? Em outra passagem, a consultora diz que “o mais importante é fazer com que as pessoas tenham conhecimento de que suas viagens (de avião) têm impacto sobre o meio ambiente”. Sabendo disso ela quando vinha para sua palestra no Brasil pagou uma taxa extra de 120 euros que seria usada para compensar o impacto ambiental resultante da viagem. Seria mesmo? Já escrevi aqui que não necessariamente funcione nem seja moralmente correto.

Sempre que acompanho o debate sobre preservar o meio ambiente me vem na cabeça qual a estratégia para se angariar adeptos. No dia que escrevo esse post, vi pela manhã um comercial da TV Globo de um sujeito que ficava falando sem parar sobre preservarmos a natureza. Mais tonto impossível, pois você pode assistir aquilo o dia todo e não mudar um mísero hábito. De toda entrevista da francesa a única frase que se aproveita é: (todos os) produtos terão de incorporar no seu preço uma compensação pelo impacto ambiental que provocam.

Por exemplo, falei em artigo para o webrun que os alimentos orgânicos não são em nada melhores do que os de produção convencional. Limitei-me lá à questão nutricional e as críticas foram que os orgânicos poluem menos, então essa deveria ser por si só uma razão para consumi-lo. Mas será que são mesmo? A entrevistada de Veja disse que um hábito que ela incorporou “foi comprar produtos de limpeza e alimentos orgânicos”, pois “essas atitudes podem ter enorme impacto na saúde de todos”. Isso seria verdade? Não são poucos os estudos que mostram que a distância do produtor ao consumidor é o que define o quão poluente é um alimento não o modo como são cultivados. Ou seja, a economia funciona de um jeito independente e mais complexo que o modo como queríamos que ela fosse. A Srta. Elisabeth acha que é uma questão de tempo até que esses produtos se barateiem “se todos começarem a exigir orgânicos no mercado”. Balela! Não é assim que funciona! Comparar um pimentão amarelo com o ar-condicionado dos carros mostra como ela trata o assunto. É burrice ou vigarice esse exemplo.

Por fim, acho muito nobre que pessoas como ela evitem, sempre que possível, andar de carro e de avião. Mas não espere apenas com campanhas que muitos outros o façam. Tudo na vida é gerido por incentivos financeiros. Não adianta deixar o carro 1 dia na semana em casa e continuar a consumir produtos que utilizam 3 vezes mais papel que o necessário apenas porque a embalagem fica bonita. Apenas iremos reduzir nossos gastos meio que na base da porrada, quando tivermos que pagar caro para cometer nossos excessos. Se dependermos dessa tática da consciência sem custo e compensação, torraremos inevitavelmente no aquecimento global.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Fast Food engorda?


Gosta de fast food? Eu adoro! É proibido? Não mesmo! Saudável? Infelizmente não é. Minha coluna desse mês no webrun trata de um filme e de um livro sobre o assunto. Para lê-lo na íntegra, clique aqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Jadel Gregório

Jadel Abdul Ghani Gregório, nascido exatamente 29 anos atrás (1980) é o maior triplista brasileiro de todos os tempos. Mais do que isso, Jadel Gregório, como é conhecido, é o 7º atleta a figurar no ranking de todos os tempos da prova do salto triplo no atletismo. Seu recorde sul-americano de 17,90m é hoje a 12ª melhor marca de todos os tempos. Ele foi destaque nacional na imprensa quando no GP Brasil de Atletismo em Belém no dia 20 de maio de 2007 ele quebrou o recorde sul-americano que já perdurava 32 anos e pertencia a João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, conquistado em 1975 nos Jogos Panamericanos da Cidade do México com 17,89m, estabelecendo àquela época o recorde mundial da prova.

João do Pulo foi um dos poucos brasileiros recordista mundial no atletismo. Antes dele apenas Adhemar Ferreira e Nélson Prudêncio (ambos no salto triplo) e depois dele somente Róbson Caetano (300m indoor), Joaquim Cruz (juvenil nos 800m), Esmeralda Freitas Garcia (salto triplo) e Ronaldo da Costa (maratona). Além desses nomes, arrisco dizer que apenas Jadel e Maurren Maggi (salto em distância) e Zequinha Barbosa (800m) formariam nosso grupo de atletas de maior êxito mundial. Sanderlei Parrela (400m) e Claudinei Quirino (200m) também podem ser incluídos em uma lista de nomes seletos.

