terça-feira, 31 de março de 2009

Ryanair, banheiro pago e a gritaria de sempre

Você sabe que o período é de crise quando a Ryanair anuncia que vai cobrar 1 libra pelo uso dos banheiros nas aeronaves. Foi assim que meu amigo PJ mandou por e-mail a notícia que ganhou destaque no mundo da aviação dias atrás.

É estranha a relação dos irlandeses com sua maior empresa de aviação. No começo eu me assustava como um país todo podia pautar quase todas suas notícias apenas em uma companhia, pois todos na imprensa param para discuti-la como se fosse uma antiga VASP ou VARIG estatal, porém ela tem 100% de capital privado. Sempre teve. Para mim é mais ou menos como entender o porquê de tanto discutir o Beckham na Inglaterra. Não haveria nada mais importante? Até há, mas a empresa irlandesa em números de passageiros é a 3a maior da Europa e a maior do mundo em número de passageiros internacionais.

O CEO da companhia, Michael O'Leary, parece ser uma pessoa odiada, já que ele personificaria a companhia que foi eleita a pior do mundo pelos passageiros, mas é difícil entender muito bem a razão quando o número de passageiros continua a aumentar ano após ano em um serviço não-essencial que não é monopólio. Pois no dia que escrevo esse post ele declarou à imprensa que não estava brincando quando falava sobre taxar o uso do toalete nas aeronaves. O trabalho de arrumar o estrago feito na imagem da empresa ficou com o pessoal de relações públicas que torcia para que tivesse sido uma brincadeira, como aquele vídeo que ficou famoso em uma reunião em que em tom informal de piada falava sobre oferecer sexo oral (“blowjobs”) aos passageiros. Mas desta vez era sério. Como bem disse meu grande amigo Danilo Cão, ele parece administrar a empresa como se fosse uma padaria, falando o que quer, aprovando campanhas agressivas e de mau gosto e por aí vai. Parece até um presidente que a gente conhece que não consegue ficar sem falar besteiras.

Vejamos o raciocínio do senhor O'Leary, pois é bem interessante: o tempo médio de voo da empresa é de pouco mais de 1h00, o custo médio do bilhete pago é de 37 euros e a arrecadação com essa nova cobrança em estudo estaria na casa dos 18 milhões de euros. Ou seja, hoje todos pagamos por esse valor usando ou não o banheiro, certo? Uso a conjugação na 1a pessoa do plural porque ando voando algumas vezes com eles ultimamente. Falo por mim, eu não tenho lembranças de quando fui a um banheiro durante um voo. Faz mais de 15 anos provavelmente. Conheço banheiro de avião mais pelo cinema do que por experiência própria. Em ônibus me recuso por dignidade e em trem continuo invicto! Não faço nem ideia de como seja mesmo utilizando bastante trem aqui na Europa.

Outro ponto do raciocínio do CEO é que estamos muito acostumados a pagar pelo uso do banheiro em grandes estações de trem ou em rodoviárias. Mas e no aeroporto? Aí a questão é que eles nos cobram tão alto pela taxa aeroportuária que eles ficam sem condições de cobrar por esse serviço. Já está incluso. Sendo assim, você paga pelo banheiro do aeroporto! E paga caro!

O que quero enfatizar é que você já está acostumado a pagar por isso, os voos são curtos e só usa os poucos que querem... qual o motivo de tamanha revolta? Eu tenho certeza que é uma questão de costume. Seria como negar água a alguém. Aqui na Europa você pode pedir água em bares e restaurantes sem ser taxado por isso, mas no Brasil esse é um costume que não existe. Ou seja, a mesma prática é vista de modos diferentes, quase estranho de um para outro.

Quem voa há muito mais tempo deve ainda se lembrar qual o tipo de serviço oferecido 2 décadas atrás. Os talheres eram de metal, a comida era farta, havia bebida alcoólica... hoje eles medem até o tamanho de sua mala e cobram se ultrapassar o que eles estabelecem como limite. Tal qual o luxo de antes o susto inicial dessa medida vai passar e os protestos também e a Ryanair acredito que em breve ganhará seus 18 milhões de euros por ano com a medida e aqueles que pagam 2 centavos por um voo logo logo acharão muito normal ter que pagar para usar um banheiro como hoje já paga por um refrigerante ou para despachar uma mala. Vender refrigerante, aliás, foi uma das incoerências que apontaram na medida. Como ele poderia vender refrigerantes e não oferecer banheiro? Não acho que faça muito sentido esse raciocínio, mas o sarcástico CEO da empresa (padeiro, lembra-se?) disse que se fosse essa a questão, não cobraria para que entrassem no banheiro, mas que faria a cobrança na saída. Disse assim, curto e grosso.

Bom, aqui vale dizer ao leitor que nunca viajou pela Ryanair ou por uma de suas maiores concorrentes, a EasyJet, que isso é uma experiência no mínimo muito diferente! Esqueça a Gol ou Ocean Air! Estamos falando de algo MUITO diferente! Não há nem barrinhas de cereal, nem assentos reservados. Na Ryanair (já são quase 3 anos do meu último voo pela EasyJet) ao abrirem os portões há uma corrida contida até a aeronave para pegar os assentos melhores, depois da decolagem começa uma sequência de vendas inacreditável. Começa pelo básico jornal e depois bebidas e petiscos. Depois disso vêm as bijouterias (sim! Você leu certo!), bichos de pelúcia, perfumes e loções pós-barba e loteria do tipo raspadinha! Isso já é de espantar, mas reparei que em TODOS os voos sempre compram de tudo! Por isso mesmo não duvido nesta projeção de receita de milhões com o banheiro.

Mas essa economia deles é fruto também de uma logística invejável. Os seus 181 aviões são sempre novos porque diminui o custo de manutenção, os bancos não reclinam 1cm sequer porque essas peças quebram e geram custos, os aviões são limpos ainda no ar com a equipe retirando o “grosso” para reduzir o tempo em solo (metade do da concorrência) que tem um custo e também assim possibilita mais tempo no ar voando com passageiros pagantes.

E assim vamos economizando e voando! Apertem os cintos!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Esses brancos de olhos azuis....

Desde os mais de 11 meses que cheguei aqui na Irlanda eu poderia dizer tranquilamente em não mais do que poucas linhas todas as vezes em que o Brasil foi notícia ou simplesmente citado em algum dos telejornais ingleses que costumo ver aqui. Pelo teor das matérias você não estranharia mais o motivo de nos verem como uma nação exótica e sem importância. Seja pelo casal Nardoni, assalto ao Pelé, guerra campal entre as polícias paulistanas ou o assassinato e estupro de jovem estudante inglesa em Goiás apenas reforçam o imaginário de um país distante, violento, no meio do mato.

E eis que somos brindados essa semana com mais um discurso tosco que dessa vez mais do que irresponsável é ainda mais grave do que possa parecer de imediato. Lula em compromisso com Gordon Brown, Primeiro-Ministro Britânico, saiu-se com uma frase de alguém que vê o mundo por um prisma ignorante e obtuso: essa crise (financeira) foi feita por gente branca de olhos azuis.

A acusação é simplista porque ignora que os últimos presidentes do BC brasileiro são brancos também, assim como o são os presidentes das principais instituições financeiras do país. E ela é ignorante por mostrar desconhecer que o presidente do CitiBank é um indiano e do Merril Lynch um negro. É também uma afirmação racista que atribui à cor da pele o resultado de uma ação. E é racista ainda na medida de que não seria dado a Gordon Brown o direito de fazer críticas a países africanos lembrando da cor da pele dos políticos locais. Se Brown fizesse isso estaria rebatendo críticas até agora, mas no caso de Lula, a ignorância de alguém que se comporta como se estivesse em um circo acaba o absolvendo. Ou seja, ele pode por não saber o que faz.

O outro ponto é que a “bronca” é sempre em país rico. Você consegue imaginar Lula dando discurso contra protoditador? Lula quer ser o nosso Robin Hood. Ele enxerga o mundo como um idiota guerrilheiro que divide os países em pobre bom e rico mau. É um raciocínio torto como tronco no cerrado.

Pois até quem tem simpatia ou votou nele sabe de sua pequenez intelectual e de sua fraqueza em compreender a realidade da vida fora dos sindicatos, assembleias ou do Palácio do Planalto. Mais do que dar um “pito” em um dos homens mais importantes do mundo, Lula acaba mostrando quão rasa é a sua lógica reforçando a visão equivocada (??) do mundo sobre nosso país. A reação da fleumática imprensa britânica (não confunda com tablóides) não poderia se diferente classificando o discurso de “bizarro” e “rancoroso”. Pois quem não se lembra quando Lula disse que um dia acordou “enfezado” e pediu que ligassem para George W. Bush? O mundo dele é assim.

Aqui eu nem queria falar mal do Lula, tarefa fácil, convenhamos. Quem me conhece sabe que no Lula e no PT eu não voto nem amarrado. Eu poderia aqui no blog me dedicar apenas a falar sobre o mal que essa turma representa ao país, mas não quero. Esse blog, apesar de ser meu, não é um blog político. Pois alguns dias atrás eu trocava e-mails com alguns amigos e falávamos da opinião sobre a aprovação ao atual governo e juntamente com apenas 2 outros colegas a nossa avaliação foi de “regular”. Pronto! Foi o suficiente para termos que nos explicar visto que a reprovação era grande.

Eu confesso que até eu me surpreendi com o meu “regular”. Estranho, não? Mas o fato é que eu acho de verdade que o Lula não fez grandes barbeiragens como presidente. Essas bravatas dele, sua especialidade durante toda sua vida pública, não são obras de governo. O que me incomoda e me envergonha nem posso dizer que seja o Lula em si, mas o que ele representa. No meu MSN até as próximas eleições estará a mesma frase que coloquei ao final da última eleição presidencial:

Lula é a prova de nossa incapacidade de pensar direito.

