sexta-feira, 10 de julho de 2009

De Honduras e da nossa crise de saber o que é Democracia

Eu não sabia, mas a nossa República de Bananas deve o apelido indiretamente ao humorista americano William Sydney Porter, que viveu em Honduras no início do século XX. Morando lá ele definiu o país como uma "República bananeira". Como aqui na América Latrina o que não falta é governo corrupto e país sem leis, o termo foi popularizado, adotado por nós, mas Honduras que foi, sim, a primeira República de Bananas.

Nada mais justo que fazer valer a fama. Eis então que o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, perdeu o poder. Mas teria sido um golpe?

O PTista é um tipo de pessoa que consegue transformar até tumor em categoria de pensamento. Veja como a ministra Dilma é melhor por tê-lo e o crítico PTista Reinaldo Azevedo é o inverso justamente por também possuir os seus. Para os amigos deles qualquer coisa é um sinal de virtude, nos outros, uma explicação para seus defeitos. Nesse ritmo não faltou para que a derrubada de um presidente também assim o fosse.

Visto do que está na constituição hondurenha, o presidente caiu por seus defeitos e excessos, não por suas virtudes. Ele caiu porque agrediu a carta magna do país, não porque era um exemplo. Para quem ainda não acompanhou a situação, o presidente quando eleito era um típico político de centro-direita. Com o passar do governo começou a debandar para a esquerda se aproximando do protoditador venezuelano Chavez. Até aí tudo bem, mesmo que pra isso tenha traído seus eleitores. Mas eis então que seguindo o que manda a cartilha dos demais novos protoditadores latinos, ele passou a fraudar a Democracia querendo mudar a lei do país via plebiscito para se perpetuar no poder. E como se faz isso? Populismo barato ferindo os princípios democráticos. Com os seus planos descobertos e com a realização de um plebiscito negado, foi deposto seguindo o que está escrito nas leis do país. Mas para os intelectuais da esquerda, quando um esquerdista cai por excessos, é golpe. Quando ele dá o golpe na Democracia, seria para o nosso bem.

Pois bem, enquanto escrevo esse post, estou vendo uma entrevista de nosso Celso Amorim na TV Globo dando mais uma de suas declarações vergonhosas. Para ele, a diferença entre o que ele chama de golpe em Honduras e o que se passa em Cuba seria a duração do ocorrido, como em Cuba isso se passou há mais de 50 anos, ele seria permitido. Palavras de Amorim! Para ele, por durar muito, seria legítimo e o de Honduras não duraria sequer 3 meses. Seria o caso então de Fidel Castro mostrar ao ex-presidente como se mata opositor para durar mais no poder?

Amorim ainda acrescenta que o governo atual não tem sequer legitimidade de convocar eleições. Mas Fidel teria? Os cubanos sabem, aliás, o que é uma eleição na prática? Celso Amorim é uma vergonha nacional. Aplica-se também a ele uma brilhante frase usada e adaptada pelo blogueiro do maligno tumor, Reinaldo Azevedo, em um post sobre Lula e o pensamento PTista: Bastaria que ele, Celso Amorim, sentindo aquela vontade irresistível de pensar, tivesse a educação de esperar a vontade passar.

Deste presidente deposto hondurenho não tenho qualquer simpatia, óbvio. Do governo provisório, tampouco! Mas como 2 erros não fazem jamais 1 acerto, está na hora dessa turma pilantra começar a dar nomes certos aos bois. A carta magna de um país democrático deve ser seguida, e jamais ser alterada em nomes de princípios escusos como garantia de um suposto bem maior.

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