quarta-feira, 8 de julho de 2009

De rins, transplantes, capacetes e motos.

escrevi aqui sobre o que eu acho como uma das saídas viáveis para aumentarmos o transplante de rins diminuindo o sofrimento dos que estão na fila de espera. Sou a favor da comercialização dos órgãos, pois aumentaria muito a oferta deles, reduziria a fila unificada pela espera, acabaria com qualquer possibilidade de um mercado negro que já existe na Ásia e ainda daria a muita gente que morre com 2 rins a chance de uma vida mais digna com o pagamento oferecido.

Tem gente que é contra apenas com o argumento tosco de proteger os pobres. Esses querem pensar por eles e por todos nós. Outro ponto importante é para aqueles que colocam no RG que não são doadores. Então esses que caiam para o final da lista unificada. Isso também ajudaria e é muito mais justo.

Por fim, o estado deveria esclarecer à população que não há razão para se ter medo de ser um doador com o medo infundado de perder órgãos ainda vivo. Isso não existe! O que mais o estado poderia fazer para ajudar seria deixar de lado a exigência dos motociclistas de usarem capacete. Mas como assim??

Ao contrário do que muita gente pensa, usar capacete não é obrigatório em todo o mundo. Muitos países não adotam a medida por questão de dar liberdade de escolha ao usuário e outros se baseiam ainda em pesquisas que indicam que motociclistas e ciclistas quando utilizam capacete acabam muitas vezes sendo mais agressivos enquanto guiam por terem uma sensação maior de segurança e invulnerabilidade, causando assim ainda mais acidentes.

Nos EUA, onde os estados podem ter leis locais muito diferentes, um pesquisador publicou um estudo muito interessante. O Texas se juntou a outros 5 estados onde não há mais a obrigatoriedade do equipamento desde 1994. E o estudo vai justamente nessa diferença na lei, pois estes estados apresentam desde então uma maior disponibilidade de órgãos para transplantes. Teria a população texana ficado assim mais sensível ao drama alheio doando mais? Não! Os acidentes gerados agora resultam em mais órgãos para doação!

Seria moralmente correto apoiar uma lei dessas por causa desse efeito colateral? No país campeão mundial de mortes no trânsito e em uma cidade como São Paulo, onde morre 1 motociclista por dia útil, o que será que aconteceria se diminuíssem os acidentes? Teríamos assim uma queda na oferta de órgãos? Temos algum benefício que seja com tamanha carnificina? Não creio, mas tampouco podemos garantir. Quem vai fazer a pesquisa?

1 comentário(s):

Gian disse...

Há no link um artigo, em um blog de economia, sobre o mercado de órgãos:

http://cristianomcosta.blogspot.com/2009/06/mercado-de-figado.html

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