quarta-feira, 4 de março de 2009

Da Série – Melhores discursos da história do cinema – parte 10

ou o porquê Al Pacino é mesmo um cara especial.

Ah o Al Pacino... ele é O cara! Ele é um dos poucos atores que me levam ao cinema não importando filme e enredo. A saber os “poucos” nomes: Al Pacino, Robert De Niro, Sean Connery, Tom Hanks, Denzel Washington, Will Smith, Nicolas Cage, Kevin Spacey, Edward Norton, Sean Penn e Jamie Foxx. Óbvio que algum nome pode ter escapado e é fato também que vejo a outros muito bons atores quando escolhem bem seus roteiros. Mas esses atores citados eu vejo de qualquer jeito!

Eu poderia citar aqui incontáveis papéis antológicos do Al Pacino e mesmo assim cometeria equívocos deixando algum sem citar. Mas vou aqui tomar a liberdade de lembrar que ele foi talvez o (alerta SPOILER) diabo mais assustador que vi no cinema no muito bom “Advogado do Diabo” (The Devil's Advocate, 1997 EUA). Alguns dos diálogos dele com o competente Keanu Reeves valem a visita!

Outro diálogo imperdível se passa no espetacular “Fogo contra Fogo” (Heat, 1995 EUA). O que há de especial nele? Pegue um filme de ação - mas tem que ser dos bons! -, coloque 2 dos maiores atores da história do cinema (Al Pacino e De Niro), coloque uma promessa-Val-Kilmer-que-não-vingou, faça uma das melhores cenas de tiroteio sem edição, cortes e tomadas que possa existir, coloque tudo em 3h00 eletrizantes de filme e pronto! Ainda nada de especial? E se essa cena do diálogo no restaurante for a ÚNICA protagonizada pelos 2 juntos em todas as quase 3h do filme? Acredite, veja o filme e entenderá que essa cena é especial! Eu inclusive costumo dizer que ela me lembra o mundial de F-1 de 1997 porque naquele ano, salvo ledo engano, foi a primeira vez que os 2 pilotos que disputavam diretamente o título (Michael Schumacher x Jacques Villeneuve) não protagonizaram até a última corrida NENHUMA disputa direta por posição! Isso ficou reservado para o final com a sujeira do Dick Vigarista alemão.

Além do diálogo com De Niro e o outro com Reeves, não é difícil que lembrem outra cena clássica do Al Pacino: seu famoso discurso em “Perfume de Mulher” (Scent of a Woman, 1992 EUA). E que eu queime no inferno (e lá visite o diabo Al Pacino), mas no papel do Tenente-Coronel Frank Slade que lhe rendeu até hoje seu único Oscar (após 7 indicações frustradas), não vejo nada de muito emocionante nesse discurso.

Não sei, acho que hoje já não me rendo muito a papéis de pessoas “especiais”. É até de certa forma injusto com ele que ele tenha sido laureado justamente e somente quando interpretou um cego. Não à toa torci MUITO por um dos meus ídolos, Denzel Washington, no ano de 2001 quando disputou com o excelente Russell Crowe o Oscar de melhor Ator pelo filme “Dia de Treinamento” (Training Day, 2001 EUA). Com toda a admiração que tenho pelo Gladiador Crowe, a homenagem a Nash já foi feita, o discurso dele recebendo o Nobel foi de chorar, mas no papel de um esquizofrênico, que me entendam bem, exige menos do que Washington fez.

Mas chego é em outra magistral cena de Al Pacino no mesmo filme. O Tango é um ritmo que fala por si só. Temos que admitir que musicalmente ele é mais reconhecido e mais refinado que nosso samba. Quando falamos em Brasil na Europa sempre lembram do samba, mas eles não sabem diferenciar o samba do pagode, da rumba, da salsa, da lambada ou do som de uma caixa de fósforo. Agora quero ver você ouvir aqui “Por una cabeza” e:

1. não se emocionar;
2. não saber que é um Tango;
3. não se lembrar dos Argentinos.

