sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O que o jornal da sua região tem a ver com o seu voto....

Entre outras coisas são 3 os princípios básicos que norteiam uma Democracia: Liberdade de Imprensa, alternância no poder e Independência dos 3 Poderes. A experiência nos mostra ao longo de toda a história que não existe Democracia sem esses 3 pilares. Alguns tentam nos vender a idéia de que o Socialismo (ou qualquer uma de suas variantes) nos traria o paraíso com um Socialismo moderno que poderia ser dotado de Liberdade de Imprensa e Liberdade de Expressão. Não foi isso que se viu até aqui, mas a insistência no tema persiste. Os teóricos sempre apontam a incoerência do discurso, mas eis que aparece aquele que me parece ser o primeiro estudo científico que relaciona a força da imprensa escrita local com um trabalho mais árduo por parte dos congressistas.

Seus autores David Stromberg e James M. Snyder Jr encontraram que em distritos com jornais com cobertura política mais forte e/ou agressiva fazia os políticos locais trabalharem mais arduamente para representar os desejos dos eleitores locais.

O estudo fica ainda mais claro quando comparado com distritos com imprensa escrita mais fraca que possui, assim, políticos mais “desinteressados”. E mesmo em cidades grandes, onde o mesmo jornal cobre diversas regiões e distritos de uma forma mais impessoal, você vê o mesmo resultado de um trabalho político menos participativo e mais superficial.

O estudo mostra que em locais onde poucos eleitores sequer lembram em quem votou nas últimas eleições se vê reduzida a responsabilidade por parte do congressista em cumprir com a demanda de seu eleitorado.

Um economista em artigo avaliando o estudo pergunta se sabendo-se que o número de venda de mídia impressa está em notável declínio, isso resultaria em uma classe política (ainda) pior?

Bom, ao mesmo tempo que ela está em declínio, temos que lembrar que hoje temos nas democracias um acesso à informação muito maior e melhor. Mas nem foi isso que me levou a escrever aqui. Se a História nos mostra que a Imprensa precisa de liberdade total para legitimar um ambiente democrático e se agora vem um estudo mostrar o que se sabia na prática, qual será a justificativa de pessoas como nosso atual Ministro da Justiça (Tarso Genro) para querer limitar a liberdade dela em nosso país. Qual a justificativa??

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quem ri mais? Liberais? Conservadores? Por quê??


Em um artigo interessante que li o autor fez uma pesquisa no mínimo interessante e diferente sobre humor relacionando isso com as convicções políticas das pessoas que foram divididas em Conservadores e Liberais. Quem teria mais senso de humor?

Segundo o autor, o senso comum cria o esteriótipo do Liberal ligando este a palavras como mente-aberta, tolerante e imparcial. Já os Conservadores são geralmente taxados de tradicionalistas e com valores convencionais. Sendo assim, poderíamos esperar que os Liberais apreciem com mais humor (entenda-se risadas) as piadas se comparado aos Conservadores, certo? Mas foi isso o que aconteceu?

A pesquisa utilizou 285 indivíduos em locais públicos em Boston pedindo que eles respondessem algumas questões sobre visão política e também avaliassem com notas 22 piadas tipicamente americanas. Eram 7 as categorias, dentre elas: raça, religião, golfe (?!?), emprego, casamento e família.

O resultado quanto às piadas mostrou os Conservadores dando notas maiores. Para o autor isso seria um sinal de que, ao menos no que diz respeito ao humor, eles não seriam assim tão tradicionalistas quanto possa ser atribuído pelo esteriótipo, pois riram mais.

Eu vou um pouco mais longe na análise disso. Como há uma divisão apenas superficial das crenças políticas, você não pode saber o quanto temos de uma visão por parte dos pesquisados no que diga respeito a preconceito, por exemplo. Algumas piadas, se você dominar razoavelmente o inglês, poderá ver que são de um teor às vezes politicamente-incorreto. Não posso dizer que seja preconceito ou racismo, digo apenas “no limite do que pode ser uma piada“. Nada perto do que a Atlética da Escola Paulista de Medicina fez.

Então, seguindo essa linha, porque não dizer que os Conservadores riram mais justamente por não terem uma preocupação de serem politicamente-corretos como os Liberais tentam parecer e tentam ser? No primeiro momento em que li, eu achei que os Liberais realmente iriam rir menos porque se sentiriam incomodados com o teor às vezes beirando o agressivo com que falam de religião, cor e mulher.

Será que foi isso mesmo?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

4a feira a 4 mãos - convidado: Rodolfo Araújo

por Rodolfo Araújo
Encontrei uma discussão bastante interessante no site da NPR (National Public Radio) sobre uma recente inovação no futebol americano. Acontece que, nesse esporte, apenas alguns jogadores selecionados podem receber os lançamentos do quarterback, algo como o armador do jogo. Mal-comparando com o nosso futebol (o soccer deles), seria algo tão surreal como permitir que somente os centro-avantes possam fazer gols. A regra que restringe isso estabelece que cinco atacantes são elegíveis a receber o passe e devem usar uma numeração específica (1 a 49 e 80 a 99).
Pois eis que, não menos que de repente, Kurt Bryan, técnico de um desconhecido time universitário encontrou uma brecha na regra e decidiu partir para cima com tudo. Como não há, na regra universitária, uma proibição explícita, ele colocou todos os seus jogadores com números de atacantes e organizou-os de acordo. Isso significa dizer que, em vez dos três ou quatro tradicionais, o time pode contar com onze pontuadores.
Com o recém-batizado esquema A-11, a limitada equipe do Piedmont High começou a deixar adversários considerados mais fortes completamente atônitos durante as partidas. Em vez de se amontoarem numa determinada parte do campo, seus jogadores espalhavam-se confundindo os marcadores, deixando-os perdidos. Os times rivais não sabiam de onde vinha a bola em mais da metade das jogadas e, normalmente, levavam um período inteiro para descobrir o que estava acontecendo.

Da idéia original aos seus primeiros sucessos, Bryan precisou consultar alguns experts em regras do jogo (a tática é proibida na NFL e permitida em 40 Estados em competições universitárias) e seu time levou algumas surras antes de encontrar o equilíbrio ideal: o A-11 é usado, hoje, em 80-90% do jogo - o que confunde ainda mais o adversário.

O que antes era uma dúvida - já que Bryan não sabia se seria um tremendo sucesso ou um retumbante fracasso - transformou-se na sensação da temporada de 2007. E também acendeu uma acalorada polêmica, pois muitos puristas do esporte ainda estão torcendo seus narizes.
***
Nas recentes Olimpíadas de Pequim assistimos à pulverização de diversos recordes devido a evoluções tecnológicas –nas pistas (calçados mais leves) e nas piscinas (maiôs com menor resistência), além do predomínio nas quadras das equipes que contam com o apoio da tecnologia para uma melhor preparação. Fora alguns assombros físicos individuais, como Usain Bolt, as melhoras nos esportes têm sido incrementais.
Um bom exemplo de uma inovação radical nos esportes foi dado por Dick Fosbury, o primeiro atleta a entrar meio de lado, meio de costas no salto em altura. Antes da sua revolucionária pirueta, saltava-se o sarrafo de frente. No início da década de 1960, numa competição estudantil em Medford, Oregon, o jovem Fosbury apresentou sua desengonçada técnica. Embora seus treinadores tentassem dissuadí-lo de sua idéia, ele seguiu adiante para, diante de 80.000 espectadores, ganhar a medalha de ouro e bater o recorde olímpico nas Olimpíadas do México, em 1968. Quatro anos depois, 28 dos 40 saltadores em Munique copiavam sua técnica.

De volta às das inovações táticas, o mundo todo assistou deslumbrado ao futebol total jogado pela seleção holandesa na Copa do Mundo da Alemanha, em 1974. No time dirigido por Rinus Michels e comandado em campo por Johann Cruyff, os jogadores eram atletas solidários que trocavam de posição em campo conforme exigia a posição girando em torno do que ficou conhecido como Laranja Mecânica, pela cor de seu uniforme e precisão nos seus passes. Apesar de perderem a final para os anfitriões, os holandeses apresentaram ao mundo uma nova era no esporte bretão.

