segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Celular ao volante

Uma pesquisa nos EUA mostrou que 81% dos americanos admitiram já ter falado ao celular enquanto dirigiam. Os outros 19% devem ser mentirosos. Eles ainda encontraram que 45% dos americanos dizem ter sido vítimas ou quase vítimas de pessoas que dirigiam falando ao volante.

Não deve haver pessoa que nunca ouviu sobre os riscos de se dirigir enquanto bate papo ao telefone. Você tem 3 vezes mais chances de se acidentar enquanto disca ou 30% apenas falando! É mais ou menos como um fumante dizer não saber dos riscos. Eu confesso que já falei muito ao telefone usando a velha tática de prestar ainda menos atenção nos outros por ficar observando onde estaria o guarda de trânsito. Não acho isso bonito, não!

Mas seria mesmo perigoso ou não passaria daquele tipo de recomendação tonta?
Acidente de trem em país rico é algo muito raro. Pois chamou atenção em 2008 quando uma tragédia matou 25 passageiros ferindo outros 130 em Los Angeles. Na investigação chegou-se ao improvável e inusitado: nas 3 horas antes do choque, o maquinista recebeu 28 torpedos e enviou outros 29. Sua última mensagem havia sido enviada somente 22 segundos ANTES do impacto, inclusive impedindo que ele visse o sinal de alerta em um posto de checagem. Esse maquinista ignorou irresponsavelmente o risco até 23 vezes maior que temos de cometer acidentes enquanto enviamos torpedos. Enquanto digitamos perdemos cerca de 5 segundos do que vai á nossa frente. Esse tempo é suficiente para cruzarmos em alta velocidade um campo de futebol.

Um relatório americano mostra que em 2002 o hábito de falar ao telefone enquanto dirige um automóvel foi responsável ou de alguma forma contribuiu para mais de 180.000 acidentes e mais de 1200 mortes! Por mais que se questione a metodologia, o cálculo mais otimista é de que mais de 500 pessoas morram por causa desse hábito. Outros relatórios chegam a números parecidos como 955 ou 2600 mortos como aponta uma pesquisa de Harvard.

Depois que proibiram o hábito eu ainda adquiri aqueles modelos com fones que possibilitam manter as duas mãos ao volante. Alguns países o liberaram, o Brasil não. As operadoras brigam para que se legitimem, mas as autoridades batem o pé. O que se vê em pesquisas é que eles não ajudam nada! Isso porque por mais que achemos que o problema de falar ao telefone no trânsito seja uma questão de habilidade física (mantendo apenas uma mão ao volante) ele é na verdade uma questão mental por tirar seu foco e atenção da rua ou estrada!

Um estudo muito esclarecedor feito em 2006 por pesquisadores da University of Utah mostra que o efeito de falar ao volante mesmo com as mãos livres tem efeito igual ou pior ao de se dirigir alcoolizado (concentração sanguínea de 0,08%)! Então se é proibido dirigir bêbado, por que não se combate com a mesma dureza o dirigir falando ao telefone? Primeiro porque até hoje não se deu muito destaque a essa quantidade enorme de mortes e acidentes.

Veja bem, se as empresas produtoras de bebidas alcoólicas reconhecem o malefício de seus produtos em nossa habilidade momentânea ao volante, quando as fabricantes de celular recomendam que não se dirija falando (ou enviando torpedos) no celular, isso se torna quase um reconhecimento público do problema.

Pois bem, em um mundo onde mais da metade da população tem aparelhos celulares, onde nos países ricos há mais celulares que habitantes e onde 2 bilhões de torpedos são enviados diariamente, passou a ser uma questão de segurança e preocupação o que se faz ao volante.

Se chegou o dia em que o álcool passou a não mais combinar com trânsito, vai chegar em breve o momento que o celular também terá que ser combatido.

Se mesmo assim você ainda acha que você é um piloto de F-1 com habilidade para fazer as duas coisas ao mesmo tempo, (spoiler alert!!!) veja abaixo um trecho importante do sensacional “Sete Vidas” (Seven Pounds, EUA 2008) com o monstro Will Smith.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Alimentos Orgânicos

Um longo relatório britânico chegou à conclusão que muitas pessoas não querem acreditar: segundo inúmeros estudos publicados nos últimos 50 anos, não existem evidências de diferenças qualitativas na composição nutricional entre alimentos orgânicos e aqueles produzidos de forma tradicional (uso de pesticidas e adubos industrializados). Simplificando: os alimentos autodenominados orgânicos NÃO são em NADA mais saudáveis que aqueles vendidos em supermercados e feiras.

Eu sempre dizia a quem me perguntasse que os maiores benefícios desses alimentos acabavam indo para os produtores porque eles vendiam por um preço muito acima dos alimentos convencionais. Achava que havia vantagens, o que provaram agora não existir. E foi sobre isso que escrevi em meu artigo mensal sobre Nutrição Esportiva no portal Webrun. A íntegra dele você lê aqui.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

De menos guerras e menos desaparecidos

O jornal The New York Times divulgou que o corpo de um combatente piloto americano foi encontrado no Iraque após 18 anos desaparecido no Golfo Pérsico durante a Guerra do Golfo. Além do grande intervalo de tempo (de 1991 pra cá), o que chamou a atenção de muitos foi que com isso encontrou-se aquele que era até então o único combatente desaparecido naquela guerra.

Para aqueles que fogem do assunto militaria, na malfadada Guerra do Vietnã foram 1.350 os americanos desaparecidos ou feitos prisioneiros. Na Guerra da Coréia, 8.177 já após a 2a Guerra Mundial (segure-se!) 78.750. Nunca o mundo foi tão seguro com tão poucas mortes com guerras. Hoje morrem menos civis e menos militares do que quando comparado a qualquer outro período da nossa história. Seria isso então uma maior efetividade do exército americano. Não! A diferença é que hoje não há mais guerras entre países e as características delas são muito diferentes. Na 2ª Guerra Mundial, por exemplo, antes do Dia D, o dia mais importante da história mundial no século passado, havia concentrados no lado aliado cerca de 300.000 soldados. Com a tecnologia de hoje, se o seu inimigo reúne uma tropa como essa você lança uma bomba nuclear no local e vence a guerra sem disparar um único tiro.

Outro ponto é que o caos do combate por vezes imperava e não havia ainda a máxima ocidental de “ninguém será deixado para trás” adotada com muito mais ênfase já nos anos 80 e 90. *assista “Falcão Negro em Perigo” (Black Hawk Down, EUA 2001) e leia também esse artigo sobre o filme.

Com tanta gente morrendo, sendo morta e abandonada, era um tal de corpo literalmente se desmanchar atropelado por tanques ou se evaporando com a explosão de granadas e morteiros que era até esperado e normal que virassem desaparecidos de guerra já que não havia sequer corpos ou restos deles para serem identificados e enterrados.

Porém com o acesso e circulação cada vez maior da informação e da cobertura de guerras, presenciamos notícias de combates e das mortes nelas. Achamos assim que vivemos num mundo mais violento que nossos avôs e bisavôs viveram. Isso é um erro factual. Um exemplo gritante recente foi a divulgação de que após 5 anos de Guerra do Iraque o número de mortos americanos por lá havia se igualado ao número de mortos no Dia D. Quem escreveu aquilo quis associar 2 eventos muito importantes mas que não se equivalem jamais. Naquele dia 04 de Junho de 1944, nas primeiras horas de invasão na Normandia morreu a maioria dos mortos daquele dia. Como comparar isso com 5 anos de guerra?? Não dá. É um dado estatístico imbecil. Acho que nem em transmissão de jogo de futebol na TV se veria números tão deslocados.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Os piores carros

Quando estourou a crise americana, o pedido de concordata da GM teve um simbolismo que fez os esquerdofrênicos se ouriçarem com um suposto fim do neoliberalismo. Muito se escreveu e muito se falou, mas o fato é que hoje o governo americano assumiu um abacaxi que é o de ser acionista de algumas das maiores empresas privadas do mundo.