Pois um dia desses olhava alguns números do grande Jadel. Quem acompanha de perto a carreira dele sabe que os melhores saltos dele foram feitos sempre em terra tupiquim. Tenho a honra de dizer que o conheço bem e já ouvi muitas histórias divertidas contadas por ele mesmo, que é uma pessoa engraçadíssima. Ele contava que quando as marcas de nível internacional começaram a surgir, os estrangeiros não acreditavam muito, então ele teve que competir no exterior sem a boa receptividade reservada aos melhores do mundo. Ele acabou não fazendo marcas excepcionais lá, mas obteve na Europa grandes vitórias sobre os melhores do mundo. A saber, ele tem 3 pratas em mundiais (Osaka/07, Budapeste/04 e Moscou/06, essas 2  últimas indoor). Nenhum outro brasileiro tem tantas!

Como disse, foi no Brasil que saltou suas 5 melhores marcas (17,90m, 17,75m, 17,73m, 17,72m e 17,70m) enquanto no exterior saltou 17,59m (2007/Osaka) e 17,54m (Lausane/2006). E com 2,02m e 102-104kg não se espera que ele seja muito longevo atleticamente e, pelo desenrolar de suas últimas temporadas, parece que estamos vendo o fim de um excepcional triplista. 2009 marca até agora seu pior ano desde 2002. Veja:

2009 - 17,12m (22o do ranking mundial);
2008 - 17,30m (16º);
2007 - 17,90m ();
2006 - 17,54m (6º);
2005 - 17,73m ();
2004 - 17,72m ();
2003 - 17,11m (15º);
2002 - 17,11m (19º).

Jadel infelizmente conduziu sua carreira sem qualquer assessoria profissional. Exemplos de erros, como muitos podem confirmar, são muitos. Por exemplo, ele abandonou de forma atribulada a parceria com aquele que é o maior treinador de saltadores horizontais do mundo, o brasileiro Nélio Moura, em um episódio bizarro após uma matéria veiculada no Jornal Nacional que por erro de jornalista leigo acabou ferindo orgulhos alheios. Assim ele desfez uma união até então vitoriosa. Depois mudou de treinadores de forma relâmpago até cair no atual treinador, o inglês que treinou o atual detentor do recorde mundial. Fez declarações desnecessariamente otimistas antes dos JOs de Atenas de 2004, o que frustrou a torcida de um país que cobra mesmo sem apoiar. JOs, aliás, são uma frustração para o atleta que ao menos em 2004 chegou com razoáveis chances, mas que era tido erroneamente como medalha garantida. Maior a expectativa, maior a frustração e ele acabou pagando por isso.

Por fim, pode se criticar o Jadel o quanto se queira por conduzir mal sua carreira. Mas ele é uma pessoa incrível e um vencedor. Além disso, saiu da pobreza completa para entrar na lista dos grandes de todos os tempos na especialidade que ele escolheu. Rapaz dedicado e sempre sorridente ganhou da sua sempre patrocinadora Nike um vídeo fantástico após mais um de seus feitos que reproduzo abaixo. Para mim, que escrevi semana passada um post falando mal de nosso povo, destaco uma frase que acho espetacular:

“Pare de arrumar desculpas!”

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Há benefícios com tantas multas?

Sabe-se agora que há uma coincidência um pouco mais assustadora entre os assassinos do horrendo 11 de Setembro de 2001. Meses antes da data, todos eles em algum momento acabaram na delegacia por violação de regras simples de trânsito. Nos EUA, de todas as pessoas presas quando paradas por policiais, 52% o foram em blitz rotineiras de trânsito ou justamente por quebrar alguma lei de trânsito.

O modelo de transporte Americano é algo diferente de tudo o que a gente conhece no Brasil. Por lá as pessoas passam a dirigir muito cedo porque não há sistemas de transporte tão eficientes quanto na Europa. Além disso, o país tem dimensões continentais, assim, o carro é dominante como meio de transporte. A consequência disso é que muitos crimes envolvem o carro como meio de transporte, porém o mais interessante de tudo é que mais e mais pesquisas têm mostrado que criminosos cometem mais violações de trânsito! Por exemplo, um estudo britânico de grande repercussão mostrou que 2,5% dos motoristas que cometeram algum crime entre 1999 e 2003 eram os responsáveis por mais de 30% das faltas graves ao volante.

