quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Traidor (Traitor)

Os comentaristas de cinema quando têm a chance não deixam escapar a chance dizendo que o pós-11 de Setembro não gerou ainda os bons filmes que a Guerra Fria produziu. Considerando-se o tempo dos 2 períodos, não deixa de ser um pouco injusto. Mas se ainda não há clássicos não acho correto dizer que não foram produzidos alguns filmes interessantes. E foi com essa sensação que saí do cinema após ver a nova estreia que passou quase despercebida pelos jornais locais daqui, ”O Traidor” (Traitor, EUA 2008).

Os especialistas em terrorismo do Oriente Médio costumam enfatizar 2 pontos em especial quando comentam a dificuldade americana (ou do mundo ocidental) em enfrentar esse inimigo. O primeiro é a imensa dificuldade de se infiltrar entre os terroristas em função da enorme barreira cultural (entre os russos e alemães era mais fácil se infiltrar e obviamente ter infiltrados deles entre os seus). O segundo e o grande complicador é o de se enfrentar um inimigo que simplesmente não tem medo de morrer, ausência essa que faz toda a diferença.

E foi pela ideia da barreira cultural que achei interessante o filme “O Traidor”. Pela primeira vez vejo um filme feito com a tentativa de ter alguém de fora dentro da organização terrorista passando-se como mais um radical. Se essa é a melhor alternativa, podemos ver por que é a mais difícil. Não que por isso o filme não tenha seus equívocos e seus incontáveis clichês, mas ele tem seus méritos em nos apresentá-la.

E foi nessa linha também que lançaram ano passado o também interessante “Rede de Mentiras” (Body of Lies, EUA 2008) com a talentosa dupla Leonardo DiCaprio e Russel Crowe. E ainda antes destes 2 filmes tivemos aqueles que para mim representam bem as diferenças de estratégias entre os 2 partidos americanos.

No ótimo “O Reino” (The Kingdom, EUA 2007) teríamos uma visão Republicana de como se deveria combater a Guerra ao Terror e os Democratas estariam mais para o bom “Leões e Cordeiros” (Lions for Lambs, EUA 2007).

Seriam assim esses para mim os 4 filmes para entender melhor essa guerra. E se mesmo assim algumas decisões de guerra ainda lhe parecerem meio inaceitáveis, sugiro ainda a espetacular série Over There” (EUA 2005) que mostrou que os americanos ainda não estão preparados para acompanhar uma guerra em horário nobre na TV, o que levou ao final dela em apenas 13 semanas. Ao final dessa série afirmo que é impossível ver essa guerra com os mesmos olhos.

Você já assistiu algum dos 5? Tem opinião a respeito? Gostaria de ouvi-lo!

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