Lá pela década de 80 o mercado americano foi invadido por carros japoneses (Toyota, Honda e companhia) que eram mais baratos, modernos, bem melhores, consumiam e poluíam menos. A desvantagem? Eram produzidos fora dos EUA o que ajudou para o desemprego com a queda nas vendas quebrando pólos automobilísticos inteiros (Detroit em especial que não pode ser salva nem mesmo pelo Robocop). Mas a culpa, lembremos, não era dos japoneses, mas das incompetentes empresas americanas.

E o país que nos deu as maiores empresas automobilísticas do mundo, também produziu alguns dos melhores modelos da história. Mas lista de melhores é lugar comum. Então foi publicada agora uma lista com os 50 piores carros da história.


No ano passado havia publicado aqui a notícia sobre o lançamento de um tênis Nike futurista que foi visualizado em 1989 de um mundo que se passava em 2015 no 2o filme da trilogia "De Volta para o Futuro" (Back to The Future, EUA). A Nike se antecipou em 7 anos e lançou o modelo. Desta vez a notícia ligada ao filme não é das melhores, o carro símbolo daquela trilogia, o DeLorean, está entre os tais 50 piores modelos.

Além disso, listar carro muito feio é tarefa fácil. Coisa de corajoso é listar uma BMW. Ainda mais macho é listar uma Ferrari (modelo Mondial). Mas a lista cronológica não teve o menor pudor e respeito, listando até mesmo o Ford T. Apontaram até mesmo um bode expiatório listando o Ford Explorer que foi por 14 anos um dos modelos mais vendidos nos EUA inaugurando segundo eles uma era de carros grandes, as chamadas SUVs. Atribuiu-se assim a esse modelo a tara tão americana de usar carros grandes que bebem e gastam demais.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Calorias no cadápio... Serviria para algo???

Um pesquisador certa vez conduziu um experimento interessante. Ele disponibilizava pedaços de um cheesecake para cada participante. Em metade deles ele colocava o garfo sem faca como se faz em bolo de festa de aniversário, espetado em cima enquanto para outros ele os colocava ao lado do prato, como pratos de refeição em um restaurante comum. Aqueles com o garfo espetado comeram muito mais do que os demais porque interpretaram que era um sinal indicando que se tratava de uma porção individual.

O quanto se come é algo mais complexo do que parece. Conforme já disse em outra oportunidade em um artigo no Webrun, as pessoas se deixam enganar facilmente não sabendo assim avaliar bem a quantidade de calorias dos alimentos, então o modo como nos alimentamos acaba quase sempre seguindo um modo meio errático e complexo, nada muito simples.

Pois há uma nova lei em Nova Iorque, Filadélfia e algumas outras grandes cidades americanas exigindo que restaurantes agora deixem disponíveis as informações nutricionais dos seus pratos de uma maneira fácil e didática ao lado dos preços (valores esses com ou sem o símbolo do dólar??). Mas essa lei cobre apenas as cadeias, não qualquer restaurante.

Disponibilizar esse tipo de informação é algo que está ficando popular por lá. Inclusive muitas outras cidades estudam adotar medida semelhante com apoio da imensa maioria da população. Isso irá fazer do americano um povo mais magro?

Não sabemos ao certo porque não há dados que comprovem que haja esse tipo de efeito. Não se sabe o tamanho da influência causada no indivíduo já que os estudos geralmente se aplicam a somente uma refeição pontual sem levar em conta as refeições seguintes ou ainda o hábito do sujeito como um todo. Inclusive sabe-se que é muito comum o sujeito exagerar na próxima refeição quando escolheu algo muito saudável na anterior. Seria meio que a compensação de algo que ele abriu mão. Há ainda o caso do indivíduo que come apenas salada no jantar como que se fosse possível se desintoxicar de uma desforra do almoço de aniversário da empresa.

Pois é, não somos tão pragmáticos, pois um sujeito que frequenta o fast food sabe da natureza pouco saudável da escolha, então ele estima o consumido de acordo com o ambiente, já aquele chato que vive pedindo pra você ir com ele comer aquele monte de folha pagando bem mais caro por isso, acha que fez uma refeição super saudável. Não caia nesse truque! Por quê? Há um estudo interessante que mostrou que esse cliente acha que em média está consumindo 325 calorias quando na verdade consome em média 700, diz o estudo.

Mesmo que naquela refeição com as informações expostas ele coma menos, o ponto fraco da lei é cobrir apenas cadeias, assim não se sabe se haverá um número suficiente de restaurantes capazes de causar impacto na saúde pública. Outro problema ainda é a confiabilidade da informação.

Esse problema da precisão não pode ser ignorado. Um programa de TV da ABC2 levou ao laboratório alguns pratos para saber o quão preciso eram os cardápios. Surpresa! A imensa maioria deles era descrito como sendo mais saudável do que a realidade. No genérico do Outback, o Applebee's, um pedido possuía 400 contra as 310 calorias anunciadas. Outro prato de outro restaurante tinha 990 e não as 640 anunciadas, 55% a mais. Em outro, eram 1022 contra as 500 calorias. Dá pra confiar, então? Como não se especifica sequer se a cobertura do sorvete e os acompanhamentos dos pratos estão na calculo, fica pouco crível. Dá para achar que cada porção de batata frita será igual em peso e tamanho? Não há especificação de precisão então fica muito ao gosto do restaurante.

Os otimistas com a suposta eficácia da nova lei acreditam que somente em Nova Iorque pode haver uma redução de 150.000 no número de obesos e de 30.000 menos casos de diabéticos nos próximos 5 anos. Isso é um chutômetro puro e vagabundo. Por quê? Uma das pesquisas que serviu de base é uma feita na Big Apple com 7318 nova-iorquinos que foram entrevistados quando deixavam 275 restaurantes do tipo fast food no almoço. Dessas cadeias, apenas a Subway (conhecida dos paulistanos) já exibia os valores antes da lei. Pois bem, quase 1/3 dos clientes da Subway confirmaram reparar na informação fornecida contra apenas 5% das demais cadeias! Além disso, na Subway mais de 1/3 dos clientes disseram que os valores alteram seu consumo reduzindo assim em 99 calorias o seu pedido. Ou seja, para acreditar nos benefícios dessa lei para o emagrecimento da população americana, você tem que ser otimista e achar que quem come fora em NY é um típico consumidor do Subway sendo que a propaganda da cadeia já é voltada para aquele que busca uma alimentação mais saudável!

Por outro lado, esse cliente não tem muito de onde cortar calorias visto que mesmo entre os consumidores da cadeia, aqueles que notaram os valores acabaram consumindo 52 calorias a menos que os demais, o que é bem diferente de quem vai a outras lanchonetes e restaurantes.

Outra pesquisa com 299 nova-iorquinos diz que 82% deles disseram que mudaram seus hábitos sabendo dos valores nutricionais. Mas os pesquisadores sabem que pesquisa com hábitos nutricionais é bem parecido com pesquisa sobre comportamento sexual, as pessoas dizem exageradamente o que fazem escondendo o que pode parecer errado aos nossos olhos, ou seja, não acredite nesses 82% de mentirosos!

Além do problema de precisão dos dados e do comportamento do consumidor, segundo números do próprio governo, apesar de aproximadamente 50% do dinheiro que o americano gasta com alimentos ser usado para comer fora de casa, uma lei como a de NY afetaria apenas 1 em 15 refeições nacionalmente já que apenas 35% dos restaurantes se encaixariam naquela categoria de cadeia.

