sexta-feira, 31 de julho de 2009

Gripe Suína contagia pelo menos os spams

Quem quer ganhar dinheiro com internet tem que ser ligeiro. Quem quer ganhar enganando os outros, também. Não à toa o Tamiflu, remédio contra a Gripe Suína, passou recentemente o Viagra se tornando assim o produto mais vendido por esses spams que lotam nossa caixa de e-mails, segundo autoridades britânicas.

Esse é um comércio que atrai muitos criminosos atrás de dinheiro fácil ilegalmente. A epidemia global apenas abriu nova oportunidade para eles. Especialistas avaliam que metade dos Viagras vendidos online são falsificados e acreditam que seja essa porcentagem de falsificação no Tamiflu. O problema dessas drogas falsificadas é que elas algumas vezes recebem adição de açúcar (perigosíssimo para um consumidor diabético), algum placebo como farinha que reduz, assim, a eficácia da droga ou mesmo algum produto perigoso como raticida.

Como são 4 os mortos no Reino Unido como consequência da nova doença, as autoridades temem o aumento dessas compras virtuais sem procedência segura. Para piorar a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta haver mais de 77 mil infectados em 112 países e já adiantou que esta pode ser uma epidemia incontrolável em breve com alguns países já desistindo inclusive de evitar o contágio estimulando o uso inútil das máscaras, apenas agora orientando para que evitemos alguns países e que os governos busquem identificar o quanto antes o doente para encaminhá-lo para um tratamento adequado.

Não se sabe quão efetivo são esses spams. Em outro post falei sobre um estudo que avalia isso como um retorno baixo. O que se sabe é que 50% dos remédios na Grã-Bretanha são vendidos online, mas em sua imensa maioria como produto da venda legal pelas lojas e drogarias regulamentadas.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Agora privatizando até nomes de Metrô

Nos últimos 5 anos, vender o nome de uma das estações de Metrô era uma das metas da Metropolitan Transportation Authority, a empresa que gerencia esse sistema de transporte em Nova Iorque. O problema é que nunca houve grande interesse por parte de um possível comprador e outra administradora que faz o mesmo em Boston desistiu depois de 4 anos sem sucesso. Por isso houve surpresa quando finalmente anunciaram um comprador para uma das estações na "Big Apple".

Com a venda do nome por U$4 milhões sendo aprovada, ao nome original da estação “comprada” irá ser agregado o do comprador, Barclays. O valor exato será de U$200.000 por ano nos próximos 20 anos renomeando assim uma das mais antigas e movimentadas estações do sistema. E qual o problema dessa união entre público e privado?

Eu ainda acho que se feito algo similar no Brasil teríamos a grita do “não” por parte dos marxistas que parecem viver nos anos 60. Aqueles mesmos que querem impor o cronograma de vagabundagem e excessos atrapalhando a nossa rotina e restringindo a nossa liberdade enquanto pautam mais uma greve na USP neste início de ano, fato que ocorre costumeiramente em ano eleitoral, faz parte do calendário estudantil Uspiano, mas que desta vez apareceu em ano sem eleição, porém com os mesmos abusos e reivindicações estúpidas de sempre.

No caso de uma venda aqui, alguns diriam as bobagens de sempre, que é vender o patrimônio público e blábláblá. O que o Metrô de Nova Iorque fez foi fazer a concessão de um nome, geralmente referência nas imediações, mas que não é o nome de um patrimônio ou monumento. A estação em questão é uma das mais antigas e movimentadas do sistema. Seria o mesmo que renomear em SP para “Anhangabaú - Casas Bahia”, essa uma movimentadíssima estação do Metrô paulistano. É algo bem diferente de renomearmos a Avenida Paulista como Avenida Bradesco ou o Monumento às Bandeiras como Monumento Mc Donald’s, ou ainda, colocar nomes de mau gosto.

O raciocínio que valeu para o Metrô de lá não precisa ser estendido para nomes de ruas e prédios públicos. Isso porque temos que ter em mente que o transporte público não deixa de ser uma prestação de serviço comum, porém é público e subsidiado com o nosso dinheiro para o benefício da cidade. Hoje parece mais do que normal adesivar todos os trens com patrocinadores e colocar anúncios dentro das estações. Recentemente as estações de SP foram renomeadas gratuitamente com nomes de clubes de futebol que são em sua essência privados e que devem juntos centenas de milhões ao estado.

O Metrô nova-iorquino achou uma excelente ideia economizando muito dinheiro público sem vender nada e sem causar transtornos. Como disse um dos usuários com a sobriedade que falta aos vândalos do movimento estudantil Uspiano: “Pode chamar a estação do nome que quiser desde que os trens cheguem no horário”.

Será essa uma tendência? Espero que sim!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

De cientista picareta ou de quando a Dilma mente no próprio CV

O Rodolfo Araújo, que vem fazendo em seu blog uma sequência incrível com textos sobre Psicologia, me enviou uma notícia com algo que as pessoas do meio acadêmico sempre desconfiam, mas sem lá muitas provas. Soubemos pela Folha de São Paulo que o editor-chefe do periódico científico The Open Information Science Journal, o Sr. Bambang Parmanto, pediu demissão depois que foi revelado que a revista aceitou publicar um artigo científico sem sentido, gerado por um programinha no site do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) por dois sujeitos que se passaram por pesquisadores sérios.

O periódico teria informado aos 2 autores que o manuscrito enviado por eles à revista havia passado pela “revisão de seus pares”, processo pelo qual os artigos científicos são avaliados por pareceristas independentes, justamente para evitar erros ou fraudes. Em seguida, e o mais importante, eles da revista teriam cobrado de praxe os U$ 800 como taxa para que houvesse a publicação.

O ponto é que o artigo era tão falso quanto uma nota de R$3. Usando de bom humor eles se intitulavam pesquisadores do inexistente Center for Research in Applied Phrenology, sigla para CRAP (em inglês: bobagem, tolice).

Talvez você já tenha sido brindado em época de Carnaval com um e-mail engraçado, pois nele você consegue montar um samba enredo apenas usando palavras básicas. O resultado é tão horroroso quanto rimar “amor” com “I love you” ou ainda com “dor”. Melhor! É tão tosco quanto a imensa maioria dos sambas enredos dos últimos, sei lá!, 15 anos. Tente fazer o seu e veja se o resultado não é crível!

Os autores que seriam do CRAP, quando se propuseram a fazer a farsa queriam mostrar a falha de um sistema que supostamente aprovaria um artigo que não faz sentido algum. Como resultado saíram parágrafos que mais se parecem com um bate-papo entre o Caetano Veloso e o Gilberto Gil, com muitas palavras difíceis, que arrancaria aplausos de uma platéia querendo mostrar possuir algum conteúdo, mas que não passa mesmo é de pura bobagem.

O caso se parece ainda com outros programas que você encontra na Internet, como um “gerador de chamadas de Sessão da Tarde” (engraçadíssimo!) ou ainda um “Bingo Corporativo”. O princípio é o mesmo, você distribui palavras a esmo mesmo elas nunca significando nada. É o vazio tentando parecer rebuscado.

O problema é que se na reunião da sua empresa, no Carnaval ou na Sessão da Tarde as conseqüências não são um problema nem causam prejuízo, no caso desse periódico estamos falando de picaretagem pura. Esse inclusive não é o primeiro caso colocado à prova com falsos pesquisadores. Os autores disseram estranhar tamanha insistência via spams falando sobre pagamento sem sequer receberem os pareceres de quem deveria avaliá-los. Chegou-se ao ponto de outro diretor do veículo dizer ter aceitado o artigo para que flagrassem o falsário. Um hipócrita ou um bom samaritano?

