segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Dá-lhe Buzina!


Eu sou um cara chato, eu sei. Até meus amigos mais próximos dizem isso. Chato no sentido de cricri que pega no pé de tudo, entenda-se. E se você até hoje não me acha um cara chato é porque nunca andou de carona comigo dirigindo um carro. Não faz sentido? Não é nada pessoal, mas dentro do carro meu melhor amigo é a buzina e só depois vem o(s) carona(s).

Vou contar um causo. Estava indo dar treino quando alguém estava demasiadamente lento na rua e eu bem próximo de minha vaga para estacionar não pensei duas vezes. Me aproximei rápido já buzinando, fiz a baliza buzinando (sim! Acredite! Tenho prática excelente pra isso!) e de repente minha buzina quebra. Ficou afônica tadinha... Justo ela que trabalhava em turnos de 7 por 24. E eu gostava tanto dela porque não era muito alta e então podia usá-la sem descanso. A do Celta, por exemplo, é muito forte e então não consigo usar sem parar.

Depois de dar esse treino voltei para casa e por várias vezes no impulso esmurrava o volante tentando acionar a buzina que já não funcionava. É um movimento natural, automatizado. No Celta (sempre ele!) eu demorava pra buzinar porque ela não fica no volante, mas ao lado. Já no Palio... Ah no Palio...

Impaciente com poucas horas sem buzina que já pareciam uma eternidade, paro na oficina perto de casa, entro e já falo para o mecânico:

- Adamasflor, estou com um problema muito muito muito sério no carro. Não dá para andar assim.

No que ele me responde preocupado:

- Algo no motor? Nos freios?
- Não. Estou sem buzina! Assim não dá!

Pois bem, dia desses estava lendo um artigo bem legal sobre esse acessório obrigatório para o bom cidadão. Ele falava sobre as implicações do seu uso nas grandes cidades e no trânsito cada dia mais caótico. Descobri por exemplo qual é o buzinador típico: ele é homem, buzina mais no calor do que no frio, mais na cidade do que no campo, o faz mais vezes quando está no anonimato e também depende do tamanho do carro. Me encaixo perfeitamente!

Daí não demora muito para você pensar: "que bom que o tal buzinador típico quebrou a buzina dele, pois é um FDP a menos nas ruas buzinando sem parar." Certo? Errado! Estou mais do que certo que naquele dia sem carro o trânsito de SP piorou. Sabe por quê? Costumo dizer que eu e minha buzina somos 2 disciplinadores do trânsito paulistano. Temos uma função social! Não demora muito para o engraçadinho cochichar: então eles não estão fazendo um trabalho muito bem feito...

Não é verdade! A batalha é longa e árdua! Há muita gente pelas ruas precisando ser educada e condicionada pelo som dela. SP é uma metrópole, há muito serviço a ser feito, todos sabemos. Então faço com orgulho o que me cabe e não recomendo que o façam sem árduo estudo e treinamento. Para os iniciantes recomendo que deem uma olhada nesse guia de como usar a buzina da maneira mais segura e correta.

E tenho comigo 3 amigos na tal missão: o Dante Compagno, o Muli e o Ricardo Pinto. Mas tenho também outros amigos que não gostam e se irritam. Mal agradecidos! Um deles é minha amiga Carla Monteiro. Outro é meu amigo Fabrizio Xuxa. Esse se irrita ainda mais. Algumas vezes andando no carro dele eu não entendia como ele podia ser tão calmo. Então quando alguém fazia alguma manobra que nos prejudicasse ou me irritasse eu buzinava enquanto ELE dirigia o carro DELE. Obviamente nem preciso dizer que o garotão surtava. Mas eu não parava! Minha missão é muito maior! E isso não impede que hoje sejamos ainda grandes amigos e o trânsito menos pior.

Você acha exagero buzinar enquanto estava de carona? Pois saiba que buzino também em solidariedade ou quando vejo outra pessoa mesmo em outra pista sendo desrespeitada sem fazer nada. Mas em compensação não buzino de manhã, nem de madrugada nem fora de SP nem quando o trânsito está parado por excesso de veículos. Mas buzino sempre quando um egoísta quer levar vantagem na outra pista.

Fico comigo aqui pensando como seria se sairia de casa no “Dia sem Buzina” como existe na Índia. Ou então penso se aguentaria viver em uma cidade onde ela foi banida, como Shangai. Se não gostam da minha amiga, em solidariedade não posso concordar!