Regras como a do futebol americano limitam as possibilidades táticas dos times e reduzem as combinações de ataque e defesa. Uma inovação que revoluciona um esporte assemelha-se com sua reinvenção, seu recomeço. Saltar o sarrafo de frente é praticamente uma nova modalidade. Dois quarterbacks (ah é, esqueci de contar esse outro detalhe do A-11) lançando para nove atacantes pode ter diversos finais. O lateral-direito tabelar com o ponta-esquerda desmonta qualquer retranca. E é aí que está a beleza do esporte, onde o mais forte ganha do mais fraco, e o mais esperto ganha do mais forte.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Recomendação e nova série...


Querido leitor, nunca escondi, mas também nunca fiz questão de dizer que este espaço é feito por mim que acabo sempre escrevendo alguns dos assuntos que mais gosto. Por ele ser meu, posso escrever sobre o que achar direito. É assim que funciona em qualquer ambiente particular. Ou deveria...

Sou daqueles que adora ler (muito) e sair pesquisando diferentes autores e assuntos com uma mania de ler mais aquilo com o qual concordo, óbvio. E leio, como disse, também sobre aquilo que não entendo. Mas tenho sempre a minha linha.

Outra verdade é que estou gostando de escrever um blog, tem me ensinado algumas coisas e tenho aprendido bastante. Parte da licão de casa é ler vários outros blogs, sites e autores (que faço religiosamente pelo RSS). Disso surgiu a idéia que é a de convidar para escrever neste espaço alguns amigos blogueiros. Todos eles são amigos com os quais tenho a liberdade de convidar e cobrar caso passem o deadline. Rsrsrs

A partir de amanhã vocês serão apresentados a mais uma série que vou chamar de “4a a 4 mãos”. A cada semana por tempo indeterminado vocês lerão na íntegra um texto inédito que será feito por cada um deles. O tema é 100% livre, mas assim como o Robocop, também temos aqui nossa 4a diretriz secreta que impede que o blog atente contra o próprio, então nada de falar mal de mim ou defender aquilo que condeno. Mas veja bem, as pessoas convidadas não necessariamente concordam 100% comigo e vice-versa, mas temos muitos pontos em comum, o que enriquece o debate.

Amanhã começaremos com o Rodolfo Araújo. Ele é o único que não conheço pessoalmente. Foi por uma dessas coincidências da vida que ele acabou caindo no meu blog após ler um livro em comum (*mais pessoas “caem” aqui do que eu esperava e muito mais do que vocês possam imaginar). De lá pra cá viemos sempre trocando e-mails sobre os artigos um do outro. Fica então aqui o meu convite pra que você visite o muito interessante blog dele. Pensei em recomendar alguns posts em especial, mas desisti porque são vários muito legais!

Ixi... já desisti de não citar! Entre lá agora mesmo! Tem post sobre eleição em SP, sobre motivação, comportamento/atitude, voto obrigatório, estudo da maldade, retrato de nossa educação, sobre ambiente competitivo, sobre a roubalheira do PAN do Rio, post originado por post meu, crítica de (bom) livro e crítica do filme novo do Batman depois de ler aquele que é talvez o meu melhor post até hoje em minha opinião. E com certeza irá ainda encontrar outros posts também muito interessantes!

Apareçam amanhã aqui!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Por que não comercializar órgãos??

Quando falamos sobre doação e comércio de órgãos nunca havia pensado por uma outra esfera. Lendo um artigo fui apresentado ao seguinte raciocínio: imagine uma pessoa que você ama muito (marido, esposa, parente...) e coloque agora um estranho que aceita uma aposta, na verdade um risco, de que se essa pessoa amada morrer prematuramente, você ganha alguns milhares ou milhões de dólares. Pois bem, seja bem-vindo então ao seguro de vida!

Por que isso não é tão ultrajante, mas se falamos de venda de órgãos a coisa vira uma discussão interminável? Qual o problema de envolvermos dinheiro se na mesa de operação só o doador não recebe? Ou você acha que médicos, hospitais, enfermeiras, companhias farmacêuticas e toda equipe trabalham de graça em nome do altruísmo?

Resolvi escrever sobre esse tema depois de uma discussão acalorada em uma aula quando uma garota e um vermelhinho defendiam a manutenção da proibição do comércio de órgãos com aquela balela de que os “pobres seriam explorados pelos ricos”. Quase tenho uma síncope toda vez que ouço esse tipo de argumento barato. Ainda segundo os 2, os pobres não saberiam se defender ou fazer uma escolha adequada. Já reparou que essa gente quer SEMPRE fazer a escolha POR você e dizer qual a melhor opção PARA você?

Você tem TODO o direito de ser contra por uma questão de princípios ou religiosos, mas àqueles que não se ofendem com os tais princípios e pensam de uma forma mais lógica, longe de dizer que isso seja melhor, gostaria de falar mais sobre o tema.

Um dos argumentos de alguns institutos médicos contra o comercialização é de que o corpo não estaria à venda. Mas se ele não está mesmo à venda, temos que lembrar que hoje óvulos, esperma, sangue e mesmo a barriga de aluguel são comercializados sem maiores problemas. Se você também é contra essa comercialização, tudo bem! Mas você é?

Alguns outros críticos também temem a tal exploração. Mas e se o governo entrar no jogo? Hoje temos traficantes e uma máfia cobrando obviamente a sua parte. O governo não poderia esclarecer sobre a troca/venda de órgãos além de fornecer cuidado médico e psicológico aos envolvidos? Não é injusto que o pobre (ou outro alguém) seja tolhido dessa chance de melhora por uma opção individual dele? Hoje as leis proíbem em quase todos os países a doação entre 2 desconhecidos ainda em vida justamente por uma desconfiança grande de que isto esteja necessariamente relacionado a um pagamento extra-oficial.

No Brasil, lembremos que foi revogada em 1998 a Doação Presumida de Órgãos (Lei 9.434/97) que por aquele princípio todas as pessoas eram doadoras automáticas de órgãos, a menos que tivessem registrado em documento oficial vontade em contrário sem a necessidade de consultar a família. Lembremos também que a novidade provocou muita polêmica.

Qual o principal ponto pelo qual escrevo? Em um artigo publicado em um blog fui direcionado a uma matéria da importante The Economist que resume uma pesquisa sobre demanda e oferta de órgãos humanos para doações. Na matéria você encontra uma tabela de doação de rins e consta lá uma liderança Iraniana (em que há comércio de órgãos) seguido pelos EUA e um destaque para a Espanha com eficiente índice de coleta, um ponto fundamental para se reduzir a mortandade.

Mas para quem não se ofende com o comércio precisamos nos ater ao fato de que o sistema baseado tão somente no altruísmo humano não vence resolver o problema. Segundo estatísticas, 95300 americanos esperam um rim sendo que 6700 deles morrem anualmente (ou 1 a cada 1h30).

Já que então apenas esperar a boa-ação não resolve, pessoas como David Undis, diretor executivo da LifeSharers, argumentam que esteja faltando incentivos para a doação. Para Undis um mercado de órgãos salvaria milhares de vidas todos os anos. Ele cita também outros incentivos não-monetários muito interessantes! Um deles é uma fila preferencial àqueles que se auto-declaram doadores quando vierem a falecer. Isso foi sugerido em 1998 no Brasil e rechaçado, não entendo o porquê. Outros incentivos segundo Undis seriam a dedução de impostos, seguro-saúde, bolsa de estudos aos filhos, bônus-prêmio na aposentadoria e por aí afora. Por sua vez, o Senado da Carolina do Sul saiu com um outro incentivo inusitado. Eles decidiram dar aos presos que optassem pela doação 180 dias de redução de pena. Mas isso é ilegal na Constituição Americana.

Bom, a coisa ainda vai mais longe podendo cair até em questões de princípios morais. Por exemplo, hoje em dia na maioria das filas o que está há mais tempo tem a preferência, mas já há quem defenda que pelo fato dos mais jovens (que teoricamente usariam o órgão por mais tempo) serem mais beneficiados, deveriam ter assim uma suposta preferência na hora do recebimento. A escolha sairia do quesito tempo para ser uma escolha médica. Difícil ficar indiferente...