Mas não precisamos ir tão longe para achar esse tipo de exemplo. No mesmo dia saíram duas reportagens também na Folha que mostravam que o locutor Galvão Bueno possui um falso currículo Lattes com suposta graduação em medicina pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestrado pelo mesmo MIT e doutorado pelo CALTECH (Instituto Tecnológico da Califórnia). Nesse caso, trata-se de uma falsificação em tom de piada que denuncia o quão falho são esses sistemas da Plataforma Lattes, a mais importante e consultada base de dados dos cientistas e instituições de pesquisa do país, mantida pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), base essa que é um dos elementos que mais pesam na hora de decidir a destinação de verbas públicas.

Me informaram também que anualmente a Receita Federal recebe dezenas de supostas declarações do IR de pessoas como o FHC e o Lula porque não há como controlar esse tipo de informação. É um mal pontual. Ainda assim um mal, mas menor. Mas uma coisa muito diferente sou eu carregar um CV do Galvão anonimamente para mostrar as falhas do sistema. Outra coisa muito mais grave é quando somos informados que o Celso Amorim, um dos maiores desastres do atual governo, e Dilma, a postulante à sucessão de Lula, fizeram eles próprios maquiagens inventando e florindo seus currículos. Hoje sabemos que o CV deles é tão confiável quanto esse Galvão Bueno do MIT. A diferença é que o Galvão nunca disse isso e também não quer nem pretende governar uma nação.

Será que Dilma irá repetir o bordão lulista dizendo não saber de nada?

terça-feira, 28 de julho de 2009

E o Mc conquista a França enquanto a Coca perde terreno no Oriente Médio

Tive a oportunidade de ir para a França quando morei na Irlanda. Eles são um povo engraçado que ainda não aceitaram a ideia de que não são mais o centro do mundo e nem sequer possuem um idioma mais importante no planeta. Desce atravessado nos mais orgulhosos até a invasão do Fast Food americano no país conhecido pela culinária impecável. Ver as ruas francesas tomadas pelo M gigante vermelho é bem mais emblemático do que as ruas de Milão com as lojas da Zara espanhola.

Voltando no tempo, quem não se lembra do arruaceiro Jose Bové, aquele protestante radical francês que pregava o vandalismo de lanchonetes da rede Mc Donald’s como forma de protesto? Depois de liderar aquele monte de tonto nos congressos que pregavam o fim do capitalismo mundo afora, ele chegou a concorrer ao cargo de presidente na França amargando menos de 1% dos votos e um vergonhoso 10º lugar. Os franceses podem votar quase tão mal quanto os argentinos, com a diferença dos hermanos que eles querem é que o capitalismo acabe mesmo primeiro fora do território deles.

Naquela época em que havia mais gente querendo quebrar essas lanchonetes, a cadeia americana tinha 1100 restaurantes na terra do Zidane, hoje tem 300 mais pontos. Mais de 1 milhão de pessoas diariamente vão ao Mc Donald’s na terra do croissant e o faturamento cresce a um ritmo duas vezes maior do que nos EUA. Como nos EUA trata-se de um mercado muito mais maduro, o número que chama mais a atenção é saber que desde 2007 a França passou a ser o 2º maior mercado deles no mundo. Desista, Bové!

Não bastasse a derrota, veio a provocação. A França teve que se render quando em 2001 o Mc Donald’s lançou uma campanha local usando o desenho Asterix, um personagem símbolo da França que ironicamente tem um bigode que se parece com o do inimigo ignorado Bové. O medo dos donos das franquias era tanto que os pôsteres foram impressos em quantidade 3 vezes maior porque esperavam que haveria vandalismo e muitos protestos, o hobby do francês.

Mas os consumidores, não importam sua nacionalidade e ideologia, são muito mais hipócritas do que se pensa, não obedecem ao que suas respostas em entrevistas dizem, por mais que fale da boca pra fora que odeiam o imperialismo e esse monte de discurso pronto. Pois entre os estudantes franceses a coisa não é diferente, o apelo de um Big Mac é forte como o é também entre os desempregados. Temos que lembrar, por exemplo, que no auge da atual crise pesquisas apontaram um aumento do consumo de Fast Food na forma de sanduíches por causa do baixo preço e da queda da renda. Como na França essas cadeias foram oficialmente categorizadas como “take out” (algo como pegar e levar), sendo assim taxadas em apenas 5,5% contra os 19,6% dos restaurantes convencionais, elas ganharam ainda mais espaço sobre as padarias, bistrôs e cafés entre esses consumidores sem salário ou ainda entre os que ainda estudam e não ganham muito.

Os franceses gostaram tanto do Mc Donald’s que hoje até o fazem à sua maneira, pois eles são diferentes no trato com a comida. Eles usam o Fast Food de uma forma não tão Fast, pois eles querem, sim, ser mais Food. Dados da própria empresa apontam que os americanos vão mais que os franceses em qualquer hora e geralmente sozinhos comprando e levando o alimento em 70% das vezes. Já os franceses gastam mais por visita, vêm em grupos mais vezes e fazem 70% de suas visitas concentrados na hora do almoço ou jantar. É algo menos coach potatoe e muito mais social.

É bobagem achar que somente o francês se apaixonou pela marca. Lembremos que quando o Mc Donald’s abriu sua mais rentável filial do mundo, na de Moscou foram registrados 30.000 clientes fazendo fila e tumulto durante o rigoroso inverno moscovita. Muito? Lembremos que até um Burger King em SP gerou furor anos atrás. Para que saiba, a filial do Center Norte (SP) chegou a ser no mundo a 2ª filial mais rentável do Ronald Mc Donald’s!

Mas enquanto essa e outras grandes marcas americanas puderam se beneficiar do liberalismo, democracia e liberdade nos EUA, elas agora mais do que nunca também têm que lidar com a associação ao imperialismo e aos males a ele atribuídos. E mais incrível ainda, até à Israel se faz essa relação no Oriente Médio. Uma empresa que sofreu com isso, por exemplo, foi a Procter & Gamble que no Egito sofreu a perseguição burra e um boicote tonto porque um dos produtos, o sabão em pó Ariel, leva o mesmo nome do líder israelense Ariel Sharon, que surgiu muito tempo depois do produto, mas como burrice não tem idade, desconfiavam que isso era alguma ligação criada com fins políticos que chegavam a acusações que diziam que até o logo seria uma associação à estrela de Davi.

Ignorância e ideologia não têm limite, assim, as empresas americanas sofrem com a resistência no Oriente Médio. A Coca-Cola, por exemplo, viu uma queda de 10% na região. O Mc Donald’s sofreu recentemente perdas da ordem de 7,5% na mesma região, algo muito maior do que os 4,7% de queda global. Somente na Arábia Saudita, o mercado de Fast Food americano perdeu 50% desde Setembro de 2000 e mesmo em países neutros como Líbano, Barein, Egito, Qatar e a própria Arábia Saudita o mercado deles foi atacado.

E agora recentemente uma bebida islâmica chamada Mecca-Cola foi lançada com um slogan contra a estupidez e a favor de um suposto engajamento. Para isso eles prometeram doar 10% do lucro para a caridade com crianças palestinas e outros 10% para caridade com crianças palestinas na Europa. A venda prevista é da ordem de 300 milhões de garrafas por ano como uma forma de protestar contra George W. Bush, Donald Rumsfeld e a política externa deles. Sim! Isso mesmo que você leu! Refrigerante para eles agora é forma de se fazer resistência ideológica!

Outro refrigerante, esse chamado de Muslim Up seria também agora uma forma alternativa de boicotar produtos israelenses e os imperialistas americanos. Outra, a Qibla-Col, lançada na Inglaterra também promete 10% dos lucros para a filantropia islâmica.

Ou seja, temos algumas companhias que prometem ajudar o 3o setor, como se isso compensasse a perda da enorme quantidade de empregos que as multinacionais criam. Poderiam, assim, essas novas bebidas na região chegar a ter a importância das grandes do mundo ocidental? Teoricamente sim, mas o caminho é longo. Mas seria esse ódio o melhor dos caminhos?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Beleza em quadra. E na melhor quadra!

