sexta-feira, 29 de agosto de 2008

MJ - o gênio dançarino

*continuação da série os 4 MJs.

Conhecido mundialmente como “The King of Pop” e eleito o artista do século pela premiação American Music Awards este MJ dispensa maiores apresentações. Para mim não há nada mais fantástico do que vê-lo dançar. Ele consegue ser ainda melhor nas apresentações ao vivo. Dá raiva de como ele faz parecer fácil. Ele parece sempre usar truques!

O cantor e compositor chega aos 50 nesta sexta 29! Uma pena que seja longe dos holofotes e com a carreira estagnada. Musicalmente ele foi muito influenciado pela música black dos anos 60, mas ele é original mesmo assim. O 5º disco dele e estouro solo de 1979 “Off The Wall” é uma empolgante mistura de disco, funk e pop, abrindo estrada para o gênio que viria a ser considerado.

Logo depois lançou dois de seus melhores discos, Thriller (1982) e Bad (1987) consolidando a posição de superastro. Foi aí também que começou a surgir a imagem de um artista de hábitos e atitudes cada vez mais bizarros, postura infantilóide, modificações profundas em seu rosto e o branqueamento da pele. Em função de sua infância (ou falta dela), ele criou um mundo todo particular, próprio e distante da realidade. Para piorar, desde os anos 90 ele veio a sofrer muitas acusações de pedofilia (10 casos, 10 vitórias nos tribunais para ser mais preciso).

Michael começou sua carreira nos anos 60 aos 5 anos com o grupo Jackson 5 formado também pelos irmãos mais velhos. Desde a infância, quando a banda “estourou”, ele se tornou uma das figuras mais conhecidas e adoradas da música norte-americana. Depois de todo a auge, vieram os outros álbuns Dangerous (1991), Invincible (2001) e nesse ano fez um relançamento remasterizado do clássico Thriller.

Livros e clips
Li no início deste ano uma auto-biografia antiga (Moonwalk) que acaba lá pelo final dos anos 80. E agora estou no início do calhamaço de 665 páginas “Michael Jackson - The Magic & The Madness” (Michael Jackson - A Magia e a Loucura). Tanto naquele quanto nesse as histórias são bem parecidas, o que dá credibilidade mudando apenas a pessoa do interlocutor. Estão lá também nos 2 livros abertamente relatado a dificuldade incrível que ele tem de relacionamento. Tente se imaginar, leitor, desde os 6 anos sem infância e vivendo rodeado pelo mundo do show business. É mesmo impressionante. Uma outra realidade quase inimaginável. As história são mais que surreais.

Ele teve de tudo, aulas em casa por não haver como ir para uma escola normal, ensaios diários desde os 5 anos, morava pobre com 7 pessoas em uma casa minúscula, dormindo no inverno perto do fogão todos juntos... repito: é quase inimaginável.

Para descontrair de algumas histórias tristes e sofridas, há passagens sobre como ele executou pela 1ª vez em público o famoso passo Moonwalker decidindo-se por ele na noite anterior sozinho em sua cozinha. Essa sua antológica performance ao vivo em cadeia nacional no show da Motown 25 – Yesterday, Today, Forever é um dos pontos altos de sua carreira.

Eu possuo todos os DVDs dele lançado no Brasil. Já busquei toda apresentação ao vivo que exista registro. Sou um heavy user, eu sei. Mas sou um heavy user muito arrependido por não ter coragem de ter ido sozinho ao único show no Brasil dele em SP em 1993. Era um moleque...

Bom, fica aqui outra recomendação. Se o show da Motown foi antológico. Este aqui é lapidado. Tem tudo de melhor de 3 décadas. Esse show de aniversário de 30 anos de carreira no Madison Square Garden tem a melhor versão de Billie Jean que conheço. Aliás, lembremos que essa música foi eleita mais de uma vez a música do século.

Se você não é viciado nele, talvez baste um pout pourri como esse aqui feito em 1995 pra MTV americana. Um show! Recomendo também!

I have a dream...


A comunidade negra é barulhenta. E chata. E burra. E racista! Ela é tão racista quanto aquele branco que prega o ódio contra os negros. É um racismo que pode ser até diferente, mas é racismo. É um racismo compensatório, pra dizer o mínimo. É um racismo como que dando um troco. Um racismo de revanche. Mas é racismo. Tão condenável quanto. Com todas as suas letras. É o racismo de se orgulhar enchendo o peito e dizer que é “100% negro” ou então que “se orgulha de ser negro”. Tenta atribuir a si e aos seus um direito que não reserva ao branco. Isso é racismo. E aqui no Brasil a esquerdopatia acaba de ter uma bela vitória, pois aprovaram uma lei racista em sua essência reservando 46% dos posto de trabalho aos negros. Uma derrota da igualdade racial.

Escrevi o post abaixo (tentei à minha maneira ser bem-humorado tentando injetar um pouco de cultura) falando sobre um dos grandes filmes de ficção de todos os tempos. Mas 29 de agosto de 2008 também é o dia em que amanheceu com um negro pela 1ª vez oficialmente candidato à presidência do mais poderoso país do planeta. Acompanhei ao vivo pela TV seu longo discurso na convenção democrata. E tudo isso acontece justamente 45 anos após o histórico discursoI have a dream” de Martin Luther King.

Antes que me cobrem, o negro aqui que nunca vai dizer que se orgulha de ser negro nem que é 100% negro, deixa aqui a sua menção a dia tão importante.

p.s.: Não, não votaria JAMAIS em Obama. Votaria em McCain. Mas Obama discursando é uma daquelas experiências sensacionais de se ver. Mas suas idéias, infelizmente, estão muito mais para Lula do que para Luther King.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A Rebelião dos Liquidificadores.

*não há no artigo passagens que revelem conteúdo fundamental aos que ainda não assistiram os filmes.

Sabe aquele cara “estranho” do RH que usa jaqueta e calça jeans? Ele mesmo! Justo ele que tem um gato e disse que no café-da-manhã só come croissant com creme Philadelfia. Isso! Na festa da empresa ele pediu uma caipiroska com adoçante... Não dá, né? Ele ainda faz pealing e massagem facial e não perde uma novela! E no sábado sempre vê um filme francês. Sem comentários... Pergunte então pra ele qual o dia mais importante em agosto de 1997. A borboleta provavelmente irá dizer que é 31 de agosto, dia em que a Princesa Diana morreu. Dê um belo sossega–leão nele (ou seria leoa?) e explique o porquê de todo dia 29 de agosto deveria ser uma data a ser lembrada por toda a humanidade.

Se hoje, 29 de agosto de 2008, 11 anos depois você está (ainda vivo) na frente do computador lendo esse artigo, agradeça entre outros aos Governator Arnold Schwarzenegger. Do contrário, o laptop estaria mordendo sua cabeça, e a TV aos pulos te persegueria. Explico....