Há ainda gente que diz que a lei deve existir porque o consumidor teria o direito de saber. Bobagem. O consumidor não sabe de muita coisa que consome. O restaurante assim não tem que ser obrigado a estampar no cardápio ao lado do preço como manda a lei. Ele poderia ser informado quando questionado. Por fim, tem gente ainda que diz que seria difícil haver prazer comendo um pedaço de bolo com 750 calorias. Será? Isso é simples, é só perguntar a um fumante como é pagar e ter prazer por algo que está longe de ser saudável.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Schummy 8, o retorno

Nessa 2ª feira dia 24 era supostamente para estarmos comentando o retorno de um dos maiores pilotos de todos os tempos à F-1. Quando Massa se acidentou em Budapeste (Hungria) especulavam sobre a possibilidade de Michael Schumacher assumir logo o posto. Ele negou veemente, mas foi também meio na afobação de correr e pelos milhões de euro que anunciou que voltaria sem fazer qualquer tipo de teste após 3 anos fora do circo.

O piloto alemão Michael Schumacher se despediu de uma F-1 bem diferente no GP Brasil em Interlagos no ano de 2006 em uma prova memorável. Ele tinha o melhor tempo nas duas primeiras sessões de treinos, mas um problema mecânico o fez abandonar um treino decisivo e assim ele largou na 10ª colocação. Ele assumiu rapidamente a 6ª posição, mas na ultrapassagem sobre Fisichella ele furou o pneu na asa dianteira do italiano, indo aos boxes caindo para o 19º lugar. Voltou a ultrapassar outros pilotos terminando em uma 4ª colocação com lances da genialidade de Schummy.

A volta do alemão viria a igualar outros retornos fantásticos da história do Esporte. Cito 3 especiais:

No dia 24 de Julho de 2005 Lance Armstrong venceu (até então) o seu sétimo e último Tour de France. Depois ele abandonou o profissionalismo, correu duas Maratonas de Nova Iorque em um tempo excepcional para um corredor “amador” e decidiu retornar em 2009 ao Tour com um fantástico 3º lugar se tornando com isso o 2º ciclista mais velho a alcançar o pódio da mais importante competição de ciclismo mundial.

Já em um dos dias mais tristes da história da humanidade, em 06 de Outubro de 1993, Michael Jordan, o 2º maior atleta de todos os tempos, anunciou sua aposentadoria citando o assassinato de seu pai e a falta de motivação em jogar como as principais razões. Mas em 18 de Março de 1995 seu anúncio de retorno à NBA foi feito em 2 palavras: "I'm back." Quando o homem mais importante do mundo, o presidente dos EUA, citaria alguém? Pois veja essa foi a frase de Bill Clinton à época:

"The economy has produced 6.1 million jobs since I became president, and if Michael Jordan comes back to the Bulls, it will be 6,100,001 jobs."

No dia seguinte ele estava já usando seu novo número 45 (o seu antigo 23 havia sido aposentado). No retorno marcou 19 pontos fora de casa com recorde de audiência televisiva que perdurava desde 1975. Na 4ª partida de seu retorno no dia 28 de Março marcou inacreditáveis 55 pontos também fora de casa alcançando assim com o Bulls a etapa de mata-mata. No 1º jogo da série após perder uma bola no finalzinho de jogo ouviu uma provocação desnecessária de um jogador que disse que Jordan “não era mais o velho e bom Jordan”. Eis então que ele volta a usar o número 23 marcando uma média de 31 pontos nos 6 jogos seguintes. Mas não foi o suficiente, eles perderam a série, mas Jordan voltaria a ganhar outros 3 campeonatos na NBA.

E por fim, o boxeador Rocky Balboa travou uma emocionante luta contra Mason ”The Line” Dixon em Las Vegas no dia 26 de Fevereiro de 2005 aos 59 anos em um combate exibição após quase 20 anos de sua despedida do boxe profissional naquela geopoliticamente histórica luta exibição contra Ivan Drago em Moscou (Rússia) no Natal de 1985 no apogeu de seus 39 anos.

Eu ainda não perdi as esperanças, espero que o alemão ainda volte antes do retorno do Massa na vaga ocupada toscamente por Luca Badoer.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Da Série - Melhores discursos da história do cinema - parte 14

Uma das biografias mais interessantes que já li é sem dúvida a do matemático John Nash, que deu origem ao belo filme Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, EUA 2001). A vida dele é bem mais complexa e genial que a retratada nas telas. Talvez a persistência de sua mulher durante toda a vida para amenizar as consequências da terrível doença do matemático não tenha ficado tão clara no cinema. Se não ficou, ao menos na cena do discurso de entrega do seu prêmio Nobel de Economia tivemos uma das demonstrações mais belas de reconhecimento.

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Nash: Thank you. I've always believed in numbers and the equations and logics that lead to reason. But after a lifetime of such pursuits, I ask: What truly is logic? Who decides reason? My quest has taken me to the physical, the metaphysical, the delusional, and back. I have made the most important discovery of my career - the most important discovery of my life. It is only in the mysterious equations of love that any logic or reason can be found. I am only here tonight because of you [looking at and speaking to Alicia]. You are the only reason I am. You are all my reasons. Thank you.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Por menos mortes no trânsito? Rotatória neles!

Alguns dias atrás escrevi aqui no blog como algumas medidas que podem parecer contraproducentes podem ser na verdade uma boa medida para reduzir o trânsito das cidades. Na ocasião expliquei que fechar algumas ruas poderia inclusive reduzir o tempo no trânsito. O mesmo vale para o efeito da velocidade máxima ou para a construção de mais e mais pistas, medidas essas bem simplistas tomadas para tentar reduzir o caos.

Outra alternativa que pode nos parecer estranha é o uso de mais rotatórias. Quando morei na Irlanda eu achava curioso o grande número delas. No Reino Unido é quase um símbolo nacional! No Brasil ainda associamos rotatórias ao tamanho da cidade, pois é muito mais comum vê-las em cidadezinhas do interior. Quem frequenta a USP pode dizer que os semáforos por aqueles lados só ficaram mais frequentes muito recentemente, pois até então elas davam sozinhas conta do recado e só tiveram o reforço de sinais luminosos para compensar a extrema falta de educação do povo brasileiro e o aumento do trânsito direcionado para aquela região.

Eis então que um estudo de 2008 feito pelo engenheiro Ken Sides mostra que a Austrália construiu recentemente sua 8000ª rotatória. É um número ainda mais surpreendente quando comparamos com a quantidade nos EUA. Os americanos precisam construir aproximadamente outras 148.519 para ter a mesma quantidade por habitante! Um dado interessante é que desde 1980 a taxa de morte caiu pela metade da americana na terra dos cangurus, fato também atribuído em parte ao grande número dessas rotatórias!

E por que elas seriam assim tão importantes para a segurança?

Pelas suas características elas requerem que o motorista tome suas próprias decisões e não dependam somente de terceiros (semáforos). No post que falei do fechamento, expliquei também como algumas cidades na Europa aboliram completamente os semáforos nas ruas com grande redução de acidentes por aumentar o nível de atenção de quem dirige.

Outro ponto importantíssimo é que os cruzamentos são de longe o local mais perigoso do trânsito. O motorista brasileiro culpa a má conservação de nossas estradas como culpa pelo nosso titulo de trânsito que mais mata no mundo, quando a absoluta maioria dos acidentes é de causa puramente humana. Reconheçamos, nossos problemas moram na impunidade, pois todos podemos matar no trânsito e pagar alguns reais para nem sequer dormir na prisão.