Quando comentava com algumas pessoas que a estética é algo muito importante na escolha de um atleta a se patrocinar, alguns achavam que era errado, que o único critério deveria ser somente nos atributos atléticos. Bobagem pura! É da natureza humana admirar o belo, querer se associar ao que é mais bonito. E convenhamos, gera muito mais dinheiro.

Pois muitas das jogadoras mais bem classificadas no ranking mundial de tênis vêm sendo preteridas por jogadoras não tão bem ranqueadas, mas mais bonitas. Em Wimbledon, um dos 4 grandes torneios do circuito mundial, a beleza vem sendo critério na distribuição dos jogos na quadra central. Jogadoras tecnicamente melhores têm sido colocadas em quadras periféricas preteridas por jogadoras bonitas ou britânicas (aqui é correto o uso de OU e não de "e/ou" já que beleza e britânica são praticamente excludentes).

Alguns poucos exemplos foram listados pela reportagem da Fox News ao mesmo tempo em que uma fonte da BBC inglesa admitiu a base de escolha. Talvez para diminuir as críticas eles disseram que são 28 os critérios para escolha, mas ao menos não foram hipócritas negando o óbvio, que a arrecadação na bilheteria (sempre maior com as jogadoras bonitas) parece ter, sim, um grande peso. Eu digo mais, ainda bem!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Legalizando o crime e o abuso

Um dos grandes males de um país que não consegue valer as suas leis é o de transformar o ilegal em permitido, é legalizar aquilo que não consegue combater, é reduzir as estatísticas desfavoráveis tornando o problema algo legalmente consentido, pois é bem mais fácil do que acabar com um problema complexo. Esse é justamente um dos argumentos mais toscos da liberalização das drogas (do qual sou defensor apenas se feita no mundo todo): a impossibilidade de se vencer o combate.

E eis que recebo a notícia pelo meu grande amigo Frito informando que Flanelinha agora é profissão legalizada no Distrito Federal. Sim, leitor, é isso mesmo! Agora auxiliar a baliza e vigiar o carro passou a ser trabalho formal regulamentado no Distrito Federal. Para tanto, o flanelinha estará proibido de coagir o motorista, consumir bebida alcoólica e/ou drogas durante o trabalho ou ainda prestar o serviço em área de estacionamento irregular. E se descumprir? Poderá receber punições como advertência verbal e cassação do direito de explorar o trabalho. Mas espere aí!! Isso já não era proibido?? Quando proibido essas as punições eram efetivadas? O que leva o cidadão de bem do Distrito Federal confiar que agora passará a haver uma fiscalização adequada?

Os legisladores ainda garantem que para exercer a função a prática por si só não é suficiente. Eles terão que se submeter a curso de capacitação com aulas de noções básicas de cidadania, obrigações profissionais, trânsito e relações humanas no trabalho. Aprovados, receberão uniformes e crachás correndo risco de descredenciamento quando do mau exercício da nova profissão.

Se você assim como eu achou que isso era inédito, saiba então que em Porto Alegre (RS) a atuação dos flanelinhas já era permitida e outras cidades (Rio de Janeiro e Ribeirão Preto-SP) estudam regulamentação semelhante.

É algo mais ou menos parecido com uma pequena solução adotada pelo governo do Nepal. Em seu principal aeroporto internacional (Kathmandu's Tribhuvan): os funcionários agora usarão calças sem bolsos para reduzir o risco de furtos de bagagem após reclamação sobre a corrupção local feita pelo Primeiro Ministro.

Nos aeroportos brasileiros já presenciamos em inúmeras denúncias na TV, funcionários roubando bagagem abrindo malas tirando pertences dos passageiros. Tirar os bolsos é aceitar que o problema não tem solução, fingindo combater um problema ao mesmo tempo em que joga todos os funcionários na vala da desconfiança generalizada.

O Brasil é o país onde o crime sempre compensa. Se você mora em região de preservação ambiental, resista!, pois em breve na anistia ela passará com registro em cartório para o seu nome. Se você vende produtos ilegais ou sem origem declarada, mantenha o seu ponto!, você ganhará também em breve um alvará. Se você pratica o caixa dois, não se preocupe!, em breve Lula ou algum outro graúdo PTista irá explicar que isso sempre foi prática da política brasileira.

Isso continua como sempre esteve porque entre outras coisas o nosso povo é arredio aquilo que dá muito trabalho, simplificamos o que não se poderia simplificar já sabendo que não dará nada certo e a lei quando não adaptada ou muito rígida, será ignorada. E nessa levada errônea, perde mais uma vez e como sempre o cidadão de bem, aquele que paga um dos impostos mais altos do mundo, mas se vê impelido a pagar um criminoso que agora encontrou proteção e benefício da Lei, que deveria justamente defender ele, o explorado.

Como bem disse meu amigo Frito ainda em seu e-mail com a notícia, incapazes que somos de acabar com as rádios clandestinas ou os “gatos” de TV a cabo, chegará o dia em que outra categoria também irá exigir os mesmos benefícios: a dos “anunciadores para o serviço de segurança pública em morros e conglomerados residenciais" obviamente com autorização da ANATEL para uso de frequência exclusiva da polícia. Vai, Brasil!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Quando rezar no campo de futebol vira falta desleal...

Já virou tradição, quando há jogador brasileiro em campo, o árbitro apita fim de decisão de campeonato e os jogadores já saem correndo pegando suas camisetas “Eu amo Jesus” escritas em português, inglês ou no idioma predominante local. Foi assim em 1994 e depois em 2002 nos títulos brasileiros mais recentes em Copa do Mundo. Foi assim também em quase todas as finais com jogadores brasileiros, com a diferença que nesses 2 torneios e agora também na Copa das Confederações na África do Sul a seleção brasileira fez uma roda no meio do gramado para expor sua crença ao mundo rezando em alto e bom tom o "Pai Nosso". Mas seria isso permitido e adequado?

Como esporte não deveria combinar com política nem religião, mas há muito são sempre associados, até que demorou a que aparecessem as reclamações. 15 anos para ser mais exato. O fato é que as regras da FIFA realmente impedem mensagens políticas e/ou religiosas ainda em campo. O descumprimento é passível de punição. Por causa disso e também pelo protesto feito pela Associação Dinamarquesa de Futebol (a CBF deles), a FIFA alertou, ainda sem punir a entidade brasileira, pedindo moderação no que seriam excessos dos nossos jogadores nas comemorações (já talvez aqui também mais crentes das nossas chances ao hexa com um bom trabalho do até então muito criticado treinador Dunga).

Os dinamarqueses vão mais longe e pedem providências maiores saindo em busca de apoio de entidades de outros países. Mas seria isso um excesso? Não seria mais justo permitir que cada time comemore do jeito que bem entender?

É um tema complicadíssimo. Baseado na dissociação Esporte e Religião, a reclamação faz muito sentido, mas como se conter após vencer o título esportivo mais importante que existe? Por outro lado, a (in)tolerância religiosa pós-2001 também fala alto. A religião hoje é talvez a razão principal, mas obviamente não justificável, para que se matem muitos. Por outro lado, não é de hoje que as maiores potências do futebol mundial são países com maioria católica ou protestante, mas e no dia em que um país predominantemente muçulmano ou então cheio de muçulmanos no seu elenco vier a vencer um título de expressão mundial? Teremos a mesma tolerância? Eu ainda acredito que sim. Mas façamos uma pergunta diferente, no caso de termos que aceitar uma comemoração muçulmana, será que essa mesma liberdade nos seria dada na comemoração rezando um Pai Nosso em um estádio de um país muçulmano? Eu duvido!

Voltamos assim à velha questão de defender a liberdade de expressão dos outros sabendo que o inverso não seria permitido. A Dinamarca é um país extremamente liberal que apenas enxerga nesse exagero tão latino apenas a chance para outros excessos muito mais perigosos. Nesse ponto estou com eles: no gramado, nos limitemos ao esporte.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Condenado a 450 anos de prisão?