No ano de 1984, o grande James Cameron após filmar – acredite! - "Piranhas 2" lança nos EUA aquele que seria eleito em várias listas como um dos 10 melhores filmes de ficção científica da história.

Recomendo fortemente a trilogia com atenção especial aos 2 primeiros “Exterminador do Futuro”. A história basicamente é que um homem destinado a ser o líder da humanidade na luta contra as máquinas da Skynet no ano de 2029 precisa ser detido por elas. Então as máquinas mandam do futuro um exterminador modelo T-800 (Schwarzenegger) para exterminar a futura mãe (Sarah) do líder Connor (filme de 1984) que por sua vez manda um amigo (não o próprio Connor como muitos ainda pensam!). E depois no filme de 1991 as máquinas mandam novamente outro exterminador ainda mais avançado (T-1000) enquanto o próprio John Connor manda uma máquina também (Governator em versão menos avançada T-800) para protegê-lo. E depois em 2003 no 3º filme a coisa parte mais para pancadaria em um filme de ação bem pessimista e interessante.

E 29 de agosto de 1997?
Essa é a data em que os computadores da Skynet darão seu grito de independência às margens do Ipiranga contra nós nerds opressores humanos. O filme que fala desse dia data de 1991, fui um dos poucos malas a lembrar e comemorar a data quando ela chegou. Sei lá, achava importante.

Veja o filme! Ao menos os 2 primeiros! E preste atenção em algumas curiosidades que sempre existem. Uma delas é o tal “pé que esmaga”. Ou seja, nos filmes de 84 e 91 há sempre pés esmagando alguma coisa. É uma espécie de marca nos filmes.

Outra: a música “You Could be Mine” do 2º filme acaba resultando em uma homenagem a banda quando numa cena Schwarzenegger retira uma arma de uma caixa de rosas (Guns n' Roses).

Mas a mais interessante pra mim são as iniciais do líder da resistência. John Connor. JC. Jesus Christ. Acredite, não foi coincidência. Você ainda tira outras alegorias como o anjo Gabriel, a Santa Maria e o Salvador da Humanidade. Um prato cheio!

Por fim, a rede inglesa Odeon elegeu como melhor frase de despedida o inesquecível “I'll be back”. O “Hasta la Vista” de 2001 ficou em 4º.

De Batman ou do porquê do Capitão Nascimento não ser o novo Robin.

*não há no artigo passagens que revelem conteúdo fundamental aos que ainda não assistiram o filme.

Antes de tudo, “The Dark Knight” (Batman - O Cavaleiro das Trevas, EUA, 2008) é um filme que merece ser visto e revisto nos cinemas e posteriormente ser adquirido em DVD. Dá pra arriscar dizer que as adaptações cinematográficas de HQs jamais serão as mesmas após esse Batman. Jamais!

Que as histórias dele são mais sombrias do que as de heróis como Super-Homem ou Homem-Aranha todo mundo já sabia. Que ele é psicologicamente mais atormentado que os heróis de X-Men também sabemos. Mas nunca um filme baseado em HQs havia se arriscado em trazer a tona o que há de mais escondido na mente de um homem. Nem mesmo Homem-Aranha e sua dúvida sobre ter poderes e responsabilidades.

Pra quem viu o último Batman, a Gotham City dark e caótica dele dá lugar a uma cidade iluminada logo no início do filme. Estranho, não? Não se acostume! O mais sombrio e mais agressivamente pessimista das adaptações de HQ está apenas começando. Um pessimismo que você verá, é quase insuportável.

Se você não viu Batman Begins (EUA, 2005), não se preocupe! Não é essencial, mas obviamente melhor você tê-lo visto. Isso porque certas decisões tomadas por Bruce Wayne no novo filme são melhor compreendidas ao saber o que se passou antes. Mas vendo ou não você verá que um dos inúmeros méritos do filme é que ele justamente dá prosseguimento à trajetória do Batman ao invés de ser apenas mais uma aventura com o personagem.

Lá você será apresentado a Harvey Dent (Aaron Eckhart) o "cavaleiro branco" que é o novo rosto da lei e da ordem em Gotham. Ele é o herói que não precisa usar máscaras para combater o crime. E é justamente o fato de não usá-las que fará com que Bruce Wayne e Batman apóiem o promotor de forma incondicional e irrestrita, passando por cima inclusive do ciúme que Wayne tem do namoro de Dent com Rachel Dawes (a boa e bela Maggie Gyllenhaal substituindo a fraca Katie Holmes no papel). Este seria então o sinal de que dias melhores virão também para Bruce Wayne. Mas os planos do herói em levar uma vida normal serão adiados com o surgimento de um vilão nada usual, que não segue regras.

Coringa é um elemento do caos, um vilão que não quer ganhar dinheiro, mas sim ver o circo pegar fogo. Sua anarquia é tamanha que surpreende o próprio Batman. O ator australiano entra para a história como uma das melhores e mais impactantes atuações como um vilão na história do cinema. Com certeza a emoção em torno da perda de Heath Ledger só fez aumentar a admiração pelo seu trabalho. Mas que isso não tire também o foco da atuação de Christian Bale. O ator, que já havia me supreendido em Batman Begins, aparece ainda mais seguro neste segundo filme. Ele nos faz esquecer de outros lamentáveis como Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney. Por exemplo, para alguns chega a irritar, mas prefiro dizer que é de impressionar a diferença na voz de Bruce para a de Batman.

Há ainda um elenco que conta com as voltas de Gary Oldman como o triste, gentil e torturado Comissário Jim Gordon, Michael Caine como o mordomo Alfred com um humor preciso e sempre dentro do contexto e Morgan Freeman como Lucius Fox e Cillian Murphy como o Espantalho.

Voltemos a quem rouba a cena... o Coringa, um psicopata perigoso, assassino sem dó, extremamente perigoso provoca medo até naqueles que o cercam e que estariam teoricamente ao seu lado. Ele, como disse, quer tão somente o caos. Você também aprenderá a temê-lo. Ele é diferente, ele tem um desejo único de destruir a tudo e a todos. Seus motivos? Você não consegue sequer intuir, nem medir ou compreender. Leitor, esteja atento à ótima explicação dada pelo Mordomo Alfred! Talvez antes disso você faça o paralelo em que o bilionário Wayne e seu alter-ego têm a perfeição e o Coringa o desfeito e o desorganizado com sua maquiagem tosca, porca e borrada, a voz estranha, os trejeitos, as roupas mal costuradas e a absoluta falta de limite personificando tudo.

Batman x Coringa ???
Assim como você, talvez a imensa maioria vá ou tenha ido aos cinemas achando que se trata de um combate bipolarizado, certo? Estávamos errados! Mas se o nome do filme não diga tudo tão diretamente, ao menos saiba que este é o mais dark dos heróis. Explico: a tese não é apenas que os super-heróis dependeriam dos vilões para existir, é que eles mudam no contato com essa maldade doentia. Mas você sabe que nem sempre para melhor. A diferença FUNDAMENTAL do Batman para todos os demais heróis que foram para o cinema até agora é que ele é o primeiro e único sem poderes especiais. Ele é humano tal qual você e eu. Ele sempre foi e será um humano que é atormentado e sacudido por um trauma violento que poderia acontecer com qualquer um de nós.

