Falei rapidamente aqui outro dia da questão da globesidade e qual o preço que os obesos (ou gordos) pagam por isso. Há o inegável, reconhecido e ainda subavaliado (por eles) prejuízos à saúde deles, porém, há ainda o preço que a sociedade impõe, seja porque os considera menos atraentes fisicamente ou menos esforçados, assim eles recebem menores salários que aqueles com o peso dentro do IMC adequado. Mas não é só isso. A obesidade sobrecarrega a sociedade já que eles utilizam mais dos sistemas de saúde. Se os cigarros têm altos impostos pra reduzir o consumo, mas a taxação de alimentos gordurosos e/ou calóricos ainda não encontra muitos defensores, deveriam os obesos assim pagar mais impostos?No longo processo de debate para um novo modelo de sistema de saúde americano essa questão vem sendo levantada. Alguns planos de saúde querem esse direito. É correto? Justo? Confesso que nunca pensei muito a respeito. Há o forte e equivocado juízo de que só é gordo quem quer ou quem não se esforça. A obesidade é uma doença e ninguém pensa em sobretaxar um diabético que quer um plano de saúde ou um insuficiente renal, por exemplo. Mas uma saída que estão apontando é dar descontos àqueles que estariam em forma, o que não muda muita coisa, mas é diferente. Se em aviões já se aceita que os gordos paguem mais, acho que esse novo custo não me parece impossível de acontecer em breve.
Mas o ponto é outro, uma parte das pessoas que avançam o limite da quantidade de calorias adequadas sabe que há o risco de problemas. Seu propósito declarado ou consciente não é o de se matar entupindo as artérias, mas independente de tudo, ele causa um dano objetivo. Mas o argumento é que ele é sempre vítima de tudo, se não da sociedade, da propaganda, do sistema, seja lá o que seja isso. E isso vale para o que bebe álcool e dirige bêbado, para o que cheira cocaína e faz passeata pela paz no domingo ou para o que faz sexo inseguro com várias e depois corre atrás do AZT gratuito. A responsabilidade individual parece ter sido banida, somos e queremos sempre ser vítimas de algo ou de um “inimigo” que não se personifica, nem seja claro e definido, para que assim não tenhamos que enfrentar a real culpa ou custo das nossas escolhas.
A pessoa hoje só quer obter prazer e o custo será repassado adiante, transferido obviamente para a sociedade. Assim que chegam as inevitáveis consequências negativas da escolha seria o caso de responsabilizar as pessoas pelas decisões feitas? No caso das drogas me parece bem claro, mas e no caso da obesidade? A se discutir.

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