Voltando aos cruzamentos e sua periculosidade, segundo a agência americana Federal Highway Administration, mais de 20% das fatalidades nos EUA acontecem nos cruzamentos. Mas apesar de apenas 10% dos cruzamentos possuírem semáforos, quase 30% ocorrem neles! Mesmo levando-se em consideração que justamente os mais movimentados necessitariam de semáforos luminosos, há um índice de mortes comparativamente muito maior!

Para reduzir o enorme número de mortes no trânsito americano, um estudo inclusive recomenda e sugere que a instalação de rotatórias implicaria por lá em uma redução no número vergonhoso deles.

Pode parecer estranho tal medida, mas as rotatórias são mesmo mais seguras por razões muito simples. Elas geometricamente (e fisicamente) reduzem em 4 vezes o número de lugares que um veículo pode bater em outro. Elas eliminam a possibilidade de conversão à esquerda no sentido contrário do tráfego. Outra mudança é que ninguém acelera mais ao aparecer a luz amarela porque você não precisa vencer o semáforo. Outro fator é que psicologicamente as rotatórias parecem ser menos seguras, o que é algo que joga a favor da segurança porque somos mais cuidadosos em situações que julgamos haver maior risco. Ainda há o fato de que para entrar na rotatória temos que reduzir a velocidade. Outro ponto psicológico é que a rotatória em si é um obstáculo físico natural que age como uma quebra mental na continuidade das avenidas e estradas que quando muito retas e livres nos fazem impor ainda mais velocidade aos veículos que conduzimos. E se mesmo assim nos acidentarmos, a colisão será em velocidades menores e por isso menos fatais.

E não custa lembrar que como ser ecologicamente correto está na moda, economicamente é muito menos poluente e mais barato você andar com um carro sem pará-lo por completo (não à toa o carro gasta menos na estrada que na cidade). Assim, a rotatória evita que se gaste combustível com todas aquelas paradas que fazemos nos sinais vermelhos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

E o Oscar de filme mais rentável da história vai para....

Tem o velho pensamento que ouvi uma vez e que não abandono mais: se jornalista entendesse de números, viraria publicitário e ficaria rico. Então por que o anúncio do sucesso de filmes no cinema continua baseado na arrecadação e não no número de ingressos?

Um site possui uma lista dos 100 filmes mais rentáveis de todos os tempos baseados e corrigidos com a inflação do período. Assim como os filmes ficam mais caros com o aumento natural dos preços, eles também arrecadam mais não necessariamente por que são vistos mais vezes. O preço do ingresso de cinema nos anos 40 girava na casa dos U$0,50, hoje a média americana é de cerca de U$7,50. Dá então para comparar diretamente sem ajustes? Não mesmo!

Ao mesmo tempo, a população americana na década de 40 era quase a metade da atual. Por sua vez, um ingresso naquele mesmo ano era comparativamente bem mais caro do que um ingresso hoje se levarmos em conta a inflação, os preços dos demais produtos e a renda da população. Sendo assim, mesmo mais caros e por isso mesmo podendo arrecadar mais, um filme hoje não atrairia necessariamente mais gente do que antes. Podemos dizer que antes alguns filmes levaram mais gente, proporcionalmente tinham mais público e as pessoas pagavam comparativamente mais para ver o filme.

Nesse novo ranking ajustado, o filme “E o Vento Levou...” (Gone with the Wind, EUA 1939) seria o filme de maior arrecadação enquanto o Titanic (idem, EUA 1997) perderia seu posto mantendo um respeitado 6º lugar. “A Branca de Neve” (Snow White and the Seven Dwarfs, EUA 1937) seria um prodígio da animação emplacando uma 10ª posição mesmo não estando na lista convencional de Top 100. O choque é maior quando você compara com o ranking baseado apenas no critério convencional de arrecadação e vê que o líder dessa outra lista adaptada é o único filme pré-1973 na lista dos 100 mais.

Mas voltemos, por que se basear na bilheteria e não no público? Primeiro porque o interesse não é quantas pessoas verão o seu filme, mas o quanto ele irá gerar de dinheiro e retorno aos investidores o que também já é um bom indicativo do que ele pode gerar com outros produtos derivados como DVD's, jogos de videogames e CD's de trilha sonora. Também se especula que essa manchete seria algo que se torna constante a cada verão por causa do aumento dos preços não correndo o risco de ser uma chamada cada vez mais rara no futuro. E por último, esse critério é o que sempre foi usado e o que mais importa no controle das informações passadas dos cinemas para os estúdios e demais empresas. Simples assim.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Bolt Bolt Bolt!

Algumas semanas atrás ouvi uma definição muito boa se referindo a pilotos de F-1. O atual líder do mundial, Jenson Button, dono de menos de 10 vitórias na carreira havia dito em entrevista que se considerava o melhor piloto da história. Para Barbara Gancia, alguém que pilota um F-1 se expondo tanto tem que ter essa exagerada e deturpada autoconfiança para poder valer tantos domingos e riscos. Com a prova de 100m do atletismo é algo parecido: é difícil exigir desses jovens atletas que não se sintam exageradamente super confiantes. Visto assim, a frase de um dos maiores velocistas do mundo ganha ainda mais força quando tem que definir o homem mais rápido da história. Darvis Patton disse:

"There are no words to describe him. He's like a created game person. He's like a cheat code. That's how good he is...."

A pessoa no caso é Usain Bolt sobre quem já falei sobre o histórico aqui. Mas mais do que a marca difícil de acreditar gosto ainda de lembrar outros pontos interessantes. Na análise da prova de Bolt há alguns números bem interessantes. Alguns anos atrás montaram um 100m “perfeitos” com os 10 melhores 10m de cada setor de todas as corridas já gravadas na história. O ex-velocista americano e ex-recordista mundial Maurice Greene entrava em 8 das 10 parciais e o tempo ideal era de 9.66. Pois Usain Bolt “unificou” esses 100m “perfeitos”. Ele superou todas as parciais da 2ª à 10ª parcial de 10m. Só perde os iniciais 10m por 3 centésimos para o também jamaicano e ex-recordista mundial Asafa Powell da final desse domingo.

Então hoje o 100m perfeito é de 9.55. Em Berlim ele passou a liderar por volta de 15m até o final. Atingiu um pico de pouco mais de 44.72km/h (entre 60m e o 80m), sendo o primeiro a quebrar a casa dos 43km/h na história e atingiu o 99% da Vmáx na marca de 48m, marca fundamental para analisar os desempenhos.

Na era Carl Lewis achava-se que os melhores chegariam no pico de velocidade na casa dos 60m e não mais que isso, mas Bolt vem empurrando esse gradiente para a casa dos 80m já que o pico dele foi por volta dos 70m.

Outra comparação. Mesmo as parciais dos JOs de Pequim não sendo confiáveis (como nada que venha da China), neste domingo ele estaria perdendo dele mesmo em Pequim até os 20m, empatado com ele nos 40m e liderando por 1 centésimo nos 60m. Já foi provado também que em Pequim sem comemoração ele não baixaria mais do que 3-5 centésimos.

Sabendo que a marca dele em Pequim sem a comemoração deveria, a mais otimista delas, ser 9.63, a primeira coisa que pensei foi: como ele poderia melhorar tanto em tão pouco tempo? Prefiro acreditar que ele, Tyson Gay e Asafa Powell, os 3 das raias centrais e os 3 homens mais rápidos da história, joguem limpo, sem doping, diferente de outros grandes velocistas recentes no atletismo como Ben Johnson, Lindford Christie, Justin Gatlin, Tim Montgomery, Marion Jones, Dwain Chambers e Maurice Greene.