Pois nessa sua trajetória de combate aos criminosos que tentam impor o caos à cidade virá à tona o lado obscuro do Batman, aquela versão onde para combater o crime você precisaria desrespeitar certas leis. Batman agora parecerá começar a obedecer uma noção muito particular de Justiça, de uma maneira cada vez mais extrema.

E é esta a grande questão do filme!! Os atos imprevisíveis do Coringa farão com que ele tenha que ir ao extremo de suas crenças e daqueles que acreditam na forma correta da Justiça e na existência da bondade na humanidade. E ela existe? O interrogatório na delegacia e a decisão dentro dos navios são exemplos da transposição maravilhosa destas questões para a tela. Conseguir levar isso ao cinema é sem dúvida o grande e quase inigualável trunfo do filme.

E qual seria o limite entre o certo e o errado?
O que determinaria exatamente o lado bom ou mau? Justo ou injusto? E são justamente esses alguns dos questionamentos vividos no filme. E é aí que entra o filme “Tropa de Elite”. Sabe por que ver Batman ultrapassando o limite que se espera de um super-herói não chega a incomodar? Algumas pessoas têm uma dificuldade de entender o que se passa dentro do cinema e apenas lá dentro. Dentro da sala você deveria saber diferenciar a ficção da realidade. O cinema pode fazer pensar, por isso você não pode achar que um filme como “V de Vingança” ou o “Tropa de Elite” são pura apologia, pois não são. Mesmo aquele sendo irresponsável e este tão esclarecedor.

Um homem vestido de morcego combatendo os crimes na vida real seria taxado de louco. Mas ele vira herói, justamente por combater o crime no mundo imaginário. Se isso não incomoda a militância, o que incomoda é que quem transponha uma regra, como o Capitão Nascimento fez no excelente “Tropa de Elite”, tal qual Batman, não seja real. Repito: os que se sentiram incomodados, ficam ainda mais incomodados porque aquele brasileiro não existe. Ele é uma ficção. Tal qual Batman! Como posso criticar ou justificar algo que não sei se existe? Mas isso para qualquer bípede fica claro já na 1ª cena de Batman porque você sabe da premissa de que tudo é uma fantasia. Mas os questionamentos morais estão lá. Todos lá. Em uma quantidade nunca antes vista em um filme de HQ. Todos eles. Intercalados com explosões e com representações excelentes de grandes atores.

Realmente imperdível.

Curiosidades:
Duas cenas merecem atenção. O desfecho da cena do hospital e a seqüência do caminhão não são frutos dos efeitos especiais. Foram reais e, você verá, exigiam um take único porque não permitia segunda chance.

Este é também o 1º filme do herói que não carrega o nome no título original.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

ONG, Fraude, trabalhar ou dar dinheiro e do porquê eu não dôo...


Existe uma parcela do setor filantrópico que bate sempre na tecla insistindo que melhor do que doar dinheiro é doar seu trabalho para alguma instituição. Eu prefiro acreditar que isso seja uma questão de imagem querendo se desgarrar da idéia de que ele estariam apenas de olho em nosso dinheiro. Ou então assim querem atrair mais contribuintes e essa preferência, assim, não seria por considerarem mais eficiente. Falo isso porque não creio que seja mesmo melhor doar força-trabalho do que dinheiro. Não faz muito sentido.

Por uma questão ideológica, neste ano interrompi e parei todas as minhas doações a entidades filantrópicas. Doei por mais de 10 anos mensalmente, mas parei. Não doarei mais! Não enquanto precisar doar duas vezes! Se o governo atual transfere R$12bilhões/ano para ONGs, eu não preciso doar uma 2ª vez! O Brasil, terra da Pororoca e da Jabuticaba é também o único país do mundo onde as ONGs pedem e contam com MUITO dinheiro... governamental! Você faz o que quiser com seu dinheiro, eu também! Então não brinco mais de doar! E se algum ongueiro vier me questionar, já tenho os números. Não dôo e não me peça pra doar! Meu IR já o faz!

Voltando... para você que queira contribuir vale mais à pena doar dinheiro ou seu tempo-livre? Segundo uma interessante reportagem agora você já tem números para provar o que todos sabemos, que na filantropia, assim como em TODOS os campos da atividade humana, há os picaretas e corruptos. Segundo o seu autor, Stephanie Strom, a perda por fraude e desvios já chega aos U$40bilhões, ou 13% das doações em dinheiro. Visto desse ponto, seria melhor você doar seu tempo-livre. É mais seguro.

Eu não dôo...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Cinema Argentino


Além do futebol olímpico, por que eles são tão melhores que nós também na 7ª arte? Aliás, é possível falarmos em "cinema argentino" quando nem sequer estabelecemos um conceito para padronizá-lo?

De uns anos pra cá venho assistindo a quase todos os lançamentos dos hermanos. E sempre me pergunto: por que lá se faz filmes tão melhores? Difícil responder...

Vale lembrar que essa retomada é bem recente. Alguns estabelecem essa nova safra a partir do filme "Tango" (1998). Em SP eles vêm ficando bem populares. Mas infelizmente essa popularidade ainda não passa das salas argentinas e paulistas. Fora de SP você quase não tem chance de ver filmes argentinos no Brasil. Aqui na Europa eles continuam completamente desconhecidos e na Argentina eles não levam multidões aos cinemas. Então o que acontece? É mais um caso que chama atenção da crítica mas não do público?

Em 1995, o Instituto Nacional do Cine e do Audiovisual Argentino (INCAA) aprovou uma lei de fomento à atividade cinematográfica baseada na cobrança de taxas sobre as entradas nas salas de cinema, sobre a venda de fitas de vídeo e posteriormente de DVD, além da taxação da publicidade na TV. Lá pelo jeito funcionou, mas o Brasil é a prova de que dinheiro por si só não resolve. A cada ano há mais dinheiro público para incentivar o cinema nacional e de lá pra cá nosso cinema continua a mesma porcaria. Sim! PORCARIA! Não me dê exemplos, porque para cada “Tropa de Elite” ou “Cidade de Deus” que você disser, te dou dezenas e dezenas do mais puro lixo feito com o seu, o meu, o nosso dinheiro.

Que fique claro, sou contra qualquer tipo de Lei de incentivo nos moldes brasileiros e contra qualquer cota de filmes nacionais nas salas de exibição. Quanto tempo vai demorar pra perceber que não há correlação disso com qualidade? Quando os diretores vão parar de jogar a culpa da falta de público sobre nós? Por que filme de ação americano e dramas franceses levam público e filme nacional não? Por que diretor brasileiro acha que a culpa é do público e não dos péssimos filmes nacionais? Por que ”Central do Brasil” e “O Dia em que Meus Pais Saíram de Férias” foram bem e outros não? De quem é a culpa? Você não sabe? Eu sei. É inteiramente e exclusiva deles. Veja que engraçado, eles querem dinheiro público porque nós não entenderíamos os filmes deles. Quando na verdade são eles que não falam nossa língua!

