terça-feira, 30 de junho de 2009

Pôquer...

No final do ano passado aconteceu com o pôquer de um modo meio despercebido aquilo que já havia acontecido com grande repercussão no Xadrez. Em Las Vegas um programa de computador venceu alguns dos melhores jogadores de pôquer do mundo. Quando um computador 11 anos atrás venceu em uma série de jogos o Garry Kasparov, para muitos o maior enxadrista da história, ficamos achando que a última das grandes barreiras havia sido superada em um jogo.

O placar foi 3x2 (e 1 empate) para a máquina. Além do fator sorte presente no pôquer, outro desafio dessa disputa é o blefe, os “jeitos e bocas” que somente uma pessoa tem. E a grande diferença está mesmo na informação que altera a reação humana. No xadrez você conhece todas as “cartas” do adversário, quando no pôquer você não tem esses dados. O Xadrez é muito determinista, sem o fator sorte e no pôquer as variações de um jogo são tão grandes que você precisaria de semanas ou mesmo meses de partidas seguidas para saber com grande validade quem seria mesmo o melhor dos jogadores sem que dependesse do acaso.

Para que o desafio fosse mais válido foram então reduzidas as possibilidades de sorte. Usaram, assim, o Poker Texas Holdem que é uma versão mais simples do pôquer. Além disso, as partidas foram duplicadas e cada jogo envolvia 2 jogadores competindo simultaneamente contra a máquina, o novo programa Polaris. Para reduzir o peso da sorte, a mesma mão era usada nas duas partidas de forma que cada um dos humanos tinha posições opostas contra a máquina, representada por um laptop. Ou seja, se um dos jogadores pegasse uma mão boa, o outro necessariamente pegaria uma ruim. Somando-se os resultados saía o vencedor homem, máquina ou empate. Vale lembrar ainda que este desafio pode não ter sido o derradeiro uma vez que não foram feitos os cálculos para saber se essa duplicação de mãos é realmente efetiva contra o peso da aleatoriedade no resultado final.

E qual a utilidade de um programa como esse que ganha de jogadores de pôquer? Por ser uma aposta, um programa de pôquer online pode ser muito utilizado em leilões fechados com várias empresas competindo em uma privatização, por exemplo, onde ninguém sabe a aposta do outro. E por que não também, em leilões virtuais como o e-Bay? É bem possível!

O projeto para viabilizar o Polaris demorou 5 anos desde a concepção da ideia. No começo duvidaram da capacidade dele em ganhar contra profissionais do jogo, ainda mais quando em 2007 ele perdeu para profissionais em Vancouver, British Columbia. Um dos méritos melhorados no Polaris foi sua capacidade de analisar os estilos diferentes dos adversários de carne e osso sendo inclusive mais agressivo quando quer forçar a desistência do adversário.

Acontece que não é qualquer jogo que ganha a dedicação e o investimento de um projeto desses, mas o pôquer é assim mesmo, um pouco cultuado, tradicional, diferente e especial. É um jogo que por causa da legislação americana, na disputa do “mundial feminino” (World Series of Poker), por exemplo, os organizadores no casino não têm como proibir a presença de um jogador homem. Assim, um homem pode cair no inusitado de ser campeão feminino de uma competição que deveria ter naturalmente uma mulher como vencedora. Esse dia ainda não chegou, mas já houve alguns poucos homens competindo e chegando longe.

E já em um outro estudo interessante feito com mais de 100 jogadores pela Nottingham Trent University, por exemplo, mostrou que 68% das mulheres que jogam online em sites de jogo de pôquer escolheriam jogar como um personagem masculino, pois assim chamariam menos atenção da “mesa”. Na mesma pesquisa mostrou-se que os apostadores online são muito menos avessos ao contato social do que se supõe, pois apenas 1 em 5 disse achar mais fácil se socializar mais facilmente jogando pelos sites do que na vida real enquanto 2 em 5 disseram que ele é uma grande alternativa para ajudar a escapar dos problemas pessoais e estresse do dia a dia.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vi com meus próprios olhos... mas dá pra confiar?

Alguns meses atrás um júri no Texas (EUA) julgou Timothy Cole inocente de uma acusação de estupro que o mandou para a prisão em 1986. A vítima o apontou como o responsável em 3 oportunidades, 2 vezes na delegacia e uma no julgamento. Cole foi julgado inocente agora pelo teste de amostras de DNA. O verdadeiro estuprador, Jerry Wayne Johnson confessou o crime em 1995. Infelizmente o inocente Cole morreu na prisão em 1999, muito antes de ser declarado inocente.

Um estudo publicado por professores da Iowa State University põe em cheque a credibilidade e o uso da identificação ocular tão usada pela Suprema Corte Americana. Recentemente Gary Wells e Deah Quinlivan na Law and Human Behavior, um jornal da American Psychology-Law Society, revelaram quão frequente essa injustiça ocorre. Das 224 pessoas nos EUA que foram erroneamente condenadas e depois inocentadas por amostras de DNA, 77% (ou 172) o foram por erros na identificação por testemunha ocular. Ou seja, os erros por esse método é sozinho responsável por mais condenações de inocentes do que todas as outras causas somadas.

Jennifer Thompson tinha 22 anos quando foi estuprada em 1984 e embora sob a terrível experiência ela tomou o cuidado de tentar gravar na sua memória todos os detalhes faciais e a voz do agressor porque se sobrevivesse poderia tentar ajudar na sua captura. Ela não só sobreviveu como identificou Ronald Cotton em pessoa na delegacia e depois ainda com alguma hesitação o reconheceu por foto dias depois. Em entrevista a uma rádio ela confirmou que essa certeza deu a ela segurança de que havia feito tudo corretamente. Certo? Errado! O inocente Cotton ficou 10 anos e meio preso injustamente até um teste de DNA apontar o grave erro e apontar o culpado Bobby Poole. Mas o mais estranho de como nossa mente funciona está no fato de que mesmo se preocupando em memorizar suas características, na primeira vez que ela viu Bobby Poole na corte, ela estava segura de que nunca o havia visto antes! Ela mesmo sabendo do horrível erro que cometera, admitiu que ainda via Ronald Cotton e não reconhecia o rosto do agressor!