Mas o ponto que tento discutir aqui é que já que há um consenso de que hoje o sistema é insuficiente, por que não tentar mudá-lo? Eu acredito que o comércio regulamentado iria aumentar a oferta de órgãos, reduziria a fila, aproximaria o pobre do seu “esperado” dia além de não privá-lo de exercer controle sobre o que é seu. Isso tiraria o mafioso, bandido (ou qualquer nome que queira dar) e/ou terceiros que lucram ilegalmente com o sofrimento alheio.

Mesmo que você esteja irredutível, qual seria o problema de oferecer ao menos vantagens não-monetárias ao doador? Uma recompensa maior não ajudaria a todos?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Por que cupons?

Morando aqui na Irlanda passei a fazer uso de algo tipicamente americano: cupons de desconto. Assim como fazia no Brasil com o meu cartão de crédito, concentro os gastos em uma mesma rede de supermercado (Tesco, conhecido entre os imigrantes por causa do preço baratíssimo dos produtos genéricos) para ao final de um bimestre receber cupons com descontos.

Há cupom em tudo que é tipo de loja aqui! Mas no Brasil sabemos que eles são poucos usados e explorados ainda, mas faz parte da cultura americana. Lá você encontra sites e blogs que oferecem cupons online para imprimir. Para que tenha idéia eles são estimados em 36 milhões de pessoas ou 323 BILHÕES de cupons!!

Eu não sei explicar muito bem o motivo de nós brasileiros não usarmos. Eu acredito que boa parte se deva à nossa recente história com inflação baixa. Afinal, antes do Plano Real (1994) não fazia muito sentido guardar um pedaço de papel que daria desconto de Cr$10,00, por exemplo, pois ele se evaporaria em dias. Além disso, ao menos no que se refere a blogs e sites, podemos dizer que o acesso do brasileiro é baixo ainda pra se popularizar entre milhões de usuários. Mas acho ainda que o maior motivo é a nossa educação financeira. Já discuti isso aqui tempos atrás, o brasileiro não tem nem valoriza a educação financeira.

Mas há uma explicação científica que explica algo nos americanos que acho que também serve ao brasileiro. A professora de Marketing Jennifer Argo da University of Alberta e Kelley J. Main da Asper School of Business teorizam que o ato de usar cupons cria um estigma pouco desejável ao portador. Eles encontraram que o comprador que o carrega e os próximos dele são taxados de pão-duro. Mas veja que interessante: o mesmo estudo aponta modos de se safar desse estigma. Argo diz que a pessoa não é taxada de pão-dura quando é uma desconhecida, quando o valor do cupom é alto, quando a pessoa se encontra em um outro caixa que o seu ou se a pessoa é.... bonita! Isso mesmo! Bonita ou atraente!

Mas mesmo com essa idéia de economia barata, o americano mais rico utiliza proporcionalmente mais do que o pobre (72% x 65%). Seria isso efeito de uma educacão melhor? Não sei, o que sei é que esse uso tem um custo. Ninguém aqui é ingênuo de achar que desconto é uma bondade do vendedor! Pesquisas indicam que pessoas que fazem seu uso gastam 8% mais do que aqueles que não utilizam. A Washington University encontrou que esse consumidor acaba gastando U$8 em artigos não planejados ou itens de luxo para cada U$1 de cupom!

Veja esses exemplos, a Amazon ao notar que tinha transações na média de U$8 acabou oferecendo frete grátis para os consumidores que gastassem mais de U$25. As lanchonetes de fast-food sempre oferecem cupons sobre as fritas e refrigerantes que tem uma margem de lucro maior e por aí vai....

Mas o mais interessante na história dos cupons é que ele nada mais é do que outra ferramenta de segmentação do consumidor que o vendedor deseja! Com ele você atrai justamente aquele que gasta mais! Isso é uma tática sempre utilizada pelos grandes comerciantes. Recomendo a leitura do excelente livro de Tim Harford “O Economista Clandestino – Por que os ricos são ricos, os pobres são pobres e você nunca consegue comprar um carro usado decente". Nele o autor disseca essa estratégia! É genial!

Transportando para os cupons, a idéia é direcionar o comportamento do consumidor da forma mais favorável a quem vende. Qual comportamento você gostaria de encorajar? Feito isso você definiria o melhor tipo de cupom para premiar esse comportamento. Veja esses exemplos:

Quer novos consumidores? 15% de desconto no 1o pedido, 3 anos de assinatura/serviço grátis, 1a aula gratuita...
Quer premiar o consumidor fiel? O 5o sanduíche é gratuito, o 2o pedido tem 50% de desconto...
Quer “empurrar” algum produto novo ou “desencalhar” o estoque? 30% de desconto no produto X, 60% na coleção verão 2006...
Quer acelerar o negócio em tempos de vacas-magras? 33% na locação às 3as, R$1 de desconto no café das 10h00 às 15h00, R$5 de desconto nos cortes de cabelo às 4as, 15% de desconto nas entradas até 18h00...

Por mais que o vendedor saia ganhando, é inegável também que ele seja uma vantagem para aquele consumidor que saiba utilizar esses cupons! Onde estão os meus??

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Da Série – Melhores discursos da história do cinema – parte 8

Sou sempre muito suspeito ao falar do Rocky! O cara é uma lenda! Já acabou com a Guerra Fria, deu sermão antológico no filho e é personagem principal de umas seqüências do cinema mais folclóricas da história.

É inegável que o primeiro filme (Oscar de Melhor Filme) é continuamente desmerecido e subestimado por causa das continuações mesmo a 6ª (Rocky Balboa, EUA 2006) sendo muito boa e estando na lista de melhores filmes de Esporte de todos os tempos.

Pois é justamente de “Rocky 6” que saíram 2 dos 3 melhores discursos dele. Ainda antes de ser autorizado a lutar, Rocko tem, tal qual na vida real, que provar a uma comissão que está apto a voltar aos ringues. Pois é lá diante da comissão então que ele toca em um assunto tão caro ao americano.

Talvez nenhum povo no mundo saiba melhor o que seja ou signifique o “pursuit of happiness”. Parte do domínio mundial da cultura e economia por parte dos EUA se deve a essa característica tão americana.

Não deve ser possível encher uma Kombi com teóricos brasileiros da Sociologia, Antropologia e da Economia que não encham o peito para falar com orgulho que o Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo. Confesso que fico feliz com esse fato. Mas teria mais orgulho, sim, se fossemos completamente livres para essa tomada de decisão. O Francês e o Americano são.

Veja bem, não quero nem saber do ponto de vista burocrático, falo do ponto de vista de Liberdade de escolha. Em tempos de PT e de militância que quer privatizar para eles aqueles oprimidos profissionais que falei aqui em outro post, parece sempre haver alguém que sabe dizer a você qual a melhor escolha e o melhor a se fazer.

O que estou falando? Não podemos nos esquecer que uma base de raciocínio dos pró-Bolsa-para-tudo é de que nós (ou o povo) nunca estamos aptos a decidir o que é melhor para nós. A culpa é sempre do Marketing, do Mercado, da TV, do Capitalismo... Para essa gentalha as pessoas não tomam posição e quando o fazem, é sempre a pior. Então essa gentinha acaba querendo tomar a elas e aos asseclas deles o monopólio da decisão. Estão sempre a apontar o dedo demonizando os seus adversários, mas esquecem que nessa balada relacionam sempre a pobreza a uma incapacidade de gerenciar a própria vida.

Talvez uma das coisas que mais preze seja o direito de tomar as próprias decisões e, no caso dela prejudicar um terceiro, que eu pague e arque com todo o ônus dessa minha decisão. E não precisamos ir muito atrás na história para lembrar que todas as vezes em que a Liberdade foi limitada, houve retrocesso.

Aos defensores do controle mesmo que não absoluto eles têm o espaço para dizer onde houve avanço. Eu quero apenas tomar as minhas decisões, pois não quero esquerdista nenhum me dizendo o que é melhor pra mim.