Pois em Pequim o vento estava em zero, enquanto em Berlim estava a 0,9m/s a favor. Se houvesse zero de vento, como na China, ele correria em projetados 9.62 o que seria igual a marca dele em Pequim SEM a comemoração. Ontem mesmo alguns especialistas (esqueça o péssimo Lauter Nogueira) estavam espantados com uma suposta incrível melhora do Bolt. Mas podemos ver que houve uma grande melhora, sim, mas analisada calmamente, menor do que achamos em uma primeira análise.

O que acho mais notável em Bolt e sua incrível e absoluta superioridade é outra coisa. O americano vice-campeão, Tyson Gay, o 2º maior velocista de todos os tempos, de quem sou muito fã, fez nada menos do que a 3ª melhor marca da história e mesmo assim domingo passou desapercebido! Em Pequim, Gay, que estava lesionado, correndo os mesmos 9.71 impediria que Bolt comemorasse como fez. Mas o maior mérito de Bolt é algo que comentei aqui antes, ele já havia com Michael Johnson descaracterizado a curva de distribuição das melhores marcas nos 200m. A margem do recorde mundial que demorou 30 anos para cair, ele derrubou em 12 meses! Isso sim, para mim, é ainda mais impressionante!

O que será que vem na 6a, final dos 200m, dia no qual completará 23 anos? Outro show?

*atualização após a final dos 200m: pois é, outro show.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

De tecnologia, jornais, internet e a informação

Recentemente meu amigo PJ postou uma notícia com uma conclusão que ganhou espaço nos sites de notícias. Um estudo da University of Melbourne mostra que o acesso dos funcionários por até quase 20% do tempo no serviço a sites como os de relacionamento (Twitter, orkut, Facebook...), de compras online, jogos online, Wikipedia, Youtube e mesmo ferramentas como MSN e Skype aumenta na ordem de 9% a produtividade dessas pessoas. Esse tipo de conclusão não é inédito e é até esperado já que os funcionários acabariam gerando uma pausa de descanso entre as atividades profissionais com um ganho nos níveis de atenção na hora de retomar as tarefas.

Isso me fez lembrar de outro post que publiquei aqui que falava sobre a queda histórica da venda dos jornais impressos com a popularização da TV a cabo com seus canais de notícias e, principalmente, da internet. Seria além de mais produtivo, mais eficiente usar a internet como fonte de informação? Eis então que a Slate, importante site propriedade do Washington Post, propôs a alguns convidados uma tarefa muito interessante.

Eles perguntaram como seria a vida se não houvesse mais jornais impressos. Por mais que a tiragem caia ano após ano, essa profecia não será realidade num futuro próximo. Além disso, seriam os jornais realmente necessários? Ninguém duvida disso, mas para ter uma resposta mais aproximada, por 3 dias 4 jornalistas tiveram uma tarefa curiosa. 2 deles tiveram que se informar do que acontecia pelo mundo apenas com jornais impressos em inglês que eles tiveram que comprar nas bancas. Estava proibido o acesso a TV a cabo (notícias) ou internet. Eles tiveram inclusive limitado em 1 hora diária a leitura de notícias por esses meios. Os jornais seriam quaisquer que pudessem ser comprados, impedindo assim até o uso de FAX, por exemplo.

Os outros 2 jornalistas se informaram apenas usando a internet (bem mais fácil, convenhamos) sem poder acessar sites ou conteúdo indireto de jornais com versão impressa. Ao final eles informaram a lista dos sites consultados e debateram entre os 4 para saber como foi a experiência discutindo as notícias do período de uma forma a avaliar o conhecimento (ou a ignorância) deles acerca dos acontecimentos. Para o leitor da Slate eles sugeriram que se mantivesse a rotina para que fizessem o papel de grupo controle.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Balu no Webrun!


O meu artigo sobre Nutrição Esportiva já está no ar no Webrun!

Para acessá-lo, clique aqui!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Da Série - Melhores discursos da história do cinema - parte 13

Dia atrás estava apenas enrolando antes de sair para um compromisso. Então liguei a TV e estava já na segunda metade de um filme que me surpreendeu quando vi pela primeira vez ainda no cinema: Antes de Partir (The Bucket List, EUA 2007).

Se você ainda não viu, pare por aqui, pois vou contar sobre o fim do filme. Nele os 2 atores principais (Jack Nicholson e Morgan Freeman) fazem os papéis de 2 senhores com problemas de saúde tentando aproveitar a vida realizando desejos na tal lista do nome original em inglês.

Você já entra na sala do cinema sabendo que vai chorar, mas mesmo sabendo disso, as frases finais do filme não deixam de emocionar muito. Não é um costume muito brasileiro aquelas homenagens em uma missa como é nos EUA. Lá as pessoas mais próximas fazem um pequeno discurso enobrecendo aquele que partiu. E mesmo Nicholson conhecendo Freeman por apenas alguns meses, fez um discurso emocionado que deixo aqui para vocês.

p.s.: gosto tanto dele, que não saí de casa enquanto o filme não acabava. Cheguei atrasado ao compromisso.

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Edward Cole: Good afternoon. My name is Edward Cole. I don't know what most people say at these occasions because in all honesty, I've tried to avoid them. The simplest thing is I loved him and I miss him. Carter and I saw the world together, which is amazing when you think that only three months ago we were complete strangers. I hope that it doesn't sound selfish of me, but the last months of his life were the best months of mine. He saved my life, and he knew it before I did. I'm deeply proud that this man found it worth his while to know me. In the end, I think it's safe to say that we brought some joy to one another's lives, so one day, when I go to some final resting place, if I happen to wake up next to a certain wall with a gate, I hope that Carter's there to vouch for me and show me the ropes on the other side.

Carter Chambers: Edward Perryman Cole died in May. It was a Sunday in the afternoon and there wasn't a cloud in the sky. He was 81 years old. Even now, I can't claim to understand the measure of a life, but I can tell you this: I know that when he died, his eyes were closed and his heart was open, and I'm pretty sure he was happy with his final resting place because he was buried on the mountain, and that was against the law.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vale-Cultura. Ou Pão e Circo.

Caro leitor, você sabia que segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apenas 14% da população brasileira vai ao cinema regularmente, 17% compra livros, 96% não frequenta museus, 93% nunca foi a uma exposição de arte, 78% nunca assistiu a um espetáculo de dança e mais de 75% dos municípios não têm centros culturais, museus, teatros, cinemas ou espaços culturais multiuso?

Pois os nossos problemas acabaram já que foi lançado o Vale-Cultura em um evento grandioso que reuniu artistas de “diversas etnias” e aquele monte de gente, como o cantor Chico César, que não vende nada, mas estão sempre em busca de muito patrocínio público. É aquela história, a Petrobrás deve produzir mais porcaria no cinema do que petróleo em nosso litoral. Tudo com o seu, o meu, o nosso dinheiro da Lei Rouanet.

Não deve haver um artista esquerdóide que não denuncie uma mercantilização da cultura ou que culpe a todos nós pela falta de audiência para eles. É muito mais fácil terceirizar a culpa do que assumir a incompetência. Mas agora que o governo inventou mais essa bolsa-artista, eles vão prestigiar essa tentativa torta de aumentar o consumo de um algo que, agora sim, eles chamam de produto.

O Lula fez aquilo que o Lulismo melhor sabe fazer, inaugurar promessas e louvar o assistencialismo e o paternalismo. Se alguma coisa só existe aqui no Brasil, ou é Pororoca ou Jabuticaba ou é besteira. Você conhece algum país sério que tenha algo parecido com o Valeu-Cultura? Não, não existe. E como sempre, para aqueles que se levantam contra a medida, a patrulha já sai acusando de preconceito contra os pobres. Então eu quem vou chamá-los de preconceituosos, por que afinal dar apenas R$50 se poderia dar R$500? É a lógica que é burra, não o benefício que mede o preconceito.