Voltemos aos argentinos...
Na verdade, talvez a maior diferença dos 2 cinemas seja mesmo a temática e a forma como ela é mostrada. Não é novidade a tremanda crise econômica que eles passaram. Não é novidade nem exclusividade. Eles tiveram ditadura? Nós também. Mesmo que tenha sido infinitamente menos sangrenta e criminosa, mas tivemos. Então por que um país de 3º mundo admite com uma franqueza dolorida o fracasso enquanto nosso heroísmo não permite ver a essência da derrota de nosso projeto de país?

Por que eles são tão sensíveis quando abordam o amor e o sexo enquanto na maioria de nossas obras o sexo é gratuito e dispensável? Veja um exemplo. No (péssimo) “Cidade Baixa” existem intermináveis cenas de sexo explícito. No cinema argentino, não aparecem bundas pulando. Nada. O sexo lá não é gratuito. 

Mas não dá pra fazer cinema como eles? Primeiro, lógico que dá. Segundo, se o cinema argentino é tão bom como falamos, por que não conquistou o mundo? Muito provavelmente ele faz mais sentido para nós brasileiros, culturalmente mais próximos deles, do que para os demais. Como disse, o cinema faz sucesso em SP, cidade mais rica do país. O cinema argentino conta o drama da classe média que perdeu dinheiro com os calotes e dramas econômicos. E é essa classe média que vai ao Unibanco assistir. Ou seja, o diretor argentino fala mais “brasileiro” do que o diretor daqui que pega dinheiro da Petrobrás mas não fala nossa língua. Nos identificamos mais com a classe média falida argentina do que com o pobrismo dos diretores brasileiros. Mas isso é tão óbvio e coerente... Como eles não enxergam?!?

Outra prova de que o cinema argentino (infelizmente) ainda não é considerado um dos melhores do mundo é que ainda há vícios. O mais gritante provavelmente é que há um quê de novela brasileira nele. São inúmeros os títulos em que você assiste pensando se já não o viu antes. Há os atores que fazem e têm os mesmos tiques e filmes em que parecem apenas ter mudado os atores de papéis. Veja o excelente “O Filho da Noiva” e o muito bom ”Clube da Lua”. Ou então o muito engraçado “Tempo de Valentes” e o também bem engraçado “Não é você, sou eu” e vai entender melhor o que falo.

Aqui fica o convite, se você está cansado dos filmes nacionais que mais parecem uma novela de 2h ou está sem paciência de ver pornochanchada vagabunda, deixo uma pequena lista com os melhores filmes argentinos de crítica e público. Se você não faz ideia de como seja, recomendo que tente. Uma ironia: nada mais argentino do que o mais recente filme de Cao Hamburger ("O Dia em que Meus Pais Saíram de Férias") muito semelhante ao "Valentín", de Alejandro Agresti. Ou seja, somos capazes de fazer algo parecido, só precisamos de nossa própria maneira de filmar.

O Filho da Noiva (2001)
Nove Rainhas (2001)
Crônica de uma Fuga (2006)
Plata Quemada (2000)
Clube da Lua (2004)
Elsa & Fred (2005)
Tempo de Valentes (2005)
Não É Você, Sou Eu (2004)
O Método (2005)
Kamchatka (2002)
O Cachorro (2004)
Quem Disse Que é Fácil? (2007)
Menina Santa (2004)
Valentín (2002)

De Educação, Esporte e nosso chororô...


Você não precisa concordar tanto com o Diogo Mainardi quanto eu, que sou um grande fã dele. Mas é difícil não concordar com que ele escreveu em sua coluna na revista Veja desta semana. Se você é assinante, leia aqui a íntegra.

(...)
Temos os estudantes mais analfabetos do planeta. Ninguém compete conosco em matéria de analfabetismo. Somos mais analfabetos do que todos os outros analfabetos. O segundo dado da reportagem (da revista Veja) é mais espantoso. Uma pesquisa (...) revelou que, ao mesmo tempo em que temos os estudantes mais analfabetos do planeta, estamos plenamente satisfeitos com isso. Alunos, pais e professores aprovam nossas escolas.
(...)
Entendo também os professores. Se a escola fosse menos imprestável, boa parte deles seria posta na rua. O que de fato impressiona é o entorpecimento dos pais. (...) O Brasil fracassa no esporte pelo mesmo motivo por que fracassa como país: temos uma sociedade acovardada, fujona, avessa à luta. Tudo aqui é feito para desestimular a disputa, para reprimir o desafio pessoal, para amolecer o caráter: o parasitismo estatal, a política fundada no escambo, a cultura baseada no conchavo, a repulsa por idéias discordantes. Esse nosso temperamento de rebanho inibe qualquer forma de atrito, qualquer tipo de inconformismo, qualquer espécie de enfrentamento. Quando temos de competir, afinamos. Por isso aprovamos uma escola que produz analfabetos. Por isso aprovamos governantes que roubam. A gente se satisfaz com facilidade: basta fazer o quatro. E nem é preciso conseguir colocar o dedo na ponta do nariz.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Cerveja contra a Ciência?


São inegáveis os malefícios da bebida alcoólica consumida em excesso. Negar isso é negar o óbvio e você pode inclusive tentar se enganar pra justificar o consumo exagerado. Foi nessa linha que um estudo aponta que cientistas da República Tcheca que bebem em excesso publicam menos artigos acadêmicos quando comparado aos seus colegas sóbrios.

Quanto mais ele bebe, menos publicam ou são citados, afirma Thomas Grim, da Palacky University (República Tcheca). Mas essa correlação é verdadeira e justa? Inconclusivo dizer isso porque a metodologia usada aqui pode ser usada pra desvalidar o próprio estudo. Se correlacionarmos felicidade entre os 2 grupos, podemos concluir que a bebida traz felicidade? Lógico que não!

Outro estudo, dessa vez dinamarquês, relaciona ingestão de cerveja, vinho e QI. Justamente eles que são os 8os maiores consumidores de cerveja concluíram que a cerveja reduz o QI enquanto o vinho aumentaria.

Novamente, este tipo de estudo serve muito mais para ganhar destaque em sites importantes mas feito para leigos do que para servir de novidade científica. Quem entende de economia, estatística e de pesquisa científica sabe do que falo. Eles atropelam a lógica.

Olimpíada dos Hinos Nacionais

Falta do que fazer é mesmo uma m%$&#... aliado aos JOs só piora tudo. Pois eis que um colunista do The Guardian escreveu um artigo interessante mas polêmico, já que mexe com patriotismo, nacionalismo barato e suscetibilidades alheias. Ele mexeu no vespeiro de dizer qual seria o melhor hino nacional.