É uma tontice dizer que o capitalismo fracassou. Outra besteira é decretar o fim do neoliberalismo. Na maioria dos países ele teria fracassado sem sequer ter sido iniciado. Outra bobagem é dizer que lá fora se rouba tanto como no Brasil, pois uma grande diferença é o que acontece quando a irregularidade é descoberta. Deputado britânico quando é pego mesmo com pouco dinheiro cai, aqui você pode manter seu posto de presidente do Senado que o presidente Lula ainda sairá em sua defesa.

Para quem achava que Madoff, eleito um vilão mundial, sairia ileso, se enganou. Aos 71 anos ele foi condenado a 150 anos de prisão. E quais seriam as razões de sentenças tão longas?

São longas por razões práticas e simbólicas. Primeiro porque em caso de crimes múltiplos, cada família ao menos encontra o consolo de saber que ele recebeu uma punição para cada crime. Segundo porque com penas de mais de uma prisão perpétua ele teria que ganhar várias apelações diferentes para se livrar e por último porque isso enfatiza à sociedade ou a quem acompanha o caso sobre a gravidade do crime.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Um ano de Blog... quem diria!!

Passou rápido, mas eis que o blog chegou ao seu 1º ano de vida! Foram quase 280 posts, 1 texto por dia útil já desconsiderando-se aí apenas os feriados locais de SP e umas 2 semanas de férias (porque ninguém é de ferro) ao final do ano!

Espero escrever ainda muito mais! Eu me dou ao luxo de conseguir ir tocando esse espaço aqui nas minhas horas vagas tendo assim o prazer e a oportunidade de receber muitos visitantes e muitas mensagens muito legais de brasileiros que vivem em todas partes do mundo.

Já recebi inúmeros elogios e críticas, o que já é um sinal de que não falo mais sozinho. Então quero deixar aqui meu mais sincero MUITO obrigado para quem se deu ao trabalho de ler alguns parágrafos que seja!


Obrigado!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sobre avião, pássaros e quando ele cai na água.

Depois que no começo do ano aquele piloto americano virou herói salvando 155 pessoas pousando um avião nas águas gélidas do Rio Hudson em Nova Iorque, parecia que não haveria muito mais coisas diferentes em termos de aviões e acidentes. Pois daí um avião da Air France cai no Atlântico sem ainda sabermos os motivos.

Se desse acidente não sabemos muito bem as causas, naquele parece que houve um atropelamento de um bando de gansos que voava na região de NY. Isso já é raro, já que de 1955 até 2007 houve apenas 51 acidentes por causa disso.

Esse é o tipo de acidente que é muito mais comum na aviação militar porque estima-se que 283 aviões militares foram perdidos de 1959 até 1999 por causa desses acidentes com pássaros. Hoje as aeronaves podem ser atingidas em uma das turbinas e voar com a outra sem muitos problemas e os choques duplos em ambas são muito raros, então, mas uma vez, sem pânico com medo de voar, por favor!

Mas na remota hipótese de você cair no meio da água e sobreviver como a garota que foi resgatada esses dias, os especialistas recomendam que você não nade de jeito algum para poupar assim suas energias. Você apenas deve se distanciar do local do fogo (se houver), mas não muito distante dos destroços porque será lá que o resgate irá procurá-lo primeiro. E se você tem medo de tubarão, essa deveria ser uma de suas menores preocupações porque é muito mais provável que você vá mesmo é morrer de hipotermia, afogado ou desidratado.

Mas antes que você saia evitando pegar o próximo voo, saiba que nesse acidente, muitos erroneamente enxergaram coincidências mais do que demais com o acidente do Air France Rio-Paris, já que agora virou uma rotina meio burra ao ouvir notícia sobre acidente aéreo já procurar saber a empresa fabricante (Airbus ou Boeing) como se a aeronave ou a companhia aérea não importassem.

A empresa do acidente dessa sobrevivente solitária é a Yemenia Airways que foi banida do espaço aéreo francês por continuamente infringir normas como o carregamento de mais passageiros do que comportam os seus aviões. Além disso, dizem, seria comum haver poltronas quebradas e sem cintos de segurança. Há ainda uma lista negra europeia com cerca de 200 companhias, em sua maioria africanas e asiáticas, que não podem voar dentro da Europa e a Yemenia Airways já estaria sendo reavaliada. Ou seja, por favor, sem medo!

Update (15/11/09)
Vídeo sensacional com a simulação 3D do incidente com o áudio original.



sexta-feira, 17 de julho de 2009

Atenção ao ler os preços no cardápio...

Se engana ou perde dinheiro quem acha que em um restaurante o cardápio é apenas uma forma de listar o que se tem para comer. Prova disso é que um estudo interessante revelou algumas curiosidades da precificação em restaurantes. Pela conclusão do estudo da Cornell University School of Hospitality Research feita em um restaurante no Hyde Park (Nova Iorque), há pelo jeito uma diferença dos gastos feitos pelo cliente se os preços no cardápio são listados com algarismos convencionais, com o símbolo do dólar, moeda local, apenas usando-se algarismos ou ainda com o preço escrito por extenso (ex: U$18, 18 ou dezoito).

Os pesquisadores esperavam que com os preços do cardápio escritos por extenso os gastos seriam maiores por haver uma suposta dissociação entre o custo aparente e o real, mas o que ocorreu foi que o cardápio em numerais, mas SEM o símbolo da moeda foi o que teve maior consumo, ou seja, seria um simples símbolo que faria do cliente um indivíduo mais cuidadoso com os gastos.

Mas não é apenas na forma como se colocam os valores no menu que influenciaria nos gastos, pois a National Restaurant Association nos EUA recomenda que os chefs coloquem os pratos principais, aqueles que se quer vender, no centro da página direita no meio do cardápio. Esses cardápios também deveriam ter partes destacadas usando mesmo fontes diversas na escrita como diz um guia simplificado da Food Service Association of America. Ou seja, ser seletivo focando assim naquilo que o restaurante é bom e ser objetivo focando no que dá mais lucro, não apenas no mais caro.

Outro dado interessante é que como começamos a ler os preços de cima pra baixo lembrando mais dos 2 primeiros itens e do último, a lógica deve ser colocar nesses espaços o de maior margem bruta de lucro, nada de se basear assim apenas por preço. E o mais cruel para nós é como arredondar os preços. Para cima, óbvio. Até U$5, diz o texto, dividimos em categorias a cada 25 centavos de dólar (U$0,25). A partir daí o arredondamento poderia ser a cada 50 centavos. Daí pra cima poderia haver aumento para cima ou então usar o truque do XX,95 que acaba nos dando uma falta sensação de economia.

Mas antes mesmo de escrevê-lo a limpeza do cardápio também merece destaque especial porque seria um indicativo de quão limpa (ou suja) seria a cozinha. A clareza seria um sinal de agilidade do estabelecimento também. Ou seja, cardápio como podemos ver é mais do que apenas um indicador do que a cozinha tem, mas é para o dono uma ferramenta daquilo que o cliente teria que comprar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pedalar embriagado é crime e dá multa!

Agora que o mundo do esporte acompanha mais um Tour de France com o retorno tão esperado de Lance Armstrong, nós normais nos entretemos com questões mais mundanas e problemas menores de quem não pedala atravessando alguns países em questão de dias. Pois aqui no Brasil muita gente achou excessivamente rigorosa a Lei Seca hoje vigente no país. Apenas em países como o nosso, em que cada cidadão tem o direito de dirigindo matar ao menos 1 pessoa sem ser preso, essas questões são consideradas exageradas. Na Europa, em muitos países você paga a multa na hora e em dinheiro e, se cometeu crime ao volante, vai preso de verdade! Quando se mata, diferentemente daqui, não há fiança que o livre da cadeia.