Por mais que reclamemos das multas, elas são fundamentais. Tem gente que acredita que em Oslo, por exemplo, se mate menos ao volante porque os noruegueses dirigiriam mais Volvo’s ou então porque eles respeitariam mais as leis tão somente porque querem ou porque são mais educados que nós brasileiros. Não! No primeiro mundo as regras para tudo funcionam porque eles são mais responsáveis e principalmente porque lá você TEM que seguir as leis para não ser PUNIDO. Assim, as leis de trânsito nos mantêm vivos! E não é só isso! Estudos mostram que quem é multado acaba se envolvendo depois menos em acidentes fatais. E não é só isso! A análise de dados da cidade de Nova Iorque dá indicativos importantes. De 2001 a 2006, o número de mortes no trânsito envolvendo excesso de velocidade subiu 11% na cidade. No mesmo período – adivinhe! – o número de multas por acelerar demais caiu 11%. Já de 2006 a 2008, enquanto caíram em 13% as multas por ultrapassar o sinal vermelho, o número de colisões – deixa eu ver... – subiu! A França instalou mais e mais câmeras desde 2000 e assim no período houve 43% menos mortes nas estradas. Direto, não?

Uma simples infração de trânsito, como bem sabe qualquer brasileiro, ajuda a tornar as ruas uma selva, faz prevalecer a lei do mais forte. O dono do carro que passa sobre a faixa de pedestre porque está com pressa é aquele mesmo que reclama do caminhão que muda de faixa sem usar o pisca. Ele acha normal o carro de 1 tonelada prevalecer sobre o sujeito de 70kg, mas acha um abuso o ônibus fazer a curva “lambendo” a lateral dos carros. É como no modelo nova-iorquino da “Janela Quebrada”, a pequena infração faz com que tudo passe a ser aceitável.

Por outro lado, nós brasileiros temos por mania criticar sempre que há multas. As pessoas acham um absurdo haver radares de velocidade sempre argumentando que eles são muitos ou que são escondidos. Quando eles são multados, ou a culpa é da “indústria da multa” ou o policial que quer a propina ou então atingir uma suposta cota. É a terceirização da culpa que nós brasileiros fazemos tão bem quanto os demais países pobres da América Latina. Isso diz um pouco (ou seria muito?) sobre nós...

Eu lembro de um caso recente em que um grupo de amigos estacionou sabidamente em local proibido e queriam recorrer porque era feriado e não havia aulas na escola em frente do local onde estacionaram. Todos sabiam que infringiam a lei, mas é o tal jeitinho. Então eles queriam mudar as regras. No Brasil temos esse hábito estúpido, para reduzir as infrações de qualquer regra, não mudamos os nossos hábitos, apenas mudamos as leis para acomodar o errado dentro do permitido. A lei aqui se faz com o hábito, não o inverso.

Se serve de consolo, há mesmo evidências que as autoridades realmente aumentam a quantidade de multas quando há dificuldade financeira. Outro estudo, dos economistas Michael D. Makowsky e Thomas Stratmann, mostra que as cidades do estado de Massachusetts com problemas financeiros também toleram menos os erros cometidos por quem não é da cidade, multando assim quando bastava uma advertência. Porém o que é constatação não serve naqueles lados para anular nada. Ao mesmo tempo o estudo mostra que talvez o fato de não conhecer as ruas faz com que esses motoristas de fora sofram mais acidentes por não conhecer a vizinhança, mas mesmo assim multá-los mais comprovadamente acarreta por sua vez menos acidentes.

p.s.: gosta do tema “trânsito x multas”? Sugiro o ótimo texto do Rodolfo Araújo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Refeição e idiotas a bordo.

