Você sabe que o período é de crise quando a Ryanair anuncia que vai cobrar 1 libra pelo uso dos banheiros nas aeronaves. Foi assim que meu amigo PJ mandou por e-mail a notícia que ganhou destaque no mundo da aviação dias atrás.É estranha a relação dos irlandeses com sua maior empresa de aviação. No começo eu me assustava como um país todo podia pautar quase todas suas notícias apenas em uma companhia, pois todos na imprensa param para discuti-la como se fosse uma antiga VASP ou VARIG estatal, porém ela tem 100% de capital privado. Sempre teve. Para mim é mais ou menos como entender o porquê de tanto discutir o Beckham na Inglaterra. Não haveria nada mais importante? Até há, mas a empresa irlandesa em números de passageiros é a 3a maior da Europa e a maior do mundo em número de passageiros internacionais.
O CEO da companhia, Michael O'Leary, parece ser uma pessoa odiada, já que ele personificaria a companhia que foi eleita a pior do mundo pelos passageiros, mas é difícil entender muito bem a razão quando o número de passageiros continua a aumentar ano após ano em um serviço não-essencial que não é monopólio. Pois no dia que escrevo esse post ele declarou à imprensa que não estava brincando quando falava sobre taxar o uso do toalete nas aeronaves. O trabalho de arrumar o estrago feito na imagem da empresa ficou com o pessoal de relações públicas que torcia para que tivesse sido uma brincadeira, como aquele vídeo que ficou famoso em uma reunião em que em tom informal de piada falava sobre oferecer sexo oral (“blowjobs”) aos passageiros. Mas desta vez era sério. Como bem disse meu grande amigo Danilo Cão, ele parece administrar a empresa como se fosse uma padaria, falando o que quer, aprovando campanhas agressivas e de mau gosto e por aí vai. Parece até um presidente que a gente conhece que não consegue ficar sem falar besteiras.
Vejamos o raciocínio do senhor O'Leary, pois é bem interessante: o tempo médio de voo da empresa é de pouco mais de 1h00, o custo médio do bilhete pago é de 37 euros e a arrecadação com essa nova cobrança em estudo estaria na casa dos 18 milhões de euros. Ou seja, hoje todos pagamos por esse valor usando ou não o banheiro, certo? Uso a conjugação na 1a pessoa do plural porque ando voando algumas vezes com eles ultimamente. Falo por mim, eu não tenho lembranças de quando fui a um banheiro durante um voo. Faz mais de 15 anos provavelmente. Conheço banheiro de avião mais pelo cinema do que por experiência própria. Em ônibus me recuso por dignidade e em trem continuo invicto! Não faço nem ideia de como seja mesmo utilizando bastante trem aqui na Europa.
Outro ponto do raciocínio do CEO é que estamos muito acostumados a pagar pelo uso do banheiro em grandes estações de trem ou em rodoviárias. Mas e no aeroporto? Aí a questão é que eles nos cobram tão alto pela taxa aeroportuária que eles ficam sem condições de cobrar por esse serviço. Já está incluso. Sendo assim, você paga pelo banheiro do aeroporto! E paga caro!
O que quero enfatizar é que você já está acostumado a pagar por isso, os voos são curtos e só usa os poucos que querem... qual o motivo de tamanha revolta? Eu tenho certeza que é uma questão de costume. Seria como negar água a alguém. Aqui na Europa você pode pedir água em bares e restaurantes sem ser taxado por isso, mas no Brasil esse é um costume que não existe. Ou seja, a mesma prática é vista de modos diferentes, quase estranho de um para outro.
Quem voa há muito mais tempo deve ainda se lembrar qual o tipo de serviço oferecido 2 décadas atrás. Os talheres eram de metal, a comida era farta, havia bebida alcoólica... hoje eles medem até o tamanho de sua mala e cobram se ultrapassar o que eles estabelecem como limite. Tal qual o luxo de antes o susto inicial dessa medida vai passar e os protestos também e a Ryanair acredito que em breve ganhará seus 18 milhões de euros por ano com a medida e aqueles que pagam 2 centavos por um voo logo logo acharão muito normal ter que pagar para usar um banheiro como hoje já paga por um refrigerante ou para despachar uma mala. Vender refrigerante, aliás, foi uma das incoerências que apontaram na medida. Como ele poderia vender refrigerantes e não oferecer banheiro? Não acho que faça muito sentido esse raciocínio, mas o sarcástico CEO da empresa (padeiro, lembra-se?) disse que se fosse essa a questão, não cobraria para que entrassem no banheiro, mas que faria a cobrança na saída. Disse assim, curto e grosso.
Bom, aqui vale dizer ao leitor que nunca viajou pela Ryanair ou por uma de suas maiores concorrentes, a EasyJet, que isso é uma experiência no mínimo muito diferente! Esqueça a Gol ou Ocean Air! Estamos falando de algo MUITO diferente! Não há nem barrinhas de cereal, nem assentos reservados. Na Ryanair (já são quase 3 anos do meu último voo pela EasyJet) ao abrirem os portões há uma corrida contida até a aeronave para pegar os assentos melhores, depois da decolagem começa uma sequência de vendas inacreditável. Começa pelo básico jornal e depois bebidas e petiscos. Depois disso vêm as bijouterias (sim! Você leu certo!), bichos de pelúcia, perfumes e loções pós-barba e loteria do tipo raspadinha! Isso já é de espantar, mas reparei que em TODOS os voos sempre compram de tudo! Por isso mesmo não duvido nesta projeção de receita de milhões com o banheiro.