O Lula não é a causa, ele é um símbolo. Se para muitos ele representaria pela primeira vez a chegada de um nordestino ou de um pobre ao poder (ambos são falsos), para mim ele representa a vontade de um povo de aprovar e eleger alguém sem preparo, que tem apreço pela bebida maior do que aquele que tem pelo trabalho, que considera o estudo não essencial. O Brasil é isso, um povo que pelos representantes que escolhe também foge do trabalho, do estudo e do preparo. É um país que elege algo que não funciona, que mente, que faz um jogo sujo por bravatas assumidas e se vê sem vergonha alguma cercado por bandidos amigos que julga necessários e inevitáveis, como um preço rumo ao fim que julga glorioso. Somos isso, um país corrupto na essência, acomodado e também acovardado para gerar mudanças. O pouco nos satisfaz. Jogue uma banana e o macaco sorri para você. Estamos fadados a ser matéria de segunda categoria em telejornal de primeiro mundo, somos a carne de 2a encostada no açougue. Sendo assim, os ricos fazem é bem mesmo em ignorar a nós brasileiros, um povo que muito bem disse o Clodovil, um sujeito engraçado e inteligente que nos abandonou recentemente. Quando perguntado sobre a ética da Câmara dos Deputados em Brasília ele perguntou sobre qual ética estavam falando já que o brasileiro não tem ética. É o povo malandro que é sempre representado à altura em todas as esferas da representação política. Merecemos cada um dos políticos que temos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Marley, Meus Pais, o Lobo, a criança chata perto de mim & Eu


Fui ver o bom “Marley & Eu” (Marley & Me, EUA 2008) no final de semana passado. É um filme no qual só não chora aquele que tem coração de pedra ou aquele que só ama gatos e odeia cachorros. Eu odeio gatos e adoro cachorro dos outros, então não tinha como não chorar. No filme vemos retratada a vida “do pior cachorro do mundo”, o Marley do título que é um labrador que é o diabo na forma de cachorro com a energia de uma Usina Itaipu.

Do início ao fim vamos acompanhando tal qual no famoso livro homônimo (que não li) as peças que a bola de pelo prega na vida de um casal. E foi também vendo o filme que me lembrei durante todo ele do pastor alemão que meu pai adotou alguns anos atrás, o Lobo. Não ficamos ricos com um best seller, mas o estrago que ele fez na família foi de igual tamanho.

Minha mãe odeia animais em casa, talvez por saber que no final será ela quem terá que cuidar dele. Aí meu pai adotou um cachorro imenso que mais parecia um urso, mas que fora adestrado. Mas o problema é que meu pai é um dos piores donos de animais que possa existir justamente porque ele mima “no úrtimo”, como se diz lá em Tietê, pequenina cidade do interior de SP onde eles moram.

O que levou meses para o Lobo aprender, meu pai sem nenhum esforço fez o favor de fazê-lo esquecer em questão de poucas semanas. O cachorro quando chegou em casa só comia o que minha mãe oferecia, dormia no quintal ao lado do carro para protegê-lo, não pisava dentro de casa. Na visita seguinte que fiz depois a eles o cachorro já dormia na sala ou no quarto, comia qualquer coisa antes que ela tocasse o solo e dormia em alguma cama se deixassem. Virou um imprestável, mas era um amor que não mordia ninguém. Por sorte meu pai não tinha como deseducá-lo disso.

O Lobo foi de longe o Pastor Alemão mais bonito que já vi, mas certa vez ele quase passou dos limites. Na verdade ele passou. Minha mãe estava preparando um jantar para levar para a casa de um casal de amigos da família. Estava quase tudo pronto, ela abriu o forno e se virou para preparar onde colocar a travessa, quando ela voltou o Lobo já estava literalmente jantando.

Aos grito dela corremos para a cozinha e ela estava aos prantos e o Lobo continuava jantando sem entender nada. Se houvesse uma arma, minha mãe daria um tiro no cachorro. Meu pai sabendo que em casa havia enxadas, barras e coisas que bem manuseadas podem matar um cachorro, correu para o telefone e ligou pro Disk-Pizza. Sim! Pizza! A família e amigos jantaria pizza barata.

Bom, o curso natural das coisas é que um cachorro sempre fará um estrago muito grande quando a Mãe Natureza o chama. É quase sempre assim. A gente finge quase não saber ou se esquecer disso. Pois quando chegou a vez do Lobo foi tudo muito rápido, um câncer fulminante fez primeiro que ele parasse de comer e em uma semana ficasse quase irreconhecível de tão magro. No momento de uma das mais duras decisões, a de sacrificar para reduzir seu drama, minha mãe foi poupada de última hora pela própria Mãe Natureza que nas mãos dela mesmo o levou embora. Depois que ela me ligou para dar a triste notícia resolvi fazer o primeiro bate-volta da minha vida na cidade que fica a 155km da capital. Chegando lá a primeira surpresa de não ser recebido aos latidos e a outra foi ver que meu pai estava “sumido” e assim ficaria por mais de 24h. Ele que é fechadão sumiu pra esquecer o filho de 4 patas dele. Tal qual minha mãe dizia, “não magoe o Lobo porque senão seu pai te expulsa daqui”. Para o meu pai até um banho poderia ser contra a vontade do cachorro. “Hoje não pode porque está muito quente, muito frio, ventando, sem vento, nublado, vai chover...” cada hora era um desculpa. Na casa não podia jogar bola ou correr ou fazer barulho porque o incomodaria. Eu achava tudo engraçado! Por isso mesmo achei que a melhor solução fosse mesmo a de dar outro cachorro o mais rápido possível. Minha mãe prevendo o trabalho que ela ganharia ameaçou mandar eu e o Basset Hound pra fora. Não deu tempo, meu pai adotou uma outra vira-lata, a Teca. Agora ela faz companhia para a Nina, a gata adotada, para as rolinhas que meu pai alimenta, os pardais, os beija-flores, as galinhas do vizinho... quem entrega as rações semanalmente não deve entender nada. Deve achar uma família de louco que pensam ser fazendeiros.

Pois meu pai como disse tem aquela mania que odeio nos outros, que é a de achar que todo mundo adora cachorro. Costumo dizer que o pior não é o cachorro ou criança, e sim o pai/mãe ou o dono(a). Por quê? Um exemplo, estou escrevendo este post na volta de minha viagem pra Mônaco. Lá fiz um tour guiado que toda cidade famosa tem aqui na Europa. Só que não era um ônibus de 2 andares, mas um trenzinho tipo parque de diversões infantil. Me sento na primeira fileira do último vagão que era onde não havia ninguém. Tenho asco de gente do meu lado, eu sou estranho, eu sei. Um casal chega em cima da hora e vai para a última fila com uma criança de colo. Eu já resmungo. Criança me dá alergia. Começo a me perguntar o que faz alguém trazer uma criança ali. Criança só faz 2 coisas até os 10 anos: sujeira e barulho. Depois ela para de fazer sujeira, mas só piora. A criança então começa a chorar. Me irrito e olho com cara de reprovação ao casal.

Bom, aí certeza que alguém já acha que é injusto porque eles também pagaram pelo tour. Faz sentido. Acontece que uma pessoa que tenha crise de tosse é uma idiota se em vez de ir ao médico vai a o teatro. Depois de correr 18km eu vou pro banho, eu não vou pro cinema lotado. O mesmo vale para os pais tontos. Lugar de criança barulhenta ou silenciosa é na bagagem que se despacha no check in, não no meu lado. E não se fala mais nisso!

Veja Marley & Eu, o que achar do filme diz muito sobre você!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Rèmi Gaillard. Profissão: Vagabundo profissional.


Existem alguns sujeitos que porque são tão talentosos acabam nos despertando um tipo de inveja, como direi?, sadia. Veja o pessoal do CQC (TV Bandeirantes), Casseta & Planeta e Pânico. Todos são (muito bem) pagos para falar mal dos outros e fazer rir à custa das celebridades ou do comportamento do cidadão comum. Há também o blogueiro profissional, como o Reinaldo Azevedo, ou o jornalista Diogo Mainardi que são (também muito bem) pagos para falar mal dos políticos, em especial do PT. Há ainda o Jô Soares que recebe pra bater papo.

É lógico que eles são pessoas extremamente competentes, talentosas e que trabalham duro com um emprego dos sonhos de muita gente. Apenas simplifico de um modo bem banal o que seriam as atividades deles. Eles fazem muito mais do que isso.

Pois quem mexe no Youtube talvez já tenha sido apresentado a um sujeito pouco ortodoxo nessa linha. Rèmi Gaillard é um francês que já viu seus vídeos ganharem fama mundo afora chegando a ser matéria de um programa na TV francesa por fazer aquilo que lhe dá na cabeça. Ele é um profissional das pegadinhas e vídeos amadores. Gaillard é irritantemente criativo filmando situações inimagináveis e surrealmente divertidas. E ele até vive disso!

Outro dia conversava sobre isso com um amigo meu, o Gustavo Gabas, o Wally. O Wally seria uma versão brasileira e amadora do Rèmi. Amadora porque no momento ele se dedica mais em terminar seu curso de Engenharia Civil na POLI-USP. Depois disso esperamos esperançosos que ele se dedique a desenvolver mais algumas de suas idéias que você pode conferir em um site sobre uma competição criada e organizada por ele.

Enquanto ríamos horrores vendo alguns dos vídeos do francês eu comentava que o Rèmi é tão vagabundo que não fora capaz sequer de aprender inglês, o que compromete um pouco a sua fama. Confesso que em um primeiro momento achei que ele era aquele caso típico de orgulho idiota francês de ainda se achar no século XVIII ou XIX quando o idioma deles ainda era muito importante. Mas quando você entra no site dele, você vê que de tão simples o sujeito só pode mesmo é ser vagabundo, não orgulhoso. Um vagabundo profissional. Um vagabundo profissional e muito, muito engraçado e criativo.

Como todo humorista que começa independente, Rèmi dá seus escorregões. Foi assim com a turma do Casseta & Planeta e ainda é assim com o Pânico. O CQC não foi nessa onda, mas lembremos que ele é um programa argentino com mais de 10 anos de estrada, assim eles filtraram melhor na versão brasileira sem que isso tire em nada o mérito deles.

E por que “escorregões”? Gaillard em alguns poucos vídeos infelizmente parte para a baixaria, exagero quase flertando com o escatológico, mas em sua maioria fica dentro dos limites. Não acho que seja uma espécie de JackAss como cheguei a ler por aí, mas às vezes ele exagera.

Bom se você não o conhece, talvez esteja curioso, então fiz aqui uma seleção daqueles que seriam seus vídeos imperdíveis. Melhores, não! Imperdíveis mesmo!