Li semana passada que em um voo Recife-SP da Gol aconteceu daquelas bizarrices que parece que só vemos aqui no Brasil. A empresa, seguindo uma tendência das empresas européias e americanas de baixo custo, passou a cobrar pelos lanches servidos a bordo. Como já disse aqui antes, por lá eles agora querem também cobrar pelo uso do banheiro. E por lá assim como aqui também só voa pela empresa e paga quem quer. Aqui no Brasil temos aquela estupidez que faz muitas pessoas acharem que alguns benefícios com o tempo viram direitos adquiridos, e isso fez a fúria emergir do âmago de uma passageira que meio toscamente saiu pelo corredor recolhendo assinaturas em um abaixo-assinado para dar início a uma ação coletiva contra a Gol. O retorno foi menor do que eu poderia esperaria, foram 55 idiotas (ou desinformados) entre os 187 passageiros.

A feira livre então estava armada! O comandante avisou por uma comissária que pousaria o avião no primeiro aeroporto para expulsar a piqueteira e ainda depois a tripulação informou que a Polícia Federal a esperava em Cumbica. Que beleeeza!

Passageiro de avião tem tanto direito a refeição quanto o passageiro do ônibus, metrô ou do mototáxi: nenhum. Como antigamente apenas ricos viajavam de avião e também pela briga por mais passageiros, o serviço de bordo tinha grande peso, era um diferencial. Antes havia cerveja e até uísque aos passageiros. Com o crescimento da concorrência e com a internet facilitando a comparação de preços, isso não faz mais sentido e nem gera mais passageiros. Então acabou-se a mordomia que não era dever deles.

Ou seja, se você quer fazer sua refeição no avião, pague! Não espere que deem isso para você. Pelo fato de voar não ser da natureza humana, não que se justifique, mas é lá que presenciamos algumas coisas estranhas. Ao ler essa notícia na hora me lembrei do reboliço recente que houve em um voo da TAM quando um passageiro exigia que o piloto viesse no corredor explicar as decisões tomadas sob mau tempo. É mole?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Da Série - Melhores discursos da história do cinema - parte 15

Morgan Freeman é o cara! No fantástico Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption, EUA 1994) ele faz o papel de um preso que acaba quase involuntariamente sendo um tutor do protagonista do filme. Se você ainda não viu o filme, veja!

Freeman no papel de Red admite ser um criminoso, ele não nega isso. Mas assim como qualquer outro, ele não gosta de estar preso. Como muito bem disse o Gian nos comentários de um outro post deste blog, nos EUA a justiça tenta punir o criminoso enquanto no Brasil acredita-se que nossa função é somente reeducá-lo e libertá-lo depois, como se a culpa do crime fosse nossa, da sociedade.

Red já cumprira 40 anos de prisão e tinha que provar que poderia ser solto. Ele já estava cansado de confessar seu arrependimento pelo que fizera, estava impaciente após tantas negações. Então ao invés de usar um discurso ensaiado, ele apenas falou o que sentia após uma mudança que acabara de ocorrer em sua rotina naquela prisão.

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1967 Parole Hearings Man: Ellis Boyd Redding, your files say you've served 40 years of a life sentence. Do you feel you've been rehabilitated?
Red: Rehabilitated? Well, now let me see. You know, I don't have any idea what that means.
1967 Parole Hearings Man: Well, it means that you're ready to rejoin society...
Red: I know what *you* think it means, sonny. To me it's just a made up word. A politician's word, so young fellas like yourself can wear a suit and a tie, and have a job. What do you really want to know? Am I sorry for what I did?
1967 Parole Hearings Man: Well, are you?
Red: There's not a day goes by I don't feel regret. Not because I'm in here, or because you think I should. I look back on the way I was then: a young, stupid kid who committed that terrible crime. I want to talk to him. I want to try and talk some sense to him, tell him the way things are. But I can't. That kid's long gone and this old man is all that's left. I got to live with that. Rehabilitated? It's just a bullshit word. So you go on and stamp your form, sonny, and stop wasting my time. Because to tell you the truth, I don't give a shit.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Gmail e o "problema" de ser tão bom

Não sei você, eu tenho o vício de sempre checar meus e-mails. Meu Gmail fica aberto o tempo todo, assim como o de todos no escritório. Então não demorou pra todos perceberem que o ótimo serviço gratuito de e-mails do Google estava fora do ar na 3ª feira da semana passada. Sabidamente não foi a primeira vez, já que houve uma falha no Gmail em Fevereiro desse ano por 2h30 e houve outra um pouco menor por 2h00 em Agosto do ano passado. Por mais que sejamos dependentes do Gmail, estamos aqui vivos depois desses 3 problemas. Com tantas outras possibilidades de nos mantermos conectados com o mundo, por que isso seria uma questão tão importante? Acontece que parece não estarmos habituados com a ideia de perder conectividade mesmo que de tempos em tempos por curtos períodos. Mas deveríamos!

