sexta-feira, 13 de março de 2009

Sacolas Plásticas - pra quê tantas?

Quando vim para a Europa pela primeira vez em 2006 achei estranho que ninguém pegasse sacola plástica enquanto estava na fila de um supermercado na Itália. Chegou minha vez, me ofereceram, eu aceitei e depois vi na nota fiscal discriminado o valor de 5 centavos cobrados por ela.

Espanha e Itália até 2006 não tinham legislação que regulamentasse a cobrança de sacolinhas plásticas. Algumas lojas/mercados cobravam, outros não. Na Irlanda é diferente, pois todo estabelecimento é por lei obrigado a cobrar 27 centavos sem direito a qualquer promoção para dedução desse valor. Nem mais nem menos, 27 centavos. Resultado? Quase extinção do hábito no uso delas. Hoje é mais provável que você veja muitos consumidores já com suas sacolas de pano ou de plástico mais resistentes que duram muito mais tempo. É só parar em frente a um caixa qualquer e verá quão poucas pessoas pagam por essa comodidade.

Eu sou extremamente cético com a efetividade da balela que é campanha para gasto consciente de recursos naturais. É tão efetivo quanto passeata pela paz sem você sequer ter o direito de dar uns tabefes no maconheiro hipócrita. A única maneira de convencer o cidadão é mesmo pela sua região sensível, o bolso. Sinto dizer, quase ninguém reutiliza uma toalha antes de lavar para preservar o habitat de um urso panda. O indivíduo reutiliza porque há dinheiro ou estímulo financeiro para isso. Você só para de lavar o carro com esguicho por horas quando chega a conta de água. Pra que saiba, as estatísticas dizem que a SABESP, a mais eficiente entre seus pares no Brasil, perde até 50% da água tratada em vazamentos sendo que boa parte disso é onde ela não tem jurisdição, a sua casa. Sabe quando isso vai reduzir? Enquanto a água brasileira, mesmo sendo uma das melhores do mundo, for também a mais barata, não creio que será num curto prazo.

Repito, a melhor estratégia de educação ambiental é a mordida no bolso (ou a ameaça dela)! Que me provem o contrário!

O Marcos, um leitor que se mudou para o Canadá, perguntou o que eu acho sobre essa ideia de se cobrar por sacolas. Bom, quando estava em Berlim dias atrás, vi uma senhora na minha frente na fila do supermercado que ao pagar pela água, pilhas e cervejas entregou à atendente as garrafas e pilhas velhas para ter desconto na compra dos novos. Veja bem, ela não carregou aquela sacola porque se preocupa com a camada de ozônio, apesar de muitos fazerem isso, ela levou tudo aquilo porque recebeu dinheiro pra isso. O alemão ama tanto a natureza quanto o brasileiro ou o irlandês. Você é meio tonto ou ingênuo se acha que índio viva em harmonia com a mãe natureza. Índio vivia era parado no tempo. O que defendo é que até em questões de sobrevivência (afinal o planeta é mesmo nossa moradia) temos que ver as relações do ponto de vista de incentivos econômicos. Sim! Dinheiro! Direto ou indireto.

Vamos passar a ter menos sacolas boiando nos rios e entupindo nossos bueiros quando elas tiverem um preço e passarem a ser menos consumidas e melhor aproveitadas. As garrafas PET não farão mais ilhas artificiais pelos rios e serão recicladas quando o cidadão comum dar o correto destino porque ganhará pra isso, ou você acha que catador de latinha de alumínio faz isso por hobby?

Mas ele, o Marcos, me perguntava também sob o ponto de vista estratégico.
Essa sacola é também custo para o empresário. Para aqueles supermercados que fisgam ou tentam fisgar seu cliente pelo preço mais baixo, cortar esse custo possibilita preços mais baixos, mas mais do que isso, passa a mensagem para o consumidor que ele está tentando fazer esse corte de preços e dá a opção dele consumidor de fazer compras (ainda) mais baratas trazendo sua própria sacola. Já os supermercados que têm outro público disposto a gastar mais dinheiro, oferece a sacola sem cobrar discriminadamente como uma extensão desse seu serviço diferenciado.