Os anos de Lulismo estavam incompletos. Alguns achavam que o “pão e circo” estava instituído, mas não estava! Ainda na campanha para o 1º mandato fomos apresentados à mentira PTista de que o país tem milhões de famintos por mais que os números mostrassem o contrário. Somos já um país de obesos. Lula prometeu o Fome Zero que não existiu e que não podia jamais ser iniciado. Não obstante, ampliou o programa Bolsa Família que é o renomeado assistencialismo de FHC. Ampliou o que deveria ser reduzido e usa o reajuste acima da inflação e o discurso demagogo pra angariar votos dos que são beneficiados. Esse era o pão. O circo demorou, mas agora será votado no Congresso. Mas antes disso ele já foi inaugurado. Lula tem a proeza de inaugurar a projetos de uma ponte e ainda o faz dos 2 lados do rio! É a virtude deles.

Voltemos... o tal Vale-Cultura é uma aberração maior do que aquele roubo chamado Lei Rouanet. Na lei já existente você consegue abater imposto de uma maneira sem igual. É o patrocínio privado pago com (muito) dinheiro público. Você não precisa ter um bom projeto cultural, você precisa ter quem o defenda. Como parecia pouco e como o que não falta é artista desempregado apoiando o governo de Lula, até que demorou a que outra coisa bizarra fosse inventada.

Agora o trabalhador terá mais um vale para virar moeda de troca em nossas ruas repletas de mercado informal. Quem inventou esse vale deve achar que brasileiro não vai ao cinema porque o governo não ajuda. Quem o defende acredita que agora as salas do Cinemark Iguatemi ficarão cheias com gente da classe D e E. O brasileiro não consome e não passará a fazê-lo da noite para o dia. É lógico que o aporte de todo esse dinheiro irá aumentar o consumo da “cultura”, mas a que custo? O que deve ser pesado é o custo disso tudo. Assim como não se combate a fome com ticket para restaurante francês, dar vales para levar o pobre ao cinema ou ao teatro está longe e ser uma medida minimamente eficiente ou mesmo justa.

Por fim, Lula não deixou de fazer suas bravatas dizendo que deveria haver cinemas na periferia. Ele fala como se isso fosse gratuito ou como se ele, como presidente da República, estivesse no papel de apenas observar as coisas acontecerem.

A cada fala do Lula não consigo imaginar uma pessoa que sintetize melhor o nosso povo que tanto espera que as coisas caiam sempre do céu ou da mão gorda e burra do estado.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Rubinho, o 3o melhor 2o lugar.

Já fui muito fã do Rubens Barrichello. Acompanho a carreira dele desde 2 anos antes de sua entrada na F-1. Sempre achei que fosse um piloto rápido e azarado por causa do elevado número de quebras de carro. O mais recente acidente com o Felipe Massa mostra que sortudo ele não é. Depois que ele foi obrigado a assumir o posto de novo ídolo com a morte do Senna, ele se mostrou um péssimo protagonista, mas o defendi até 2008. Mas a capacidade dele de fazer besteira é louvável, ele demorou todo esse tempo para perceber que é completamente incapaz de falar diretamente com a imprensa sem um assessor. Tarde demais.

Quando ele disse em treinos de pré-temporada que iria disputar vitórias, eu não acreditei. Mas esse ano, assim como nos tempos de Ferrari, ele realmente possui um carro rápido, e tal qual naquela época, ele é com méritos o segundo piloto da equipe. Assim, 2009 marca o ano que desisti COMPLETAMENTE de torcer e defender o Barrichello.

Não faz muito, dizem alguns que o humorista José Simão da Folha de SP teria inventado a piada que o Rubinho é o 2º piloto da F-1 em números de... segundos lugares! Ele perderia apenas para o Ricardo Patrese.

Repetindo uma mentira até virar verdade, já ouvi essa informação algumas vezes. Então saí para checar em 2 sites de estatísticas de F-1 (aqui e aqui). Como eles não têm essa estatística de 2o, tive que ir um a um fazendo a contagem de segundos lugares dos 6 pilotos com maior número de pódios já subtraído o número de vitórias (resultando o número de segundos E terceiros lugares). O tal ranking ficaria assim:
  1. Michael Schumacher 43
  2. Alain Prost 35
  3. Rubinho 27
  4. David Coulthard 26
  5. Ayrton Senna 23
  6. Kimi Raikkonen 19
Sendo assim, há, sim, chances do Rubinho ultrapassar o Prost caso ele fique ao menos mais uma temporada completa na Brawn. E é um pouco improvável que o Kimi, único em atividade, o ultrapasse.


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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Menos ruas, menos trânsito. Menos placas, menos acidentes.

Uma das maiores críticas à construção de túneis e viadutos em São Paulo, a cidade de pior trânsito do país, diz que eles só servem para o paulistano chegar mais rápido ao congestionamento seguinte. Por outro lado, não faz muito anos reduziram um pouco a velocidade máxima permitida nas Marginais Tietê e Pinheiros. Para a lógica de alguns, essas velocidades deveriam ser aumentadas e não diminuídas para que ajudasse o trânsito. Mas o trânsito não funciona assim tão simples!

Um outro exemplo de como as coisas são estranhas, pode parecer contraproducente, mas um estudo prova que fechando algumas ruas o trânsito pode melhorar. Uma dupla de cientistas do Korea Advanced Institute of Science and Technology junto com um do Santa Fe Institute analisaram o tráfego das ruas de Boston, Nova Iorque e Londres.

O problema apontado por eles é que quando as pessoas procuram para uma rota mais rápida, elas acabam reduzindo a velocidade média da malha de tráfego. Os autores para isso usaram teorias desenvolvidas por Nash, o matemático retratado no filme “Uma Mente Brilhante” (A Beautiful Mind, EUA 2002). Essa teoria deles inclusive já foi usada com sucesso no Canadá que tem algumas vias alternativas de uma estrada fechadas no horário de maior movimento.

Na parte que trata de Boston, os autores do estudo descobriram que há perdas na ordem de 30% com essa luta por espaço entre os motoristas. Fechando algumas poucas ruas os motoristas não vão poder ficar ziguezagueando meio que de forma egoísta atrás de melhores alternativas.

Aí chegamos à outra teoria ainda mais estranha. Não são poucos os teóricos de que acabar com todos os sinais de trânsito ajudaria na melhora dele. Ou seja, nada de semáforos, placas e marcação no asfalto. Não haveria sequer diferenciação entre calçada e pista!

A ideia já testada em algumas poucas cidades europeias é que todos comecem a assumir instintivamente mais responsabilidade “negociando” espaços com ciclistas, pedestres e, obviamente, com os outros veículos. A ideia é que com o excesso de sinais as pessoas prestam cada vez menos atenção, seguindo apenas a sinalização e nunca seguindo o seu julgamento.

No Reino Unido, por exemplo, a quantidade de sinais é muito menor do que nos EUA. Os britânicos regulam a velocidade de acordo com o tipo da pista enquanto os americanos vão de acordo com o que mandam as placas que mudam arbitrariamente e sempre em frequência bem maior. Quando há indicação de velocidade, os britânicos acabam levando isso muito mais a sério do que o americano que vê muitas placas por todos os lados. Assim, mesmo soando estranho, retirando-se algumas placas as ruas seriam então mais seguras.

Para que não pareça ineditismo, sabemos que algumas pequenas cidades, vilarejos e mesmo bairros eliminaram drasticamente todo e qualquer controle de tráfego. Com motoristas aumentando o foco de atenção enquanto dirigem, sendo mais ativos e menos reativos, os resultados chegaram a uma redução de 40% nos acidentes com pedestres sem redução da velocidade média dos veículos.