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Existem os vídeos em que ele se mostra um grande impostor, como quando ele se disfarça de jogador de futebol. Ele também entra em quadra como atleta em um jogo da importantíssima Liga Mundial de Vôlei e em outro entra em quadra como jogador de handebol. E em outro ainda se passa por jogador de Rugby. Não obstante ele se passa por fisiculturista, este é um dos mais engraçados porque em uniforme todos somos iguais (ou quase), dá pra enganar, mas de sunga é mais complicado... E em outro ainda é um impostor em uma partida de tênis.


No quesito palhaçada vale o treino dele como Rocky Balboa, invadindo um campo de golfe como astronauta, ou fantasiado de coelho em um campo de caça. Ele também luta sumô em uma rotatória (?!?) e um curto mas fantástico vídeo de uma pista de dança em um elevador.

Vi todos! Quem é mesmo o vagabundo?

quarta-feira, 25 de março de 2009

De Helicópteros e de quem os derruba com mais estilo


M. Farrell: You just killed a helicopter with a car!

John McClane: I was out of bullets.

No final do mês de Fevereiro uma notícia ganhou muito espaço aqui na Europa: 2 ladrões de banco que cumpriam pena em um presídio em Atenas (Grécia) fugiram com ajuda de um helicóptero que pousou no pátio da cadeia e fez o resgate. O que mais chamou a atenção é que os mesmos bandidos haviam fugido 3 anos atrás utilizando-se da mesma técnica. Como disse meu amigo PJ, é o CV fazendo escola. Ele está certo, talvez o único know-how que a República de Bananópolis exporte seja mesmo o da bandidagem.

Durante a fuga cinematográfica os policiais atiraram sem êxito em direção ao helicóptero. Mas é possível derrubar um helicóptero usando armas convencionais? Fui atrás disso e cheguei neste artigo mais técnico que explica que o jeito é você atirar na cauda pois o motor nela é fundamental para dar estabilidade ao voo. Além de primário ele é extremamente sensível pois é feito com materiais frágeis como fibra de vidro e alumínio. Caso você tenha êxito, o estrago pode fazer a aeronave entrar em spin. Mas analisado friamente, acertar um alvo tão pequeno exige muita perícia, já o piloto é um alvo bem maior e sem ele a aeronave – veja só! - também não voa!

Na cobertura do acontecimento não ficou claro quantos eram os seguranças presidiários. Não sei se eram 10 ou 15, mas para quê tudo isso quando apenas um John McClane bastaria? Não entendeu? Ele já derrubou helicópteros por duas vezes e sem armas! Em “Duro de Matar 3” (Die Hard: With a Vengeance, 1995 EUA) o filme acaba justamente com nosso herói com apenas uma bala em um que parece ser um 38tão dos velhos. E apenas com isso ele rende toda uma equipe terrorista. Depois, não obstante, em “Duro de Matar 4.0” (Live Free or Die Hard, 2007 EUA) John McClane faz uma cena espetacular da qual tirei a citação do primeiro parágrafo do texto. Na falta de armas ele usa um carro. Sim! Um carro! Mas não podemos tirar os méritos do desbravador. John Rambo, a máquina de guerra americana em “Rambo 2 – A Missão” (Rambo: First Blood Part II, 1985 EUA) derrubou um helicóptero Apache de guerra com uma flecha! Flecha? Realmente uma máquina de guerra!

Como não podemos contar com nenhum dos 2 no nosso precário sistema carcerário, o jeito mesmo é colocar os cabos de aço que hoje adornam o “teto” dos pátios dos presídios de segurança máxima.

terça-feira, 24 de março de 2009

Mônaco, o TGV, a França e quando todos eles têm um quê de Brasil.

Vocês vão acabar achando que vivo na moleza aqui na Irlanda, mas alguns dias depois de voltar da Polônia tirei outra folga e fui pela primeira vez a França. Ainda não conheço Paris, que dizem ser mais bela até do que a linda Praga e até por isso mesmo decidi ir para o Sul da França para deixar a capital pra uma próxima oportunidade.

Moro aqui em Dublin com um espanhol de Sevilha e um Francês de Paris e foram eles que me deram as maiores dicas. A principal foi saber que o pais NÃO conta com uma malha ferroviária perfeita como a Espanha ou a Alemanha, por exemplo. Na região Sudeste onde fui você encontra boas conexões e na região Sudoeste a coisa complica muito em termos de capilaridade. Parece inacreditável, mas vale mais a pena ficar indo e voltando de cidade em cidade de avião de Dublin para lá porque sai muito mais barato. Sai por baixo uns 25% mais barato que o TGV.

Ah o TGV... O TGV é o tipo de instituição moderna na França que gera aquele orgulho idiota. Assim como tem brasileiro que acha mesmo o Cristo Redentor uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno, o Francês enche o peito, projeta o queixo em um ângulo obtuso e olha para o horizonte quando fala TGV, a sigla em francês para Trem de Grande Velocidade.

O TGV é um trem comum daqueles que você vê na Alemanha, Espanha, Portugal e aqui mesmo na Irlanda, mas que parece ter a tarifação do trem bala Japonês. Para que você entenda, o trecho Marseille-Lyon feito em 1h40 custou 46 euros o trecho quando minha passagem de ida e volta para entrar no país custou 55 euros. Ou seja, não faz qualquer sentido!

Assim que cheguei em Nice pude ver pela 1ª vez na minha vida uma competição de ciclismo profissional, pois era a chegada da tradicional Paris-Nice. A cidade litorânea de Nice é um dos pontos de parada recomendados! As praias são bonitas mas de pedras do tamanho de bolas de golfe. De lá você tem um acesso muito fácil à pequena Cannes. Como um apaixonado por cinema peguei o trem e fui visitar. De lá também você tem acesso à desconhecida e pequena Antibes, também litoral como Cannes e Nice. E a uns 25km de Nice, temos Mônaco!

Mônaco, o 2º menor país do mundo depois do Vaticano também é parada obrigatória pra quem esta lá. Por causa da fama que você já deve saber, o mais econômico é não dormir lá, mas ir e voltar de Nice de ônibus (1 euro) ou trem (3 euros). Como sou doido por F-1 dei a volta andando em boa parte do traçado do GP mais famoso do circo, mas se você não quiser a pé pode também fazer pilotando uma Ferrari (85 euros) ou de carona nela (45 euros). Como só descobri essa possibilidade quando já havia saído de lá, não tive esse desfalque. Se soubesse, acho que faria a “besteira” porque quando vi a entrada do túnel e as zebras originais no hairpin, fiquei maluco!

Bom, qual a possibilidade de haver “Brasil” nesses lugares? Não deixa de ser irônico que em Mônaco, um dos países mais ricos e seguros do mundo (1 policial para cada 60 pessoas, a maior média do planeta), haja um mercado paralelo e onipresente vendendo quinquilharias de produtos falsificados sobre F-1 por TODOS os lugares imagináveis. Estou quase achando que a Ferrari do tour seria na verdade uma Belina pintada de vermelho.

E em Marseille de volta à França você está praticamente no Largo da Batata. É Brasil na veia! Foi estranho estar em uma das principais cidades francesas e mal ver os franceses. Aquilo se parece com um pedaço da “África Francesa” com MUITOS senegaleses, marroquinos, etíopes e por aí vai. Mas não caia você no erro de me chamar de cara de racista ou preconceituoso. Você pode ter toda a vontade do mundo de conhecer esses lugares, eu não. Se me der uma passagem para ir pra qualquer lugar desses, provavelmente venderei. Já disse aqui, não tenho muita compaixão com alguns presentes que ganho. Assim como tem gente que paga para ir para o Senegal, eu pagaria para não ter que ir. Parece estranho? Pois veja só esse absurdo lógico que vou dizer, quando quero ver a vida dos franceses eu vou para a França. Se eu quiser ver a vida dos senegaleses (não quero, é só uma hipótese) eu vou para... o Senegal! Estranho, não?
Resumindo, se Milão é a Cubatão que fica na Itália, Marseille é a Taubaté francesa. Não recomendo nenhuma das duas. Ou melhor, nenhuma das quatro. Se puder, vá, sim, para Lyon, ela tem um quê de Praga com seus 2 rios cortando a cidade e suas pontes muito bonitas. E de lá pegue a porcaria do trem e vá pra Grenoble que colada às montanhas tem cara (e preços) de Suíça com coisas completamente diferentes do nosso padrão brasileiro.

Lá o Brasilzão ainda não chegou, a menos que seja de TGV! E você verá muito francês com aquelas “padarias”, feiras e lojas típicas vendendo comida francesa. Não tem nem como não lembrarmos de Ratatouille.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Lambança da FIA


Há um episódio do seriado “Os Simpsons” em que o Homer tem que ficar um tempo sem beber a cerveja Duff e por causa disso acaba virando um pai e marido exemplar. Quando ele vai ao estádio com o Bart para assistir uma partida de beisebol, por não beber durante as dezenas de intervalo ele solta uma pérola mais ou menos assim: não imaginava que esse esporte fosse assim tão chato.

No excelente livro “Lance de Dados” do Stephen Jay Gould, o falecido biólogo tece um paralelo muito interessante entre a evolução humana, a dos animais, as teorias de Darwin e o Beisebol baseado no fato desse esporte em mais de 100 anos ter dados e estatísticas antigas e pouco ter sofrido de mudanças em suas regras principais.

Mas no Esporte em geral essa estabilidade não é uma constante como podemos ver ao longo da história com muitos exemplos. Por razões que vão desde a segurança até a competitividade passando pelo principal que é torná-lo atrativo à TV, vemos constantes alterações. No Lançamento de Dardo no atletismo já se alterou por 2 vezes o centro de gravidade do implemento porque ele estava se aproximando cada vez mais constantemente do público em competições de alto nível. No futebol para coibir o antijogo, uma das mudanças mais efetivas de todas foi proibir à partir de 1992 que se efetuasse o recuo da bola com os pés ao próprio goleiro. E algumas décadas antes na Copa de 1970 a FIFA introduziu cartões amarelo e vermelho para coibir e punir a violência.

No basquete temos outro exemplo, não existia a linha de 3 pontos até 1985. E temos também no mesmo esporte a divisão do jogo em 4 tempos de 10 minutos substituindo os 2 de 20. Essa foi com fins televisivos e a regra que mais mexeu com um esporte com essa finalidade talvez tenha sido o fim da regra da vantagem no vôlei e no vôlei de areia. Antes era um terror para o pessoal da programação da TV quando uma partida durava até 4 horas e hoje ele não dura mais do que 1h30. Era uma questão de Saúde Pública acabar com essa tortura prolongada. Vôlei por 4 horas? Nunca mais! Muito obrigado, FIVB! Eles acabaram inclusive com a chatice prolongada daquele esporte que só brasileiro pratica chamado vôlei de Praia. Hoje depois dessa regra o mundo é muito melhor e mais justo.