Parece uma simplicidade, mas algumas mudanças simples são sugeridas pra que se reduzam esses erros, entre elas: mostrar as fotos das pessoas sequencialmente lembrando à pessoa que o suspeito pode não estar ali e se assegurar que aquele que conduz esse processo não tenha conhecimento de quem é o atual suspeito.

O ponto é que a maioria das delegacias não se preocupa em melhorar este sistema porque nunca ficou claro o tamanho da injustiça que vem sendo feita até então. Se lembrar que alguém pagou caro por um erro já é bastante duro, podemos dobrar o custo desse erro quando lembramos que, com ele, um culpado sai livre do processo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vivendo fora e se virando como pode.

Assim como dizem que escrever um blog ajuda a escrevermos melhor (pffff...), todo programa de TV ou matéria de revista que falam sobre a experiência de se viver no exterior batem na mesmice dizendo que os contratantes gostam de candidatos de emprego que viveram no exterior porque essa prática demonstraria que essa pessoa acaba demonstrando assim maior independência e criatividade para resolver novos problemas e desafios. Mas será que é verdade?

Eu acredito em RH do mesmo modo que acredito em Feng Shui e aromaterapia. Acredito em eficiência de entrevista e dinâmica de emprego na mesma intensidade que acredito em vitamina C contra resfriado, ou seja, não acredito em nada disso! E também nunca botei fé nessa de que viver fora me faria mais criativo. Não acredito nisso.

Mas eis então que um estudo com 210 estudantes universitários publicado no Journal of Personality and Social Psychology com 2 experimentos tenta comprovar essa tese. Em um eles ofereciam uma vela, uma caixa de fósforos e algumas taxinhas pedindo uma tarefa simples para que os sujeitos dispusessem tudo de uma forma a prender a vela sem que a cera derretida caísse no chão. Para surpresa dos pesquisadores 60% dos que moram ou moraram fora contra apenas 42% sem essa experiência souberam solucionar. Em outra tarefa as pessoas tinham que desenhar alienígenas e novamente os que viveram em outro país apresentaram desenhos mais, digamos, criativos.

Outro estudo interessante com 72 americanos morando em seu país e com 36 estrangeiros morando nos EUA tentava avaliar a criatividade em uma situação de negociação. Aos pares eles tinham que chegar a um acordo fazendo o papel de comprador e vendedor de um posto de gasolina. Quando ambos viviam fora, 70% chegaram a um acordo, quando ambos não tinham tido essa experiência, não houve acordo algum! Zero!

Confesso que os experimentos não me convenceram 100% e não é porque vivendo fora você correria maior risco de ter a luz cortada e teria então que apelar para luz de vela. E tampouco no exterior há mais ETs! Aliás, até já disse aqui onde há mais ETs! O ponto é que no estudo há certa divisão de americanos com estrangeiros que pode influenciar, mas não é difícil aceitar que se os benefícios de morar fora forem esses mesmo, apenas cruzar a Ponte da Amizade no Paraguai ou passar alguns dias fazendo sacolão em Miami não seria suficiente! Você teria mesmo é que viver fora!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Eleição no Irã: houve mesmo fraude?

De um país tão fechado à comunidade internacional como o Irã, não se pode confiar em tudo. As grandes redes de TV gostam de lembrar ao telespectador que as imagens que estamos vendo recentemente sobre os protestos locais não podem ser garantidas como legítimas porque foram feitas por amadores que as enviam de seus celulares. Mas mesmo assim, todos admitem que haja mais do que fortes evidências de que as eleições iranianas não têm nada de legítimo. Quer dizer, nem todos! Lula acha que aquele monte de gente morta nos protestos é porque esses golpistas não sabem perder.

Mas como saber se houve fraude se a imprensa internacional não tem muito acesso? Para legitimar o que todos chamam de fraudulenta, o governo iraniano distribuiu alguns números à imprensa internacional. O Ministro do Interior disponibilizou dados de 29 províncias e com esses dados alguns pesquisadores analisaram 116 números dos 4 principais candidatos (Ahmadinejad, Mir Hussein Mousavi, Mehdi Karroubi e Mohsen Rezai) em cada província.

Pelos números vemos que Ahmadinejad foi surpreendentemente bem nas áreas urbanas (incluindo Teerã) que são sabidamente as regiões dos maiores protestos e onde sabem que ele encontra maior impopularidade e rejeição. Mesmo em Tabriz, capital da província e cidade de um dos opositores (Mousavi), ele foi mais bem votado.

Karroubi, foi outro que teve baixa votação em sua terra natal (Lorestan) e onde os conservadores (situação) tiveram baixa votação em 2005. Mas desta vez Ahmadinejad teria tido 71% dos votos! Outro ponto que chamou a atenção foi que em um país que recentemente teve um tão heterogêneo padrão de votos o vencedor tenha tido relativa consistência de desempenho. Muito estranho.

Como agora o governo iraniano já assumiu que algumas cidades realmente tiveram mais votos que eleitores, então a suspeita passou a ser que o Ministro do Interior teria inventado números a portas fechadas. Como saber disso apenas com o que foi divulgado?