O autor tem reputação pra encarar o desafio, já que é colunista cultural falando basicamente sobre música. Assim ele consegue argumentar de forma bem técnica.

Ele aproveitou o clima olímpico e o fato de que muitos dos 205 países envolvidos terão seus hinos executados em Pequim pra analisar. Foi simples, bateu a curiosidade e ele saiu ouvindo 5 hinos por dia por mais de um mês e depois listou seus vencedores com respectivos comentários.

O 1º desafio antes de ter que ouvir 4h30 de hino foi conseguir os hinos! Realmente não deve ser tarefa fácil, mesmo contando com Google e Youtube.

Algumas curiosidades: os hinos remetem ao século XVI (~1560), mas passaram a ser executados em 1745 (God Save the Queen) e 1792 (La Marseillaise). O hino Espanhol, após a ditadura de Franco, passou a não mais contar com letra, mas apenas com melodia.

Dentre os “vencedores” não há nenhum clássico e apenas 2 (Uruguai e Japão) são de países mais próximos de nós brasileiros. Aliás, não é muito provável que já tenha escutado os outros 8. Daí a originalidade da pesquisa e comparação.

Nada de grandes clássicos e, para desespero de argentinos, o grande campeão ficou aqui na América do Sul com nosso vizinho Uruguai! Isso mesmo! O Uruguai tem um dos hinos mais bonitos do mundo. Me dei ao trabalho de ouvir e a entrada é uma cópia descarada de um clássico. Aliás, outros são cópias (sempre descaradas) de clássicos. Mas não posso dizer que tenha sido por isso a preferência do autor.

Eu particularmente tenho meus preferidos. A melodia do Hino Nacional Brasileiro acho simplesmente espetacular apesar da letra por vezes bem criticada. O Hino Francês (La Marseillaise) é outro que emociona ainda mais quando você lê a letra e entende melhor todo o significado. O Hino Americano também é um dos meus preferidos. E o Hino Italiano fecha a lista (sem ordem de preferência) dos 4 mais bonitos na minha opinião. Obviamente que não ouvi nem 15% dos 205 pra ter a minha lista, ela baseia-se tão somente nos mais populares. Uma pena é que o nosso Hino à Bandeira hoje seja tão esquecido. Lembro-me que tínhamos que decorar a letra no colégio.

Uma novidade boa que apareceu na Copa do Mundo de 2002 e que vem se tornando rotina nos grandes eventos esportivos internacionais nas transmissões da Globo é que agora eles colocam uma legenda traduzindo os hinos. Para quem acompanha, os hinos europeus devido a história de confrontos, sempre remetem a guerras, invasões, armas, mortes... é bem interessante! Veja o caso do já falado aqui La Marseillaise. Ou então a execução do hino português antes de uma partida no mundial de Rugby ano passado com os atletas aos gritos no refrão “às armas”.

Por fim, segue aqui a lista dos 10 melhores:

9o. Nepal
10o. Japão

domingo, 24 de agosto de 2008

Qantas é mesmo a mais segura?


Charlie (Tom Cruise)- Ray, all airlines have crashed at one time or another, that doesn't mean that they are not safe.

Raymon (Dustin Hoffman)- QANTAS. QANTAS never crashed.


Não é lá um post muito bom de se escrever depois da morte de mais de 150 pessoas em Madri e também porque o Lula governa até 2010, mas...

Podemos dizer que o medo do homem de voar só não deve ser tão antigo quanto a própria vontade de voar. Voar não é mesmo algo natural, algo em que você tem os pés firmes mas vê e sente aquela coisa com várias toneladas (no caso de um Boeing ou AirBus) saindo do chão. Não dá pra ficar indiferente.

Lembro que logo após o fatídico acidente da TAM em 2007 eu voei várias vezes depois de TAM sem qualquer medo já que a estatística jogava a meu favor. Se caiu agora, vai demorar um tempo razoável pra que caia outro. Mas a debandada da manada é sempre irracional, não segue qualquer lógica. Ainda mais quando falamos de medo de voar.

Meu pai, por exemplo, passa férias no Nordeste com minha mãe sempre indo de carro. O Bergkamp, um jogador de futebol fantástico da Holanda decidiu se aposentar prematuramente porque morria de medo de voar, indo inclusive sedado para jogar a Copa de 1994 nos EUA. Tente explicar aos 2 que não há perigo...

Pois a mesma estatística que mostra não haver perigo pode jogar contra aquela que é conhecida mundialmente como a empresa mais segura do mundo. Quando assisti Rain Man (Oscar de Melhor Filme em 1988) pela 1ª vez eu achei que fosse lenda urbana o fato de nunca ter havido acidente fatal com aviões da empresa, mas era e continua sendo verdade! Somente neste ano, porém, a Qantas (acrônimo para Queensland and Northern Territory Aerial Services) já sofreu 3 incidentes sem vítimas. Inclusive mais por uma questão de imagem de mercado do que por razões técnicas, decidiram por reformar o 3º avião acidentado (avaria mais grave) apenas para poder sustentar a incrível marca de não sofrer perda de aeronaves por acidentes aéreos.

Essa é uma marca impressionante já que a maior companhia australiana é a 2ª mais antiga do mundo (a KLM é a 1ª)! Haja história! Essa invencibilidade ajudou a culminar na eleição como a 3ª melhor empresa aérea do planeta em 2008 (5ª em 2007 e 2ª em 2005-2006).

Mas é verdade também que essa conquista é do braço civil da Qantas já que quando operou a servico da aeronáutica local, eles sofreram alguns acidentes durante a 2ª guerra, sendo o último datado de 1951.

sábado, 23 de agosto de 2008

Sí se puede!


A coisa deve ser algum mal do idioma, não é possível. Todo brasileiro sabe que argentino tem fama de orgulhoso (“o ego humano é um pequeno argentino que todos carregamos dentro de nós"). Pois os espanhóis são também assim. Eles têm uma mania saudável mas quase irritante de achar que tudo na Espanha é o melhor do mundo. Eles têm um quê de eufórico, de descompromisso com a realidade, uma coisa que só eles enxergam.

A euforia econômica da Espanha ajuda e há anos é caso de estudo. Recentemente, um dos mais importantes jornais fez uma grande matéria sobre o tema. E lá você pode ver que a Economia já não é a mesma de quando (10 anos atrás) ia muitíssimo bem, obrigado. Porém no momento o país vive mais do que nunca uma euforia esportiva. Eles são os atuais Campeões Mundiais de Basquete (há um famoso blog “Dream Team es con Ñ”), da Eurocopa (“que venham Brasil e Argentina!”), têm o Nadal, são donos de 3 Voltas da França consecutivas, têm o piloto das Astúrias Fernando Alonso ("ser español es un orgullo, ser asturiano es un titulo")... tudo isso e mais um pouco parece aumentar a euforia dos eufóricos.