Mas o que mais chama atenção nessa regra do vôlei é o fato da dinâmica do jogo ter se alterado completamente por uma simples alteração somada ao fim do segundo saque. Baseados nesses exemplos o pessoal do tênis é muito cauteloso quando clamam para o fim do segundo saque ou a redução da pressão da bolinha para tornar o jogo mais lento ou ainda quando os desesperados clamam para se acabar com o impedimento no futebol. Isso mudaria MUITA coisa. E é aí que entra a F-1, “esporte” que adoro!

O futebol resolveu dar mais valor a vitória em 1994 quando ela passou a valer 3 pontos e não mais apenas 2. A F-1 fez a mesma coisa em 1991 quando passou a dar 10 pontos ao vencedor no lugar dos antigos 9 e acabaram também com o descarte, mas aí apareceram Nigel Mansell e sua Williams FW14B em 1992 e depois Alain Prost e sua Williams FW15C em 1993. Esses são para mim os 2 melhores carros da história da F-1 e com eles o campeonato não mais acabava em novembro, mas sim em agosto. Depois veio a era Schumacher e a FIA viu que era hora de fazer algo novamente. Os gênios alteram o rumo de seus ramos de atividade, então por causa deles a FIA passou em 2003 a pontuar 8 e não mais apenas 6 pilotos por corrida para que em nome da competitividade houvesse uma desvalorização da vitória porque agora Schummy abria 2 e não mais 4 pontos de vantagem por corrida, o que manteve o interesse pelo esporte.

Mas como seria possível um carro de 92 ou 93 serem os melhores da história em um ramo onde a tecnologia impera? Se você parou de acompanhar a F-1 com a morte do Senna em 1994 (e lá se vão quase 15 anos...) talvez não faça ideia de como as regras mudaram para se obter uma pole position. Mas o torcedor vê isso a cada GP, mas o que ele não vê são as pequenas mudanças técnicas de equipamento que a FIA impõe com a meta de aumentar a competitividade, aumentar a segurança e reduzir os custos, os 3 maiores motivos. Todo ano acontecem pequenas diferenças sutis (e outras nem tanto) que passam desapercebidas para a imensa maioria dos torcedores.

Mas a FIA resolveu mudar e anunciou uma mudança completa nas regras para 2009. Para o próximo mundial ficaria estabelecido que o maior número de vitórias iria definir o campeão e não mais apenas os pontos. O vôlei mudou e o tênis e o futebol mudariam. Com a F-1 não seria diferente caso essa regra-bomba prosseguisse. A gritaria foi geral e mesmo com alguns bons apoiando, muitos outros bons a criticaram sem dó forçando a FIA a voltar atrás e deixar tudo para 2010.

Como a regra tem furos que obrigariam muitas condições para ela deixar de ser injusta, temos algo que vai gerar discussões intermináveis sobre a efetividade e o senso de justiça. Torcedor não pode fazer tanta conta, isso não é muito prático. A FIA fingiu não ver que o modo mais fácil de obrigar os pilotos a serem mais agressivos em busca de uma vitória seria fazer aquilo que ela mesmo já fez anos antes que seria aumentar o valor dela como o já sugerido 12, 9, 8, 6, 4, 3, 2, 1. Isso não teria furos como essa ideia um pouco tosca de mais primeiros lugares.

Por fim, gostaria de deixar registrado que para o automobilismo brasileiro o monopólio dessa notícia não poderia ter pior momento. Veja o parágrafo em itálico abaixo que fala sobre o modo da disputa da etapa de abertura da Stock Car, nosso principal campeonato.

"A primeira corrida, no dia 29 de março, será disputada normalmente, inclusive com pit stop, até os 10 minutos finais, quando deverá começar a transmissão ao vivo da Rede Globo. Então, entrará o safety car (nesse caso, não será safety car, e sim pace car) na pista, todos os pilotos serão agrupados e será dada a bandeira verde.

A que ponto chegou a influência da TV no desenrolar do evento? Traçando um paralelo porco seria como no futebol a TV combinar de passar os últimos 15 minutos finais da partida e a CBF orientar o árbitro e os times que não importe o placar aos 30' do 2º tempo o árbitro irá parar o jogo e o tempo restante será jogado com o novo placar oficial de 0x0. Ou ainda em uma Maratona a TV que mostrar os 5km finais obriga a todos os atletas no quilômetro 37 parar, se alinhar e iniciar uma corrida final de 5km com todos saindo juntos não importando como estivesse até aquele momento a corrida. Tem algum cabimento???

*queria agradecer aqui ao Luciano “Tio” que sugeriu esse post.

sexta-feira, 20 de março de 2009

John McClane



Eleição para presidente? Nada de Obama! Eu voto é em John McClane! Só não confunda com o senador americano! Esse aqui é muito melhor! Falo do policial que salvou Los Angeles (LA) no primeiro filme, Washington e o sistema de tráfego aéreo americano no segundo, Nova Iorque e a economia americana no terceiro e o MUUUNDO no quarto filme da sensacional série “Duro de Matar” (Die Hard).

Se eu fizesse um ranking dos maiores personagens da história do cinema, ele provavelmente seria meu número 1 brigando cabeça-a-cabeça com Rocky Balboa. E não sou o único a pensar assim, o policial-herói fez tanto sucesso a ponto da Premiere elegê-lo como o 46o em uma lista dos 100 maiores personagens da história do cinema. Outra revista, a Empire Magazine, o colocou em 12o em uma lista de 100. McClane é também um dos poucos personagens que aparecem em mais de um filme que não estejam relacionados* já que ele faz uma breve aparição em "Máquina Quase Mortífera" (National Lampoon's Loaded Weapon 1, EUA, 1993).

Bruce Willis é o ator protagonista dos 4 filmes de uma das séries de maior sucesso no cinema e que o levou ao estrelato no cinema que antes possuía apenas como protagonista por 5 anos da série “A Gata e o Rato” (Moonlighting de 1985 a 1989).

Seu personagem John McClane nasceu em 1955, é um fumante inveterado que briga com o hábito de beber e vive um casamento em constante crise. Ou seja, ele não faz o tipo herói-modelo. Ele mesmo não demonstra querer ser herói. É a última coisa que ele quer, mas ele não tem escolha. No quarto filme ele chega a dizer que está sempre envolvido em situações perigosas porque não há mais ninguém para fazer o serviço sujo.

Ele começa o primeiro filme (1988) como policial do NYPD há 11 anos e separado de sua mulher, Holly Gennaro, que implica com a decisão dele morar em NY enquanto ela vive em LA havia já alguns meses. Essa briga faz com que ela use o nome de solteira o que garante sua sobrevida enquanto os terroristas que invadiram o hotel Nakatomi Plaza não descobrem quem é o policial que vai lutar sozinho e começa desarmado contra eles.

John e Holly têm dois filhos. Um filho (John Jr, nascido em 1984) que participa apenas brevemente no 1o filme e uma filha (Lucy, nascida em 1982) que participa decisivamente no 4o filme.

O 1o filme, que já foi eleito o melhor filme de ação de todos os tempos mesmo passados mais de 20 anos de seu lançamento, se passa na noite de Natal de 1988. John McClane combate o terrorista Hans Gruber (outro grande personagem da história do cinema) que tenta roubar U$640 milhões fazendo os convidados de uma festa de final de ano como reféns.

O segundo filme se passa em 1990, McClane se mudou para LA e foi promovido a Tenente e transferido para o LAPD. Em função do que se passou no Nakatomi Plaza 2 anos antes ele virou uma celebridade nacional aparecendo em revistas como a People e foi eleito também o policial do ano.

Também em uma noite de Natal ele descobre que mercenários assumiram o controle do Washington Dulles International Airport. Mais uma vez Holly está envolvida porque está dentro de um avião que não consegue autorização de pouso e graças a isso nosso herói mais uma vez entra para combater o crime organizado e mudar o destino do planeta.
observação: essa tática terrorista de controle do aeroporto fez com que o 2o filme tenha um dos maiores números de mortos da história do cinema de ação.

No terceiro filme, de 1995, o casal McClane está separado e ele voltou a morar em NY. Ele se vê de repente envolvido combatendo o irmão do terrorista do primeiro filme da série em uma tentativa de vingança com um roubo bilionário.

O quarto filme, de 2007, se passa no Dia de Independência dos EUA (4 de Julho) e ele tem que combater um hacker que desta vez quer o mundo, não apenas dinheiro. Nele sabemos que McClane já está na ativa há 30 anos e divorciado de sua mulher.

Uma das coisas que mais chama atenção em McClane é o fato dele não gostar de ser um herói. Ele não possui super-poderes quase podendo ser qualquer um de nós que amamos filmes de ação. Ele bebe, ele fuma, ele briga razoavelmente bem sem ser um Jason Bourne. Mas o humor sarcástico dele sempre que vai matar um dos bandidos é uma marca registrada talvez jamais igualada à altura no cinema. Ele foi o precursor de uma tendência que se fez vista no cinema à partir dos anos 80. Antes os heróis eram mocinhos impecáveis que acabavam as 2h00 da aventura limpos e de terno. Depois de McClane, herói que se preze termina o filme sangrando, mancando e sujo, muito sujo. Esse é o McClane.

Além do humor inigualável para um herói, outro aspecto também se ressalta. Ele foi o primeiro herói a combater o terrorismo que veio a ganhar fama mesmo apenas em 2001. Foram 3 filmes antes das torres WTC caírem. E McClane por não ser um policial chamado para trabalhar, faz tudo à sua maneira. Ele mata quem ele acha que tem que matar, ele é daqueles que sabe que terrorista não tem amor à causa, tem amor ao dinheiro. E ele não negocia, ele atira. E uma certeza você tem ao assistir os filmes dele, não importa a pressão, quanto maior ela for, sua mira melhora. E se ele não tiver uma arma contra um helicóptero, ele usa o carro.

Yippee ki-yay, malditos terroristas. Seus dias estão contados!

