Uma notícia ganhou importância aqui no Brasil entre tantas outras sobre a Gripe A ou Influenza H1N1, a extinta Gripe Suína. O São Paulo Futebol Clube, time do qual sou torcedor, passou pelas Oitavas de Final da Copa Libertadores de América por desistência dos times mexicanos. Resumindo, havia um impasse de onde seriam realizados os jogos do torneio e o SPFC usando da politicagem bateu o pé e disse que no México não jogaria e por falta de opção os times mexicanos desistiram.
Não quero nem entrar no mérito do ser ou não correto essa insistência, pois acho que todo time o faria. O problema é o precedente aberto pelo motivo contra os times mexicanos.
Números: nos EUA há pouco mais de 3300 casos confirmados com 3 mortes, sendo que essas vítimas estavam também com outras doenças. Para compararmos, 200 mil americanos são hospitalizados todos os anos com a gripe comum. Cerca de 20% da população daquele país contrai a gripe anualmente.
O que é então essa gripe que não uma histeria? A turma da teoria da conspiração diz que foi pressão da indústria farmacêutica, o pessoal que curte Cuba e vive longe de lá entoa vestindo uma camiseta Che Guevara que a culpa é da mídia. Outros que não conhecem os números das empresas fabricantes de máscara dizem que eles patrocinaram o medo mundo afora.
Eu não creio em nada disso, o medo do desconhecido e a possibilidade de uma pandemia terrível ligaram o alerta vermelho mundial, como se isso ajudasse em algo. Digo isso porque já disse, não há máscara que resolva e os hospitais e sistemas de saúde NUNCA absorveriam os doentes em escala planetária já que a vacina ainda não está pronta e a metodologia de sua produção é de forma ainda antiquada.
Houve uma sensação de combate quando não combatíamos nada. O símbolo maior para nós brasileiros foi o Ministro da Saúde da nossa Bananópolis dizendo que éramos o país mais bem preparado do mundo aptos a tratar 8 milhões de doentes. Ele, tal qual seu chefe, vive na Lua, pois deve desconhecer os milhares de casos de Dengue na Bahia.
E onde entra o futebol do México nisso tudo? O ponto é, se o SPFC não aceita jogar no México, por que aceita jogar na violenta Rio de Janeiro onde se mata mais do que Bagdá? A Bahia é hoje a capital brasileira da Dengue, ele jogaria lá onde 90 pessoas morreram de Dengue somente nesse ano? Buenos Aires deve ser uma das capitais mundiais da Dengue, o SPFC jogaria lá? Manaus é a capital da Malária, doença essa que contaminará 500 milhões de pessoas em 2009 e matará outro milhão. O SPFC jogaria lá?
Já disse, sou sãopaulino, mas no país da Tuberculose, da Dengue, da Malária, dos 50 mil assassinatos por ano, há argumento para prejudicar times mexicanos? E se em 2010 eles se recusarem a jogar aqui no Brasil, qual será nosso argumento de defesa?
O SPFC, como se diz no futebol, jogou com o regulamento debaixo dos braços, mas será que os mexicanos terão a acolhida da CONMEBOL no futuro? Está aí um tal precedente perigoso.

2 comentário(s):
Muito bem fez a a Federação Mexicana de desconectar-se da Conmebol, que não a respeitou.
A propósito do tema:
http://turmadoamendoim.wordpress.com/2009/05/08/gripe-das-frangas/ e
http://gianfabricio.blogspot.com/2009/05/pobre-mexico-tan-lejos-de-dios.html
Você falou de várias coisas legais no texto. Pessoalmente, achei que foi de um oportunismo barato a atitude do São Paulo de se recusar a jogar no México – e não aceitar um jogo único em território neutro. Foi falta de companheirismo com os colegas de profissão do México, que também ralaram para conseguir avançar às oitavas do campeonato.
Sobre o problema que gerou esse impasse esportivo, mas de importância mundial, o vírus novo, pra mim, foi tratado da maneira mais coerente que poderia ser tratado. É um vírus novo, que pouco se sabia sobre quando ele surgiu, então, naturalmente, o mundo se assustou um pouco. Até que se descobrisse, basicamente, seus sintomas, conseqüências, enquanto não se sabia até onde ele era perigoso, a OMS e o mundo foram rápidos pra resolver o que deveria ser feito a respeito. Quanto mais ágil essa reação fosse, mais chances de ser eficaz e de reduzir a proliferação do vírus pelo mundo.
Agora, oBrasil, que tem tanta desigualdade econômica e social, não é porque há problemas na saúde ou em qualquer outro setor, que, quando pintar um novo, o governo vai falar: “entra na fila e pega senha. Tô resolvendo outra coisa agora.” Acho que a prova de que o governo mandou bem foi justamente a quantidade de casos confirmados aqui: só 8. Ainda bem!
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