Para analisar isso, os autores olham apenas para os 2 últimos algarismos do número final de votos mesmo sabendo que o que dita o vencedor é o numeral mais à esquerda. Não precisamos ser estatísticos para saber que a distribuição dos números (0, 1, 2, 3...) como último algarismo deveria ser uniforme e em torno de 10%, então se na maioria das províncias temos muitas parciais terminando em 5, por exemplo, é chegada a hora de desconfiarmos.

E como mesmo o fraudador sabendo disso, o seu rastro se manteria? O problema é que nós humanos somos ruins ao inventar números! Alguns psicólogos em pesquisas descobriram que quando temos que fazê-lo tendemos a preferir uns algarismos a outros. Há nos números iranianos divulgados um excesso de 7 (17%) e poucos 5 (menos de 4%) como último algarismo. A chance estatística de isso acontecer em uma eleição limpa é da ordem de 4%! Para que tenhamos uma comparação, nos EUA ano passado nenhuma vez houve um algarismo acima de 14% ou abaixo de 6%.

Antes fosse tudo. Nós humanos também somos ruins para inventar números não adjacentes (64, 37, 84...). Na média eles deveriam ser aproximadamente 70% dos casos. Na eleição iraniana eles foram 62%, algo que esperamos acontecer apenas em 4,2% das eleições legítimas.

Visto separadamente a análise desses números gera suspeita, visto juntos, podemos dizer que a chance dessa eleição ser limpa no Irã é de algo como 2%. Ah, esses golpistas, não é, Lula?

Sobretaxando o gordo que quer voar.

O dia em que essa discussão iria aparecer estava pra chegar, pois o sujeito obeso que deseja voar pela United Airlines agora tem que ficar atento e seguir uma regra referente ao tamanho do seu corpinho. Se você não consegue se sentar facilmente, afivelar seu cinto e ainda abaixar o apoio de braço, você será convidado a pagar por um segundo assento na classe econômica ou comprar um assento na 1ª classe. O pior de tudo é que se o voo estiver lotado, você será remanejado para o seguinte mesmo pagando por isso.

O que a porta-voz da empresa disse ao jornal Chicago Tribune foi que eles receberam centenas de reclamações de clientes dizendo que fiveram um voo desconfortável porque o passageiro ao lado “invadia” o seu espaço. Outra empresa, a Southwest Airlines, apresentou similar declaração. Depois disso a United publicou sua nova política de transporte que é similar à da Continental que já tem 5 anos, enquanto a da Southwest tem já 2 anos. Ou seja, algumas das maiores empresas do mundo já tratam do assunto, não demorará pra chegar o dia em que os obesos independentemente da empresa que voem, pagarão em dobro.

É um fato que os obesos não contam com muita simpatia porque ainda resiste o fato da sociedade achar que obesidade é em grande parte resultado de uma fraqueza individual, uma escolha, preguiça, não uma doença. Prova disso é que para os passageiros muito altos a mesma United que sobretaxa os obesos oferece um serviço interessante. Nela você pode adquirir o assento Economic Plus que custa 20% mais, mas que possui quase 13cm a mais para as pernas. Se parece pouco, saiba que a distância média entre as fileiras é de 76cm a 81cm.

Mas para os gordos a opção assento “um pouco” mais largo não existe! Para eles a coisa é binária, é tudo ou nada! Ou 1 ou 2! Injusto? Para mim é um pequeno indicativo de que a obesidade é vista como opção, falta de capricho, esmorecimento, desleixo. Tecnicamente seria muito difícil oferecer assentos mais largos? Não mesmo! Uma fileira com 6 assentos poderia tranquilamente virar uma com 4, assim o taxado não teria um sobrepreço de 100%, mas de 50%. Não seria mais justo? Ou os deficientes físicos com espaços especiais e os diabéticos e suas refeições pagam mais?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Um breve conto sobre a anestesia

Quando vou ao meu dentista Aymann, eu falo pra ele dobrar a dose da anestesia. Quando minha cabeça ameaça doer, eu corro pra pegar uma aspirina. Prefiro não imaginar como era antes da invenção desses analgésicos entorpecentes. Pois um fascinante artigo que fala sobre a primeira cirurgia em público com uso de anestésico conta o histórico super interessante deste invento que revolucionou medicina e sociedade.

No século XIX, quando ela foi descoberta, houve certa objeção de ordem moral ao seu uso porque se acreditava que a dor era considerada uma parte indispensável da vida. Assim, quem tentasse acabar com ela tinha um quê de satânico e charlatão.

As opiniões médicas e dos religiosos alegavam ser inseparável a dor da vida, ela seria necessária. Lembremos que até hoje há quem pregue que o parto deveria ser sempre natural entre outras coisas pela dor do processo. Mas naquela época alguns médicos acreditavam que apenas a dor podia manter alguns pacientes vivos durante o terrível trauma das operações. Muitas mortes ocorriam por causa do terrível choque ao organismo, mas achavam que a perda dos sentidos deixaria o paciente com mais risco de vir a falecer. Bobagem. Aliás, a medicina infelizmente costuma andar razoavelmente longe da ciência sob certa freqüência ainda nos dias de hoje. Médico é como jornalista, tem uma dificuldade triste de lidar com números e metodologias de pesquisa. Uma pena.

Bom, sobre a anestesia, o seu uso teve uma mudança lenta e gradual até que a maioria e a ciência prevaleceram. Para que tenha uma idéia da novidade que foi imposta, apenas em Fevereiro de 1957 a igreja reconheceu que não havia impedimento moral para o uso de anestesias. Que assim seja!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Polícia, Police, Polizia...

Quando fui a Budapeste o guia me disse que havia placas com a palavra “polícia” em inglês por um motivo nobre e simpático aos turistas: o húngaro é um idioma dificílimo e a capital recebe milhões de visitantes, sendo assim, placas apenas no idioma local com uma palavra tão estranha para um serviço tão essencial iria trazer inúmeros problemas.