Então se você acha que quem bebe pode com o jeitinho brasileiro dirigir um carro, saiba que o Tribunal Constitucional da Polônia decidiu manter uma decisão de que ciclistas alcoolizados devem ser tratados como motoristas comuns e enfrentar prisão se forem pegos com concentração de álcool acima do permitido em lei para motoristas de carros. Desde 2000, qualquer pessoa que ande de bicicleta sob a influência de álcool lá na Polônia está sujeita a uma multa ou a uma pena de até 2 anos de prisão. Atualmente a sentença média por lá tem sido de pouco menos de 1 ano de prisão. Para que se tenha uma ideia, hoje por volta de 2 mil poloneses estão presos por pedalarem embriagados. Por curiosidade, quantos são os presos por crime de trânsito no Brasil?

Estaria correta essa lei polonesa? Deveriam os ciclistas embriagados ser tratados apenas como pedestres bêbados ou como motoristas bêbados? A argumentação mais tosca que li foi a de que ciclista seria como um pedestre qualquer que usa os próprios músculos para se movimentar. Uma vez aceita essa argumentação, se você com um time de rugby empurrar uma carreta 8 eixos ladeira abaixo, tudo vale! Não havendo motor a combustão, tudo seria permitido! Os poucos críticos poloneses que condenaram a medida pensam mais ou menos como os brasileiros, os ciclistas não fariam parte do tráfego. Bobagem! Uma bicicleta é um meio de transporte como outro qualquer. Você pode não alcançar 100km/h, mas pode atropelar e matar muita gente. O bêbado pode se entupir de álcool, se atravessar cambaleante e se matar na avenida, o motorista que segue as leis de trânsito após atropelá-lo será absolvido. E que assim seja! Cada um que seja responsável pelas suas decisões. O ciclista usando uma pista deve assim seguir todas as suas leis.

Apesar dessas ameaças, a bicicleta segue como algo sério lá na Europa. Veja o exemplo da Alemanha. Assim como em muitos outros países da Europa, o ciclista para que esteja regularizado para trafegar, precisa andar de capacete (mesmo que isso não seja necessariamente de todo útil), luzes para noite e ainda ter buzina (essa também uma quase inútil) funcionando. Porém uma mania meio tonta meio retrô no país, colocou inúmeras magrelas sem o sistema de freio convencional, utilizando para isso o velho, bom e tosco pedalar para trás. O problema é que ele não é de todo eficiente, assim muitas bicicletas ficaram na prática sem bons freios. Aí entrou a polícia alemã que agora apreende quem não tenha freios na bicicleta e, para reavê-las, o dono tem que pagar uma multa e convencer a autoridade de que irá instalar um sistema convencional de freios. A multa está na casa dos 80 euros (mais de R$200) e a penalidade é de 3 pontos na carteira de habilitação convencional! E a partir de julho eles serão ainda mais rigorosos fazendo novas blitz.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mais Balu no Webrun !


Com atraso, mas ainda vivo!, foi colocado no ar meu mais novo artigo sobre Nutrição esportiva no portal Webrun. Para acessá-lo, clique aqui!

Te vejo lá!

terça-feira, 14 de julho de 2009

República Popular e Socialista de LOST

Lost é um seriado que virou mania. Ele tem um quê de Matrix e Arquivo-X, com os fãs buscando significados que existem apenas na cabeça deles sempre extrapolando a ficção. Não deixava de ser engraçado ver nerds elevando o Matrix a um status irreal quando as duas continuações não são nada mais do que bons filmes de ação com explosões e lutas como outro filme qualquer. O fato é que eu me sentia meio envergonhado por nunca ter visto nenhum episódio do tão comentado Lost. Mas eu não sou um bom parâmetro porque somente ano passado fui ver um episódio de Friends. Adorei e vou comprar o Box completo. Antes desses, eu vi “Band of Brothers” e “Over There”, os quais recomendo fortemente.

Escrevo esse post no domingo após uma “Maratona de Lost“ que venho fazendo com alguns amigos. Foram 25 episódios (1 temporada) em 2 sábados e vamos manter o ritmo tentando esgotar as 4 temporadas restantes (de 17 a 24 episódios cada) em mais 6 sábados. E nesse meio tempo vejo 1 episódio de Jack Bauer salvando os EUA (e consequentemente o muuundo) no seriado 24h todas as noites no DVD.

Há uma frase nessa 1a temporada de Lost dita para um dos personagens principais, o Hurley, o gordo cabeludão: “You make your own luck” (*Você faz a sua própria sorte)

Essa mesma frase é dita nos 2 mais rentáveis filmes da história. No The Dark Knight (Batman - O Cavaleiro das Trevas, EUA, 2008), o melhor filme de super-heróis da história, e no Titanic (idem, EUA 1997). Naquele, Harvey “Duas Caras” Dent é quem diz, já no segundo, o marido da Rose que virou até citação em outro seriado (The Office).

Outra curiosidade: em ambos, os personagens da frase começam o filme como 2 homens muito auto-confiantes, sortudos e do bem. Mas como eu ainda não sei que rumo o inseguro e azarado Hurley irá tomar, não posso falar muito mais.

Porém, a primeira observação que nosso amigo Osmar nos fez nessa 1ª temporada é que reparássemos que os personagens de Lost formam uma ilha socialista. Vejam só, eles passam fome, são pobres, não há lá sequer o que vestir e como todo inconformado cubano, eles até fizeram uma jangada para escapar do “paraíso”. É aquela velha história, a ilha socialista é sempre linda, você até passaria as suas férias lá com seu cartão AMEX e seu VISA, mas ninguém quer ficar de vez. Mas o que mais deixa aquilo com mais cara de socialismo são mesmo os tais “Os Outros” que são os acusados por tudo que acontece de errado para eles. É a terceirização e a externalização da culpa. Tem algo mais socialista do que isso na ilha?

p.s.: a dica e pedido do post vem do meu grande amigo Danilo Batata, para quem o melhor negócio do mundo seria me comprar pelo que me pagam e me vender pelo que eu valho. Não concordo jamais com a segunda parte, mas eu poderia, sim, ganhar mais.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

R.I.P., Michael

Eu já desisti de fazer um post especial sobre a morte do meu maior ídolo musical. Junto com a morte de Ayrton Senna 15 anos atrás, nenhuma morte de personalidade havia me emocionado tanto. No dia em que Michael Jackson morreu, eu fiquei no trabalho por mais de meia hora parado na Internet antes de voltar pra casa só pra poder procurar atualizações sobre o estado dele e torcia para que tudo não passasse de falta de informações desencontradas, como sempre foi na vida dele. Em vão. Nos últimos anos a figura de MJ era tão associada a bizarrices e críticas que ele parecia precisar morrer pra finalmente virar um mito condizente com sua importância musical.

Afinal, que outra personalidade de qualquer área da atividade humana passaria 10 anos afastado e causaria tamanho frisson? Nas ruas você ouvia comentários, você recebia e-mails, os jornais só tratavam de um tema. O fato é que precisando de dinheiro ele programou uma série de shows que tiveram bilheteria esgotada. Eu mesmo tentei em vão conseguir os meus ingressos. Hoje, dia 13 de Julho seria sua estreia na O2 Arena de Londres. Ele que sempre foi um gênio na arte de fazer dos concertos verdadeiros e incomparáveis shows piroctécnicos, parece que precisava da morte para ter um retorno triunfal tão impactante e global que a notícia demorou pra ser digerida. Mais. Os mais velhos se relembraram de como ele era um cantor fantástico, os mais novos reapresentados ao seu trabalho puderam ver que ele é também um dançarino e um ritmista insuperável. Por onde se olhe ou se avalie, vimos que ele foi o maior da história. Aquele período que ele construiu com talento nunca se repetirá. Ele precisou morrer para sair da infâmia e se reerguer.

A figura dele desde sua morte alguns dias atrás apenas cresceu. A Amazon divulgou que vendeu mais discos dele em 24h após sua morte do que havia vendido nos últimos 11 anos, as vendas mundo afora foram maiores do que as de Elvis Presley e John Lennon após suas respectivas mortes, o site para concorrer a entradas do velório recebeu 500 milhões de acessos em menos de 1 dia, os seus vídeos no Youtube são os líderes de acesso nessas semanas, seus discos voltaram a figurar na lista de mais vendidos e a onda parece não parar.