Aqui na Irlanda isso não é possível. No Canadá, Itália e Espanha, sim. Mas infelizmente no Brasil o setor carece tanto de fiscalização (como todos os outros setores) dos pequenos concorrentes que ainda está por vir o dia em que teremos uma lei no sentido que busque reduzir a farra de sacolas. Mas pela sujeira de nossas calçadas, pelos nossos desmatamentos sem controle e tráfico de animais silvestres, digamos que não está na pauta do dia como uma das preocupações do brasileiro ou de seus representantes na administração pública.

3 comentário(s):

msanches disse...

Olá Danilo!

Pois é... Mas eu percebo que a galera aqui pensa mais no meio ambiente do que no Brasil. Mesmos nos mercados onde não cobram vc vê fácil gente com sua própria sacola e o mercado ainda vende muitas sacolas dessas resistentes, mesmo sem cobrar pela de plástico. Mas ainda assim não acho que um canadense danifique menos o meio ambiente do que um brasileiro por causa do mais alto padrão de vida daqui.

Esses dias um cliente queria medir a visibilidade dessas sacolas resistentes, tipo, o retorno de se colocar propaganda nelas. É interessante, principalmente que aqui se fala em se tornar obrigatório a cobrança pela sacola de plástico.

Eu lembro que na década de 80, nos supermercados, eles empacotavam as coisas com aqueles sacos de papel. Era horrível para carregar... mas poluíamos menos nesse sentido...

Danilo Balu disse...

Fala Marcos!

Eu não tenho dúvidas que o Canadense trata a natureza melhor do que o brasileiro. Nesse pto a educação tem um peso fundamental. Mas apenas esse "cuidar" não é o suficiente. A educação faz a pessoa reciclar mais, jogar menos lixo nas rus e por aí vai. Mas o Canadá tem leis que as pessoas cumprem e leis que TÊM que cumprir. Essa é a principal diferença! A Educação ajuda, sim! E MTO! Mas ela sozinha não resolve, infelizmente.

Lembro bem dos pacotes dos anos 80. O que aconteceu foi que o processo do plástico para sacolas se barateou, o papel tinha suas desvantagens e aí foi tudo questão de tempo. Esyava lendo um outro artigo esses dias que mostrava que infelizmente essas sacolas de papel não são assim TÃO melhores. Aliás, se vc reutiliza algumas vezes a sacolinha de plástico, ela é até melhor. N verdade o problma que o estudo não levava em conta é o destino que a pessoa dá. No Brasil podemos jogar na rua na frente de um guarda, nos países do 1o mundo não.

Abrax
Balu

saco é um saco disse...

Exelente post, Danilo !
Concordo plenamente com você que nós brasileiros, inclusive, as vezes me incluo nisso, não damos o devido valor para os nosso serviços ambientais. Somo " portadores " de uma natureza explendida que nos consede diversas dadivas. Infelizmente, insistimos em degrada e poluir sem pensar no amanhã.
Na maioria das vezes, o viés financeiro se sobrepoem ao ecológico. Contudo, penso que não importa a maneira com que é feita, se paradigmas estão sendo convertidos em mentes que possuem uma maior " pegada ecológica", já é de grande valia.
Todos nós temos que atentar pro fato das sacolas serem de fato um problema pro meio ambiente. Temos que começar a procurar novas maneiras para que possamos aboli-las do nosso cotidiano, tendo em vista que já foi provado que elas tem um enorme impacto na biota terrestre e aquatica. Além das Eco-Bags, tem as sacolas com oxi-biodegradáveis, que em até 5 anos já foram consumidas pelo meio.
Continue nesse caminho da conscientização!

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