A confiabilidade do Gmail é de declarados 99,9% o que significa que mensalmente eles se “dão o direito” de ficar por quase 45 minutos fora do ar, o que dá 9 horas por ano. A queda que houve nestes dias esgotou o direito deles para o mês de Setembro.

O Gmail foi revolucionário, pois ele aumentou o espaço de memória pra 1Gb, criou funções (o pouco usado Gmail labs) MUITO inteligentes, tem uma navegação espetacularmente eficiente organizando assim as mensagens por assuntos e acabou por inventar algo que substitui quase que de vez o Outlook, a função offline. Ou seja, aos iniciados a sua alta confiabilidade com grande número de usuários ajudou na repercussão da notícia de seus problemas.

Assim a queda do Gmail é o raro exemplo de quando a virtude acaba jogando contra. Se a eletricidade e a telefonia atendem números de escalas tão grande quanto os e-mails, por sua vez elas têm problemas de ordem físicas e naturais fáceis de explicar ao grande público. Além disso, elas atingem regiões distintas e raramente acometendo todos ao mesmo tempo. Já o Gmail sai do ar em todas as regiões do mundo simultaneamente, sem motivos compreensíveis, atingindo pessoas conectadas que por isso mesmo espalham a notícia quase instantaneamente. Para piorar para eles, somos razoavelmente pacientes com quedas de energia, mas não com o nosso servidor de e-mail. O Gmail, o e-mail de uma empresa tão inovadora quanto o Google, faz com que esperemos sempre cada vez mais deles. Se ficamos sem e-mails por míseras horas, ficamos desesperados, perguntando as razões e os porquês. Mas com tão poucas horas de inatividade, seja qual for o parâmetro de comparação, eles têm mais é que receber apenas elogios não broncas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Brasil, um país de tolos.

Estava ouvindo dia desses um samba antigo do Bezerra da Silva chamado “malandro é malandro e mané é mané” interpretado por um qualquer. Após cantar veio aquela pergunta profunda do apresentador: “Fulano, essa música é bem antiga, mas pra você quem é o Malandro e quem é o Mané no Brasil de hoje?”

O cantor disse que Malandro é o povo brasileiro que leva sua vida apesar de tantas dificuldades enquanto o Mané seria os políticos que causaram a crise atual no Senado. Pela atual definição do dicionário Houaiss, temos que “malandro” significa entre outras coisas “aquele que emprega recursos engenhosos para sobreviver ou aquele que furta, que vive fora da lei; ladrão, gatuno, marginal, sagaz, arguto, aquele que se vale de astúcia enganosa; finório, espertalhão”. Já para “mané” temos: “indivíduo sem capacidade, pouco inteligente; bobo, paspalhão, tolo, que não se apura no que faz, desleixado, negligente”.

Cada povo tem a classe política que merece. Acredito que temos de verdade muitos políticos honestos e corretos e, sabendo-se que não vivemos em uma ditadura, que votamos e elegemos nossos representantes, esses são assim uma amostra fidedigna de nossa população. Pois ou o artista se confundiu, ou ele quis mesmo dizer que malandro são os políticos causadores da crise, os que roubaram. Mané somos todos nós, os brasileiros, paspalhões ou tolos que aceitamos tudo ou desleixados e negligentes, aqueles que elegem e reelegem essa turma bandida. A prova? A prova é a reeleição de Lula, a prova de nossa incapacidade de pensar direito, a comprovação de que Darwin estava errado, que temos aqui nesse país o triunfo dos menos aptos.