São incontáveis as tentativas de explicação para um comportamento tão bizarro como o dele. Para quem entrou no mundo musical aos 6 anos de idade, virou o maior ídolo pop da história, não teve infância, nem adolescência, não possuiu um suporte familiar adequado e tinha ao seu lado irmãos sem ideia de um correto planejamento financeiro e um pai mais do que ambicioso e incapaz de ser uma figura paterna, parece ser compreensível então que ele tenha se comportado de forma tão errática.

O que pouca gente leva em consideração é que MJ tenha ficado ainda mais recluso após as acusações de pedofilia. No livro que já citei aqui, The Magic and the Madness, o autor explica e defende que MJ nunca teria abusado de qualquer uma das crianças próximas a ele, mas mesmo assim a condenação pública já havia sido feita.

Pior do que a pedofilia é o crime grave pelo qual se paga sem cometer. MJ começou a morrer quando as acusações ganharam as manchetes no mundo todo. Em conluio com os acusadores, estava a imprensa irresponsável, aquela que denuncia sem saber ou apenas querendo vender mais e mais mesmo que para isso comprometa a verdade. Agora que está morto, todos se lamentam como se sua morte fosse uma tragédia. Mas ele já era uma tragédia todos esses anos e ninguém o ajudou.

Eu prefiro acreditar que o MJ era um cara extremamente exótico, com comportamento bizarro, mas que nunca fez mal a ninguém, como outros gênios que a arte conheceu. E para piorar ainda teve que pagar para que não fosse mais explorado porque não tinha paciência com os processos e nem confiança de que se safaria de todas as acusações. Aliado ao seu exagero consumista, quase foi à falência.

MJ pagou caro num mundo que não aceita o diferente. Foram 10 anos melancólicos que acompanhamos, mas é persistir no erro condená-lo até depois de morto. Até porque não há santos em lugar nenhum já que todos esses estão mortos, essa é uma condição para que sejam chamados assim. Como foi muito bem dito em seu velório pela deputada Sheila Jackson Lee, ele era uma boa pessoa, “um bom samaritano”.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

De Honduras e da nossa crise de saber o que é Democracia

Eu não sabia, mas a nossa República de Bananas deve o apelido indiretamente ao humorista americano William Sydney Porter, que viveu em Honduras no início do século XX. Morando lá ele definiu o país como uma "República bananeira". Como aqui na América Latrina o que não falta é governo corrupto e país sem leis, o termo foi popularizado, adotado por nós, mas Honduras que foi, sim, a primeira República de Bananas.

Nada mais justo que fazer valer a fama. Eis então que o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, perdeu o poder. Mas teria sido um golpe?

O PTista é um tipo de pessoa que consegue transformar até tumor em categoria de pensamento. Veja como a ministra Dilma é melhor por tê-lo e o crítico PTista Reinaldo Azevedo é o inverso justamente por também possuir os seus. Para os amigos deles qualquer coisa é um sinal de virtude, nos outros, uma explicação para seus defeitos. Nesse ritmo não faltou para que a derrubada de um presidente também assim o fosse.

Visto do que está na constituição hondurenha, o presidente caiu por seus defeitos e excessos, não por suas virtudes. Ele caiu porque agrediu a carta magna do país, não porque era um exemplo. Para quem ainda não acompanhou a situação, o presidente quando eleito era um típico político de centro-direita. Com o passar do governo começou a debandar para a esquerda se aproximando do protoditador venezuelano Chavez. Até aí tudo bem, mesmo que pra isso tenha traído seus eleitores. Mas eis então que seguindo o que manda a cartilha dos demais novos protoditadores latinos, ele passou a fraudar a Democracia querendo mudar a lei do país via plebiscito para se perpetuar no poder. E como se faz isso? Populismo barato ferindo os princípios democráticos. Com os seus planos descobertos e com a realização de um plebiscito negado, foi deposto seguindo o que está escrito nas leis do país. Mas para os intelectuais da esquerda, quando um esquerdista cai por excessos, é golpe. Quando ele dá o golpe na Democracia, seria para o nosso bem.

Pois bem, enquanto escrevo esse post, estou vendo uma entrevista de nosso Celso Amorim na TV Globo dando mais uma de suas declarações vergonhosas. Para ele, a diferença entre o que ele chama de golpe em Honduras e o que se passa em Cuba seria a duração do ocorrido, como em Cuba isso se passou há mais de 50 anos, ele seria permitido. Palavras de Amorim! Para ele, por durar muito, seria legítimo e o de Honduras não duraria sequer 3 meses. Seria o caso então de Fidel Castro mostrar ao ex-presidente como se mata opositor para durar mais no poder?

Amorim ainda acrescenta que o governo atual não tem sequer legitimidade de convocar eleições. Mas Fidel teria? Os cubanos sabem, aliás, o que é uma eleição na prática? Celso Amorim é uma vergonha nacional. Aplica-se também a ele uma brilhante frase usada e adaptada pelo blogueiro do maligno tumor, Reinaldo Azevedo, em um post sobre Lula e o pensamento PTista: Bastaria que ele, Celso Amorim, sentindo aquela vontade irresistível de pensar, tivesse a educação de esperar a vontade passar.

Deste presidente deposto hondurenho não tenho qualquer simpatia, óbvio. Do governo provisório, tampouco! Mas como 2 erros não fazem jamais 1 acerto, está na hora dessa turma pilantra começar a dar nomes certos aos bois. A carta magna de um país democrático deve ser seguida, e jamais ser alterada em nomes de princípios escusos como garantia de um suposto bem maior.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

De rins, transplantes, capacetes e motos.

escrevi aqui sobre o que eu acho como uma das saídas viáveis para aumentarmos o transplante de rins diminuindo o sofrimento dos que estão na fila de espera. Sou a favor da comercialização dos órgãos, pois aumentaria muito a oferta deles, reduziria a fila unificada pela espera, acabaria com qualquer possibilidade de um mercado negro que já existe na Ásia e ainda daria a muita gente que morre com 2 rins a chance de uma vida mais digna com o pagamento oferecido.

Tem gente que é contra apenas com o argumento tosco de proteger os pobres. Esses querem pensar por eles e por todos nós. Outro ponto importante é para aqueles que colocam no RG que não são doadores. Então esses que caiam para o final da lista unificada. Isso também ajudaria e é muito mais justo.

Por fim, o estado deveria esclarecer à população que não há razão para se ter medo de ser um doador com o medo infundado de perder órgãos ainda vivo. Isso não existe! O que mais o estado poderia fazer para ajudar seria deixar de lado a exigência dos motociclistas de usarem capacete. Mas como assim??

Ao contrário do que muita gente pensa, usar capacete não é obrigatório em todo o mundo. Muitos países não adotam a medida por questão de dar liberdade de escolha ao usuário e outros se baseiam ainda em pesquisas que indicam que motociclistas e ciclistas quando utilizam capacete acabam muitas vezes sendo mais agressivos enquanto guiam por terem uma sensação maior de segurança e invulnerabilidade, causando assim ainda mais acidentes.

Nos EUA, onde os estados podem ter leis locais muito diferentes, um pesquisador publicou um estudo muito interessante. O Texas se juntou a outros 5 estados onde não há mais a obrigatoriedade do equipamento desde 1994. E o estudo vai justamente nessa diferença na lei, pois estes estados apresentam desde então uma maior disponibilidade de órgãos para transplantes. Teria a população texana ficado assim mais sensível ao drama alheio doando mais? Não! Os acidentes gerados agora resultam em mais órgãos para doação!

Seria moralmente correto apoiar uma lei dessas por causa desse efeito colateral? No país campeão mundial de mortes no trânsito e em uma cidade como São Paulo, onde morre 1 motociclista por dia útil, o que será que aconteceria se diminuíssem os acidentes? Teríamos assim uma queda na oferta de órgãos? Temos algum benefício que seja com tamanha carnificina? Não creio, mas tampouco podemos garantir. Quem vai fazer a pesquisa?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sobre cupom e metas de compras

Estou lendo o sensacional “Risk – The Science and Politics of Fear” do autor Dan Gardner, livro que pretendo mais pra frente escrever uma resenha. Nele entre outras coisas o autor mostra a dificuldade que temos com alguns números e como somos traídos em nosso comportamento quando temos que lidar com vários deles que aparecem aos montes à nossa frente.