Bom, acho que quase todos concordam que a redução de uma morte já bastaria para que a mudança fosse bem vinda e se assim ainda passamos menos tempo no trânsito, então seria um alento. Isso porque de acordo com os cálculos de um estudo, uma pessoa que precise de uma hora para chegar ao seu trabalho, precisaria receber 40% mais em salário para ter a mesma satisfação de alguém que more próximo e possa ir andando para trabalhar. Infelizmente, julgamos de uma forma otimista e irreal o quanto aquele conjunto residencial no fim do mundo agregaria em qualidade de vida.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Joaquim Cruz - 25 anos depois

Ontem completou 25 anos do dia em que um brasileiro em exatos 1 minuto e 43 segundos fez história. Aquela por curiosidade foi a primeira vez na história que um brasileiro conquistava uma medalha olímpica com transmissão direta pela TV e, infelizmente, ainda hoje é o único ouro que temos no atletismo em provas de pista.

Naquele dia, Joaquim Cruz, um brasileiro de então 21 anos estabeleceu o novo recorde olímpico para a distância (quebrado apenas em 2004) vencendo os britânicos Sebastian Coe, Steve Ovett e o marroquino Said Aouita. Aos não iniciados, esses 3 atletas são, ao lado de Cruz, 4 dos provavelmente 6 ou 7 maiores nomes do meio-fundo de toda a história. E ele superou a todos de uma só vez.

Aquela medalha acabou sendo nosso único ouro olímpico em Los Angeles (1984) e o 6º na história o que o ajudou em sua esmagadora eleição para atleta do ano no Brasil. Joaquim Cruz obteve 98 dos 107 votos possíveis. Foi também apontado como o melhor atleta do ano no Estado de Oregon (EUA), que é a capital mundial de atletismo e virou selo comemorativo em 2 países (Paraguai e Costa do Marfim).

Cruz foi mais tarde ainda homenageado pela revista americana de triatlo "Competitor" como uma das lendas olímpicas de todos os tempos. Em uma outra edição comemorativa, outra revista americana (Track &Field) elegeu os 3 maiores nomes de todos os tempos em cada uma das provas. Apenas Joaquim Cruz ao lado de Adhemar Ferreira da Silva (salto triplo) foram os brasileiros citados.

Essa referência que ele virou não é fruto de pouca coisa ou apenas do acaso. Até hoje apenas 2 atletas são oficialmente listados como mais rápidos. Um é o atual recordista mundial, o queniano naturalizado dinamarquês Wilson Kipketer (1:41.11 em 1997) e o britânico Sebastian Coe que em 1981 mais do que polemicamente parou o cronômetro em 1:41.73. A marca é até hoje polêmica porque ele a obteve de forma manual. 2 árbitros marcaram 1:41.7 e outro marcou 1:41.8 e então de uma forma bem porca e não-usual, somaram e dividiram as 3 marcas. Atualmente se estabelece que uma marca manual NÃO pode ser aceita como recorde e também se adicionam ainda quase 30 centésimos para efeito de comparação, o que levaria a marca de Cruz (1:41.77 no ano de 1984) à condição de recorde mundial.

A formação atlética de Joaquim Cruz foi como tantas outras dos grandes atletas brasileiros. Ele começou a despontar cedo, mas queria mesmo era tentar jogar basquete. Os americanos viram nele uma grande promessa do atletismo e o levaram a Oregon (EUA) para treinar na equipe que a Nike mantém por lá. A empresa fez uma palmilha especial para corrigir uma pequena diferença que ele possui na perna direita que é mais curta que a esquerda. No país do atletismo ele foi e venceu. No estádio olímpico há uma menção ao brasileiro. Além disso, ele foi o primeiro atleta brasileiro a vencer uma competição no disputadíssimo campeonato universitário norte americano, o NCAA.

Na semana em que explode o escândalo da dopagem de alguns atletas e na semana em que o nadador César Cielo é capa da maior revista de circulação nacional (Veja), as histórias se aproximam de Joaquim Cruz. Certa vez ele criticou abertamente os atletas do atletismo brasileiros que, segundo ele, tinham medo de investir na carreira porque alguns haviam recebido convites de universidades americanas e recusaram preferindo ficar aqui no país que não tem pistas sintéticas, competições nem centros de treinamento. Bem antes da medalha histórica ele teve que sair do país, tal qual Cielo e Gustavo Borges fizeram, indo junto aos melhores do mundo para serem eles também referências. E os frutos vieram. Logo após os 800m de 25 anos atrás ele disse: "estava tão preparado que durante toda a prova só me preocupava em vigiar os oponentes, pois na mente já era o vencedor, bastava confirmar o que havia visualizado dez mil vezes".

Joaquim Cruz foi o corredor brasileiro que juntamente do maratonista Ronaldo da Costa (sobre quem já escrevi aqui na ocasião dos 10 anos do recorde mundial dele) chegou mais longe no atletismo brasileiro. Em um país que trata tão mal seus campeões, ele assim como o Guga Kuerten e a Daiane dos Santos teve que, mesmo sem ganhar nada em troca do país, ficar provando de sua competência. Uma de suas maiores mágoas foi quando em 1992 alguns veículos da imprensa nacional taxaram-no de aposentado. O “ex-atleta em atividade” então trouxe o ouro no Pan Americano de Mar Del Plata em 1995 nos 1500 metros, quebrando o recorde da prova. E no mesmo ano ele foi 5o lugar no Campeonato Mundial de Atletismo em Gotemburgo. E apenas em 1996 ele se despediu das competições internacionais com uma semi-final nos 1500m nos Jogos Olímpicos de Atlanta onde foi porta-bandeira da delegação e deu uma entrevista emocionante sob lágrimas à Rede Bandeirantes ainda saindo da pista.

O Joaquim Cruz é de longe meu maior ídolo do atletismo brasileiro. Eu costumo dizer aos amigos que ele deveria ter nascido americano porque hoje desfrutaria de um reconhecimento ainda maior. Ele foi sem dúvida o maior atleta do atletismo brasileiro dos últimos 40 anos e um dos maiores que o mundo já viu. Mesmo não obtendo nos 1500m o mesmo êxito que teve nos 800m, onde ele fez escola sendo um dos únicos grandes a liderar as corridas desde o início, é sempre lembrado quando se fala em meio-fundo mundo afora.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

De Vinho e garrafas usadas

Um estudo ainda a ser publicado está analisando 260 anúncios no site de leilão virtual e-Bay com garrafas vazias de grandes vinhos. De acordo com o estudo, os preços finais pagos nos leilões estão diretamente relacionados com os preços originais das garrafas cheias, levando à desconfiança de que provavelmente o único objetivo do comprador seria o de revendê-la reabastecida com outro vinho, ou seja, falsificação pura.

Já que o criminoso não virá publicamente admitir essa fraude, o que explicaria alguém pagar 100 euros por uma garrafa vazia de um Chateau Lafite-Rothschild safra 1982? Pagaria provavelmente porque esse vinho original pode ser revendido falsificado por um valor muito, mas muito maior do que esses 100 euros.

Para que fique mais claro o raciocínio, recentemente um restaurante de Londres esteve envolvido em uma venda de um vinho de 18000 libras que era supostamente um original de 1961. Segundo consta, não havia dúvidas de que a garrafa era original, mas o vinho...

Como já escrevi aqui em outros post (e aqui também), nós não somos sequer capazes de diferenciar um vinho bom de um ruim, então esse mercado negro de encher garrafa original de safras caríssimas com o mais legítimo Sangue de Boi vai ter um mercado grande entre os tontos que acham que têm faro de tubarão branco.