Mas sejamos otimistas, o país que não combate traficante em terreno nacional, nem condena politicamente os terroristas da FARC, tem agora o maior contrato militar de nossa história para, segundo Lula, em um discurso de fazer corar até seus companheiros, para proteger a Amazônia e o pré-sal, como se fosse possível roubar nosso petróleo sem que nos déssemos conta ou se a conquista da Floresta Amazônica ainda fosse pauta global. Pois é, já disse o poeta:

"Malandro é o cara
Que tá com dinheiro
E não se compara
Com um Zé Mané"

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cardápios e descontos secretos

Quem gosta de comida japonesa ou chinesa sabe que é tudo (com o perdão do trocadilho) para inglês ver. Os pratos são ocidentalizados para agradar ao consumidor, ou você ainda tinha dúvidas disso? E então saiu um artigo que conta um pouco sobre o que muita gente já desconfiava: os restaurantes chineses nos EUA, e provavelmente no resto do mundo ocidental, têm um “cardápio secreto” acessível apenas aos descendentes e àqueles que dominam o idioma e a cultura.

Quando fui para Praga descobri algo que achei muito sujo. Como a quantidade de turistas pela cidade é impressionante, isso faz os preços da capital Tcheca serem mais elevados se comparados ao resto do país. E como o idioma local é muito exótico, em MUITAS lojas há nas vitrines em letras grandes um recado surreal em tcheco que 99,99% das pessoas não percebem: eles oferecem descontos na casa de 30% ou mais aos tchecos! É mais ou menos como o restaurante chinês, apenas o tcheco entende o recado, entra, pede com desconto e o trooouxa do turista sem saber nada nem imagina o que se passa.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Isso que é aluguel caro!

Por razões óbvias ganhou destaque a notícia de que um vendedor de cachorro-quente perdeu sua vaga na calçada do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque por faltar com seu aluguel MENSAL de U$53.558 (pouco mais de R$95mil) para a vaga de 2 carrinhos.

O cálculo do preço é baseado pelo fato do museu atrair anualmente 5 milhões de visitantes e por não contar com nenhuma opção de comida no local. Mesmo assim a conta parece não ter como fechar no azul.

Para efeito de comparação, nas demais ruas da cidade a taxa anual é (um pouquinho) mais baixa, na casa de U$200 (R$350) anuais. Mas como existem apenas 3100 licenças, há um mercado negro de vagas com os vendedores pagando muito mais do que esse valor para pegar a licença de um locatário.

Mesmo assim quer virar dogueiro em NY? A vida não é fácil, lá não é como no Brasil ou na Argentina onde você monta qualquer coisa e em qualquer lugar. Para piorar, o salário gira na casa dos U$15.000 anuais e as multas são das mais diversas possíveis como parar na rua errada, longe demais da guia ou com carrinho acima do tamanho permitido. Boa sorte!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Latindo para a árvore errada?

Um levantamento interessante no blog Freakonomics apresenta alguns números que provam que nosso temor de pessoas desconhecidas não faz muito sentido já que a imensa maioria dos estupros, sequestros de crianças e assassinatos têm como agente alguém de nosso convívio. O post foi originado após uma família muçulmana ter sido retirada à força de um avião por levantar suspeitas de terrorismo. Mas essa é fácil! Peça para fazerem o retrato de um terrorista e todos sairemos com caricaturas muito parecidas. A própria imagem do bandido nas telas do cinema sofre vigilância constante do politicamente correto. Hoje fica até bonito ter ladrões brancos porque você ganha simpatia de alguns e ainda evita processos por racismo. O próprio Detetive James Carter da engraçadíssima trilogia "Hora do Rush" (Rush Hour, EUA) sai com bordões do tipo “Teoria do Homem Rico Branco” que, segundo ele, explica todo crime porque haveria sempre um homem branco rico por trás de tudo. Dizer o mesmo sobre negros seria permitido? Infelizmente não! Mas tratando-se de comédia, que assim o fosse!

Bom, já diz um ditado: Gato que toma tijolada não dorme em olaria.

Pois um estudo aponta que o pássaro estudado também reconhece rapidamente os rostos das pessoas que vivem à sua volta. Se a pessoa já foi vista antes, ele fica ainda mais alerta e se mostra menos assustado quando a pessoa é uma “desconhecida”. Ou seja, eles fazem aquilo que seria estatisticamente mais correto com humanos. É a sabedoria da mãe natureza.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Negros, câncer e o politicamento incorreto.

