sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vivendo fora e se virando como pode.

Assim como dizem que escrever um blog ajuda a escrevermos melhor (pffff...), todo programa de TV ou matéria de revista que falam sobre a experiência de se viver no exterior batem na mesmice dizendo que os contratantes gostam de candidatos de emprego que viveram no exterior porque essa prática demonstraria que essa pessoa acaba demonstrando assim maior independência e criatividade para resolver novos problemas e desafios. Mas será que é verdade?

Eu acredito em RH do mesmo modo que acredito em Feng Shui e aromaterapia. Acredito em eficiência de entrevista e dinâmica de emprego na mesma intensidade que acredito em vitamina C contra resfriado, ou seja, não acredito em nada disso! E também nunca botei fé nessa de que viver fora me faria mais criativo. Não acredito nisso.

Mas eis então que um estudo com 210 estudantes universitários publicado no Journal of Personality and Social Psychology com 2 experimentos tenta comprovar essa tese. Em um eles ofereciam uma vela, uma caixa de fósforos e algumas taxinhas pedindo uma tarefa simples para que os sujeitos dispusessem tudo de uma forma a prender a vela sem que a cera derretida caísse no chão. Para surpresa dos pesquisadores 60% dos que moram ou moraram fora contra apenas 42% sem essa experiência souberam solucionar. Em outra tarefa as pessoas tinham que desenhar alienígenas e novamente os que viveram em outro país apresentaram desenhos mais, digamos, criativos.

Outro estudo interessante com 72 americanos morando em seu país e com 36 estrangeiros morando nos EUA tentava avaliar a criatividade em uma situação de negociação. Aos pares eles tinham que chegar a um acordo fazendo o papel de comprador e vendedor de um posto de gasolina. Quando ambos viviam fora, 70% chegaram a um acordo, quando ambos não tinham tido essa experiência, não houve acordo algum! Zero!

Confesso que os experimentos não me convenceram 100% e não é porque vivendo fora você correria maior risco de ter a luz cortada e teria então que apelar para luz de vela. E tampouco no exterior há mais ETs! Aliás, até já disse aqui onde há mais ETs! O ponto é que no estudo há certa divisão de americanos com estrangeiros que pode influenciar, mas não é difícil aceitar que se os benefícios de morar fora forem esses mesmo, apenas cruzar a Ponte da Amizade no Paraguai ou passar alguns dias fazendo sacolão em Miami não seria suficiente! Você teria mesmo é que viver fora!

3 comentário(s):

Alwy disse...

Viver fora deixa as pessoas mais criativas ou as pessoas mais criativas teriam uma tendencia de viver fora para conhecer novas coisas?
Será que o estudo isolou (e me sinto muito nerd dizendo assim) a variavel correta no estudo?

Camila Castro disse...

Achei interessante a perspectiva do seu post. E como você, acredito tanto no RH corporativo quanto em Papai Noel. Mesmo após morando fora por vários anos, em nenhuma entrevista de emprego que tive no Brasil com gente do RH isso foi considerado. Eles fazem a entrevista seguindo o roteirinho padrão, mas se não forem com tua cara, não tem pontuação máxima nenhuma que te fará conseguir o trabalho, e essa é a verdade.

Eo amigo aí de cima disse tudo. Será que a variável correta foi isolada no estudo? Porque, amigo, se a pessoa é burra feito uma porta, morar no exterior não corrige a situação, né Basta ler um pouquinho das comunidades de brasileiros no exterior do Orkut... Cada pérola!!!

Vou colocar seu blog lá no meu bloguinho, curti seus pontos de vista.

Anônimo disse...

tudo combinado

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