Um estudo publicado por professores da Iowa State University põe em cheque a credibilidade e o uso da identificação ocular tão usada pela Suprema Corte Americana. Recentemente Gary Wells e Deah Quinlivan na Law and Human Behavior, um jornal da American Psychology-Law Society, revelaram quão frequente essa injustiça ocorre. Das 224 pessoas nos EUA que foram erroneamente condenadas e depois inocentadas por amostras de DNA, 77% (ou 172) o foram por erros na identificação por testemunha ocular. Ou seja, os erros por esse método é sozinho responsável por mais condenações de inocentes do que todas as outras causas somadas.
Jennifer Thompson tinha 22 anos quando foi estuprada em 1984 e embora sob a terrível experiência ela tomou o cuidado de tentar gravar na sua memória todos os detalhes faciais e a voz do agressor porque se sobrevivesse poderia tentar ajudar na sua captura. Ela não só sobreviveu como identificou Ronald Cotton em pessoa na delegacia e depois ainda com alguma hesitação o reconheceu por foto dias depois
. Em entrevista a uma rádio ela confirmou que essa certeza deu a ela segurança de que havia feito tudo corretamente. Certo? Errado! O inocente Cotton ficou 10 anos e meio preso injustamente até um teste de DNA apontar o grave erro e apontar o culpado Bobby Poole. Mas o mais estranho de como nossa mente funciona está no fato de que mesmo se preocupando em memorizar suas características, na primeira vez que ela viu Bobby Poole na corte, ela estava segura de que nunca o havia visto antes! Ela mesmo sabendo do horrível erro que cometera, admitiu que ainda via Ronald Cotton e não reconhecia o rosto do agressor!Parece uma simplicidade, mas algumas mudanças simples são sugeridas pra que se reduzam esses erros, entre elas: mostrar as fotos das pessoas sequencialmente lembrando à pessoa que o suspeito pode não estar ali e se assegurar que aquele que conduz esse processo não tenha conhecimento de quem é o atual suspeito.
O ponto é que a maioria das delegacias não se preocupa em melhorar este sistema porque nunca ficou claro o tamanho da injustiça que vem sendo feita até então. Se lembrar que alguém pagou caro por um erro já é bastante duro, podemos dobrar o custo desse erro quando lembramos que, com ele, um culpado sai livre do processo.

2 comentário(s):
Seu timing para post está bom. Acabei de ver no Jornal Nacional que aconteceu a mesma coisa com um cara no Paraná.
Um casal foi atacado enquanto fazia uma caminhada na mata. O cara foi assassinado, mas a mulher sobreviveu ao tiro que levou. Depois reconheceu um suspeito que foi preso e condenado e está a sei lá quantos anos na prisão.
Eis que um outro cara é preso por roubo e estupro e confessa o crime anterior. Fazem o teste de balistica com a arma do cara e confere que foi a arma usada no crime.
O mais estranho é que o inocente condenado ainda está preso, só amanhã o advogado dele vai entrar com um pedido de relaxamente de prisão (seja lá o que isso for). Pra que a pressa né?
Deve ter essa notícia por aí, ou mesmo no site do JN, googla aí.
Obrigado, Soneca!
Os meus posts são sempre postados no automático a menos que surja algo mto importante pra eu escrever e tal...
Eu estava no Rio 2a e 3a então nem abri meu blog, ai hj de manhã vendo o Bom Dia Brasil vi a reportagem!! Lembrei na hora do post e qdo abro meus e-mails vejo sua msg!! hahaha
Dei sorte!
Abrax
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