Para aqueles que acham que imprensa brasileira em tempos de Pequim é ufanista, não deve jamais sequer tentar ler jornais espanhóis. Ou tente então em algum domingo de F-1 perguntar como está a corrida. 100% de certeza que a frase começará com “o Alonso está em...." e com a carroça dele neste ano, como ele nunca lidera, você termina sem descobrir quem é o líder! Engraçado, não? Querido leitor, acredite, eu me divirto!

Um grande amigo meu, o Danilo Cão, apadrinhado de casamento está tendo a experiência sensacional de morar lá com a Fê, sua esposa. Ele também dá risada com isso. Ele me disse de um causo quando um dia em Madri em um jogo de Fôlei da Liga Mundial em que em sets estava, 2x0 para os EUA, 21x10 no 3º set a torcida começa a cantar um "podemos"... impagável!!

Aí eu descubro que faz pouco a Nike lançou uma campanha muito boa que explicita bem o que falo. A frase principal é dita pelo monstro do basquete Pau Gasol:

Ser español ya no es una excusa, es una responsabilidad

Pra mim diz muito sobre o aumento do orgulho, mas ele vai ainda mais longe:

"Hay algo que debo deciros: os estáis adelantando. Si ya os dais por satisfechos, ayudáis muy poco a vuestro país. De hecho, limitáis nuestras posibilidades. Está bien que tu país te admire, pero es mucho mejor que el mundo admire a tu país. No crees?"

É... se você convive com algum espanhol, a coisa só tende a piorar...

Sobre Pequim, Medalhas e o Custo delas...


O que mais chama sua atenção no quadro de medalhas destes JOs? É a superioridade chinesa? Talvez não devesse ser isso, já que a história mostra que o país-sede acaba por ter um acréscimo de 20% no número de medalhas em razão do “fator casa”.

O que mais deveria chamar a atenção é o numero de medalhas de ouro. Não o bruto, mas o porcentual dele no total das medalhas chinesas. Até 5ª a China tinha 43 ouros, 57% das 76 medalhas enquanto uma distribuição natural seria de cerca de 33%. Compare com os EUA que tem 26 ouros debre as 79 medalhas, por exemplo.

Nunca antes um país liderou com esse porcentual de 57% como você pode confirmar no ótimo site databaseOlympics. Pra ser mais exato, apenas 3 vezes na história o líder superou a barreira dos 50% (EUA em 1912 e a então URSS em 1952 e 1972).

Outras curiosidades do mundo olímpico: nunca um país ganhou mais de 2 medalhas sem conquistar uma prata ou bronze (em 10 ocasiões países conquistaram apenas 2 ouros). A Noruega em 2004 tem a maior porcentagem de ouros em casos com mais de 2 medalhas (5 ouros em 6 medalhas).

Mas o feito chinês é ainda mais impressionante porque apenas duas vezes na história um país teve 10 ou mais ouros com um porcentual maior do que os 57%: Hungria em 1936 (10 ouros em 16 medalhas) e a Espanha, país-sede em 1992 (13 de 22).

Sabendo que a China é o país-sede, lembremos que a média destes é de 35% em ouros. Visto assim, o Canadá (1976) é o anfitrião menos eficiente já que não ganhou ouro em suas 11 medalhas. Mas já houve casos piores (Brasil inclusive em 2000) sendo o maior deles a Alemanha em 1952 com 24 medalhas sem ouro entre elas.

Outro ponto interessante é que a mídia americana aponta nos rankings sempre os EUA como líder, já que eles sempre levam em conta o número total de medalhas, não os ouros. Apenas outras 3 vezes o quesito de contagem alteraria o vencedor. E nessas 3 oportunidades os EUA lideravam em ouro, mas não no total. São elas: 1896, 1912 e 1964.

E quanto custa cada uma dessas medalhas?
Você já deve ter ouvido muito sobre o alto preço de ser uma potência olímpica ou de se conseguir aquele ouro suado. Para o atleta não há preço. Ou então é o preço de uma vida de dedicação.

Sendo mais pragmáticos, falemos do investimento governamental. O caso clássico é o investimento australiano para virar uma potência olímpica e esportiva feito de 1980 em diante. Esse investimento foi maciço até 1996 para culminar nos JOs de 2000.

Em função do conquistado em 2000 temos que as medalhas de bronze mostram-se um pouco mais baratas custando AUS$15milhões enquanto ouro e prata custaram AUS$40milhões cada!!
Esse é um cálculo muito difícil de ser feito, pois depende de como o país investe seu dinheiro dependendo do modelo e estrutura envolvido no Esporte. Em Cuba, por exemplo, o custo é muito menor assim como em outros países do antigo bloco socialista como Bulgária, Hungria e Belarus. Já no caso americano é um custo quase impossível de se definir.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Super Usain Bolt

“If you weren’t ahead of Carl (Lewis) at 40m, he would embarrass you. This guy (Usain Bolt) will embarrass you from the start.” Harvey Glance, Treinador Americano.
Depois da inesquecível prova de 100m na qual Usain Bolt chegou comemorando, desacelerando e batendo contra o próprio peito, ele veio para surpreender mais uma vez. Um economista fez em um artigo um trocadilho infame com o fato dele não ser normal e da distribuição das 250 melhores marcas nos 200m da história não obedecerem também a uma distribuição normal. "Normal" como termo matemático e estatístico, é bom que se diga. É um jeito bem didático de entender o que vem chamando a atenção de todos os treinadores, mas agora também de muitos matemáticos.

Caso se interesse, outra grande opção para se ver melhor a evolução de alguns dos recordes destes JOs na Natação e no Atletismo você encontra aqui.

Usain é especial entre outras coisas por em plenos JOs ser o 1º homem desde Carl Lewis em Los Angeles 1984 a vencer os 100m e os 200m. Mas esta foi a 1ª vez que um atleta quebra os 2 recordes na mesma edição.

O que mais desperta a desconfiança de todos é que muitos foram os grandes velocistas medalhistas olímpicos pegos em exames anti-doping. Ben Johnson, Lindford Christie, Justin Gatlin, Tim Montgomery, Marion Jones, Dwain Chambers e Maurice Greene (atualmente acusado) são os nomes mais lembrados. Talvez seja por isso também que eles sejam questionados muito mais do que os nadadores que quebram recordes em uma freqüência muito maior.

Mas Usain apareceu do nada? Óbvio que não! Ele foi Campeão Mundial Júnior com 15 anos (21.81 nos 200m), o mais novo da história. Com 18 anos se tornou também o atleta mais jovem a correr abaixo dos 20 segundos (19.93) os 200m e correu abaixo dos 21s com meros 16 anos (hoje tem 22, um dia após a final dos 200m).

Fora isso, tecnicamente ele tem particularidades. Ele não perde energia correndo lateralmente após a saída de bloco como os demais velocistas. Pode ser um diferencial de treinamento. PODE ser! Digo isso porque essa opção para a maioria não é opção, é falta dela. Mas não tem jeito, o doping sempre volta a ser a pauta desconfiando-se dos resultados jamaicanos porque lá não há um sistema de controle de dopagem eficiente dentro de seu país. Tudo é muito amador e livre. Para piorar, veja esses exemplos:

Shelly-Ann Fraser (ouro nos 100m)
10.78s agora e 2 anos antes... 11.74s.