Tem gente que acha que consegue ser perfeitamente racional, não deixando assim em nada se influenciar. Mas será mesmo que somos assim racionais? Não mesmo.

No livro, Gardner mostra um exemplo de uma pesquisa em um supermercado, um verdadeiro laboratório para pesquisas. Os pesquisadores notaram que em uma grande promoção de feijão em lata (baked beans) os consumidores se comportavam de maneira muito diferente com uma pequena alteração no anúncio aos consumidores. No grupo em que a promoção não trazia “regras”, os clientes levavam em torno de 2-3 latas, mas quando o supermercado disponibilizava o aviso de “no máximo 10 latas por pessoa”, os clientes saíam com 6-7 latas cada um. É o tal efeito âncora, quando você disponibiliza qualquer número a uma pessoa e algumas de suas decisões e escolhas imediatamente futuras são muito ligadas a esse número aleatório.

Esse efeito também pode ser atribuído à perseguição de uma meta por parte do consumidor. Para provar essa teoria, em uma loja de conveniência com média de vendas na ordem de U$4,00 por cliente, começou-se a oferecer cupons de desconto de U$1,00 para cada U$6,00 em compras e também para outros clientes um cupom de igual desconto (U$1,00) para cada U$2,00. O que aconteceu? Houve comportamentos distintos?

Aqueles que receberam o primeiro cupom passaram a gastar mais para que pudessem utilizar os cupons, de acordo com o que eu já disse aqui tempos atrás em outro post. Mas o mais estranho foi que os outros clientes passaram a gastar menos mesmo quando gastando os habituais U$4,00 teriam o mesmo desconto com o cupom! Estranho, não?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Educação, matemática, sexismo e as tais diferenças inatas...

Lembro que não faz muito tempo vi uma reportagem que mostrava um daqueles pesquisadores com um estudo que prometia provar a superioridade intelectual de um dos sexos. O estudo picareta mostrava que no futuro o mundo seria dominado pelas mulheres porque numa bateria de 9 testes elas se sobressaíram em 6, justamente os que supostamente seriam mais determinantes para a humanidade num futuro não distante. Algumas pessoas saudavam isso como um alento, uma coisa boa, uma prova de que o homem não é melhor do que a mulher, ele seria, aliás, pior. Eu vi aquilo como uma pesquisa tonta porque era muito superficial. Mas eu fiquei é imaginando onde o cara iria arranjar financiamento ou rede de TV dispostos a divulgar um resultado diferente, onde em 8 dos 9 testes os homens se saíssem melhores e que, assim, nós então teríamos é que nos acostumar e iríamos, sim, esperar e ver mulheres saindo cada vez mais de cena.

Seria isso possível? Duvido! Mas bem antes desse estudo mais uma vez uma grande autoridade do mundo acadêmico falou algo relativo ao tema de modo que acabou sendo mal interpretado e teve que se explicar porque alguns radicais ouvem o que querem, inventam e atribuem frases não ditas. O nosso ex-presidente FHC nunca disse “esqueçam o que eu escrevi”, mas até hoje lhe cobram explicação. Pois o presidente (ou reitor) de Harvard teria sugerido alguns anos atrás que haveria uma diferença inata entre homens e mulheres que faria com que aqueles se sobressaíssem quando comparados com elas nos campos da matemática, ciências exatas e engenharia.

O maior erro do reitor de Harvard, Lawrence H. Summers, talvez tenha sido mesmo a questão do exemplo negativo dado às futuras estudantes, pois se uma autoridade dessas diz isso, fica mais difícil (mas não impossível) convencer e incentivar a sua sobrinha de que ela pode ser uma grande física nuclear, por exemplo. Mas daí querer a cabeça dele como já se quis também a de outros acadêmicos que deram declarações semelhantes é um abuso!

Qualquer declaração do gênero é infeliz, politicamente incorreta, mas não de todo errada se você analisa o que foi dito. Vale lembrar que o mesmo incômodo que há com a baixa presença feminina nestas áreas, não gera o mesmo desconforto em outras áreas reconhecidamente “delas”. Mas voltemos.

O reitor Summers deu 3 motivos principais para a grande desproporção entre os gêneros, mas foram ignoradas por muitos dos ouvintes. A primeira é que por causa da maternidade há naturalmente menos mulheres dispostas à dedicação acadêmica. Uma segunda razão dada por ele e que ainda desperta os instintos mais primitivos nos críticos é dizer que há muito mais garotos entre os estudantes de altas notas em matérias exatas nos colégios. Isso não é opinião, são números. Se isso serve de consolo, há muito mais garotos também com as piores notas, ou seja, a distribuição das notas entre as mulheres é mais concentrada, as dos meninos mais distribuídas aos extremos, mas as médias são muito similares. E o terceiro fator seria finalmente um preconceito nas universidades que ele julga ser o menos decisivo por uma lógica válida, as mulheres já são minorias na amostra das melhores notas antes de entrarem nos cursos dessas áreas. Ou seja, ele não quis dizer que o homem é melhor do que a mulher, mas que há uma questão inata para que nós homens sejamos maioria nesses cursos. Falou besteira? Não mesmo.

Alguns estudos já tentaram entender e explicar o porquê de haver mais homens que mulheres. Elas são muitas e podem ir do temperamento à pura discriminação. Mas uma recente pesquisa do National Bureau of Economic Research Working Paper relacionando o gênero e os resultados acadêmicos na Academia da Força Aérea Americana (U.S. Air Force Academy), entretanto, encontrou dados muito interessantes para aqueles que tentam estudar o assunto.

O estudo feito pelos economistas Scott Carrell e Marianne Page da Universidade da Califórnia e pelo colega deles, James West da U.S. Air Force Academy (USAFA), encontrou que trocando um instrutor homem por uma instrutora mulher há um efeito extremamente significativo para reduzir a diferença entre os sexos.

O trio de economistas examinou 9.481 cadetes graduandos que foram alunos de 250 diferentes instrutores de ciências e matemática na USAFA de 2000 a 2008. Se mulheres alunas de professoras se saem melhor (ou pior) seria porque os professores atraem melhores (ou piores) alunos ao invés de ensiná-los melhor? Seria porque professoras facilitariam as provas para que as alunas mais fracas se saiam melhores? Seria ainda algo completamente diferente?

Vejamos: na USAFA o currículo, os protocolos e as provas e testes são extremamente rígidos, o que deu aos pesquisadores condições ótimas para o estudo porque tudo era padronizado, igual para todos os alunos. Além disso, os alunos são distribuídos aleatoriamente entre os diferentes professores, sendo assim, não há chance de escolha para o aluno (homem ou mulher) escolher o professor ou o sexo deste.

O que os economistas viram foi que as mulheres obtêm notas 0,15 (metade da diferença entre um A+ e um A-) menores do que os homens. Mas aí vem o interessante. Essa diferença é maior quando a aluna tem um professor homem, mas quando a instrutora é mulher, a diferença cai em 2/3! No lado masculino, os homens com instrutores homens também tinham notas melhores do que aqueles com instrutoras, mas essa diferença não era tão grande.

Ou seja, os pesquisadores atribuem boa parte da diferença de desempenho entre os sexos na USAFA pelo fato de que apenas 23% das turmas têm instrutores mulheres. Para estes estudantes, elas acabam reduzindo muito a diferença nas notas e desempenho, muito mais pelo fato das mulheres terem notas maiores do que pela dos homens estarem pior.

Mas outro ponto importante é que ter um instrutor homem para uma aluna não é decisivo apenas nas notas ou em sua formação no primeiro ano, isso porque o quão bem elas se saem em seu ano introdutório para elas indica as chances de se obter futuramente um título acadêmico.