*Rocky foi autorizado a lutar após discursar. No Brasil de Lula, se ele fosse PTista, teríamos o Bolsa-Ex-Boxeador.
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Boxing Commissioner: What rights do you think you're referring to?
Rocky Balboa: Rights, like in that official piece of paper they wrote down the street there? BC: That's the Bill of Rights.
Rocky: Yeah, yeah. Bill of Rights. Don't it say something about going after what makes you happy?
BC: No, that's the pursuit of happiness. But what's your point
Rocky: My point is I'm pursuing something and nobody looks too happy about it.
BC: But... we're just looking out for your interests.
Rocky: I appreciate that, but maybe you're looking out for your interests just a little bit more. I mean you shouldn't be asking people to come down here and pay the freight on something they paid, it still ain't good enough, I mean you think that's right? I mean maybe you're doing your job but why you gotta stop me from doing mine? Cause if you're willing to go through all the battling you got to go through to get where you want to get, who's got the right to stop you? I mean maybe some of you guys got something you never finished, something you really want to do, something you never said to someone, something... and you're told no, even after you paid your dues? Who's got the right to tell you that, who? Nobody! It's your right to listen to your gut, it ain't nobody's right to say no after you earned the right to be where you want to be and do what you want to do!... You know, the older I get the more things I gotta leave behind, that's life. The only thing I'm asking you guys to leave on the table... is what's right.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Casamento Homossexual


Nesses dias fomos surpreendidos com a notícia de que a Atlética da Escola Paulista de Medicina provavelmente será processada por uma acusação de racismo por publicar em seu jornalzinho piadas lamentáveis de cunho racista. Como diz meu amigo Soneca, o grande problema reside no fato de que não era o Didi fazendo piada com o Mussum, mas uma seqüência de frases que ligava a cor negra ao fato de ser gente ou “merda”. Um tremendo mau gosto e, se não caracterizado preconceito (racismo), é sem dúvida alguma um desrespeito para com os negros.

Mas antes disso o que causou repúdio ao menos entre os paulistanos foi uma insinuação lamentável de nossa ex-prefeita Marta Suplicy que em sua propaganda eleitoral insinuava sobre a preferência sexual de seu adversário de 2o turno, o atual prefeito Gilberto Kassab. Em sua tática habitual, o partido se fez de vítima e tentou terceirizar a culpa.

Mas mesmo com esses 2 acontecimentos agitados o que mais me chamou a atenção mesmo foi um outro artigo. Nele, o seu autor faz um questionamento moral interessante: Como as pessoas podem optar por se aproveitar de um benefício que é negado individualmente a outros?

E para argumentar ele faz a seguinte pergunta: Seria apropriado para brancos beber de uma fonte de água exclusiva para brancos?

Aproveitando a História, eu prefiro assim: você usaria hoje um bar que tal qual nos EUA de algumas décadas aceitasse apenas brancos??

Pense...

Pense um pouco mais... sério!

Pois bem, a resposta parece óbvia. A imensa maioria nem beberia da tal fonte hipotética e por repulsa à discriminação sequer entraria no bar para brancos. Aí chegamos a uma outra pergunta: você se casaria sabendo que este direito é negado a outros casais (os de mesmo sexo)?

Voltando um pouco, o casal Brad Pitt e Angelina Jolie anunciaram que não irão se casar enquanto este não for um direito estendido a todos. Eu confesso que havia achado isso muito mais marketing barato do que convicção pessoal. Mas neste artigo de qual falo aqui o autor que é casado confessa que não usa aliança em solidariedade à irmã homossexual. Não é só isso! Ele se refere à esposa apenas como companheira!

Eu sou um defensor do direito à União Civil de pessoas de mesmo sexo e sempre que alguém diz isso aparecem piadas, desconfianças tolas acerca da sexualidade e uma confusão tonta por achar que defendemos casais do mesmo sexo de véu e grinalda em Igrejas Católicas. Não! Defendemos o direito ao reconhecimento jurídico de uma união estável.

Confesso que nunca tinha pensado ou cogitado a questão do desrespeito ao se casar enquanto tantos outros não podem, mas confesso que mudei muito o que penso.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

F-1: O Grid dos Sonhos.

Bem amigos da Rede Bobo... Voltamos Em DEFINITIVO para acompanhar em todas as suas emoções mais um GP histórico de F-1. Após longas e demoradas negociações com o Todo Poderoso lá do Céu para liberar um dos pilotos, após exaustivas negociações com Ele também para fazer alguns pilotos possuírem ao menos pelas próximas 2h00 ou 70 voltas cerca de 15 anos a menos, após obrigar Mansell, Hakkinen e Montoya a perderem algumas arrobas, estamos todos aqui para este que é chamado desde já o GP “dos Maiores que o Balu viu correr”. Não foi fácil dentre os mais de 100 pilotos separar os 20 escolhidos, prezado leitor.

Junto da nossa equipe de comentaristas temos aqui o prazer de receber Keke Rosberg e Niki Lauda que não estão no grid apesar de serem contemporâneos da maioria, mas pilotaram por muito pouco tempo depois de 1983-1984 e decidiram apenas ver tudo de fora da pista mesmo que tivessem categoria de sobra para correr essa prova.

No treino classificatório, Senna, o eterno Rei da Pole, fez uma volta magistral com sua McLaren MP4-4 WCT (1988) para estabelecer a volta mais rápida com seu 2o jogo de pneus classificatórios. Já Michael Schumacher teve que se contentar com a 2a colocação de sua Ferrari. Alain Prost, pilotando aquele que é na opinião do escriba o melhor carro de todos os tempos, levou sua Williams FW-15 (1993) a encabeçar a 2a fila. Nélson Piquet usando 3 pneus de classificação e um do tipo mole no dianteiro esquerdo alegando mellhor acerto levou sua Brabham BT49C (1981) à 4a colocação.

Se a briga pelas 4 primeiras posições foi grande, a coisa não foi menor para os 6 seguintes. Mika Hakkinen levou sua McLaren “flecha de prata” a liderar o 2o pelotão. Alonso sai ao seu lado guiando sua Renault enquanto Villeneuve e Damon Hill fazem uma fila de Williams.

Hamilton e Kubica fazem a fila mais nova do grid logo à frente dos veteranos Rubinho, que optou guiar sua Jordan depois de se desentender com os mecânicos da Ferrari. Jean Alesi sai ao seu lado com sua Tyrrel (sim! A mesma do GP de Phoenix de 1990!).

Frentzen mostrando-se totalmente recuperado daquele gravíssimo acidente em Mônaco terá que ser cauteloso ao lado do colombiano taxista. Porém, não precisam se preocupar muito já que os 4 que fecham o grid não são pilotos de arrumar problemas. Berger e sua McLaren ao lado de Coulthard e Johnny Herbert pilotando a nostálgica Lotus 107B, uma das primeiras a possuir a hoje proibida suspensão eletrônica ativa. E ao seu lado, a eterna promessa inglesa mas de bons resultados, Jenson Button.

- Keke, o que você imagina para esta largada?
Bom, é bem provável que Schummy por estar pelo lado limpo já de cara assuma a liderança, mas não sem antes empurrar Senna pra fora da pista. Ayrton voltando rapidamente teremos uma bela disputa entre ele, Piquet e Prost. O que me preocupa é que ontem enquanto falava com o Piquet, naquele mau-humor de sempre ele me revelou que no treino pilotou um carro mais leve do que o permitido. Não entendi como, mas espero mesmo é que a chave inglesa que ele leva no cockpit não seja mesmo para atirar no Mansell.

- E você, Lauda?
Bom, espero que o Mika esteja bem já que ontem era visível que o que ele bebia junto com o Kimmi não era água. Alonso deve correr olhando mais para o retrovisor se preocupando com o Hamilton do que com qualquer outra coisa. O Mansell com certeza vai aprontar alguma confusão. Involuntária, mas algo sempre acontece com o show man. Villeneuve e Hill são tecnicamente bons, mas muitas vezes aborrecidos e se vacilarem a dupla mais jovem passará sem problemas!
Barrichello e o Francês pilotarão como nunca e não ganharão. Como sempre.

Frentzen talvez não passe da 1a curva se o Colombiano fizer o básico de sempre e Coulthard, o Don Juan da F-1, deve já estar pensando com quem sair nessa noite.

(Lauda interrompe)
Bom, Herbert e Button pilotarão do jeito de sempre, mas o que não tenho dúvidas é de que hoje o Schumacher sai vencedor, nem que pra isso tenha que usar combustível adulterado ou qualquer outra manobra duvidosa que ainda não tenha sido inventada. E no podium ninguém irá se cumprimentar.

Melhor isso do que o que a gente vê hoje!