A Hungria virou uma democracia desde o fim do Comunismo. Os protestos que vimos nas ruas do Irã têm um sentido vagamente parecido. O Irã está longe de ser uma democracia. Aquilo é uma teocracia ditatorial. Lula que compartilha com esquerdóides a ideia tosca de que a Venezuela do ditador Chavez é uma democracia “até demais”, saiu-se com a pérola irresponsável de dizer que o que se passou no Irã pós-eleições é protesto de golpistas que não aceitaram o resultado das eleições, o que ele não viu é que os golpistas acusados por ele estão sendo mortos, assassinados e reprimidos à bala! Lula como sempre toma o lado errado, o dos ditadores, ladrões e terroristas.

Soubemos agora que a apuração de 20% dos votos (manuais) iranianos levou menos de 20 minutos sem sequer a presença de representantes da oposição ou de observadores internacionais. É possível? Lógico que não! Mas Lula com sua visão esquerdista míope e rasa como um pires acha que é! Não satisfeito, mais uma vez veio com a tosquice de comparar os protestos dos eleitores da oposição com brigas de um “Flamengo x Vasco”. Ele reduz e tenta simplificar o mundo à sua visão limitada e futebolística que é como ele enxerga tudo.

E o mesmo governo ditador do maluco Ahmadinejad que bate e mata quem protesta, que quer apagar Israel do mapa, que proíbe quem quer sair do país e expulsa e persegue a imprensa internacional é o mesmo que usa a palavra POLICE escrita nos uniformes dos policiais.

Essa estratégia de facilitar a identificação dos policiais usando palavras em inglês pra quem não fala o difícil idioma local parece ser o único instante em que o Irã se aproxima da democrática Hungria. Concorde com isso Lula ou não.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Você pode ter Twitter, mas já entrou lá uma 2a vez?

Tem gente que reclama do orkut achando que ele tem inconvenientes. Eu prefiro acreditar que há muito mais vantagens que desvantagens. Você mantém contato com muito mais gente e consegue localizar pessoas que se perderiam de sua rede de contato. Depois de abrir o meu perfil, eu demorei alguns anos para abrir o meu Facebook já em 2006 quando fui estudar na Espanha e descobri lá que os gringos nem sabem o que é orkut.

Depois veio o MySpace que eu nem imagino como funcione. Do Second Life nem passei perto. E quando apareceu o Twitter eu meio que me prometi que não entraria lá porque havia já entrado em uns 3 ou 4 orkuts genéricos sem nunca mais entrar uma 2ª vez. Prefiro assim atualizar direito quando necessário aquilo que eu já tinha. Mas será que outras pessoas também entram, “fazem volume” e depois somem?

Nunca sequer vi o site do Twitter, não sei como funciona, sei apenas que dá pra postar poucos caracteres, mas vamos lá...

Examinando 300.000 contas no Twitter, um professor da Harvard Business School descobriu que 10% dos usuários respondem por mais de 90% das postagens. Para que comparemos, nas redes virtuais de relacionamentos os 10% mais ativos respondem em média por 30% das postagens. Veja o caso da Wikipédia. Lá os 15% mais ativos editores do site respondem por 90% do trabalho, ou seja, no Twitter a coisa parece ser ainda mais concentrada que o Wikipedia que nem é uma rede de relacionamentos.

Os dados vão ao encontro de outra análise recente da Nielsen que mostra que 60% dos usuários do site não retornam de um mês para o outro. Essa taxa de 40% de retenção de um mês para outro é extremamente baixa para um website de relacionamento como o Twitter! Mais da metade dos usuários postam menos de 1 vez a cada 74 dias! Muito pouco! Pelo que eles mostram, o Twitter parece ser muito melhor em atrair novos usuários que mantê-los ativos.

Essas pessoas seriam daquelas que criam um perfil, postam uma vez e nunca mais retornam. Algo muito parecido com o que acontece com os blogueiros que por um impulso criam o seu blog, escrevem alguns poucos posts e nunca mais retornam ou como eu em uns 4 sites desses.

E não é só isso que você tira das estatísticas de lá. Apesar de haver praticamente o mesmo número de seguidores homens e mulheres, os homens acabam tendo 15% mais seguidores do que as mulheres. E eles (nós na verdade) são mais recíprocos, havendo mais homens seguindo um ao outro.

O mais surpreendente é haver praticamente duas vezes mais chances de um homem seguir a um homem do que a uma mulher. Mesmo as mulheres têm probabilidade 25% maior de seguir um homem do que uma mulher. E aqui vale enfatizar que homens e mulheres parecem twittar (algo como postar, ser participativo) na mesma frequência.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Balu no webrun!


Que vacilo... desde o dia 26 de Maio meu mais novo texto no Webrun está lá publicado e, diferentemente das outras vezes, me esqueci de avisar você aqui leitor...

Aproveite que este é o mês de aniversário de 7 anos do portal e faça uma visitinha!

Para ir direto ao artigo, clique aqui!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Xadrez, o esporte das multidões

Uma das muitas frases famosas atribuídas ao americano Bill Bowerman, cofundador da Nike e que foi um dos maiores treinadores de atletismo que já existiu, é uma dirigida a seu mais célebre pupilo e atleta, Steve Prefontaine. “Pre”, como era popularmente chamado, é o maior fundista americano de todos os tempos. Sua carreira de vitórias nas pistas de atletismo foi tragicamente interrompida por um fatal acidente automobilístico retratado no sensacional filme “Prova de Fogo” (Without Limits, 1998 EUA).