Mas, afinal, por que ter uma instrutora muda tanto o desempenho das alunas? Seria porque ver uma mulher naquela posição seria encorajador? Se fosse apenas isso, já saberíamos o que é necessário para cada gênero se sair melhor, mas acontece que o estudo também viu que com alguns professores homens não há aumento da discrepância entre gêneros e com algumas instrutoras as alunas tampouco acabam saindo-se bem. Ou seja, alguns homens são muito bons ensinando mulheres, então apenas um suposto modelo feminino não explicaria o resultado.

O que faria então desses homens bons professores? Atribui-se a alguns o fato de por terem filhas, serem também bons mentores e de alguns outros terem uma empatia desenvolvida para desafios que as alunas têm que enfrentar na vida. Seria isso mesmo? Ou um estilo diferente de ensinar explicaria tudo? O estudo não se baseou nos professores e suas metodologias, então a pergunta fica ainda sem resposta.

Sendo assim, um dos pilares para se combater uma presença feminina menor nesses campos é entender justamente o que faz de um professor (seja ele homem ou mulher) mais efetivo com alunas. O problema é você cair na solução simplista de começar apenas a contratar professores mulheres para resolver o “problema”. Assim você cai na burrice e racialismo das cotas. Para contratar mulheres professoras você terá assim que deixar homens competentes do lado de fora tão somente porque eles são... homens! E não há causa que justifique isso uma vez que nenhuma mulher pode ser deixada também de fora por ser mulher.

Por outro lado não adianta acharmos que ser “bonzinho” com as alunas ajudaria, já que a questão da razão não está respondida. Talvez uma medida simples seja deixar claro que a diferença entre um A- ou B+ não é o que determina o seu futuro acadêmico como muitas mulheres exigentes acreditam hoje. O que podemos concluir é que ajudando de maneira meritocrática a se reduzir a diferença é algo essencial caso queiramos nesses campos de atividade uma proporção mais homogênea entre os gêneros.

Mas não custa reforçar, sem cotas!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Jaleco Branco para quê?

Foi divulgado recentemente nos EUA que a American Medical Association (AMA) recomendou em um relatório mais estudos para colocar em prática uma resolução ainda em avaliação que obrigaria os hospitais a adotar novos trajes e nova política de vestimenta acabando de vez com o uso dos tradicionais jalecos brancos e de qualquer outro traje que ajude a aumentar a propagação e os casos de infecções hospitalares.

O motivo da decisão da AMA é o grande número de estudos que relaciona infecções hospitalares com os aventais, além da já conhecida hipertensão pela Síndrome do Avental Branco que eleva a pressão arterial de pessoas normotensas no momento da medição.

Se há tanta evidência da inutilidade do avental ou do mal que algumas vezes ele causa, por que mantê-lo? Por uma questão social! Quando você vê alguém de jaleco você deduz que ele é um médico, mas isso é ainda melhor pra ele visto a grande admiração que a profissão ainda tem. E você pode notar isso pela mania tonta de se andar com o estetoscópio pra lá e pra cá. É a única profissão em que o profissional fica andando com o instrumento de trabalho desse jeito. Eu não perco tempo e fico imaginando o mecânico andando com o macaco hidráulico ou um grifo na mão.

A profissão, assim como todas as outras da área de saúde, começou de uma forma completamente diferente daquilo que temos hoje. Entre outras coisas tivemos o desenvolvimento de procedimentos anticépticos, vacinas para crianças, para idosos e o advento das anestesias que prolongaram a sobrevida dos pacientes reduzindo a sua mortalidade.

Os jalecos começaram a ser usados simbolizando pureza, mas também higiene, não à toa até oficinas mecânicas, pensando nesse simbolismo, agora também exigem que os funcionários estejam usando aventais. Mas nem sempre foi assim, pois consta que até fins do século XIX, médicos e enfermeiras utilizavam roupas pretas! E apenas em 1915 os médicos em hospitais tiveram que passar a usar os aventais brancos.

O argumento daqueles que defendem a tradição é o fato do avental supostamente acalmar as pessoas e dar-lhes confiança. 56% dos entrevistados em uma pesquisa acreditam que eles devam usar os jalecos contra apenas 24% dos médicos que acham o mesmo. Os mais velhos concordam mais com o uso enquanto os mais novos tendem a achar que não. Outro estudo encontrou que pacientes acreditam e confiam mais nos médicos quando eles utilizam avental.

Mas nem todos os tipos de médicos gostam de utilizá-los. Os pediatras e psiquiatras normalmente não o usam. Na Dinamarca e Inglaterra os pacientes não fazem questão, então eles usam menos. Mas adotando a medida, parece que a AMA não seria a pioneira, visto que o Serviço Nacional de Saúde na Escócia estabeleceu o fim do avental branco no final de 2008 e agora haverá um outro padrão de cores para todos os funcionários. Parece mesmo que a tendência é para o fim deles.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quanto duram as amizades?

Tem gente que acha que amigos são para sempre. Outros são mais pragmáticos e sabem que amigos, tal qual diz a famosa música Filtro Solar que já citei aqui quando falava sobre saudosismo tonto, vão e vêm, também como resultado da correria do dia a dia e da mudança de nossas redes de contato quando migramos da escola para a faculdade e depois nos diferentes empregos.

Pois eis que um novo estudo muito interessante veio mostrar que daqui a 7 anos o seu grupo de amigos será muito diferente do que é hoje mesmo que mantido o mesmo tamanho.

O estudo da Utrecht University feito pelo sociólogo Gerald Mollenhorst entrevistou 604 pessoas acerca de suas amizades e 7 anos depois fez o mesmo descobrindo que apenas 48% das pessoas se mantinham na rede de relacionamento delas. É um fato que o e-mail e o celular aproximaram as pessoas e ferramentas como o orkut e o Facebook facilitaram enormemente que mantenhamos contato com muito mais pessoas. Mas o que eles e as novas ferramentas virtuais criadas a toda hora (Twitter??) poderão fazer? Só o tempo dirá.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cuidado com o garçom? Eu acho que basta ser educado...

Tem uma piada muito boa que o meu amigo André Britto fazia quando íamos almoçar juntos ali na Vila Olímpia em nossos tempos de adidas. Quando ele percebia que o garçom estava correndo todo atarefado anotando nossos pedidos ele perguntava se o garçom havia anotado o pedido dele, o garçom para não parecer distraído ou lento dizia que sim, e meu colega André completava dizendo a verdade: mas eu ainda não pedi nada!

Para fechar o André fazia apenas mais um pedido: “Por favor, não cuspa no meu prato”. Sabe como é, né? Em tempos de fim da obrigação do diploma universitário para jornalista, durante pronunciamento de voto no STF a profissão de jornalista foi comparada com a de cozinheiro... Tal qual diz Tutty Vasques, não custa lembrar que cozinheiro ofendido é um perigo!

Essa lenda de vingança que o pessoal da cozinha faria com clientes mal educados é o tipo de coisa que eu prefiro acreditar. Eu NUNCA trato mal esses funcionários. Quando eu estava em Budapeste eu conheci uma americana meio louquinha que começou a fazer um monte de piadas com um garçom enquanto jantávamos, mas o inglês dele era meio precário não entendendo que eram tudo piadas daquelas bem simpáticas e não reclamações. Aí eu quebrei o gelo porque fiquei preocupado de verdade.

Mas seria lenda ou coisas piores acontecem? Faz um tempo apareceram as provas, 2 funcionários da Domino’s Pizza em North Carolina (EUA) foram despedidos, multados e ainda correm o risco de serem presos porque colocaram no Youtube (em vídeos que depois foram retirados) cenas em que temperavam as pizzas que faziam com algo a mais tirado do nariz.

Pra não correr o risco, prefiro continuar sendo simpático e educado, apesar de dizerem que o que os olhos não vêm, o coração e o nosso paladar não sentem.


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