GRID

- A. Senna
- M. Schumacher
- A. Prost
- N. Piquet
- M. Hakkinen
- F. Alonso
- N. Mansell
- K. Raikkonen
- J. Villeneuve
- D. Hill
- L. Hamilton
- R. Kubica
- R. Barrichello
- J. Alesi
- H. Frentzen
- J. Montoya
- G. Berger
- D. Coulthard
- J. Herbert
- J. Button

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Aperta que cabe, sim!


Uma das grandes vantagens de se morar na Europa é o turismo que se pode fazer por um número grande de países a um custo muito mais justo do que fazer turismo nacional morando no Brasil e com salário em Real.

Acho que a grande maioria já foi apresentada às companhias aéreas cheap fare. A Gol é o melhor exemplo brasileiro. Mas na Europa elas existem em muito maior número e com tarifas realmente econômicas. Mas quando você faz uso desse serviço, tem que estar atento porque pode acabar taxado por coisas então não muito comuns como escolher o assento, comer ou despachar as malas.

Um costume que se adquire quando fazemos viagens curtas aqui é o de não despachar bagagem porque isto é bem alto! E eis que acabei em um artigo em que o autor relata aquilo que observamos. Como todos querem economizar, acaba havendo um grande congestionamento nos corredores na hora do embarque porque é grande o número de pessoas que extrapolam o limite de peso e volume da bagagem de mão para economizar. Acontece que agora todos levam mais malas para a aeronave, mas essas têm ainda o mesmo volume de compartimento acima das poltronas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O problema é quando a Maioria não vê nada....


Faz um tempo que vinha querendo postar esse vídeo e falar um pouco de um assunto. Mas somente hoje ao ler um outro artigo sobre a baixaria que a nossa ex-prefeita Marta Suplicy aprontou em sua campanha pude começar a digitar esse texto. Na verdade a idéia veio também por causa de um comentário que recebi quando falava em um artigo sobre os motoristas de ônibus aqui na Irlanda comparando com os de SP. Um leitor disse que eu não deveria “julgar (...) uma profissão tão prejudicada e perseguida como a de motoristas no Brasil”. Eu não julgo ninguém! Quem sou eu para julgar?

Pois bem, o vídeo que posto aí abaixo foi filmado na hora de pico no Metrô de Washington. Sabe quem é o violinista? Joshua Bell, um dos maiores músicos da atualidade. Ele fez isso para uma matéria de Gene Weingarten em uma edição do The Washington Post. Nele você vê que as pessoas na correria do dia-a-dia mal param para apreciar um dos profissionais mais talentosos em seu ofício.

E o que isso tem a ver com SP, motoristas e violinistas? Pois bem, quando falamos de democracias eu confesso não suportar muito as minorias barulhentas. Talvez seja uma das pessoas que mais você irá ouvir falar em decisões pessoais. Sou partidário de que a pessoa toma suas decisões e não pode jamais fazer isso recair tão somente sobre a cor de sua pele ou de sua nacionalidade, por exemplo.

A minoria deve ser tão respeitada quanto a maioria e, se as regras mudam ao sabor da gritaria, aí teremos militantes de uma causa, uma corporação, um grupo ou muitas vezes uma quadrilha. O PT e a MST estão nessa fronteira perigosa.

Pois seria um tremendo erro achar que o direito e respeito ao próximo dependa ou derive de sua participação a uma categoria. O respeito deve haver acima de tudo ou do contrário teremos o oprimido profissional.

Mas e o Joshua Bell? O Americano aprecia e consome mais a música erudita que nós, mas isso faz deles também um povo melhor? Provavelmente. Mas o ponto é: não posso achar que estou discriminando o brasileiro, ou o marciano ou o nascido na Argélia por uma constatação. O fato do morador de Washington não parar para escutar violino não pode ser tomado como o nível de conhecimento de uma população, mas também não serve para sairmos falando mal de americano ou arranjando desculpas por não terem parado. Às vezes, um charuto é apenas um charuto.

Com vocês, Joshua Bell:
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Minha estréia no atletismo aqui em Dublin!


6 meses é um tempo longo? Bom, depende... para o atletismo, 6 meses PARADO é muita coisa! Foi nesse estado que compareci ao 1o treino da equipe de atletismo (Harriers) da Trinity University, a mais importante universidade da Irlanda.

Em 6 meses de Dublin me limitei a correr 2 dias (D-O-I-S). Um dia corri uns 5-6km e em outro 18km. Bem correto do ponto de vista da Teoria do Treinamento, não? Mas faço musculação razoavelmente pesada praticamente todos os dias na academia. Nesse meio tempo fiz questão de ir atrás de equipes de atletismo e achei duas. Me empolguei mais com a da Trinity porque é um pessoal mais novo, mais numeroso e menos profissional. Perfeito pra mim porque acho que com o que corro não vou ter que treinar muito forte pra acompanhar o pessoal.

Na semana de recepção dos bixos, 150 assinaturas pra começar a treinar! 150 nomes!! No treino de estréia fui lá só ver e havia quase 70 (!!) pessoas treinando! Parecia uma assembléia! Bom, nessa 2a não deu pra fugir, cumprimentei o DM (aqui chamam de captain) e comecei a treinar. De cara já separaram entre fundistas (long runners) e velocistas (sprinters). Pensei: bom, já conheço o nível dessa moçada, 6 meses parados não vão me impedir de botar o ritmo desse treino dos fundistas.

Aquecimento sussa, coordenativos à escola espanhola (100 intermináveis metros fazendo dribbling, skipping, üfersen...) e acelerações (strides). Alongamento migué estilo Balu e pronto pro choque! O captain na ausência do coach dá o comando: 8x 300m pausa trotando e mais 1 minuto.
Pera... eu ouvi bem?? 8 tiros de 300m no 1o treino de tiro??

Aqui cabe um parênteses: a “pista” de treino é um campo de rugby com uma grama que não existe no Brasil. Pra que saiba, ela cresce mais rápido do que mato, aparada que é uma beleza, se recupera mais rápido que o Wolverine, é de um verde beeem escuro e mais fofa que meu colchão. Mais fofa que meu colchão? Mau sinal!
Os fundistas se alinham (eu ainda não acredito que serão 8x300m...), respiro fundo na certeza de que o ritmo será sussa e... “vai!”
Como que respeitando o pessoal veterano, me coloco no pelotão intermediário, vou vendo como é a trilha sem marcação dos 300m e vou vendo que a coisa será feia...

Bem antes, uns 5 meses atrás, havia falado com todos os veteranos e visto uma competição de milha (1609m) deles. Na boa, sou melhor do que eles! Mas aí você coloca 6 meses sem correr e uma maldita grama que faz você parecer pesar por baixo uns 95kg e pronto! Terminei o 1o tiro na certeza que essa molecada não iria longe. Falava pra mim mesmo: arf arf vocês vão ver molecada arf arf agora que não terão recuperação completa arf arf Baluzão gasp gasp vai jantar vocês já no 2o arf arf arf tiro gasp gasp
Balu: Pausa de 1 minuto, né? Quanto falta?
Captain, my captain: 5 segundos...
Balu: ?!?!? Esse relógio é chinês? Deve estar quebrado!