Isso o samba infelizmente não possui...

E foi também ao som de “Por una Cabeza” que o atual Governator da Califórnia, Arnold Schwazenegger, dançou Tango com Tia Carrere e com a Jamie Lee Curtis? Foi! Assista ao engraçadíssimo "True Lies" (EUA 1994), filme que desenterrou Jamie Lee Curtis e feito na época em que a mania do politicamente-correto ainda não impedia que terrorista fossem todos retratados como sendo árabes. Veja e duvido que não dê risadas com o Governator de cavalo no elevador ou então dopado matando terroristas.

Voltando, foi também ao som de “Por una Cabeza” que foi feita uma das melhores cenas de dança do cinema. Al Pacino dançando nessa cena é de arrepiar! O diálogo com o garoto, o flerte, o conselho de vida, a música, a dança... tudo! Espetacular! E lendo meu amigo Rodolfo Araújo descobri qual filme ela acabou fazendo depois desse.

E aí chego onde comecei, o discurso! O futebol americano e o basquete são de longe os esportes coletivos mais bem filmados do cinema. A paixão dos americanos por eles explica boa parte. Poderia listar filmes e filmes, como já fiz. E um dos melhores do gênero que vi foi sem dúvida alguma “Um Domingo Qualquer” (Any Given Sunday, EUA 1999) de Oliver Stone. O diretor faz às vezes o papel de idiota? Sem dúvida! E vem piorando da doença, mas com Esporte ele não conseguiu ser chato. Tanto é que já na parte final do filme ele gravou a cena em que o treinador principal do time, Tony D'Amato (Al Pacino), fizesse uma preleção para um time de craques composto entre outros por Jamie Foxx e Dennis Quaid.

O discurso é um dos melhores que já vi no cinema esportivo. É verdade que o Esporte e a Política proporcionam grandes chances, mas não tira o mérito. É comum, treinadores/atletas criarem paralelos entre o campo e a vida. E Al Pacino foi extremamente feliz nisso!

A ver:

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Tony D'Amato: I don’t know what to say, really. Three minutes to the biggest battle of our professional lives. All comes down to today, and either, we heal as a team, or we're gonna crumble. Inch by inch, play by play. Until we're finished. We're in hell right now, gentlemen. Believe me. And, we can stay here, get the shit kicked out of us, or we can fight our way back into the light. We can climb outta hell... one inch at a time. Now I can't do it for ya, I'm too old. I look around, I see these young faces and I think, I mean, I've made every wrong choice a middle-aged man can make. I, uh, I've pissed away all my money, believe it or not. I chased off anyone who's ever loved me. And lately, I can't even stand the face I see in the mirror. You know, when you get old, in life, things get taken from you. I mean, that's... that's... that's a part of life. But, you only learn that when you start losin' stuff. You find out life's this game of inches, so is football. Because in either game - life or football - the margin for error is so small. I mean, one half a step too late or too early and you don't quite make it. One half second too slow, too fast and you don't quite catch it. The inches we need are everywhere around us. They're in every break of the game, every minute, every second. On this team we fight for that inch. On this team we tear ourselves and everyone else around us to pieces for that inch. We claw with our fingernails for that inch. Because we know when add up all those inches, that's gonna make the fucking difference between winning and losing! Between living and dying! I'll tell you this, in any fight it's the guy whose willing to die whose gonna win that inch. And I know, if I'm gonna have any life anymore it's because I'm still willing to fight and die for that inch, because that's what living is, the six inches in front of your face. Now I can't make you do it. You've got to look at the guy next to you, look into his eyes. Now I think ya going to see a guy who will go that inch with you. Your gonna see a guy who will sacrifice himself for this team, because he knows when it comes down to it your gonna do the same for him. That's a team, gentlemen, and either, we heal, now, as a team, or we will die as individuals. That's football guys, that's all it is. Now, what are you gonna do?


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