segunda-feira, 4 de maio de 2009

Lavemos todos as mãos! Vocês, médicos, também!

Em 1847 o médico húngaro Ignaz Semmelweis enquanto trabalhava em um hospital em Viena percebeu que os bebês nascidos pelas mãos dos médicos possuíam uma taxa de mortalidade 3 vezes maior do que os nascidos com as parteiras. Por que tal discrepância? Descobriu ele que os médicos vinham diretamente das autópsias sem lavar as mãos, contaminando a todos no parto, mãe e recém-nascido. Depois que Semmelweis fez com que os médicos passassem a lavar as mãos com uma solução anticéptica, a taxa de mortalidade despencou.

A descoberta foi tão drástica para o seu tempo que ela foi ignorada, rejeitada e ridicularizada. Ele foi despedido do tal hospital, execrado pela comunidade médica e acabou mudando-se para Pest. Ele resolveu então comprar uma briga com os obstetras e acabou sendo desacreditado até por sua mulher que achou que ele tivesse ficado louco. Foi enviado para um asilo em 1865 onde morreu apenas duas semanas depois provavelmente por apanhar severamente dos funcionários. O tempo só foi lhe dar razão muito depois na pessoa de Louis Pasteur com sua teoria sobre os Germes.

O problema é que passado todo esse tempo e os médicos ainda lavam as mãos muito menos do que deveriam. O número gira em torno de 40 a 60% das vezes! Seja por arrogância, por falta de praticidade ou por subestimar o número de vezes que o fez, estamos sendo tratados por pessoas que nem sequer lavam as mãos! Nem sequer o estetoscópio!

Mas o que isso tem a nos ensinar além de nunca confiar em médicos, esposas e sempre lavar as mãos?

O assunto lavar as mãos voltou à tona agora com a eminente pandemia da Gripe Suína, assunto que já tratei aqui. Lavar as mãos, higiene básica, parece ser até agora a mais fácil maneira de se evitar a doença. E Obama recentemente com toda sua autoridade médica disse para “lavar as mãos quando cumprimentar alguém e cobrir a boca quando tossir” (Wash your hands when you shake hands, cover your mouth when you cough).

O problema é quando não estamos seguros se lavar as mãos em um banheiro público seja mesmo uma decisão acertada. Primeiro que muitas vezes o sabão é em pedra e assim está muito mais contaminado que um sabonete líquido, por exemplo. Mas estando contaminado ele não seria efetivo? Bom, os 2 estudos feitos apontam que mesmo contaminados, utilizá-los é seguro e eficiente. O problema é quando os 2 estudos em questão são discutíveis do ponto de vista ético por serem patrocinados, pois o primeiro o foi pela Procter & Gamble e o segundo pela Dial Corp.

E aí vem o mais interessante que eu sempre me perguntei... e se a água estiver contaminada ou suja? Pelo que parece por um estudo, ela também não precisa ser livre de impurezas para que o ato de lavar as mãos seja efetivo! Ou seja, seja com sabão sujo, água suja ou os dois, o negócio é: pode (e deve!) lavar sempre!

Se você ainda não sabe “como” fazer, as recomendações são essas aqui! Mas atenção! O mais importante de tudo parece ser o ato de secá-las após lavá-las, o que garante que o número de microorganismos nas mãos realmente caia!

Aposto que você não sabia que isso poderia ser assim tão complexo!


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