Vamooooo 2o tiro... Baluzeira ainda no pelotão “intermediário”... arf arf... “vamo” Baluzao, você pode mais do que isso! Vaaa... arf arf arf vamooo!
Término do 2o tiro e o captain (not my captain anymore) não entende porque estou lá atrás. Poxa, queria o quê? Fundista sem treinar há 6 meses correndo com meio-fundista? Deixa pra lá... quanto tem de pausa ainda??
3, 2, 1... Set... go!
?!?!? Aaafe.... malditos chineses!
Não é possível, eles vão quebrar... CERTEZA!! Vou acompanhar pra jantar todo mundo no final!
E assim chega o 4o tiro... nova corrida da vaca-louca... calma... agora passou da metade vai cair esse ritmo. 5o tiro... bom, estou pior do que pensei, já quero acimentar TODA essa maldita grama... 6o tiro... serão 8 mesmo? Bom, no 7o E 8o janto todo mundo pra ao menos fechar bem. Nem que seja só nos últimos! É questão de honrar meu currículo! É isso que importa agora!
7o tiro... set... go!
Saio forte. Mas eles saem mais forte... me aproximo, eles se afastam... acelero, eles mais ainda... logo depois, tentando engolir o coração penso: bom, vou só correr coordenado esse porque do 8o eles não escapam!!
Esperamos os tais 60” (uns 35” na escala relógio-chinês ou na escala Baluzão-6-meses-sem-correr)... estou concentrado... focado... quase um Gandhi... guardando energias... se o Rocky sempre se recuperava depois das surras... vou fazer o mesmo! Vou fazer como no 1o TUNA em 2007, quando acharem que eu vou, eu já fui!
Eis que o captain se aproxima e diz: bom, último tiro (finalmente!, penso eu), vocês irão fazer 400m e trotar 2 voltas.
O quê?!?! Bom, acho que meu inglês deve piorar com o cansaço porque ouvi o maldito falar 400m... bem agora que eu queria os 300m da minha vida! Certeza que ele errou...
captain: 400m então, ok?
Não! Por favor, não! Esse meu corpinho não agüenta mais!! Tenha respeito!
... Set... go!
Intermináveis 400m... minha meta era terminar junto... eles NÃO quebraram e eu NÃO terminei junto. Decepção do DM (captain, sei lá...)...
Bom, já sei que preciso treinar pra voltar à forma. Vou fazer uns treino secretos sozinho e daqui uns 2 meses farei o treino-cala-boca. É o jeito!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Da Série – Melhores discursos da história do cinema – parte 7

"Unless the ice melts, or unless the United States team or another team performs a miracle, as did the American squad in 1960, the Russians are expected to easily win the Olympic gold medal for the sixth time in the last seven tournaments.” (Dave Anderson, New York Times)

O que dizer de um fato esportivo que é considerado em votação da Sports Illustrated como o grande momento do Esporte do século XX? Pois é, honrarias como essa também já foram feitas pela ESPN (eleito o acontecimento esportivo por ocasião do anivesário de 25 anos) e também apontado pelo famoso colunista Bill Simmons como um dos maiores feitos esportivos americanos.

disse isso aqui, considero Desafio no Gelo (Miracle, EUA 2004) um dos filmes esportivos mais subestimados que existem. Como profissional do Esporte E viciado em cinema dou muito valor aos (bons) filmes que tratam de Esporte. Tenho até minha lista de preferidos e recomendados!

Você não precisa entender NADA de hóquei sobre o gelo para gostar do filme. Confesso que tudo que sabia da modalidade se resumia ao jogo “Mario Lemieux” no Mega Drive e as inúmeras brigas das partidas. Mas no filme você será apresentado à excelente seleção Russa que estava em 1980 invicta havia 2 anos (42 partidas) e caminhava a passos mais do que previsíveis rumo à conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno daquele ano.

Do lado americano, o treinador Herb Brooks tem que montar uma totalmente desacreditada seleção formada com atletas universitários para tentar buscar um ouro que não vinha desde 1960. Mas antes do principal torneio eles ainda jogam um amistoso em Nova Iorque contra o selecionado russo e vêem e mostram ao público o tamanho da encrenca.

Pois o discurso deste post é o discurso antes do histórico jogo principal. Dentro do vestiário o treinador tenta motivar os atletas não dizendo falsas palavras diminuindo ou desmerecendo o adversário, mas toca no assunto de outro discurso que já coloquei aqui: a coisa é difícil, mas é hora de ir lá e pegar o que é nosso!

*se você alugar/comprar o DVD, compare os lances reais de 1980 nos “extras” com os do filme. São de uma semelhança e competência de reconstituição impressionantes!
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Great moments... are born from great opportunity. And that's what you have here, tonight, boys. That's what you've earned here tonight. One game. If we played 'em ten times, they might win nine. But not this game. Not tonight. Tonight, we skate with them. Tonight, we stay with them. And we shut them down because we can! Tonight, WE are the greatest hockey team in the world. You were born to be hockey players. Every one of you. And you were meant to be here tonight. This is your time. Their time is done. It's over. I'm sick and tired of hearing about what a great hockey team the Soviets have. Screw 'em. This is your time. Now go out there and take it.
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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Vice-presidente para quê?


Estava nesta semana conversando e discutindo com um amigo blogueiro a obrigatoriedade do voto no Brasil. Sou extremamente contra, visto que acho que na Democracia plena não cabe esse tipo de dever. Mas esta é uma discussão cheia de opiniões pessoais e com defensores ferrenhos de ambos os lados. Ela também é pouco prática e fica mais no campo da ideologia e dos princípios.

Agora que estamos em meio as nossas eleições para Prefeitos e Vereadores, acabei escrevendo um artigo sobre a importância do voto. Devem haver muitos artigos por aí. Mas há também outro tipo de discussão que sempre aparece quando volta e meia alguém no Supremo questiona o número de Vereadores das cidades. Questiona-se o excesso de cargos no executivo. A gente sabe o tamanho dessa mamata.

Mas o que pouco vi ao longo dos anos foi o questionamento de um outro papel de muito destaque em um Governo: o do vice-presidente.

Aproveitei a deixa de um artigo que li que questionava a necessidade do vice-presidente nos EUA. E me pergunto: será que é mesmo necessário um vice-presidente?

Fazia sentido o cargo se lembrarmos que não faz muito não tínhamos a internet, celular e meios de transporte tão rápidos e seguros. Mas a realidade hoje é bem diferente. Não importa onde esteja, o presidente pode governar. Mas o ponto é quando o vice por algum motivo mais sério, como a morte do titular, tem que assumir o cargo. Nos EUA há uma grande valorização do tipo de vice que concorre na chapa, mas aqui, nós que já tivemos Sarney e Itamar, isso não tem peso algum na campanha.

Por que o Presidente da Câmara não assume no caso de morte ou impeachment até que sejam realizadas novas eleições? Em uma eventual catástrofe natural, o presidente pode retornar ao país rapidamente e qualquer decisão importante ele pode tomar fora do país. Não faz sentido então que tenhamos como mandatário supremo da nação alguém que não escolhemos, alguém que foi levado àquela posição na costura tão brasileira de coligações políticas e leilões de cargo.

Está aí um tipo de discussão não-ideológica que afeta nossas vidas.
E por que não??

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Bélgica!


Como brevemente citei aqui, nesta semana estive pela 1a vez na Bélgica. Minha peripécia para conhecer o maior número de países dentro do meu roteiro me colocou nesse inusitado e interessante país.

Acho que venho planejando tudo muito bem, porque mais uma vez coloco entre minhas recomendações a quem me perguntar. Como havia dito, fui com as dicas do meu amigo Saulo que estudou o colegial lá e também outras dicas de outra amiga, a Babi. Junte-se a isso a pesquisa em sites. Aí fomos eu e a Ana Júlia conhecer Buxelas, Gent e Bruges.

Bruxelas é uma cidade grande, completamente tomada por turistas do mundo inteiro. O idioma oficial é o francês, mas boa parte das pessoas fala inglês. Mas esteja preparado para fazer mímicas caso não fale nenhum dos 2 ou o holandês (o flamenco e o alemão são os outros 2 idiomas oficiais do país. *o inglês não é oficial).
Bruges é uma pequenina cidade turística. Ficou um pouco mais famosa agora que lançaram um filme que se passa lá. Ela é destino imperdível! Mas outra recomendação forte que eu faço (na verdade corroboro o Saulo) é estender a viagem e passar por Gent que não possui tantos turistas. O detalhe aqui é que você terá que se aventurar para chegar aos pontos principais porque não há mapas disponíveis até você chegar ao centro de informações turísticas no centro! Bem difícil!

Em Bruxelas, além do Palácio Real (foto) destaco a Praça do Mercado Central, a sede da Comunidade Européia e o imperdível Atomium. Este prédio posso arriscar dizer que foi a construção humana que mais me impressionou até hoje em minha vida. Espetacular! A visão de quem sai do Metrô e se depara com ele é indescritível!

E por fim, o povo belga (entenda-se mulheres) é lindo! Mas notei uma incoerência. Eles não são gordos mas a comida é sensacional!! Assim como na Dinamarca e Holanda você vê pouco McDonald's, vê bicicletas (não tantas) e vê um povo magro. Não dá para entender o porquê já que é impossível não se empanturrar de batata frita com maionese (acredite, é bom demais!), chocolate (os melhores do mundo e provavelmente os mais caros também) e waffles.