Melanie Walker (ouro nos 400m c/ barreiras)
52.64s agora, 1.5s mais rápido do que seu melhor na temporada 2007 (54.14s).

O próprio Bolt melhorou seu 200m de 19.67s para 19,.0s de uma vez (Michael Johnson, antigo recordista, o fez de 19.66s para 19.32s em 1996).

Ainda nos 200m
Bolt deu 42 passos nos primeiros 100m e mais 38 na 2ª metade. Para que tenha idéia, ele deu 41 passos na prova de 100m. Johnson em 1996 fez os 1os 100m em 10.12s e os 100m restantes em 9.20s. Bolt parece ter corrido abaixo dos 10.10s a 1ª metade, mas ainda carecemos de dados oficiais. Mas um dado é oficial. O vento estava contra a 0,9m/s!

Mas o que mudou realmente para que quebrasse os recordes foi sua velocidade máxima. Nos 100m os 43,9km/h são a maior já registrada aceita e a manutenção dela dos 50m aos 90m é revolucionário. Carl Lewis em seu recorde (9.86s) atingiu o pico aos 60m mantendo até quase 90m. E isso criou um padrão de leitura do comportamento dos velocistas na prova dos 100m. O desafio do treinamento dos velocistas de 100m era sempre “empurrar” para frente esse pico de velocidade porque ele parecia ser o determinante do desempenho. E em Bolt ele antecipa (!!) o 1º pico empurrando o 2º pico mantendo por uma distância inimaginável anos atrás.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sobre multas ou o que fazer e deixar fazer no trânsito.


Os estudiosos do comportamento humano falam sempre sobre o conceito de “identidade”. Ela é a idéia de que você tem uma visão particular do tipo de pessoa que você é ou deseja ser. Assim, você se sentiria péssimo sempre que fizesse coisas que estão além do seu limite aceitável de comportamento uma espécie de uma barreira moral. E como você poderia vivenciar este conceito para entendê-lo bem?

Vou falar da minha experiência, que por acaso é bem parecida com a do Steven Levitt, um estudioso do tema. Eu, tal qual ele, não consigo furar fila quando dirijo. Usar o acostamento para mim está fora de questão. O mesmo também pra faixa exclusiva de ônibus ou o famoso “migué” em rotatória e pista exclusiva. Todos estão fora de questão além de me deixar indignado sempre que vejo isso e vejo tanta gente (eu inclusive) sendo prejudicada.

A idéia do conceito de “identidade” reside no fato também de que caso eu ultrapassasse essa minha barreira pessoal (cortar caminho irregulamente), eu teria que repensar o tipo de pessoa que sou.

Pra você que partilha do mesmo comportamento no trânsito, eu pergunto: Você se importa quando o SEU taxista ou o motorista do SEU ônibus faz isso?

Eu falo abertamente, muitas das vezes eu (e o Levitt também) me divirto! Em Buenos Aires, no trânsito mais louco da América Latina presenciei as maiores barbeiragens possiveis, e não paro de contar essas histórias às gargalhadas aos meus amigos. No Rio de Janeiro, fui até testemunha de briga do meu taxista. E me diverti sempre! Nunca pedi ou repreendi ninguém para que não cortasse caminho. Ou seja, quando não estou no volante, não sou o responsável e ele não é um dos “meus”, (quase tudo) pode!

E o que a multa tem a ver com isso?

Todos sabemos (ou deveríamos saber) que a certeza da punição é a melhor maneira de coibir um delito. Essa certeza (e não a pobreza como os idiotas tentam dizer) faz com que o criminoso não cometa ou repense a ação. Mesmo assim, a multa no trânsito tem também um outro paliativo porque para aqueles que, como eu, o Levitt e alguns dos leitores, respeita essas regras, ver os trapaceadores sendo multados traz uma certa sensação de justiça por termos escolhidos pela maior demora mas algo para nós moralmente correto.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

MJ – não menos do que o 2º maior atleta de todos os tempos.

Tenho um amigo, o Vítor Ohtsuki, que afirma sempre que nós, os nascidos por volta do final dos anos 70 e início de 80 somos privilegiados, pois estamos vivenciando a carreira de alguns dos maiores gênios do Esporte. Alguns dos maiores pilotos (Senna, Prost, Schummy, Piquet), futebolistas (Maradona, Zizou, Ronaldo, Romário), tenistas (Sampras, Federer, Borg, Agassi) e outros tantos monstros (Phelps, Tiger Woods, Carl Lewis, Myke Tyson). Eu concordo em gênero, número e grau, mesmo que alguns deles não sejam os maiores em sua modalidade. Mas há 1 em especial que com toda certeza é sem discussão. Eu o considero depois de Pelé o maior atleta que o mundo já conheceu.

Michael Jordan. Ele é uma daquelas personificações da expressão “ele é o cara”!

Não é preciso dizer muito sobre aquele que transformou o basquete. Lembro bem que cheguei a assistir pela TV alguns de seus jogos mesmo que não gostando tanto, apenas porque sabia que estava presenciando algo muito especial, algo que no futuro não se repete.

Mais uma vez aqui recorri ao meu assessor (sempre o Ronalt) para ter uma pequena lista de livros e filmes sobre ele.Talvez o melhor (ainda não li) seja mesmo o Drive from Within. Entre outros os (muito bons) livros do técnico Phil Jackson (Sacred Hoops) e o do Magic Johnson (My Life) apenas aumentam a fama do mito. Você a cada página acaba achando que ele não é mesmo humano.

Mas mais forte do que as palavras, talvez sejam as imagens. No excepcional DVD Michael Jordan – His Airness estão lá todas as jogadas e lances que comprovam o que tentei escrever aqui. Estão lá todos os milagres do santo. Confira!

Pra fechar, nenhum atleta tenha talvez mudado de tal forma a história do Marketing Esportivo quanto ele. Ano passado foi feita uma lista dos 10 maiores comerciais de basquete de todos os tempos e o número 1 era dele. Aliás, MJ foi o único com 2 na lista. Estão lá em 1 minuto protagonizada por crianças algumas das maiores cenas e jogadas. É de chorar. O outro você confere aqui.

video

Sai da frente da TV, menino!

Hj um amigo meu, Rodrigo Berber, falava sobre a enorme pressão do atleta chinês dos 110m (Liu Xiang) que se lesionou e não pode sequer iniciar a disputa do talvez mais aguardado ouro chinês destes JOs.

A frase de efeito que ele usou, mas nem mesmo ele acreditava foi: a final dos 110m teria 1 bilhão de telespectadores.

Ainda antes nesses JOs, o jogo EUA x China foi celebrado como o jogo de basquete de maior audiência na história desse esporte. Supostamente 1 bilhão de pessoas o teriam assistido. É possível tanta gente vendo LeBron James enterrando?