Curiosidades

A mulher de McClane não aparece no terceiro filme, mas ele tenta de um orelhão em NY fazer uma ligação para se reconciliar com ela que vive então em LA e estão apenas separados, não divorciados. Apenas no 4o episódio saberemos que eles então estão divorciados porque um dos terroristas mostra o estado civil pela carteira de motorista dela.

Outra curiosidade é que do primeiro morto por McClane no primeiro filme ele rouba um isqueiro Zippo. Esse isqueiro volta a aparecer no terceiro episódio nas mãos de McClane.

Um clássico das canções de Natal/Final de Ano me remete imediatamente aos filmes: Let it Snow.

*Lembro bem que o monstro Morgan Freeman interpretou o mesmo personagem Dr. Alex Cross no bom “Beijos que Matam” (Kiss The Girls, EUA, 1997) e em “A Conspiração da Aranha” (Along Came A Spider, Alemanha/EUA/Canadá, 2001) em dois filmes aparentemente sem ligação.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Obrigado pela visita!!!


Vou repetir uma frase do Luiz Felipe Pondé que usei para abrir um post tempinho atrás:

"Não escrevo para tornar a vida do meu leitor melhor. Escrevo e leio para não me sentir só."

Mas esse post não é pra revelar isso, é mais um post de agradecimento. Quando a Lu Tamaki finalmente me convenceu a fazer meu blog (e ela não foi a única culpada nisso, não sejam injustos) eu não fazia ideia do que me esperava. Alguns pediam textos falando dos meus treinos aqui, outros queriam um fotoblog sobre minhas viagens e rotina, outros queriam que eu escrevesse qualquer bobagem porque acham que é a isso que eu me resumo, outros queriam apenas notícias para que a família soubesse que estou realmente vivo... dá pra juntar tudo? Não creio. Mas ao menos miscelânea e bobagem aqui não falta!

Só que quando fui escolher o provedor do blog fiz questão de optar um que NÃO me desse de um modo muito fácil o número de acessos, então sempre que quero me inteirar de a quantas anda minha audiência, tenho um trabalhinho extra. Por quê? Não queria nem que meus textos ficassem presos nem fossem guiados por um indicativo do tipo audiência de TV ou então que minha rotina de escrita (1 post todo santo dia útil brasileiro) fosse alterada pela leitura ou não dos textos anteriores. Eu queria era escrever mesmo que fosse para as moscas, afinal:

"Não escrevo para tornar a vida do meu leitor melhor. Escrevo e leio para não me sentir só."

Como você mesmo pode ver pelos marcadores, verá que eu falo de tudo um pouco. E faço com muito prazer. E nesse quase 1 ano escrevendo tive surpresas muito agradáveis. Desde pessoas conhecidas ou não que acharam meu blog até pessoas que o fizeram de fora do país ou pessoas que sem eu nem saber quem são fizeram dos meus artigos referência em sites espalhados pela net, o que foi uma honra. E se o alcance e a efetividade pode se medir pelo quanto gostam, também se é possível pelo quanto NÃO gostam de você, e nisso me dou por satisfeito, porque até 2 leitores anônimos que escrevem regularmente só para me criticar e tentar me ofender eu já tenho! É um ótimo sinal! Eles tanto NÃO gostam que MUITO me leem!

Bom, estou dando voltas, na verdade queria dividir uma notícia que fez meu Carnaval. Na verdade ele foi em Budapeste onde Carnaval não existe, mas acredite, foi MUITO bom! Ao voltar de 3 dias sem acessar a internet me deparo sem querer com um dado que adorei: mais de 100 acessos na 2a e 3a de Carnaval. Nem eu acessei meu blog nesse período!! Fevereiro que é um mês curto e morto no Brasil me agraciou com mais de 1500 pageviews no blog! Isso dá 50 acessos diários em um blog amador em um mês que tem Carnaval e 8 dias no final de semana!

Sim, eu sei que são a mesma coisa, mas 1500/mês é mesmo um número mais forte que 50/dia, mas não dá pra esconder como fiquei feliz quando vi esses números. Então este post não é sobre a relação do pé-grande com o turismo ou sobre o porquê compramos remédios mais caros e reclamarmos. É um post apenas para agradecer você que tenha entrado qualquer dia nem mesmo que seja pra dar uma espiada. Como já disse outras vezes, costumo receber comentários por e-mail, MSN e na seção de comentários. É isso que me dá uma ideia de como estou indo, mas os números foram ainda mais gentis comigo, então novamente meu muito obrigado pela visita, pelos elogios e pelas críticas. Tal qual uma padaria, vou tentar servir bem para continuar a servir sempre.

Boa leitura! E obrigado!

quarta-feira, 18 de março de 2009

SuperBowl ou Super Bowl ??


Você gosta de Futebol Americano? Pois depois de uma das maiores finais de Super Bowl de todos os tempos... opa! Super Bowl? Ou seria Superbowl? Ixi... não sei! Um jeito é perguntar aos nossos amigos americanos. Outro modo é um truque que funciona quase sempre que é o de “googar” a palavra e aquela que apresentar o maior número de buscas é o jeito certo de se escrever. Acabo de fazer isso e escrito separadamente deu um número de resultados MENOR do que escrito junto em algo como 2 milhões de resultados. Então o jeito certo de escrever é tudo junto, certo? Errado! O modo correto é escrever separadamente (Super Bowl).

Estava lendo um texto em um blog em que o autor reparou neste pequeno erro de grafia. O problema é que o equívoco estava sendo usado em grandes veículos da imprensa. Não satisfeito em apenas observar, ele resolveu medir tal qual eu fiz agora, mas usando uma ferramenta mais precisa.

Com o Google Trends ele utilizou apenas as buscas feitas nos EUA, pátria do Futebol Americano. E qual não foi sua surpresa ao ver os resultados de como o americano procurava pelo evento na semana em que ele ocorre (você pode ver os resultados aqui) ao longo dos últimos anos? Sim, na semana do maior evento anual do esporte mundial os americanos não sabem em sua maioria escrevê-lo corretamente. Seria isso preocupante?

p.s.: se você começou lendo este texto porque achou que fosse falar de futebol americano, me desculpe, não sou da área. Mas deixo vocês com o blog Diário NFL de um amigo entendido do assunto, o Danilo Müller.

terça-feira, 17 de março de 2009

Varsóvia e Cracóvia - Polônia

Na semana que passou fui conhecer o maior país da Europa: a Polônia. Quando você conhece mais a fundo o continente começa a se deparar com a realidade de que o polonês é o povo europeu que mais marca presença em número fora de seu país! Você vê MUITOS poloneses em TODOS os países, mas na Inglaterra e Irlanda por causa do inglês, e na Alemanha por questões culturais, eles são ainda mais numerosos. Como o idioma é bem peculiar e a aparência física também, não fica difícil identificá-los.

Por haver tantos imigrantes poloneses espalhados e por saber que os salários pagos na Polônia são mesmo muito baixos eu esperava encontrar um país bagunçado, meio sujo, atrasado. Mas assim que desembarquei no aeroporto de Varsóvia, minha primeira parada, a caminho do centro o que vi foi um país muito diferente. Posso dizer que, até aqui, a Polônia é o pais do antigo bloco comunista mais organizado, limpo e desenvolvido que conheci.

Quando li o excelente “Contos do Vigário” que fala sempre comparando as realidades de Brasil, Chile, Polônia e Irlanda o argentino Andrés Openheimer comenta muito sobre como eles foram um dos que mais se desenvolveram desde a abertura econômica. O autor destaca também que a corrupção é, tal qual no Brasil, endêmica. Não pude verificar isso, mas há aquela herança comunista que vi em outros lugares com as pessoas por vezes sutilmente tentando enganar os turistas. Isso acontece no mundo todo? Certeza! Mas em alguns lugares ocorre mais do que em outros.

Varsóvia além de capital do país ela parece que é também a capital financeira. A bela cidade possui alguns parques bem interessantes e bonitos (o mais famoso talvez seja onde há um monumento para Chopin, o famoso compositor clássico que era polonês) e o centro velho que é principal ponto turístico com o seu Castelo. A cidade não é o principal destino turístico, mas vale a visita! Depois da “old town” no centro visitei 2 parques e fui a um prédio russo muito alto que foi “colocado” no meio da cidade dado como presente tendo assim muito destaque.

Pela cidade ser muito plana você acaba prestando atenção em uma peculiaridade. Quase não há prédios grandes na cidade mais rica do país! O motivo? O país foi invadido pelos alemães no que acabou dando início à 2a Guerra Mundial. Por causa da forte resistência polonesa, os alemães e depois russos destruíram segundo eles 95% da cidade. Há um museu fantástico que conta a história da resistência contra os alemães que vale a visita! Foi nesse museu que eu concluí que aquela frase “sou brasileiro e não desisto nunca” é um acinte se dita perto de um polonês. O polonês é quem não desiste nunca! Prova disso é o monumento ao soldado desconhecido que fica em um parque. Fui lá visitar e acompanhei a troca de guarda que é muito bonita. Lá está uma lista das guerras e batalhas que o país passou em sua história. Não é pouca coisa, não. Nós já teríamos extintos se tivéssemos que passar por metade daquilo! O que eles conseguiram resistir contra os alemães quase 70 anos atrás é algo notável!

Depois da capital fui para o principal destino turístico do país, a cidade de Cracóvia que fica a 3h00 de trem expresso de lá. A cidade é bem menor, mas tem um centro turístico que muito se parecem. Mas fora da região da praça central há o rio principal e o castelo que são ambos muito lindos. E ainda na cidade há o bairro onde era a fábrica de Oskar Schindler, famoso após o filme de Steven Spielberg. Fui lá visitar um dia antes de ir conhecer o maior campo de concentração da história, Auschwitz.

Depois de surpresa com Varsóvia e depois de passear por Cracóvia, era hora de em meu 3o dia pelo país encarar 1h30 de estrada para ver de perto algumas das atrocidades que o Nazismo causou. Sou um apaixonado pelo tema 2a Guerra Mundial. Já li muitos e muito livros, vi filmes, especiais e documentários. Muitas das atrocidades que assustaram o mundo eu já tinha cansado de ler, mas eu TINHA que ver Auschwitz. Quando fui a Berlim pude ter uma ideia do que me esperava quando visitei um campo menor por lá.