Ou seja, pode ir pra lá! Eu garanto!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Ainda sobre votos e eleições


Já disse aqui, Economistas são uma raça estranha. Um exemplar da espécime, Patricia Funk, saiu-se com a seguinte pérola: "A rational individual should abstain from voting."

Por que isso? 2 economistas levantaram a importância do voto individual em eleições e chegou ao que já sabemos. A menos que você seja o Kevin Costner no novo filme “Promessas de um Cara de Pau” (Swing Vote, EUA 2008), seu voto contado individualmente é inútil.

Segundo os autores do artigo, para quem vota decidir algo fica mais parecendo um bilhete de Loteria. Ou seja, estatisticamente é contra-produtivo! Financeiramente a Loteria é um mal investimento. E assim é o voto, um desperdício de energia. Acontece que em ambos por um preço baixo (?!?) você pode ao menos fantasiar o impacto de sua escolha na sua e na vida dos outros.

Bom, não é difícil imaginar que se todos pensassem apenas no aspecto econômico do custo-benefício, não haveria eleição por falta de eleitores, certo? Então pra maximizar esse sistema, eis que na Suíça eles tentaram facilitar a vida dos eleitores. Um adendo: vale lembrar que os suíços são reconhecidos como grandes votantes, sempre participando ativamente.

Então o governo suíço decidiu enviar as cédulas aos eleitores que responderiam pelo correio. Isso simplifica tudo, certo? E também iria aumentar ainda mais a alta participação, não acha? Errado!

O número de eleitores caiu principalmente nas menores cidades. Funk acha que lá na Suíça e nos EUA “existe uma forte norma social que diz que o (bom) cidadão deve ir às urnas votar". E essa “pressão” seria ainda menor nas menores cidades onde há uma relação mais pessoal entre os moradores. Haveria uma certa pressão para ser visto votando o que é impossível num sistema por correspondência.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vejo vocês amanhã!


Senhores, se tudo deu certo, na 4a foi publicado um post agendado que havia feito na 2a. Vamos ver se consegui! E se tudo deu realmente certo, este post escrito na 3a vos chegará enquanto estou eu na aprazível Bruxelas (Brussels para os íntimos).

Meu vôo era para sair na 4a pela manhã. Desde que saí do Brasil esta viagem é ainda mais especial porque pela 1a vez verei algum amigo que "deixei para trás" (*Saulo e São José não valem, visto que vivem na Europa!).

Combinei de longa data esta ida à Bélgica com minha grande amiga Ana Júlia. Orientados pelo guia Saulo (que morou e viveu lá), vamos conhecer as maravilhas de Bruxelas, Bruges e Gent. Na 6a estarei eu de volta à rotina e posto comentários da viagem provavelmente já na 2a.

Bom final de semana à todos!

E-mails e comentários serão respondidos cada um a seu tempo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vote! Mas vá com cuidado!

Votar nunca foi tão perigoso... ao menos foi essa a conclusão a que chegou o Dr. Donald Redelmeier, professor de Medicina da University of Toronto. No artigo publicado, relata-se que observando como era movimentado o dia-a-dia no Centro Médico em que trabalha em Toronto em dia de votação, o fez ir atrás dos dados das eleições presidenciais americanas desde Jimmy Carter em 1976 até a última eleição de Bush contra Kerry em 2004.

Cruzando os dados estatísticos ele chegou ao notável aumento no número de vítimas em acidentes de carro. Sua pesquisa foi publicada no Journal of the American Medical Association. Onde quero chegar?

Já disse aqui que ninguém quer defender o aborto ou o álcool como política pública. Assim como ninguém aqui quer falar em acabar com as eleições para se evitar mortes de trânsito. Isso é apenas uma leitura da realidade. Você faz o que quiser com a informação. O próprio autor enfatiza que os americanos apenas deveriam ser mais cuidadosos em dia de eleição. Só isso.

Mas vale também tentar entender os motivos. Eles não são claros, mas devemos lembrar que lá nos EUA dia de eleição não é feriado, então as pessoas têm que correr do trabalho para votar e depois retornar aos seus postos. Elas muitas vezes têm que fazer isso rapidamente e dirigindo por locais não habituais (lembre-se você leitor que muitos colegas votam próximo de onde estudavam ou moravam décadas atrás).

O autor suspeita que aproximadamente 50% dos eleitores têm que dirigir para votar o que causa um grande aumento de demanda. Para piorar, o policiamento é reduzido já que os policiais também saem para votar. Junte-se à pressa já citada e pronto! Está aí a receita!

Seria esse então um motivo mais do que nobre e suficiente para fazer a maior economia do mundo parar de produzir por ao menos 1 dia a mais? Ou apenas refoçar o cuidado seria suficiente? Para a democracia, o valor do voto está fora de questão.

sábado, 4 de outubro de 2008

Da Série – Melhores discursos da história do cinema – parte 6

Bill Pulman entrou em 1996 no panteão dos meus preferidos presidentes americanos no cinema. Não se passa um 04 de Julho sequer sem que o cinema americano fique sem lançar algum blockbuster com o tema. O brasileiro costuma se indagar sobre essa tal tara deles de anunciar que o grande dia está chegando. Pudera, nosso 07 de Setembro é só um desculpa para não trabalhar. Não há festejos ou lembranças. Não temos essa tradição. Infelizmente não valorizamos esse tipo de coisa. Até nossa independência é meia-boca!

O Americano não faz assim. Quando fui estudar na Espanha em 2006 descobri lá a diferença do comportamento deles nesse dia. No 04 de Julho lá estava eu rodeado de americanos convidados pelo conterrâneo deles que morava comigo. Era uma comemoração especial pra eles, diferente e interessante. Uma experiência muito gratificante. (adendo: fui convidado por OUTROS americanos para ir ao churrasco de 04 de Julho na tal casa do Jacob. Esse Jacob morava comigo... os americanos estavam me convidando para um churrasco na MINHA casa sem que eu nem soubesse que estava programado! hahaha)

Bom, nesse filme Will Smith (sempre ele!) salva mais uma vez o mundo de todo o mal. Para tal, Bill Pulman antes da batalha final discursa para um exército em frangalhos. Eu confesso que gosto muito das palavras sobre liberdade. Acho que nenhuma nação tem mais propriedade para tocar num tema tão caro à humanidade. Esqueça um pouco a parte megalomaníaca e veja se não faz sentido.

Bom, se naquele ano de 1996 eu tivesse um brevê, sairia correndo do Shopping Paulista direto pro Campo de Marte roubar um Tucano para lutar pelo lado Aliado contra os ETs.
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Good morning. In less than an hour, aircraft from here will join others from around the world. And you will be launching the largest aerial battle in the history of mankind. "Mankind." That word should have new meaning for all of us today. We can't be consumed by our petty differences anymore. We will be united in our common interests. Perhaps it's fate that today is the Fourth of July, and you will once again be fighting for our freedom... Not from tyranny, oppression, or persecution... but from annihilation. We are fighting for our right to live. To exist. And should we win the day, the Fourth of July will no longer be known as an American holiday, but as the day the world declared in one voice: "We will not go quietly into the night!" We will not vanish without a fight! We're going to live on! We're going to survive! Today we celebrate our Independence Day!


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A Irlanda e seus motoristas de ônibus


Hoje enquanto ia para o trabalho lendo o meu jornal como faço diariamente vi algo na seção de cartas que me fez escrever este post. Não foi a 1a vez e provavelmente não será a última que leio lá comentários enviados por... motoristas de ônibus!

Para mim foi muito estranho e algo de surpreendente a primeira vez que vi comentários sobre reportagens geralmente relacionadas ao trânsito com participação desse profissional. Mas por que o estranhamento?

Bom, comecemos por falar dos ônibus aqui em Dublin: Não andei tantas vezes, mas o sistema de ônibus aqui funciona muito bem, com ônibus sendo em mais de 95% dos casos aqueles de 2 andares, com uma tarifa bem justa (~1,70) e sem cobrador. Você paga numa máquina controlada pelo motorista (esta não oferece troco) ou em outro sensor no meio do ônibus com cartões. Desde que cheguei nunca vi fiscalização para saber quem de fato tinha pago a tarifa. E também nunca vi grandes atrasos na tabela de horário ou lotação com muitas pessoas em pé. Uma maravilha!