Mesmo sendo um praticante, admito que quase todos concordam que a corrida de longa distância não é dos esportes mais interessantes e atrativos para se assistir e sobre isso Bowerman certa vez teria dito: “Steve Prefontaine foi o homem que fez da corrida um esporte emocionante.”

O mundo esportivo, para nossa alegria e a salvação de alguns dirigentes, é de tempos em tempos tomado por atletas que viram ícones fora dos campos, pistas e piscinas. O atleta pode virar celebridade pelo modo marrento como pratica o esporte ou ainda pela beleza física. Isinbayeva que o diga! Mas se haver estrelas no futebol, no beisebol ou no basquete parece ser meio óbvio, o que dizer na corrida de longa distância? Ou ainda... e no Xadrez??

Estou terminando de ler o ótimo livro “Bobby Fischer se fue a la guerra – El duelo de ajedrez más famoso de La historia”, tradução do original “Bobby Fischer goes to War”. Bobby Fischer protagonizou em 1972 aquela que é considerada a maior batalha da história do xadrez. A saber, a antiga URSS dominou o xadrez durante toda a história e usava esse domínio sobre o mundo ocidental e principalmente sobre os EUA como uma prova da sua superioridade como nação e como prova da maior eficiência do sistema socialista sobre o capitalista. Hoje isso pode soar estranho a nós, mas era a esse ponto que chegava. Por isso quando surgiu nos EUA um gênio do xadrez que poderia fazer frente aos maiores mestres soviéticos, não demorou então para que a batalha pelo título de campeão mundial daquele ano tomasse importância geopolítica.

Alguns dos Jogos Olímpicos mais disputados foram justamente na época da Guerra Fria, mas Bobby Fischer diferentemente da maioria dos outros atletas nunca fez questão de ser instrumento de propaganda. Fischer queria como ninguém havia tentado antes, apenas ganhar dinheiro e até ficar rico com o xadrez e o método agressivo e incomparavelmente chato, aborrecido e teimoso como ele partiu em busca disso revolucionou o “esporte” alterando inclusive as regras por causa de tramas sujas praticadas pelos russos para manter a hegemonia no xadrez durante os campeonatos mundiais. E é o modo como Bobby faz todas essas buscas e como ele tocava sua vida fora das competições que o aproximam mais de Prefontaine.

Uma outra frase famosa atribuída ao treinador Bowerman ao seu atleta teria sido quando Prefontaine disse que ninguém dava importância para os 5000m, então sua nova especialidade. O treinador teria dito: “Faça então com que se importem”.

Por mais que à época muitos tenham considerado Prefontaine um atleta arrogante ou exageradamente mascarado, foi com suas declarações polêmicas, com sua busca pelo profissionalismo, pela sinceridade como mostrava sua confiança em ser o melhor do mundo que fez com que a prova dos 5000m entrasse para o mapa do atletismo americano e mesmo mundial. E assim foi Bobby Fischer com o xadrez. Ele batia o pé em suas exigências de condições de jogo e de prêmios financeiros, falava para quem quisesse ouvir sobre os métodos pouco ortodoxos que os russos tinham e sua relação baseada apenas por um xadrez profissional mudou assim toda a história do xadrez. Com isso ele tinha seus ganhos financeiros cada vez maiores e mais justos e até uma vantagem psicológica sobre seus adversários que ele dizia ignorar, como bem contam no livro, chegando a acusações pelas equipes adversárias, ganho de impopularidade e de seguidores, tudo isso em um livro que recomendo fortemente.

Bobby Fischer veio a morrer em 2008, notícia essa que fez com que eu fosse atrás do livro para conhecê-lo melhor. Nunca fui um grande interessado em xadrez, mas a história dessas pessoas, independente de seus defeitos, parece que sempre nos engrandece. Mesmo que não goste de atletismo, fique aqui com o trailer do filme sobre o fantástico Prefontaine. E leia aqui (1ª parte aqui e a 2ª parte aqui) a história muito bem contada de outro confronto histórico de xadrez contado pelo meu amigo Rodolfo Araújo sobre o embate “homem x máquina” entre o melhor computador já feito (Deep Blue) com esse fim contra o provavelmente maior jogador de xadrez da história, o senhor Garry Kasparov.

De tempos em tempos, de gerações em gerações aparecem indivíduos muito acima da média em suas especialidades, mas são mesmo os talentosos e os controversos que mudam pra sempre como a especialidade deles passa a ser vista por todos nós meros mortais a ponto de colocar no mapa esportes antes completamente deixados de lado pelo grande público. Xeque-mate!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vai um jornal aí, chefia?

Com uma amiga em comum, eu e o Luciano Sobral, o PJ, recebemos o texto sobre o possível fim de circulação de um dos jornais mais conhecidos e tradicionais do país, a Gazeta Mercantil. Acredito não ter folheado o jornal mais do que 5 vezes em toda minha vida, já que se trata de um periódico segmentado do qual não faço parte.

Com o mesmo discurso choroso de uma criança mimada, como bem disse meu amigo Soneca, o autor tenta nos fazer crer que somos nós também os culpados pelos erros de terceiros. O PJ resumiu de forma brilhante e quase inigualável em um curto post sobre o assunto: o jornal se equivoca mais uma vez querendo dizer que os tempos é que estariam errados, como se nós tivéssemos que nos adaptar ao modelo correto defendido. De acordo com o autor, continuou PJ, o excesso de opções para escolher seria algo intrinsecamente por vezes ruim, quando o problema de muitos é justamente não ter nenhuma liberdade ou opção.

O PJ por e-mail contou-nos de um dos métodos bizarros do jornal para pagar dívidas. Ou seja, eles erravam e não era de hoje. O pioneirismo deles foi seu grande mérito, não saber se adaptar a um mundo com a concorrência (do Valor Econômico) decretou seu fim.