Bom, fui à rodoviária de Cracóvia e após um pouco de esforço achei o ônibus que me levaria à cidade que é conhecida localmente por seu nome polonês que é pronunciado BEM diferente e escrito de forma COMPLETAMENTE distinta (Oswiecim), então quando for, esteja preparado, pois não é tão fácil chegar! E lá chegando entrei em um tour pago e fui visitar o campo que na verdade são oS campos. São 3 campos sendo que apenas 2 são abertos para visitação. E por mais que você saiba sobre o Holocausto, esteja certo, vai se emocionar e vai se surpreender com o que verá. Por vezes você fica com aquela cara de incredulidade. Mas é uma obrigação a ida! Tal qual diz uma frase inscrita lá, esquecer o que se passou seria deixá-los morrer 2 vezes.

A dica que deixo é fazer um tour pago (no local a preço muito justo) porque os campos são MUITO grandes. E também conhecer os 2 campos principalmente porque o segundo (que não é Auschwitz, mas Birkenau) é o maior e foi o mais importante, pois foi lá que foram os assassinatos em massa. E se tiver estômago fraco, cuidado, pois verá coisas inimagináveis. Não é raro encontrar pessoas aos prantos.

No meu quarto dia não segui nenhum roteiro e aproveitei para comer mais uma vez em restaurantes típicos. E além de ser um país que surpreende, a Polônia é também um país muito barato para os padrões europeus!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Fiquem agora com a mensagem de nossos patrocinadores...


“Roda, roda, roda e avisa: um minuto de comercial” (chamada do programa de Aberlardo Barbosa, o "Velho Guerreiro" Chacrinha)

Você gosta de comerciais durante seu programa favorito? Acho que ninguém gosta, certo? Faz sentido... não à toa TV à cabo teria entre outras coisas essa como uma de suas maiores vantagens, mas hoje cada vez mais e mais temos comerciais no meio dos filmes e programas.

Pois uma pesquisa recente veio a defender a manutenção de comerciais para valorizar o que você assiste. A pesquisa mostra que eles aumentam a sua satisfação com o programa assistido porque ele o lembraria periodicamente a cada bloco o quanto você gosta daquele programa.

Leif D. Nelson, professor de marketing na University of California, Tom Meyvis professor de marketing e Jeff Galak doutorando na New York University publicaram esse estudo no Journal of Consumer Research. O estudo mostra que exibidos ciclicamente os comerciais geram uma sensação de novidade por causa dessas “quebras” programadas o que evita que se caia no aborrecimento se elas não existissem e você ficasse vendo Friends por 22 minutos seguidos.

Como foi feito o estudo? Eles pegaram um capítulo de uma série (sitcom) e separaram os telespectadores em 2 grupos. Como podem imaginar um grupo viu a série sem interrupções e outro viu com a interrupção para os comerciais. A surpresa foi que aqueles que viram com intervalos para propagandas relataram gostar mais daquilo que viram quando comparado com os resultados do outro grupo.

Ninguém duvida de que haja uma variação do quanto as pessoas gostam de comerciais e do programa. Você liga a TV 19h30 às 3as para ver um determinado programa, não uma determinada peça publicitária. Todos preferem o programa, mas essa mudança de um digamos “nível de entretenimento” entre um e outro faz que haja ainda mais prazer na hora de ver o que queria.

Mas fica uma pergunta interessante onde achei essa pesquisa, não seriam alguns programas melhores com comerciais justamente porque eles são produzidos sabendo-se dos comerciais? Eu não tenho dúvidas disso! Não consigo imaginar minha mãe vendo novela por quase 1 hora seguida sem intervalos. Os filmes no cinema que são feitos sem comerciais não precisam de cenas que possibilitem comerciais. Já o diretor da série de TV à cabo faz cenas para que se crie o suspense e entre aquela propaganda de margarina com a família sorrindo deixando o que estar por vir para daqui 4 minutos. Simples assim.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Sacolas Plásticas - pra quê tantas?

Quando vim para a Europa pela primeira vez em 2006 achei estranho que ninguém pegasse sacola plástica enquanto estava na fila de um supermercado na Itália. Chegou minha vez, me ofereceram, eu aceitei e depois vi na nota fiscal discriminado o valor de 5 centavos cobrados por ela.

Espanha e Itália até 2006 não tinham legislação que regulamentasse a cobrança de sacolinhas plásticas. Algumas lojas/mercados cobravam, outros não. Na Irlanda é diferente, pois todo estabelecimento é por lei obrigado a cobrar 27 centavos sem direito a qualquer promoção para dedução desse valor. Nem mais nem menos, 27 centavos. Resultado? Quase extinção do hábito no uso delas. Hoje é mais provável que você veja muitos consumidores já com suas sacolas de pano ou de plástico mais resistentes que duram muito mais tempo. É só parar em frente a um caixa qualquer e verá quão poucas pessoas pagam por essa comodidade.

Eu sou extremamente cético com a efetividade da balela que é campanha para gasto consciente de recursos naturais. É tão efetivo quanto passeata pela paz sem você sequer ter o direito de dar uns tabefes no maconheiro hipócrita. A única maneira de convencer o cidadão é mesmo pela sua região sensível, o bolso. Sinto dizer, quase ninguém reutiliza uma toalha antes de lavar para preservar o habitat de um urso panda. O indivíduo reutiliza porque há dinheiro ou estímulo financeiro para isso. Você só para de lavar o carro com esguicho por horas quando chega a conta de água. Pra que saiba, as estatísticas dizem que a SABESP, a mais eficiente entre seus pares no Brasil, perde até 50% da água tratada em vazamentos sendo que boa parte disso é onde ela não tem jurisdição, a sua casa. Sabe quando isso vai reduzir? Enquanto a água brasileira, mesmo sendo uma das melhores do mundo, for também a mais barata, não creio que será num curto prazo.

Repito, a melhor estratégia de educação ambiental é a mordida no bolso (ou a ameaça dela)! Que me provem o contrário!

O Marcos, um leitor que se mudou para o Canadá, perguntou o que eu acho sobre essa ideia de se cobrar por sacolas. Bom, quando estava em Berlim dias atrás, vi uma senhora na minha frente na fila do supermercado que ao pagar pela água, pilhas e cervejas entregou à atendente as garrafas e pilhas velhas para ter desconto na compra dos novos. Veja bem, ela não carregou aquela sacola porque se preocupa com a camada de ozônio, apesar de muitos fazerem isso, ela levou tudo aquilo porque recebeu dinheiro pra isso. O alemão ama tanto a natureza quanto o brasileiro ou o irlandês. Você é meio tonto ou ingênuo se acha que índio viva em harmonia com a mãe natureza. Índio vivia era parado no tempo. O que defendo é que até em questões de sobrevivência (afinal o planeta é mesmo nossa moradia) temos que ver as relações do ponto de vista de incentivos econômicos. Sim! Dinheiro! Direto ou indireto.

Vamos passar a ter menos sacolas boiando nos rios e entupindo nossos bueiros quando elas tiverem um preço e passarem a ser menos consumidas e melhor aproveitadas. As garrafas PET não farão mais ilhas artificiais pelos rios e serão recicladas quando o cidadão comum dar o correto destino porque ganhará pra isso, ou você acha que catador de latinha de alumínio faz isso por hobby?

Mas ele, o Marcos, me perguntava também sob o ponto de vista estratégico.
Essa sacola é também custo para o empresário. Para aqueles supermercados que fisgam ou tentam fisgar seu cliente pelo preço mais baixo, cortar esse custo possibilita preços mais baixos, mas mais do que isso, passa a mensagem para o consumidor que ele está tentando fazer esse corte de preços e dá a opção dele consumidor de fazer compras (ainda) mais baratas trazendo sua própria sacola. Já os supermercados que têm outro público disposto a gastar mais dinheiro, oferece a sacola sem cobrar discriminadamente como uma extensão desse seu serviço diferenciado.

Aqui na Irlanda isso não é possível. No Canadá, Itália e Espanha, sim. Mas infelizmente no Brasil o setor carece tanto de fiscalização (como todos os outros setores) dos pequenos concorrentes que ainda está por vir o dia em que teremos uma lei no sentido que busque reduzir a farra de sacolas. Mas pela sujeira de nossas calçadas, pelos nossos desmatamentos sem controle e tráfico de animais silvestres, digamos que não está na pauta do dia como uma das preocupações do brasileiro ou de seus representantes na administração pública.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pobre Agatha Christie!

"I don't see why white man has to sit in a nigger electric chair. White man should have his own damn electric chair."

O autor da frase acima é o prisioneiro William 'Wild Bill' Wharton no belíssimo filme “À Espera de um Milagre” (The Green Mile, EUA 1999) protagonizado entre outros pelo grande Tom Hanks. Se ainda não viu o filme, recomendo fortemente. Wild Bill é um sujeito do mal, racista e violento, mas não é para o que ele diz e sim para uma palavra que ele usa que quero chamar sua atenção: nigger.

Nigger é uma palavra de cunho extremamente racista e pejorativo no inglês americano. Eu creio não haver no português uma tradução exata para ela. Os americanos usam black para se referir à raça negra ou ao indivíduo negro. "Preto" tem no Brasil um tom bem mais pejorativo, mas não são poucos os artistas de rap e samba/pagode que a utilizam em suas composições mais famosas. Mas o fato é que vai depender de COMO você a emprega e QUEM exatamente a emprega. O comediante negro americano, Chris Rock por exemplo, em alguns de seus shows faz piadas dizendo que apenas um negro pode chamar outro de nigger. Os brancos, segundo ele, não podem (not really!)! Então se você leitor não for negro, além de meus pêsames, recomendo que prefira sempre o uso da palavra "negro".

Não quero nem entrar no mérito do nome que alguns filmes de títulos em inglês ganham no Brasil. O filme do qual extraí a frase é baseado em um livro do Stephen King chamado em inglês de “The Green Mile”. Qual seu nome comercial no Brasil? Até antes do lançamento do filme você o encontraria sob o nome de “O Corredor da Morte”. Depois do filme, no rastro de seu enorme sucesso de público, o livro não só ganhou uma nova capa com o pôster do filme como também assumiu à partir dali o novo nome comercial “À Espera de um Milagre”.