Quem anda de ônibus em SP sabe que a tarifa é alta e burra pois é sempre a mesma independente de quanto utilize o ônibus ou o tipo de bilhete. Em SP os ônibus estão quase sempre cheios/lotados e andam devagar-quase-parando como tudo que tenha 4 rodas na cidade. Os motoristas no Brasil geralmente são mal-educados e pouco instruídos como todos os demais de mesmo salário. Já aqui na Irlanda o nível escolar do cidadão médio é muito melhor e você encontra motoristas extremamente simpáticos e educados!

Pois bem, houve uma reclamação de um passageiro ao jornal porque um motorista havia falado ao celular enquanto dirigia. Uns 2 dias depois um motorista escreveu reclamando que os passageiros reclamam de um pequeno deslize do colega de profissão, mas não reclamam quando outros passageiros tomam atitudes consideradas perigosas e que aqui são muito estranhas ao irlandês, mas que no Brasil são coisas do dia-a-dia.

Além do fato do tipo de reclamação de ambos os lados (que mostra onde eles estão e onde nós brasileiros estamos) o que me chamou muito a atenção foi o tipo de carta muito bem escrita. Não por ser em inglês, lógico! Aquela piada já diz que os japoneses são tão inteligentes que eles falam japonês desde pequeno... Mas sim a construção do texto era algo muito acima da média. A edição do jornal pode corrigir erros de grafia, mas não de construção!

Você consegue imaginar um motorista mandando um texto razoável para um jornal? E fazer o mesmo por várias vezes? Imaginou? Pois é... eu não consigo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A concentração no esporte é - digamos... - elementar!


Essa semana recebi um e-mail de meu amigo Fil falando sobre o filme O Engima da Pirâmide (Young Sherlock Holmes, EUA 1985) do qual ele é fã e assistiu inúmeras vezes. Nele, Rathes (diretor da escola), fala para o jovem detetive Sherlock Holmes após vencê-lo em uma luta de esgrima na escola:

Holmes, remember what I always taught you: control your emotions or they will be your downfall.
O fato de jogar esgrima dentro de uma escola para um brasileiro já soaria mais do que estranho, mas ele me lembrou também aquilo que discutimos muito durante os JOs em Pequim, principalmente após o dia mais infeliz para o atletismo brasileiro, o dia em que a saltadora com vara Fabiana Murer viu suas chances de medalha escaparem graças a uma presepada da organização dos jogos que sumiu com a vara dela.

Podem dizer o que quiser, mas eu aqui acho que foi uma bela de uma desculpa conveniente que caiu no colo dela visto que eu não acreditava nessa medalha em hipótese alguma. Mas o que mais espantou foi o descontrole dela quando se deu conta do que estava ocorrendo na pista.

O que se passa com os latinos nesses casos? Eu não tenho em mãos qualquer estudo nesta direção para citar aqui, mas parece que sofremos desse tipo de descontrole emocional de uma maneira muito mais intensa que os europeus. Os europeus são conhecidos por serem frios e calculistas (seja lá o que isso quer dizer).

Lógico que não é fácil lidar com esse tipo de situação, quando a emoção nos faz tomar decisões ou agir de maneira que não seria racionalmente a mais recomendada, mas os exemplos com os atletas brasileiros se multiplicam. É uma dificuldade natural que temos de controlar nossas emoções.

Com certeza nosso temperamento tem algumas vantagens em vários campos (esporte incluso), mas é bem fácil detectar quando exatamente ele traz mais problemas do que vantagens.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quando até a imprensa tem dúvidas do que fazer com os mortos em tempos de eleição...


Eis que no país que teoricamente tem a imprensa mais liberal e livre do mundo surge um caso polêmico em tempos de eleição presidencial americana. No jornal The Chicago Tribune foi recusada a publicação na íntegra de um daqueles anúncios pagos comunicando o falecimento de alguém. Isso porque no texto a última frase era (com meu grifo):

"In lieu of flowers, please vote Democratic."

A regra do jornal (guidelines) é de que sendo discriminatória ou ofensiva, eles retiram. Mas nos perguntamos: Ofensivo??

Se nem um Republicano ficaria ofendido porque o morto em questão votava no Partido Democrata, por que eu ficaria? E a família do falecido? Essa deve estar ofendida com a censura! Bom, o mais interessante é que isso está muito mais com cara de imprensa tupiniquim do que americana. E por que estou dizendo isso?

É um costume e uma tradição americana que seus veículos de comunicação em um editorial antes das eleições comuniquem aos leitores qual o candidato apoiado. Enquanto isso, na nossa República de Bananas não só não acontece como há uma seqüência de acusações. Por exemplo: a Folha de São Paulo, nosso maior jornal, é de esquerda? Ou de direita? Ela em 2006 apoiou Lula? Ou o Alckmin? Leitor, você consegue imaginar a repercussão se ela apoiasse qualquer um dos 2 lados?

Nessa história a esquerda sempre acusa todos os veículos como sendo de direita. Acredite, eles dizem que a Folha de São Paulo é de direita! Mas quem freqüentou uma universidade com campus sabe a corrente predominante entre estudantes e professores dos principais cursos de Humanas. Mas como pode um público predominantemente de esquerda se transformar em direita assim que assume o cargo de jornalista? Eu não acredito nisso e boto minha mão no fogo como a imensa maioria dos jornalistas são de esquerda (ou centro-esquerda).

Onde quero chegar? Eu fico pensando como seria a reação se a revista Veja pela primeira vez assumisse na próxima eleição presidencial qual candidato ela apóia. A melhor revista do país vem sendo forte opositora de todos os desmandos do atual presidente. Mas não podemos nos esquecer de que ela também bateu pesado em FHC. Ou seja, tomar partido não significa apenas dizer sim.

No último referendo em 2005 sobre a comercialização de armas de fogo a revista teve uma reportagem de capa com os motivos pelos quais eles apoiavam o NÃO. Ela foi duramente criticada porque para os críticos burros existe aquela bobagem sem tamanho de que uma revista (ou jornal) não pode tomar partido. Bobagem feia! Esse negócio de jornalista imparcial não existe! Ainda bem!

Quem acha que revista ou jornal brasileiro não pode anunciar escolha de voto que vá ensinar aos bárbaros americanos e ditadores franceses como se faz jornalismo. Por outro lado, podemos deduzir que aquela revistinha fracassada patrocinada com dinheiro estatal, a Carta Capital, ou tem seus militantes se fazendo de cego por ignorarem o apoio oficial da revista ao patrocinador oficial, o Lula, ou nem ligam ou lêem o que eles mesmo escrevem.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sobre Bilhetes de Trem, Multas e como um simples caixa-eletrônico ajuda na fiscalização


Já havia postado aqui sobre o jeitinho que alguns maus usuários do sistema de trem na Índia se utilizam para burlar o pagamento de tarifa. Isso porque, diferentemente do Brasil, em muitos lugares não há roleta (ou bloqueio, como queiram) cobrando pagamento ficando por conta do usuário e da fiscalização (com multa) ocasional.

Pois bem, houve na Índia um substancial aumento da coleta de multas por parte desses mal pagadores que utilizam a Central e a Western Railways. E de quem seria o mérito? Dos caixas-eletrônicos instalados nas estações, lógico!

Como assim???
Veja só, em Julho de 2008 a Central Railways coletou com multas aos não-pagadores um valor 31% maior quando comparado em relação a Julho de 2007. A Western Railways por sua vez teve aumento dessa arrecadação de 39% no mesmo período.

Os funcionários responsáveis pela checagem estão atribundo aos caixas-eletrônicos o tamanho aumento. Um deles explica que a multa passou dos iniciais Rs50 para Rs260 para desestimular a prática. O problema lá é que quando a pessoa não tem o bilhete ela pode alegar falta de dinheiro para a multa no que prontamente é sugerido que ele chame algum conhecido (amigo ou parente) para comparecer à estação com o dinheiro da multa.

Mas na maioria dos casos eles iam embora alegando outros impedimentos. Para irritação dos fiscais, as desculpas se repetiam sempre. Mas agora com as máquinas eles acompanham o multado para sacar o dinheiro da multa.
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