Mas o que mais descobri lendo sobre o hábito de buzinar (do qual admito minha dependência) é que ela a princípio foi inventada por questões de segurança. Até aí tudo bem. Mas vem então um especialista em acidentes de trânsito que intrigado com quantos acidentes ela poderia realmente evitar e em um belo estudo descobre alguns detalhes muito interessantes! Jeffrey Muttart descobriu que elas não reduzem acidentes por alguns motivos. Um deles é que não manobramos enquanto buzinamos. Ele nunca me viu fazendo baliza. Muito sério! Segundo que ele percebeu que não usamos a buzina ANTES do acidente, mas a usamos para criticar a manobra de alguém ou somente APÓS o perigo ter passado! Um exemplo claro é quando buzinamos meio que pra dizer: “bom, vou te atropelar... não tem jeito...”

Para Muttart claramente usamos a buzina mais como uma maneira de chamar a atenção de alguém na forma de bronca do que como recurso de segurança no trânsito. Ei! Pode parar! Esse aí sou eu! Olá, Muttart! Prazer em conhecê-lo! Você sabe muito sobre minha pessoa sem nem nunca termos nos falado! E estou certo que não estou sozinho nessa, não é?

7 comentário(s):

CÃO disse...

Esse Muttart deveria conhecer o Rio de Janeiro, aqui eu ouço bem menos buzina em São Paulo, enquanto concordo que ela deveria de ser usada em demasia com a função de educar esses bárbaros no trânsito. No Rio de Janeiro não é necessário usar seta, se um carro enfiar o bico do carro na sua frente é porque ele quer virar. Se voce vir um taxi parado no meio da rua, eles presumem que você já conhece que taxis param em qualquer lugar mesmo. Onibus por vezes não respeitam semáforo, vale a lei do mais forte, afinal são a vida de 90 pessoas contra a sua. Mas há motoristas educados, porém o Rio é o Rio, o que não presta sempre prevalece sobre os bons costumes. Vide tráfico de drogas, os malandros...

Abraço

Rodrigo, o Soneca, Pontes disse...

"Assessório", Balu??

hahahaha

Danilo Balu disse...

hahahaha Valeu, Soneca! Devidamente corrigido! Odeio tanto isso que entrei aqui de malta pra fazer a edicao. Vou pedir pro Papai Noel o Word com corretor ortografico pra evitar essas barbeiragens.
Abrax
p.s.: NAO que seja desculpa, uso a porcaria do OpenOffice com corretor portugues de Portugal...

++ Rodolfo Araújo ++ disse...

Ei, CÃO, quando li o início do seu post achei que ia economizar o meu. Eu sou carioca e moro em SP há três anos. O trânsito do Rio é, realmente, algo selvagem. No início, meus amigos aqui em SP me perguntavam por que eu buzinava tanto.

Depois que me eduquei mais - ou deseduquei, segundo o Balu - percebi que aqui as pessoas não buzinavam tanto assim (porque o Balu já tá morando fora faz tempo).

Muito interessante isso de a buzina não evitar acidentes, mas entendo bem o ponto-de-vista do Balu, de usá-la preventivamente. Faz todo sentido, desde que você tenha um bom senso de antecipação do que vai acontecer.

Só tem duas coisas que eu não economizo buzina: aquele malandrão que para no meio da rua enquanto a mãe vai comprar pão, ou a dondoca está só esperando o filho que já está vindo e o tal do atravessador de rua. Ninguém tem o direito de parar o trânsito por sua preguiça. Nessas ocasiões, a mão cola na buzina e só sai quando o (meu) carro se move. O pior é que nessas horas os pedestres (quando mais, melhor) ficam irritadas comigo, não com o o real causador do problema.

Já o atravessador de rua difere do pedestre comum, porque acha que o outro lado da calçada confere-lhe poderes mágicos! Fica rápido e ágil como o Jardel Gregório, e invisível como o Marco Maciel de lado. Seu esporte favorito é sair em desabalada carreira assim que o sinal... ABRE! Sempre brinco com o carona que eu tenho direito de atropelar um cara desses...

Danilo Balu disse...

Rodolfo, esqueci de colocar no post, mas um amigo diz que a menor medida de tempo possível existente na Física é o tempo entre a luz verde e o som de buzinas no Rio. Confesso que estou de acordo!
Nesse caso de dondoca e folgado em fila-dupla eu travo minha mão na buzina... o efeito é que geralmente a pessoa fica indignada e revoltada... comigo! hahahahaha e eu me divirto!
Agora pedestre na faixa eu respeito 100%! Fora dela, brinco de freeway, aquele jogo das galinhas do Atari... vou perseguindo mesmo!
Abrax

Harry disse...

Poxa,
É porisso que gosto de voce...também acho buzina fundamental!
Abs
Harry

Anônimo disse...

Ao pensar na suposta educação aos outros motoristas, parece que vc se esqueceu de uma coisa: os moradores dos locais por onde vc passa buzinando. Vc e tantos outros... Os moradores podem ser pessoas como eu, tentando estudar, ler, assistir um filme, ou apenas descansar em paz depois de uma semana cheia de trabalho... Ou podem ser velhinhos, doentes, bebês... Enfim... Espero que parem para pensar nisso! Até...

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