Talvez você já tenha lido algum livro de Agatha Christie. Se não leu, leia! Esqueça um pouco a parte de valor literário e esteja seguro que irá encontrar entretenimento garantido! Ela não é em seus temas tão modernosa quanto o Dan Brown, mas igualmente competente em prender a sua atenção. O livro que seja talvez o seu maior clássico é o "O caso dos Dez Negrinhos". Hmmm... até aí leitor, tudo bem, sem prejudicar em nada sua leitura adianto que os tais negrinhos se referem a estátuas, não pessoas. E qual seria o título em inglês? “And Then There Were None”. Novamente tudo de acordo! Acredite, acho que os brasileiros apesar da reclamação tonta de alguns, fazem um trabalho muito bom na hora de criar nomes comerciais traduzidos.

Pois agora se você tentar comprar uma nova edição deste livro esteja atento porque deverá procurá-lo sob o seu novo nome “E não Sobrou Nenhum”. É um nome com tradução mais "correta"? Sem dúvida, partindo do princípio que temos então que desconsiderar todo o conteúdo. A saber, o título original do livro em inglês no seu lançamento em 1939 era “Ten Little Niggers” (“Ten Little Indians” foi o nome da versão no cinema) e esse nome foi motivo de muita discussão desde antes do seu lançamento nos EUA. Tanto foi que os editores foram obrigados a mudar o título para o nome final “And Then There Were None”. Isso em 1940! Em Portugal pode-se ainda hoje encontrar o livro com os nomes “Convite Para A Morte” ou “As Dez Figuras Negras”. Reforço, a discussão chegou ao Brasil atrasada em praticamente 70 anos!

Bom, quando falava dias atrás sob o não haver grande número de treinadores negros no futebol americano universitário, o caro blogueiro Rodolfo Araújo em comentário por e-mail me disse que gosta quando as pessoas deixam de ser tão politicamente corretas e chatas e dizem algumas coisas que poucos se atrevem a fazer. Aproveitando suas palavras consigo imaginar um mundo onde algumas coisas não podem ser chamadas pelo seu verdadeiro nome. Usando as palavras do Rodolfo, já pensou adquirir o conto "A Branca de Neve e os 7 Verticalmente Prejudicados"? Será que teremos que reescrever tudo que é clássico? Teríamos muito trabalho! “O Bom Crioulo” passaria a ser “O Bom afro-descendente”. “O Cortiço” vira “A Comunidade Carente”. Alguns personagens também mudariam de nome. O Corcunda de Notre Dame passa então a ser “O Cervicalmente Prejudicado de Notre Dame” e um de nossos expoentes culturais, o escultor Aleijadinho, deverá ser chamado a partir de agora de O Pequeno Deficiente Físico. Calma! Não acabou! O Negrinho do Pastoreio? “O Afrodescendente do Pastoreio” de agora em diante, por favor! E finalmente devemos ver se o melhor nome para o clássico de Agatha Christie não seria "O Incidente penal-mortal-investigatório com a participação abstrata de uma dezena de afrodescendentes iconizados".

Uma das taras do politicamento correto é justamente tentar reescrever o passado sob os olhos do presente. É verdade e um alento que livros escolares estejam sempre sendo revistos e atualizados com as novas teorias mais aceitas. Mas quando começa uma perseguição ideológica sem base ou fundamento, estamos diante é de uma caça às bruxas e o medo aí correrá solto. A editora Globo não confirma, mas há a preocupação de algum processo contra o uso da palavra “negrinhos” se ela continuasse a ser usada na obra. Será que estamos mesmo num país tão chato? Ou seria só um país atrasado e burro mesmo?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Dias Gloriosos


Você me acha pessimista? Pois saiba, utilizando Luiz Felipe Pondé que:

"Não escrevo para tornar a vida do meu leitor melhor. Escrevo e leio para não me sentir só."

Eu sou um pessimista de carteirinha, eu sei. Chego a ficar nervoso com otimismo alheio. Se você me pergunta o motivo, vou dizer que é porque sou muito racional, gosto de basear opiniões e não torcer para o que vai acontecer. Gosto de fazer o papel de advogado do diabo, saio (sem nenhum prazer especial!) mostrando o motivo das coisas irem dar errado porque não acho nunca o mundo tão fácil como os otimistas gostam. Aliás, costumo nos separar em otimistas e realistas, nem existe pra mim o pessimismo.

Mas e sobre o passado? Faça o seguinte, saia perguntando aos mais velhos sobre a vida no passado. O saudosismo vai aflorar como erva-daninha no quintal depois da chuva. “Ah os velhos tempos...” 30 anos atrás (ou 40 ou 50, tanto faz!) era mais seguro, as pessoas eram mais educadas e blablabla... parece a letra traduzida daquela música filtro solar com o indivíduo dizendo que alguns se enganam lembrando que “quando era jovem, os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos”.

A escola pública era boa? Isso não é verdade como bem atesta o grande Cláudio de Moura e Castro. Apesar de haver esse mito de que antes ela era boa, ela não só era medíocre e ruim como hoje, como era para poucos. E muitos dos poucos iam descalços. Ou seja, era qualitativamente tão ruim quanto hoje. No Brasil democratizamos o direito à escola ruim, o que não deixa de ser menos pior.

A lista do que antigamente era supostamente melhor ainda vai longe. Pois lia um artigo dia desses que citava alguns números que nunca é demais lembrar: a maioria de nós trabalha menos (em anos) do que nossos pais trabalharam. Nós ganhamos pela idade em média o dobro do que eles ganharam em valores corrigidos. Seria algo como começar o final de semana na tarde de 4a. Mas não é só isso! Temos também mais tempo para o lazer. Segundo o economista Mark Aguiar e Erik Hurst, o tempo de lazer médio da mulher aumentou 4h por semana se comparado a 1965. Muitos homens 100 anos atrás começavam a trabalhar aos 10 ou 12 e só paravam quando a morte chegava aos 50 anos. Agora é comum passarmos menos da metade de nossa vida trabalhando e passamos a outra metade estudando, viajando e aposentados chegando à idade média de 70 anos.

O grande Maurício de Souza disse em entrevista à revista Veja que “essa melancolia que se vê em muitos adultos não faz sentido, nada estaria sendo perdido. A questão é que tudo ficou mais intenso, condensado” disse ele quando comparava a infância de hoje com antigamente.

Pois é um fato que as notícias ruins dão mais manchete, mas nem por isso podemos concluir que o mundo hoje está pior. Jamais houve tanta liberdade e o crescimento das democracias foi extraordinário. Reduziram-se as guerras e as mortes violentas. Isso não é opinião, é fato. Não é gosto, são números. A razão, a ciência e a tecnologia lançaram luzes onde havia trevas pela ignorância. Acabou-se a fome causada por calamidades naturais. Hoje ela persiste é pela incompetência e corrupção das ditaduras africanas ou do servilismo populista.

Hoje qualquer pobre possui mais comodidade pela tecnologia que os milionários do começo do século. O acesso a serviços médicos é precário, mas antes não havia nada. E o acesso a água encanada, eletricidade, TV, telefone, geladeira e dezenas de outros confortos? Quem possuía isso antes? Qual era seu custo?

Os saudosistas de plantão que fiquem com seus resmungos, que não saia disso, pois não há fatos que lhes dê razão. Quer dizer então que considero o mundo ideal ou perfeito? Releia tudo e verá que nunca disse isso. Mas quando saímos do campo do mensurável para o subjetivo nos depararemos com outras comparações não tão fáceis. Os atletas de antes eram também melhores? Ou como tudo eles também melhoraram?

Tenho um grande amigo, o Vítor Ohtsuki, que disse certa vez que a nossa geração é privilegiada porque está podendo assistir alguns dos maiores nomes do esporte de todos os tempos. Os registros de Fangio são pequenos, Garrincha apenas em preto e branco. A cada 4 anos vemos matérias e especiais sobre os JOs com atletas que nem vivos estão mais. Outros há tempos estão aposentados e sobram poucos momentos de boa qualidade para vermos. Pois hoje estamos acompanhando praticamente ao vivo com TV à cabo e Internet o desenrolar da carreira de alguns nomes que com certeza serão considerados futuramente os maiores expoentes em suas atividades: Federer, Tiger Woods, Rafael Nadal, Schumacher, Ronaldo, Zidane, Kobe Briant, Michael Phelps... a lista é interminável. Entre outros que começaram “antes da internet” temos Maradona, Senna, Jordan, Sampras, Joe Montana... Temos outra lista interminável. Quem negaria a esses um lugar em uma seletíssima lista de melhores de todos os tempos? Improvável.

Alguns irão dizer que os antigos atletas eram mais “raçudos” e tinham mais amor à camisa. Isso é uma bobagem da mais pura. Eles viviam em outra época, em outra realidade. É injusto com os atuais dizer que são piores por terem benesses que não existiam o que é muito diferente de ser negadas aos outros. Sob qualquer aspecto não se pode tirar esses nomes e muitos muitos outros seu espaço na galeria de maiores de todos os tempos. E se você ainda tem algum parente mais velho que se orgulha de dizer que viu Pelé jogar ou que ouviu pelo rádio algum grande feito esportivo, pode estar mais do que tranquilo que a história não parou. Estamos dia-a-dia vendo o desenrolar de novos e grandes nomes e presenciando a história acontecer diante de nossos olhos com a vantagem do avanço da tecnologia da comunicação. Assim não deixa de ser um alento nesse nosso tempo ver as coisas melhores e outras tantas boas surgindo.

p.s.: o nome aportuguesado desse artigo eu “roubei” de meu amigo Ronalt que em seu blog escreveu um tempinho atrás um texto mais ou menos nessa linha. A foto eu também “roubei” dele que por sua vez “roubou” do blog de um outro amigo nosso, o Bola. A saber, se trata da Seleção Brasileira de Basquete campeã Mundial de basquete 50 anos atrás.

terça-feira, 10 de março de 2009

A Volta dos que já foram


No dia 22 de Fevereiro deste ano vimos Mickey Rourke perder para Sean Penn o Oscar de melhor ator por seu papel em “Milk – A Voz da Igualdade” (Milk, EUA 2008). Os 2 mereciam a estatueta e muito se dizia que a Academia gosta de premiar pessoas que dão essa volta por cima como Rourke (caso seja assinante de VEJA leia aqui a bela reportagem de Isabela Boscov sobre o ator), mas muitos também diziam que ele não interpretava outro que não ele mesmo no belo “O Lutador” (The Wrestler, EUA 2008). Pois bem, no mesmo dia que Ronaldo faz sua estreia oficial com a camisa do Corinthians, vejo na Sky News que Michael Jackson anunciou sua volta para uma série de shows na capital inglesa chamado “This is it” que seria sua despedida definitiva dos palcos, mas que também seria um jeito para sanar suas dívidas na casa de 140 milhões de dólares. É mesmo a temporada dos renascidos...