Mas essa economia deles é fruto também de uma logística invejável. Os seus 181 aviões são sempre novos porque diminui o custo de manutenção, os bancos não reclinam 1cm sequer porque essas peças quebram e geram custos, os aviões são limpos ainda no ar com a equipe retirando o “grosso” para reduzir o tempo em solo (metade do da concorrência) que tem um custo e também assim possibilita mais tempo no ar voando com passageiros pagantes.
E assim vamos economizando e voando! Apertem os cintos!
O CEO da companhia, Michael O'Leary, parece ser uma pessoa odiada, já que ele personificaria a companhia que foi eleita a pior do mundo pelos passageiros, mas é difícil entender muito bem a razão quando o número de passageiros continua a aumentar ano após ano em um serviço não-essencial que não é monopólio. Pois no dia que escrevo esse post ele declarou à imprensa que não estava brincando quando falava sobre taxar o uso do toalete nas aeronaves. O trabalho de arrumar o estrago feito na imagem da empresa ficou com o pessoal de relações públicas que torcia para que tivesse sido uma brincadeira, como aquele vídeo que ficou famoso em uma reunião em que em tom informal de piada falava sobre oferecer sexo oral (“blowjobs”) aos passageiros. Mas desta vez era sério. Como bem disse meu grande amigo Danilo Cão, ele parece administrar a empresa como se fosse uma padaria, falando o que quer, aprovando campanhas agressivas e de mau gosto e por aí vai. Parece até um presidente que a gente conhece que não consegue ficar sem falar besteiras.
Vejamos o raciocínio do senhor O'Leary, pois é bem interessante: o tempo médio de voo da empresa é de pouco mais de 1h00, o custo médio do bilhete pago é de 37 euros e a arrecadação com essa nova cobrança em estudo estaria na casa dos 18 milhões de euros. Ou seja, hoje todos pagamos por esse valor usando ou não o banheiro, certo? Uso a conjugação na 1a pessoa do plural porque ando voando algumas vezes com eles ultimamente. Falo por mim, eu não tenho lembranças de quando fui a um banheiro durante um voo. Faz mais de 15 anos provavelmente. Conheço banheiro de avião mais pelo cinema do que por experiência própria. Em ônibus me recuso por dignidade e em trem continuo invicto! Não faço nem ideia de como seja mesmo utilizando bastante trem aqui na Europa.
Outro ponto do raciocínio do CEO é que estamos muito acostumados a pagar pelo uso do banheiro em grandes estações de trem ou em rodoviárias. Mas e no aeroporto? Aí a questão é que eles nos cobram tão alto pela taxa aeroportuária que eles ficam sem condições de cobrar por esse serviço. Já está incluso. Sendo assim, você paga pelo banheiro do aeroporto! E paga caro!
O que quero enfatizar é que você já está acostumado a pagar por isso, os voos são curtos e só usa os poucos que querem... qual o motivo de tamanha revolta? Eu tenho certeza que é uma questão de costume. Seria como negar água a alguém. Aqui na Europa você pode pedir água em bares e restaurantes sem ser taxado por isso, mas no Brasil esse é um costume que não existe. Ou seja, a mesma prática é vista de modos diferentes, quase estranho de um para outro.
Quem voa há muito mais tempo deve ainda se lembrar qual o tipo de serviço oferecido 2 décadas atrás. Os talheres eram de metal, a comida era farta, havia bebida alcoólica... hoje eles medem até o tamanho de sua mala e cobram se ultrapassar o que eles estabelecem como limite. Tal qual o luxo de antes o susto inicial dessa medida vai passar e os protestos também e a Ryanair acredito que em breve ganhará seus 18 milhões de euros por ano com a medida e aqueles que pagam 2 centavos por um voo logo logo acharão muito normal ter que pagar para usar um banheiro como hoje já paga por um refrigerante ou para despachar uma mala. Vender refrigerante, aliás, foi uma das incoerências que apontaram na medida. Como ele poderia vender refrigerantes e não oferecer banheiro? Não acho que faça muito sentido esse raciocínio, mas o sarcástico CEO da empresa (padeiro, lembra-se?) disse que se fosse essa a questão, não cobraria para que entrassem no banheiro, mas que faria a cobrança na saída. Disse assim, curto e grosso.
Bom, aqui vale dizer ao leitor que nunca viajou pela Ryanair ou por uma de suas maiores concorrentes, a EasyJet, que isso é uma experiência no mínimo muito diferente! Esqueça a Gol ou Ocean Air! Estamos falando de algo MUITO diferente! Não há nem barrinhas de cereal, nem assentos reservados. Na Ryanair (já são quase 3 anos do meu último voo pela EasyJet) ao abrirem os portões há uma corrida contida até a aeronave para pegar os assentos melhores, depois da decolagem começa uma sequência de vendas inacreditável. Começa pelo básico jornal e depois bebidas e petiscos. Depois disso vêm as bijouterias (sim! Você leu certo!), bichos de pelúcia, perfumes e loções pós-barba e loteria do tipo raspadinha! Isso já é de espantar, mas reparei que em TODOS os voos sempre compram de tudo! Por isso mesmo não duvido nesta projeção de receita de milhões com o banheiro.
Mas essa economia deles é fruto também de uma logística invejável. Os seus 181 aviões são sempre novos porque diminui o custo de manutenção, os bancos não reclinam 1cm sequer porque essas peças quebram e geram custos, os aviões são limpos ainda no ar com a equipe retirando o “grosso” para reduzir o tempo em solo (metade do da concorrência) que tem um custo e também assim possibilita mais tempo no ar voando com passageiros pagantes.
E assim vamos economizando e voando! Apertem os cintos!






