Dias atrás postei aqui um texto sobre a circulação de moedas de baixo valor como 1, 2, 5 e mesmo 10 centavos. Um dos autores mais enfáticos ao pregar o fim dessas moedas, argumenta que apenas a inércia ou a nostalgia é capaz de explicar a manutenção desse costume economicamente ineficiente e caro que é o de produzir essas moedas. Até pesquisas de opinião mostram que os americanos gostam dessas moedinhas caras, como se a popularidade justificasse. A falta de um desapego por algo assim ultrapassado nos faria ainda produzir máquina de escrever e LPs. Quem quer custear esse privilégio? Eu não! Mas não é essa a questão aqui.

Vejamos alguns números. De acordo com alguns dados da indústria de jornais, 2/3 dos exemplares circulantes em 1945 eram dos grandes diários das 10 regiões mais populosas. Já em 1962 esses mesmos periódicos possuíam apenas metade da circulação, ainda que a população tenha crescido 45,2% durante o período de 17 anos. Já o crescimento da circulação foi em um ritmo sempre menor, nunca equiparado ao crescimento vegetativo. Outra estatística indica que em 1946 cada lar americano possuía 1,33 jornais ao dia, já em 1963, apenas 1,07. Haveria explicação?

A argumentação dada para esses números seria que o baby boom do pós-2ª guerra fez com que a pirâmide etária ficasse desproporcional e crianças sabemos que não sabem ler. O que era explicação virou expectativa, o mercado torcia para que essas crianças ao crescer virassem leitores habituais fazendo com que a tiragem explodisse. Montaram então um programa “jornais nas escolas” para captar esse mercado futuro, mas o projeto falhou feio.

Mas bem antes dos jornais culparem o declínio das vendas em razão da internet, do iPod e dos vídeo-games já se sabia que haveria um problema. No início da década de 70, duas associações (American Newspaper Publishers Association e a Newspaper Advertising Bureau) diagnosticaram o problema de queda nas vendas já à partir de meados de 1960 e recomendaram uma postura para combater o problema. Pois se antes havia 70 milhões de lares para 60 milhões de tiragem, atualmente há 100 milhões de lares para uma tiragem similar a 1970.

O mais incrível é que o aumento previsto no futuro do tempo de lazer era esperado como uma vantagem já que o leitor iria dedicar mais tempo ao jornalzão de domingo. Mas com o aumento desse tempo e com o aumento da riqueza, a população podia desfrutar de outras formas de entretenimento mais atraentes porque novas ou que foram ficando muito mais econômicas.

E é isso o que muitos jornais não perceberam ou demoraram a perceber ou ainda não souberam dentro da medida evitar. Mas é importante lembrarmos que apesar de lerem menos jornais impressos, as pessoas não estão necessariamente menos atraídas por informação. Muito pelo contrário! Estamos cada vez mais vorazes por informação! O New York Times com tiragem diária de 1,1 milhão teve 25 milhões de leitores em seu website. O que não falta é espaço para quem produz informação, mas no capitalismo é assim, apenas os mais aptos irão sobreviver.

Alguns tentaram ser mais ágeis e se adaptaram como puderam. O New York Times, por exemplo, anunciou tempo atrás uma redução da largura da página após já haver trocado o papel por um mais leve. Além disso, eles já haviam retirado o guia de TV dominical e unificado os diferentes exemplares regionais de domingo. Mas o fato é que nada irá trazer os jornais ao contexto de domínio midiático que tinham antes. Não há impressão colorida, caderno especial, suplemento ou joguinhos que resolva. O que era único, agora vem com concorrência por todos os lados. E a coisa só tende a piorar para eles. E nesse futuro ainda mais difícil, jornais nacionais de grande circulação levam vantagens assim como os locais e pequenos segmentados.

O que não se pode é atribuir a queda das vendas a um declínio do jornalismo. E também não vale culpar o leitor, como fez infantilmente a Gazeta Mercantil. Aos novos tempos, novas pessoas.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mais Vinho e mais enganação! E todos estavam sóbrios!

Se tem uma coisa que eu acho que nunca vou fazer nem amarrado é curso sobre vinho. Acho que há 3 tipos básicos de pessoas que englobam uns 99,7% dos que se prestam a isso: os novos ricos, os chatos (e pedantes) e os desinformados.

Eu já falei sobre o vinho aqui em um outro post um tempo atrás. O vinho é uma daquelas bebidas em que achamos que sabemos diferenciar o bom do ruim de uma forma mais apurada do que o preço que o mercado aplica há muito mais tempo do que o mais antigo dos cursos para amadores. A diferença entre quem toma vinho ou outra bebida como a cerveja, por exemplo, é que “entender” de vinho passou a ser uma “arte”, chique, que quando feita por amadores é feita em sua maioria por gente muito chata que agregou entre seus novos costumes ouvir música clássica, beber vinho e jogar golfe achando que é esporte.

O homem definitivamente não é um animal com seus sentidos apurados. Em uma hipotética Olimpíadas Sensoriais entre os animais não nos sairíamos nada bem nas modalidades olfato, paladar, visão e audição. Tirando esta última que acredito não ser importante para sentir o sabor de um alimento ou bebida, diferentemente de muitos outros mamíferos não sabemos distinguir mais do que meia-dúzia de componentes de uma mistura. O que leva tanta gente a achar que um curso prático de dar narigadas em taças caras o habilitaria a reconhecer o bom do ruim identificando aromas e sabores com a precisão de um predador?