Dizer adeus realmente não é fácil e saber a hora certa de fazê-lo é ainda outra arte. Bom, nem posso comentar o jogo do Ronaldo porque não o vi, mas um grupo de amigos que comenta esporte por e-mail disse em sua maioria não entender a tamanha euforia por parte dos comentaristas sobre o futebol apresentado por ele quando nitidamente havia em campo um jogador muito gordo sem o menor lampejo de seus melhores momentos. A conclusão do grupo (corintianos inclusos) foi que ali estava um jogador aposentado, como naqueles jogos da Seleção Master ou em partida entre amigos ex-profissionais no final do ano.

Concordo com eles, não vi e não gostei. Entendo os perfeitamente os elogios televisivos porque o povo adora esse tipo de história com alguém conhecido e querido voltando superando as adversidades. Mas nem eu, um super fã do Ronaldo, acredito mais nele. Quando anunciaram sua contratação confesso que torcia para que ele fizesse gols em todos os jogos, pois não consigo não torcer pelo dentuço. Desde que o Corinthians perdesse todas as partidas, o Ronaldo marcando para mim estava de bom tamanho! Para aumentar a euforia, as pessoas não paravam de lembrar sua triunfante volta aos gramados em 2002 após aquela lesão gravíssima. Mas de lá pra cá ele “perdeu” mais um joelho, ganhou uns 10kg, adicionou mais 7 anos chegando aos seus alegados 32 (mais de uma fonte já me disse que ele tem 34) e parece também ter perdido todas as importantes e desafiadoras metas que fazem a vida de um atleta excepcional. Ele já ganhou uma Copa em campo (94 ele estava no banco e de lá não saiu) e depois se tornou o maior artilheiro das história do torneio. Como bem disse um colega, hoje ele não tem mais os “olhos de tigre” em referência a Rocky. Hoje ele é, sim, (ainda mais) baladeiro, se mostra um fanático compulsivo por serviços de prostitutas e um atleta que acha que basta apenas treinar pela manhã porque seria livre para fazer o que quiser pela noite. Ele é uma atleta meio-período, quase um amador não fosse os R$400mil que recebe mensalmente apenas do clube paulista.

Sua chegada em SP foi seguida de desastres como suas saídas pela noite paulistana, ensaios de escola de samba e balada pelo interior. Na última sabe-se agora que a prostituta da vez sacou pelo celular uma foto dele dormindo e já tenta vendê-la por R$5mil para quem quiser.

Seria mais fácil Ronaldo enganar no futebol carioca jogando o estadual deles. Romário fez isso muito bem à partir de 98, fingindo que jogava e fingindo que treinava. Em SP a coisa parece que não vai muito longe. Estamos assistindo ao fim do maior jogador brasileiro desde Pelé e junto com Zidane o maior craque que o mundo viu depois da era Maradona.

Posso estar enganado? Não tenha dúvidas! Aliás, adoraria! Em 2002 um famoso médico declarou que ele estava acabado para o futebol profissional e o doutor teve que ouvir do próprio Ronaldo declarações desqualificando o decreto. Mas aquele era outro Ronaldo. Hoje aos 34 (32??) Ronaldo não tem mais o corpo nem a mente necessários. Ele parece confiar, tal qual o Ronaldinho Gaúcho que agoniza no AC Milan, que apenas talento bastará. Isso os 2 têm de sobra e em excesso como poucas vezes se viu no futebol, mas não são suficientes.

E o Michael?
O que mais li sobre ele aqui na imprensa inglesa não é se ele consegue ainda voltar no mesmo ritmo, mas o que perguntaram era: quem ainda liga pra ele? Eu ligo! Michael Jackson é meu cantor número 1! Pagaria o que fosse para vê-lo e não ter ido ao seu show no Morumbi em 1993 é um dos meus maiores arrependimentos!

Diferente do Esporte, os cantores não dependem tanto do físico, mas quem já viu shows recentes de Britney Spears ou da Madonna, entende o ponto. Elas parecem ficar pulando e saltitando como se o chão do palco estivesse fervendo. Mal conseguimos prestar atenção às suas vozes. Aliás, elas não querem que prestemos! Britney em seu show de reestreia foi acusada sem pudores de usar play back. Estaria Michael nessas condições aos 50 anos após seguidos e recentes problemas com sua saúde já que ele não é um cantor “banquinho e violão”?

Uma das maiores críticas ao estilo do Michael Jackson é que diferentemente de Madonna que mudou como um camaleão dos anos 80 pra cá, ele pouco se adaptou. Mas o que importa aos fãs sua capacidade de se adaptar se o que queremos é justamente que ele cante (e dance!) os velhos hits? Os shows do Michael Jackson são a melhor definição e acepção da palavra. Ele inovou como ninguém e é isso o que faz valer a pena a espera. Acho que o público agora nem irá aos shows esperando muitas inovações, na Arena O2 onde serão os espetáculos todos irão é para ver seus grandes sucessos e uma palhinha de sua dança MAGISTRAL. Aliás, se eu tivesse a chance de ver de graça reunidas as maiores companhias de dança do mundo ou Billie Jean ao vivo, ficaria com Michael! Não tenho dúvidas! A despeito de sua loucura registradas no excelente "Michael Jackson - The Magic & The Madness” (Michael Jackson - A Magia e a Loucura), pago para vê-lo cantando e dançando. Não quero saber de sua vida pessoal! E se você disser que pedofilia é crime gravíssimo, saiba que todas as fontes sérias não ligadas a ele refutam sua condição de pedófilo e ele foi absolvido nos 10 processos abertos contra ele mesmo tendo a vida devassada. O cara é excêntrico, isso sim! Isso todos garantem! Próximos ou não, aliados ou inimigos. O que importa é que ficar tanto tempo sem Michael Jackson fez falta. Espero que diferentemente do Ronaldo, que ele não me decepcione.

p.s.: quando estava colocando no ar esse post recebo a notícia do gol salvador do Ronaldo aos 47 do 2o tempo no maior clássico regional de SP. Quem viu seu corpanzil saltando as placas de publicidade viu que ali ainda não há um atleta profissional.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mais um texto no Webrun!



Como é de praxe, já está no ar meu texto deste mês sobre Nutrição Esportiva no potal Webrun! Para acessá-lo, clique aqui!


Te vejo lá!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Trem, avião, ônibus ou carro? Quem polui mais?


Enquanto passeava por Portugal fiz muito uso de trem e lá um dos anúncios que mais me chamou atenção era veiculado tanto em áudio dentro das estações/vagões como por outdoors pelas ruas. Ele falava em agradecimento por escolher um meio de transporte, no caso o trem, amigo do meio-ambiente. Mas essa é mesmo a melhor escolha?

Parece não haver veredito final, pois não demora para achar quem defenda o trem e quem o condene. Mas sabendo-se de alguns números sobre outro meio de transporte, o avião, comecei a pensar sobre o que seria melhor: voar menos e andar mais de trem?

A resposta, ao contrário do que possa parecer, não é tão simples. O avião é mesmo o mais poluente  dos 2 e o trem, ao contrário do que a propaganda lusitana prega, não é 100% inocente assim. Então haveria um vilão?

É de se surpreender com os resultados de uma pesquisa. Na verdade, a maioria dos modelos matemáticos para o cálculo de qual meio de transporte polui mais acaba por esquecer que um trem não anda sem a ferrovia e os carros sem uma estrada. E o trem também pode andar com 1, 10 ou 400 pessoas e o carro com 1 (ufa!) a 5. Quando pesamos todas as diferenças, a melhor opção acaba variando muito. Ou seja, se você quiser mesmo ser um grande amigo da natureza, vai ter trabalho nesse mundo pós-Al Gore.

O tal recente estudo conduzido por Mikhail Chester e Arpad Horvath, pesquisadores da University of California-Berkeley, calcula de um modo muito mais preciso o quanto de poluição cada meio de transporte gera porque leva em consideração o custo ecológico da produção do carro, estrada, ferrovias e até o custo de colocar sal nas estradas após as tempestades de neve.

Como todos os carros dividem os custos das estradas, acaba pesando menos do que quando dividimos os custos das ferrovias por consideravelmente menos trens, e o impacto ambiental de construir trens e ferrovias é sempre muito maior. Mesmo assim, os dados levantados por Chester e Horvath sugerem que viajar de trem é uma alternativa menos poluente que o carro ou o avião. Na hipótese de congestionamentos, o trem é ainda mais “verde”. Mas e no caso de um carro econômico cheio (3, 4 ou 5 pessoas) e um trem vazio por causa do horário? Neste caso o carro é menos poluente e o ônibus a pior das escolhas.

Mas no horário de pico, veja só!, o ônibus passa de a pior para a melhor escolha! Aí caímos em uma contradição. Não podemos então usar esses meios de transportes públicos (trem e ônibus) em horários fora do pico? Como o transporte público deve estar disponível para a população durante todo o tempo, você não conseguiria convencer o cidadão a utilizá-lo com uma oferta reduzida de horário, então já que é um meio menos poluente, você pode e deve usá-lo sem problemas não importa se está cheio ou vazio.

E mesmo o avião sendo o pior meio a ser escolhido, vale lembrar que ele não é tão pior como muitos imaginam e passa inclusive a ser uma escolha interessante para as grandes distâncias. Se é inevitável usá-lo e você também quer ajudar a Mãe Natureza, pode seguir algumas dicas do que fazer, então. Mas aquilo que a companhia aérea EasyJet faz, vendendo uma cota verde compensatória conforme já disse aqui, parece mesmo não funcionar conforme outro artigo confirma.

Mas talvez o mais interessante descoberto pela dupla do experimento é que o maior poluidor nem é o trem ou o carro, mas sim toda a estrutura que os fazem possíveis (estradas, aeroportos...). No caso dos trens, por exemplo, eles são responsáveis por menos da metade das emissões! Ou seja, produzir concreto e asfalto de uma maneira ecologicamente mais correta seja talvez um foco pouco trabalhado mas que se prova muito mais importante do que focar apenas em produzir veículos mais econômicos ou menos poluentes.
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