Outro fato que sustenta a tese levantada no estudo em finalização é o fato que recentemente uma série de rótulos do Chateau Mouton Rothschild 2006 foi parar como objeto de mostra em uma exposição de um museu em Miami, mas nem por isso essas garrafas encontraram preços comparativamente acima do valor dos preços dos seus vinhos. Teoricamente essas garrafas, em edição limitada, deveriam valer para supostos colecionadores de garrafas vazias mais do que outras garrafas mais simples, mas de vinhos mais caros. Mas não foi o que aconteceu.

E afinal, os colecionadores de boa índole existem? Não que se saiba. O autor vai ter que ir atrás desse grupo para entender o que regula os preços nesse mercado do qual não se conhece os participantes. Você, por acaso, já viu alguém mostrar garrafas usadas aos amigos em casa?

Mas não acaba por aí, mesmo que você consiga uma garrafa de uma safra muito cara, você terá que ter uma rolha apropriada. Como no e-Bay você consegue achar tudo (ou quase tudo), você pode tentar adquiri-la lá também, mas as ofertas são em quantidade bem menor. Mas como falei do caso londrino no restaurante, muitas vezes você adquire e consome o vinho já sem a rolha. Alguém mal intencionado pode tranquilamente tirar esse detalhe dos olhos do comprador.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Quer ganhar pra não fazer nada e depois não receber pela hora-extra?

Na mais do que prestigiada revista Economist, saiu um artigo interessante sobre a Marcegaglia, uma grande empresa italiana do setor siderúrgico que arranjou uma saída interessante para a crise econômica preservando o emprego de seus funcionários. Desde Fevereiro, mais de 4500 empregados de suas 27 fábricas negociaram com os patrões que, enquanto a recessão durar, eles ficarão mais tempo em casa sem trabalhar já que não há trabalho a fazer, mas quando o setor da economia italiana retomar, eles voltarão ao trabalho fazendo hora-extra sem receber por isso, horas-extras essas que eram da ordem de 5% antes da atual recessão.

A diferença e vantagem dessa nova alternativa é que os salários serão pagos na íntegra durante essa folga forçada que acontece durante uma queda de produção neste ano entre 25% e 30%, dependendo do produto. Esse esquema tem a vantagem da empresa manter os bons empregados que custariam dinheiro e investimento de tempo que teria que ser investido na recontratação quando da retomada do ritmo do setor, além disso, se mantém os salários normais ao invés de apenas oferecer um auxílio bem menor.

Isso só é possível em um país com leis trabalhistas regulamentadas como na Itália, já que se fossem mais liberadas como nos EUA, isso não seria possível, pois lá há um forte controle sobre as horas-extras. No Brasil negociação nem há, pois os sindicalistas profissionais, profissão rentável por aqui, não sabem negociar nem conversar.

Já em outro caso, a British Airways tenta algo mais improvável. Alguns funcionários do alto escalão irão trabalhar sem receber salário tentando atrair mais funcionários que se voluntariem para a causa de trabalhar temporariamente de graça para ajudar na guerra pela sobrevivência da companhia.

Vai funcionar? Não sei, mas diretores virem pedir solidariedade quando deveriam era bem antes disso justificar os altos salários dirigindo com competência a empresa não deixa de ser estranho e um pouco hipócrita.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Da Série - Melhores discursos da história do cinema - parte 12

Duelo de Titãs (Remember the Titans, EUA 2000) continua sendo um dos filmes esportivos mais aclamados e mais lembrados. A história real do time universitário de futebol americano que no início dos anos 70 se vê no meio e atingido pelos graves problemas raciais contra os negros da sociedade americana parece ainda muito atual. Denzel Washington sempre excelente faz o papel de um treinador negro e desacreditado porque inexperiente que tem que forçadamente fazer brancos e negros dividirem as jardas de um campo jogando pelo mesmo lado e pela mesma equipe.

Mais do que o retrato fiel da época, a metodologia pouco ortodoxa e os conflitos internos que sabemos inerentes ao desafio, se sobressai é a liderança do então novo treinador. E com a aproximação do início da temporada, Denzel Washington na pele do treinador Herman Boone fez nas telas um discurso que na realidade nunca existiu. Mas não é por não ter existido que as palavras perdem força. Lembrando em muito as palavras de outro discurso de Al Pacino que já usei aqui, o “coach” Boone fala da importância de se esquecer as diferenças raciais ou qualquer outra que seja para se ir atrás de um objetivo compartilhado por um grupo.

Com vocês, Boone!

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Coach Boone: This is where they fought the battle of Gettysburg. Fifty thousand men died right here on this field, fighting the same fight that we are still fighting among ourselves today. This green field right here, painted red, bubblin' with the blood of young boys. Smoke and hot lead pouring right through their bodies. Listen to their souls, men. I killed my brother with malice in my heart. Hatred destroyed my family. You listen, and you take a lesson from the dead. If we don't come together right now on this hallowed ground, we too will be destroyed, just like they were. I don't care if you like each other of not, but you will respect each other. And maybe... I don't know, maybe we'll learn to play this game like men.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

É hora de abandonar a aeronave!

Falei outro dia aqui que ultimamente basta haver um acidente com avião que as pessoas querem saber se é um modelo Airbus ignorando qual a aeronave e qual a empresa aérea. Seria mais ou menos como em um acidente automobilístico você começar a culpar a montadora (Ford, VW, Fiat...) ignorando o modelo do carro e, principalmente, QUEM e COMO pilotava.

A maior aeronave da Airbus é o A380 que pode possuir 873 passageiros ao todo. Agora imagine um filme de ação, neles sempre há um avião que se acidenta e que sobrevive muita gente, o que não deixa de ser verdade. E como seria uma evacuação na vida real?

Uma das regulamentações da FAA diz que todo esse povo deve ser capaz de abandonar a nave entre 1 minuto e 1 minuto e meio porque seria esse o tempo para as chamas tomarem conta de tudo. No filme, as pessoas sempre conseguem escapar meio calmamente, mas isso não acontece na vida real! Mesmo em treinamentos a média é de 33 feridos em pleno treinamento! É um corre-corre que acaba gerando lesão aqui, queimaduras na hora de escorregar no tobogã ali, soco involuntário acolá, alça de mala voando no queixo do outro, bocada no cotovelo do passageiro do lado...

Isso significa que em treino 5% das pessoas se machucam! Mas espere aí! Elas são pagas pra isso! Nos EUA é comum que se pague cerca de U$50 dólares (quase R$100) para participarem do evento. Mas os órgãos regulatórios evitando que pagando fique mais fácil para que a tripulação seja aprovada, estipulam que o avião esteja lotado, que haja pelo menos 40% de mulheres fazendo o trabalho delas (gritando, chorando, berrando, paradas em estado de choque...), que haja cerca de 35% de pessoas com mais de 50 anos e 3 pessoas carregando uma boneca simulando uma criança.

No teste as pessoas têm que sair pelas saídas de emergência sendo que metade delas estará propositadamente fechada simulando uma quebra ou uma barreira em solo e a bagunça será prévia simulando queda no chão das bagagens de mão. A comissaria também tem que estar espalhada e fora dos pontos estratégicos.

De interessante neste histórico são duas passagens. Primeiro que sentar-se perto das saídas de emergência estatisticamente é melhor porque a chance de sobrevivência desses em um acidente com vítimas é sempre maior. Segundo é que é verdadeiro que apenas o fato de saber onde elas ficam já aumenta muito as chances também. E terceiro é que algumas empresas pagam um bônus para quem sair primeiro da aeronave aumentando a correria tentando simular ainda mais a corrida pela sobrevivência.

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