O que muita gente não sabe é que o mercado de vinhos, antes estagnado, ganhou uma importância recente, Mas ele é um comércio milenar e tem seus preços regidos por profissionais do ramo. Sendo assim, o que o leva achar que há muito vinho realmente bom dando sopa por preços módicos? O vinho não é um produto que foge da lei do mercado, o que é bom custa caro e o que é ruim é mais barato. Vinho de 1940 de boa safra, é caro, o Sangue de Boi vendido em garrafão, barato. Vinho argentino é barato entre outras coisas porque a moeda deles vale menos que uva passa.

Eu mal bebo vinho porque me dá sono, apesar de até gostar, mas sempre desconfiei que era pura balela achar que dá pra achar tesouros não descobertos. E não são poucos os estudos que mostram que:
  1. Os vinhos bons são mesmo os mais caros;
  2. Nós amadores por limitação humana e de treinamento não sabemos diferenciar qual vinho é qual;
  3. Nossa apreciação ao vinho está diretamente ligada ao preço que atribuímos a ele, quanto mais caro, melhor é nossa avaliação, mesmo que seja a mesma bebida.

Então o mala vai lá, fica cheirando rolha, vendo qual taça combina com o quê, dá características bizarras ao sabor que ele acha que sentiu, “chucha” o nariz dele com vinho tinto e faz tudo isso com cara de conteúdo. Se você é mais prático como eu, você vai comprar um vinho vagabundo (daqueles que virariam vinagre em menos de 1 semana) e vai servir os seus convidados achando algum pretexto pra dizer que pagou quase R$100 a garrafa.

É mentir agir assim? Sim! Mas é uma mentira boa! Você não queimará no inferno, vai economizar e ainda vai deixar seus convidados muito mais felizes do que se dissesse a verdade. Eles querem ser enganados. Mais do que isso, eles gostam! E você ainda vai gargalhar por dentro com convidado dizendo que sentiu o sabor “adocicado e rebelde do carvalho de outono”.

Mas isto seria apenas com o vinho?
Não mesmo! Já disse, o vinho vem com um chato junto, mas a falha de avaliação é geral e irrestrita! Até a Coca-Cola se passa por Pepsi (e vice-versa!) em testes cegos. Mas seus amigos não fazem curso de degustação de refrigerante do tipo cola. Ou seja, a satisfação com o refrigerante também está ligada ao fato de se VER a latinha! Incrível, não?

E tem mais? Sim! Sem efeito estatístico, um grupo de amigos meus realiza já faz uns 3 anos testes cegos com as marcas de cervejas mais consumidas e conhecidas deles. Nos churrascos eles proíbem “venenos” como a Belco ou a Krill, mesmo que nos testes eles não consigam diferenciá-las das marcas “permitidas”.

Quer mais? Dan Ariely em seu excelente Predictably Irrational fez testes adicionando vinagre em cervejas e os testados quando induzidos sem saber do toque de classe disseram que era melhor do que a outra cerveja sem vinagre. Mas você conhece muita gente fazendo curso de degustação de cerveja? Não, porque entre outras coisas essas pessoas têm dignidade!

Tem mais! Um teste cego com vodkas provou também que não diferenciamos a qualidade de modo confiável (outro teste cego aqui também). E pra fechar, o melhor dos casos! Um teste para avaliar se as pessoas conseguiam descobrir qual produto entre 5 marcas de patê era na verdade comida de cachorro. Apesar da comida de cachorro receber a pior classificação para 72% dos indivíduos, eles NÃO foram capazes de apontar qual seria a comida de cachorro! Apenas 1 em cada 6 conseguiu!

Sendo assim, o que o leva a crer que dá para classificar vinho? Vá pelo preço! Para provar minha hipótese deixo aqui um caso muito famoso e interessantíssimo. Ele é extremamente longo, mas quase um clássico. Se profissionais do vinho muito bem pagos foram enganados no assunto que dominam, a quem você quer enganar?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quando liderar o placar nem sempre significa mais chances de vitória

A prova de que futebol é paixão a gente vê entre outras pela maneira meio tosca e apaixonada como é levado por quem transmite e comenta. E dos muito absurdos que sempre ouvimos, 2 são os piores:

1. Time com 10 muitas vezes joga melhor do que com 11;

2. 2x0 é um placar perigoso para quem está ganhando.

Se isso fizesse qualquer sentido, era só iniciar o jogo de cara fazendo 2 gols contra e entrar com 10 em campo. A teoria não faz o menor sentido porque um cara como o Avalone não deve sequer saber a tabuada do 7, o que dizer então de ver estatística? Para saber que se trata de um absurdo precisamos apenas verificar quantas vezes um time em inferioridade numérica ganhou as partidas e comparar com quantas vezes o mesmo time ganhou seus jogos com 11 jogadores.

A outra conta é simples, pois ao menos em jogos de Copa do Mundo essa estatística existe e é extremamente desfavorável a quem toma gols. Mas o futebol é uma modalidade de placares baixos e estatísticas recentes. E se fizermos algo parecido no basquete?

Há um estudo interessantíssimo (aqui em pdf ou aqui no New York Times) baseado em quase 7000 partidas no basquete universitário americano (NCAA) que mostra o vencedor de um jogo em função do placar na metade do jogo (fim do 2o quarto). O mais interessante é que os times que perdem por 1 ponto ao final da 1a metade, estatisticamente têm mais chances de ganhar do que os times que estão ganhando a partida também por 1 ponto nesse mesmo momento do jogo!

Ou seja, ao menos no basquete o placar “A x (A-1)“ é mesmo um resultado perigoso! O time parece relaxar com a pequena vantagem enquanto o adversário entra na segunda metade disposto a tirar esse ponto. E na maioria das vezes consegue!

