quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Qual o tamanho do gol? Depende.

Nossas percepções provam ser altamente relacionadas com o resultado no desempenho de nossas ações e com o esforço necessário para realizar a tarefa. A distância que temos que caminhar parece maior quando se trata de subida ou se estamos cansados ou indispostos, não é?

Pois há uma história curiosa naquela traumática decisão de pênaltis entre Brasil e França nas quartas-de-final da Copa de 86. Júlio Cesar, um baita zagueiro que marcou toda uma geração, disse certa vez em entrevista na TV com aquele sotaque caipira forte que quando levantou a cabeça após ajeitar a bola para a cobrança viu o gol “piquinininho” e o goleiro francês Joël Bats de braços abertos tocando as duas traves com as mãos. Qual foi o resultado? A bola explodiu na trave, o Brasil chorou e há quem jure que até hoje a trave balance por causa de tamanha pancada.

Até o Rei Pelé disse certa vez que no momento de cobrar o pênalti o gol diminui e o goleiro cresce. Pois estudos nos últimos anos vêm mostrando que esses são mais do que causos, que o desempenho pode afetar de verdade a percepção momentânea de grandes atletas.

Jessica Witt e colaboradores da University of Virginia em estudos passados com jogadoras de softbol comprovaram que há mudanças da percepção do tamanho da bola nessas jogadoras em função dos resultados de desempenho nas rebatidas. Ou seja, quando elas acertam, a bola parece ser maior do que realmente é e quando erram, ficam menores. Já com golfistas eles verificaram que o tamanho do buraco também se altera de acordo com o resultado.

Com 23 jogadores da National Football League (NFL) nos EUA eles fizeram um outro experimento avaliando o tamanho do Y (o “gol” no futebol americano) após 10 chutes. Aqueles que fizeram 3 ou mais acertos avaliaram o gol como sendo maior e quem acertou 2 ou menos, como menor. E não é só isso! Nos erros eles também achavam que o lado para o qual erraram parecia encurtado, ou ainda com o Y mais alto ou baixo do que o correto quando o erro era no eixo vertical.

Para que não houvesse dúvidas de que essa percepção fosse APÓS os erros ou acertos, na pesquisa com o pessoal da NFL eles fizeram também medidas antes E depois. E eis que a percepção de tamanho foi a mesma antes e mudou apenas depois em função do resultado!

p.s.: a foto do post é o do pênalti em 94 que eu prefiro lembrar depois de ter chorado com o Júlio César em 86. Ele deu a volta por cima, o italiano Roberto Baggio também, como mostra esse belo comercial.

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