segunda-feira, 13 de julho de 2009

R.I.P., Michael

Eu já desisti de fazer um post especial sobre a morte do meu maior ídolo musical. Junto com a morte de Ayrton Senna 15 anos atrás, nenhuma morte de personalidade havia me emocionado tanto. No dia em que Michael Jackson morreu, eu fiquei no trabalho por mais de meia hora parado na Internet antes de voltar pra casa só pra poder procurar atualizações sobre o estado dele e torcia para que tudo não passasse de falta de informações desencontradas, como sempre foi na vida dele. Em vão. Nos últimos anos a figura de MJ era tão associada a bizarrices e críticas que ele parecia precisar morrer pra finalmente virar um mito condizente com sua importância musical.

Afinal, que outra personalidade de qualquer área da atividade humana passaria 10 anos afastado e causaria tamanho frisson? Nas ruas você ouvia comentários, você recebia e-mails, os jornais só tratavam de um tema. O fato é que precisando de dinheiro ele programou uma série de shows que tiveram bilheteria esgotada. Eu mesmo tentei em vão conseguir os meus ingressos. Hoje, dia 13 de Julho seria sua estreia na O2 Arena de Londres. Ele que sempre foi um gênio na arte de fazer dos concertos verdadeiros e incomparáveis shows piroctécnicos, parece que precisava da morte para ter um retorno triunfal tão impactante e global que a notícia demorou pra ser digerida. Mais. Os mais velhos se relembraram de como ele era um cantor fantástico, os mais novos reapresentados ao seu trabalho puderam ver que ele é também um dançarino e um ritmista insuperável. Por onde se olhe ou se avalie, vimos que ele foi o maior da história. Aquele período que ele construiu com talento nunca se repetirá. Ele precisou morrer para sair da infâmia e se reerguer.

A figura dele desde sua morte alguns dias atrás apenas cresceu. A Amazon divulgou que vendeu mais discos dele em 24h após sua morte do que havia vendido nos últimos 11 anos, as vendas mundo afora foram maiores do que as de Elvis Presley e John Lennon após suas respectivas mortes, o site para concorrer a entradas do velório recebeu 500 milhões de acessos em menos de 1 dia, os seus vídeos no Youtube são os líderes de acesso nessas semanas, seus discos voltaram a figurar na lista de mais vendidos e a onda parece não parar.

São incontáveis as tentativas de explicação para um comportamento tão bizarro como o dele. Para quem entrou no mundo musical aos 6 anos de idade, virou o maior ídolo pop da história, não teve infância, nem adolescência, não possuiu um suporte familiar adequado e tinha ao seu lado irmãos sem ideia de um correto planejamento financeiro e um pai mais do que ambicioso e incapaz de ser uma figura paterna, parece ser compreensível então que ele tenha se comportado de forma tão errática.

O que pouca gente leva em consideração é que MJ tenha ficado ainda mais recluso após as acusações de pedofilia. No livro que já citei aqui, The Magic and the Madness, o autor explica e defende que MJ nunca teria abusado de qualquer uma das crianças próximas a ele, mas mesmo assim a condenação pública já havia sido feita.

Pior do que a pedofilia é o crime grave pelo qual se paga sem cometer. MJ começou a morrer quando as acusações ganharam as manchetes no mundo todo. Em conluio com os acusadores, estava a imprensa irresponsável, aquela que denuncia sem saber ou apenas querendo vender mais e mais mesmo que para isso comprometa a verdade. Agora que está morto, todos se lamentam como se sua morte fosse uma tragédia. Mas ele já era uma tragédia todos esses anos e ninguém o ajudou.

Eu prefiro acreditar que o MJ era um cara extremamente exótico, com comportamento bizarro, mas que nunca fez mal a ninguém, como outros gênios que a arte conheceu. E para piorar ainda teve que pagar para que não fosse mais explorado porque não tinha paciência com os processos e nem confiança de que se safaria de todas as acusações. Aliado ao seu exagero consumista, quase foi à falência.

MJ pagou caro num mundo que não aceita o diferente. Foram 10 anos melancólicos que acompanhamos, mas é persistir no erro condená-lo até depois de morto. Até porque não há santos em lugar nenhum já que todos esses estão mortos, essa é uma condição para que sejam chamados assim. Como foi muito bem dito em seu velório pela deputada Sheila Jackson Lee, ele era uma boa pessoa, “um bom samaritano”.

1 comentário(s):

Gabriel disse...

Ótimo texto, Balu! MJ pagou pelo que não cometeu. Excêntrico e estranho, mas um grande ídolo. Incomparável na música...

Abs e parabéns pelo blog.

Gabriel Aguillar

Blog Widget by LinkWithin