Ainda nesta linha um pesquisador baseado em milhares de resultados de partidas universitárias desenvolveu uma fórmula muito interessante que diz a porcentagem de chances que seu time possui de vitória no jogo em função da vantagem (ou desvantagem) de pontos e do tempo restante de jogo! Muito bom o estudo!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Feio sem preconceito...

Em tempos de Susan Boyle ficou bonito dizer que aparência não diz nada. As pessoas falam isso como se fosse culpa única e exclusivamente da TV de só haver gente bonita nas telas, como se o telespectador não preferisse assim.

Nós, afinal, tiramos conclusões de acordo com a aparência dos outros? Essa conclusão valeria alguma coisa? Pois um estudo da Rice University com 25 indivíduos traçou a confiança em se dar crédito financeiro (empréstimo) a pleiteantes baseado apenas nas fotografias deles. O mais interessante do estudo é que houve uma fortíssima correlação já que o empréstimo se baseava tão somente em imagens. Os que foram pelas fotos considerados “pouco confiáveis” arcaram com uma taxa de juros 1,82% maior do que os considerados “confiáveis”. Além disso, os tidos como “confiáveis” mostraram-se menos inadimplentes.

O estudo faz sentido se analisarmos que antigamente por inexistir meios eletrônicos e virtuais de conversa ou negociação se exigia dos candidatos que comparecessem pessoalmente a uma instituição financiadora, sendo assim, se houver essa capacidade de visualmente qualificar quão confiável é uma pessoa, uma foto tornaria isso em parte novamente possível mesmo sem uma interação entre os 2.

A quem busca orientações, é mesmo uma pena que o estudo possua muitas estatísticas, mas não as dicas de como ser confiável em uma foto. Não dá para saber o que gera a (des)confiança. E como já havia dito aqui em um post passado, uma pesquisa já havia gerado polêmica mostrando estatisticamente que indivíduos menos atraentes têm maior propensão a cometer 5 diferentes tipos de crime que vão do envolvimento com o tráfico de drogas a alguns pequenos crimes se comparados aos sujeitos mais atraentes. A beleza adulta teria um efeito na prática que não se limita a quanto o gerente do seu banco vai aplicar de taxa de juros a você. Pelo estudo se conclui que ser fisicamente mais atrativo reduz a propensão do jovem (18-26 anos) pela atividade criminal enquanto que ser pouco atrativo (o politicamente correto para feio) aumentaria essas chances.

E não é só as cantoras feias que ignoramos, existem estudos que mostram que a beleza é positivamente relacionada com melhores salários no mercado de trabalho. E isso vem desde cedo, pois os alunos mais atraentes recebem mais atenção já de seus professores. Os mais atraentes são também considerados mais confiáveis e intelectualmente mais competentes por parte dos professores tendo assim melhor desempenho acadêmico.

Se você é do time dos feios a ponto de nem sequer gerar confiança, aqui vai um estímulo, saiba que outra pesquisa mostrou que após cumprirem pena, ao se submeterem a cirurgias plásticas e estéticas os ex-feios estão depois menos propensos a retornar à prisão.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Jóqueis, Pilotos ou peso morto?

Encontrei alguns amigos dias atrás e o assunto daqueles que odeiam Fórmula 1 era o mesmo, o piloto na modalidade teria 1% de influência no resultado da corrida. Seria assim tão pouco mesmo? Duvido! Esse número é baixo e dito por quem não gosta do esporte!

Desde finais da década de 80 por questões técnicas é visível que os pilotos têm cada vez menos importância no resultado. A tática adotada desde os boxes por programas de computador e alterações na aerodinâmica do carro tornam cada vez mais difíceis as ultrapassagens. A luta dos pilotos passou a estar no lugar (equipe) certo, o que determinaria as chances no campeonato. Ou seja, pilotar mais rápido já não basta, deve haver o equipamento bom!

E o que mudou de 2008 para agora é que a FIA alterou o regulamento, conforme já comentei aqui faz pouco tempo, fazendo com que equipes até então coadjuvantes passassem a dar as cartas e os pilotos que estavam lá, numa questão de sorte se viram pilotando os melhores carros. E no final, ao menos dentro da equipe veremos o melhor vencer. Mas eles, pilotos, fazem diferença? Ou eles seriam uma espécie de jóquei sobre um cavalo bom ou mesmo um pangaré? Aliás, o melhor jóquei ganha um páreo? Ele faz alguma coisa de decisivo ali em cima?

A notícia de que um jóquei muda de uma montaria para outra sempre ganha notícia no meio, mas ele faz diferença no resultado? Pelo jeito parece fazer tão pouco quanto na atual F-1.

Especialistas da área atribuem a importância dele a 10% do resultado, o que convenhamos é bem pouco. O ponto parece que tanto um piloto quanto um jóquei por melhor que sejam não podem fazer nada com um cavalo/carro ruim, mas podem levar um bom à vitória!

Tal qual um piloto, um jóquei competente sabe os pontos fortes e as fraquezas daquilo que ele guia. Alguns animais, tal qual corredores fundistas gostam de liderar ou de ser sprinters. Alguns animais são melhores em distâncias curtas e outros em mais longas, preferem ultrapassar por dentro outros por fora, correm melhor na areia ou na grama. Se o jóquei for bom é com essa informação que ele vai definir a estratégia. Se ele fizer a lição de casa dele, ele vai rever vídeos, ler a lista de competidores, ver as provas mais recentes ou até mesmo como muda o piso com a chuva além de saber “falar” com o cavalo que também fica nervoso em véspera.

Mas e se todos os jóqueis e pilotos de carro fizerem o mesmo, como habitualmente fazem? Aí, como sempre, vai ganhar o carro ou cavalo mais rápido mesmo, ou você ainda tem alguma dúvida disso?


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