Os EUA são um país com graves problemas raciais, mas eles combatem o problema com leis, não com cotas. E também pela gravidade do problema, o politicamente correto atinge aquele país com ainda mais força do que aqui. Para tudo eles parecem pisar em ovos quando se trata de temas que envolvam uma comparação direta entre brancos e negros, por exemplo.

Toda comparação científica de populações que envolva “raças” tem que vir sempre acompanhada de um cuidadoso filtro estatístico para que as características de renda e idade não influenciem o resultado. Se o mesmo fosse feito no Brasil, não haveria tanto piqueteiro profissional patrocinado pelo estado fazendo protesto exigindo cotas para modelos e estudantes. Muitos dos problemas que esses acham ser fruto do racismo são na realidade consequência da pobreza.

Um detalhado estudo divulgado recentemente nos EUA joga fogo em um tema delicado a eles. Na conclusão da pesquisa, as pessoas negras são mais propensas a morrer de câncer do que os brancos. Em um país como os EUA, onde a população negra tem indicativos econômicos piores, a dúvida é se as causas seriam genéticas ou sociais.

A vigilância politicamente correta parece aceitar sem problemas que se culpe a pobreza ou o pouco acesso aos planos de saúde como causadoras de uma maior mortalidade, mas quando se tem o cuidado de filtrar isso dentro da amostra de 20.000 indivíduos e se conclui que, sim, a cor da pele influencia a taxa de mortalidade, não sobram muitos corajosos dispostos a dar espaço ao estudo. Com exceção do Washinton Post foram poucos os importantes veículos que toparam publicar matéria a respeito sob um provável medo de acusação leviana.

O estudo frisa que apenas em alguns tipos ligado ao sexo (câncer de mama, ovário e próstata) houve diferença da mortalidade. E lembra também que há mais publicação corroborando o achado. Mas não demorou quem naturalmente já corresse para criticar a conclusão. Para esses, questões sócio-econômicas ainda na infância definiriam esse maior índice, pois os pobres viveriam em regiões mais poluídas (mesmo que não haja indicativo disso como acarretador da doença) e teriam também maiores índices de obesidade (esse, sim, um problema).

Tanto críticos e pesquisadores temem uma associação burra que levasse à conclusão estúpida de inferioridade racial ou genética como um causador da maior mortalidade. Enquanto houver pessoas que acreditem nisso, tocar em assuntos “delicados” como esse será sempre um tabu. O problema é quando esse tipo de patrulha faz com que se evite divulgar estudos sérios do gênero.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mexicanos, não venham para Brasil! Aqui se morre de Gripe Suína!

Eu ainda não consigo ficar com receio da Gripe Suína, a H1N1. No Brasil o reinício das aulas em muitas instituições foi reprogramado, algumas gestantes prudentemente foram liberadas para trabalhar de casa e chegamos ao absurdo de algumas cidades decidirem por fechar o comércio ou cancelar eventos. Em geral houve um pânico prematuro. As pessoas que tinham viagem marcada para os EUA, Argentina e principalmente México, cancelaram. Até amigos que moram na Austrália tinham que ficar respondendo dúvidas.

Eu havia comentado aqui que achava um precedente perigosíssimo o que acontecera com os times mexicanos que tiveram que abandonar o torneio “Libertadores da América“ de futebol por uma recusa dos adversários em jogar lá. No Brasil se mata mais no trânsito que a Guerra do Vietnã, se mata mais no Rio que na Guerra do Iraque, temos epidemias de Dengue em Salvador que mata mais que qualquer gripe, somos campeões de malária e tuberculose. Em qualquer ranking somos o Fluminense, você tem mais sorte procurando nossa colocação sempre de baixo para cima, estamos fadados a brigar sempre para não cair e jogar a divisão com os países africanos.

Por que estou falando tudo isso? Ganhamos mais um caneco, somos agora o país com maior número de mortos pela nova Gripe! Brasil-sil-sil! Não há governo a se culpar! Tudo é uma bagunça! Nosso controle nas fronteiras é uma piada. Dá pra rir, isso sim, do modo como encaramos o fato. Nas aulas, as pessoas com medo da gripe continuam a lavar as mãos com álcool em gel a cada intervalo, depois disso saem pelas ruas. No Brasil, lá fora é que mora o perigo. Antes fosse apenas uma gripe. Ela é de longe o menor de nossos problemas.
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