Improvável. Já que não há uma medição de audiência confiável em todo o mundo há essa liberdade de divulgar números. Logicamente que somadas as populações de EUA e China temos um número considerável, mas as TVs locais dos 2 países acreditam que “apenas” 100 milhões de pessoas nos 2 países assistiram à partida visto que as 12 horas de fuso entre Pequim e NY não potencializam alavancar a audiência. Eis então que jogaram a responsabilidade de arranjar outros 900 milhões para quem nem tinha por qual time torcer.

Ainda nessa linha os JOs de Atenas teriam sido assistidos por 3,9 bilhões de pessoas e a última edição do Oscar por 1,5 billhão, mesmo que nos EUA a audiência seja de comprovados “meros” 42,1milhões. O segredo é que as audiências destes 2 eventos são estimados em função da audiência POTENCIAL, não a de fato. O mesmo vale para o Super Bowl, por exemplo.

O Super Bowl teria uma audiência de 1 bilhão de pessoas. Mas o que eles querem dizer com isso é que 1 bilhão de pessoas PODERIAM ver a partida. No próprio EUA, a audiência é de comprovados 86,1 milhões. Se no país do Futebol Americano há “apenas” esses telespectadores, é improvável que com um gosto por esporte diferente e fuso-horário idem possamos ter tamanha audiência nos demais países.

Esses números montruosos não passam mesmo de mera hipérbole. Ninguém sabe nem ao certo dizer de onde surgiram esses valores. Alguém provavelmente alguma vez lançou e ninguém mais fez o favor de ir checar até porque há um grande apelo comercial e de globalização do evento. Há também uma certa busca e necessidade por números, mesmo que fantasiosos. Melhor ainda se forem gigantes assim. Para os organizadores do evento é ainda melhor, pois tem melhor cobertura e ainda melhor negociação com anunciantes.

domingo, 17 de agosto de 2008

Phelps x Mark Spitz

Qual desempenho foi melhor? Mark Spitz ou Michael Phelps? Quando escrevi este post eles estavam empatados considerando os 2 JOs de melhor desempenho individual. Dá pra ir mais longe na análise? Com certeza. Os dados matemáticos aqui vão sem o último ouro no revezamento.

Como Phelps ganhou a 8ª de ouro, Spitz pode voltar a dizer que em 1972, quando não havia a prova de 50m livres, que ele ganharia outro ouro com certeza, como já disse antes.

Spitz estabeleceu recorde mundial nos seus 7 eventos, Phelps fez o mesmo em 7 sendo um recorde olímpico na outra. Mas comparar as marcas dos 2 seria um tremendo erro já que Spitz não contava com tamanha tecnologia de aparelhos, maiôs ou Ciências do Esporte. Para efeito de comparação e curiosidade, ele voltou a disputar as eliminatórias americanas para Barcelona 92. Mesmo não sendo mais um atleta profissional, aos 41 anos ele melhorou sua marca individual em uma das provas treinando menos de 3 anos.

Se a comparação de marcas é injusta e as medalhas eram em igual número, o que dizer da margem de vitória? Spitz foi mais dominante já que venceu as provas com vantagem de 1,36% enquanto Phelps o fez por 0,91% em média. Mas isto parece mais um empate. Spitz estabeleceu os recordes com média de vantagem de 1,02% enquanto Phelps o fez com 1,05%. Novo empate.

Os recordes do Phelps, vimos que caíram na mesma medida que caíram o de outras provas em que ele não nadou. Foi assim também em 1972 com Spitz, com muito recordes na Natação, com ou sem Spitz na água. A diferença é que os recordes de Phelps são melhores quando comparamos aos outros (melhora de “apenas” 0,24%). Mas isso também vale para o Spitz (0,34% de melhora dos outros competidores).

Diante de tudo isso, estávamos diante de um caso de surpreendente empate. Spitz parece ter sido mais dominante enquanto os recordes de Phelps são ligeiramente mais expressivos cada um comparado ao seu tempo, no caso, Jogos Olímpicos. Com a 8ª, acabou-se a discussão.

Phelps, qual é a sua??


Eu falava com um grande amigo meu, o Moisés, ou apenas Moisa, que não iria escrever sobre o Phelps. Não queria! Mas não dá... o cara é muito phoda. Com PH mesmo!

A cada 2 anos me prendo pra ler e ver muita Natação! Adoro campeonato mundial (piscina de 50m, por favor, mundial de piscina curta é igual Mundial de Futebol Interclubes jogado no Brasil). JOs então... nem se fala!

E como ele consegue?? Como??

Na minha maratona aquática achei alguns dados muito interessantes que respondem um pouco essa supremacia Phelpiana. Bom, o Phelps é um fenômeno daqueles que nascem a cada 36 anos (2008 menos 1972). Para quem não o conhecia talvez passe despercebido que ele bateu seu 1o recorde mundial adulto com 15 anos (100m borboleta). Em Atenas 2004 ganhou 7 medalhas (6 ouros e 1 bronze) e outras tantas em mundiais.
Mas o que o diferencia? São várias coisas:

Seu corpo foi feito pra nadar. Ele tem 1,93m e uma envergadura ainda maior (2,03m). O tamanho do tronco dele é o de um cara de 1,95m, enquanto o comprimento das pernas é de um cara de 1,70m. Isso já é uma vantagem muito boa já que a propulsão vem por volta de 75% dos braços de um nadador! Além disso, suas mãos e pés são maiores do que a média para sua altura. E os pés são desumanamente mais flexíveis (>15%) o que o trasforma num pé-de-pato natural.

Isso é o que você consegue “ver” olhando para ele, mas ele também tem uma capacidade fisiológica de remover lactato muito acima da média porque ele tem picos de quase 6mm/L enquanto os demais chegam a 12mm/L ao final de uma prova.

O treinamento dele também é de uma individualidade biológica especial! Méritos do excelente treinador! Mas outros atletas também contam com excelentes treinadores, então esta vantagem não poderia ser sozinha decisiva.

Mas há outra razão que é desconsiderada que é também o que faz os grandes atletas serem especiais. O Phelps por decisão própria pediu que o treinador incluísse uma 14ª sessão de treino semanal dispensando o descanso que ele tinha nas tardes de domingo. Por quê? Porque assim, segundo ele, estaria 52 treinos por ano à frente dos adversários. Fora isso, quem o conhece sempre comenta a incrível obstinação, concentração e foco dele. Essa determinação, segundo dizem, é algo completamente acima de qualquer outro nadador. É o tipo de coisa que você ouve falar sobre pessoas especiais como Tiger Woods ou o Michael Jordan, por exemplo.

Ele é a união de todos os atributos naturais necessários (fisiologia e corpo) para nadar assim tão rápido, treinado com os melhores profissionais e a tecnologia de ponta que só um país que respira natação como os EUA ou a Austrália poderiam oferecer unidos a um atleta super focado e SUPER dedicado.

sábado, 16 de agosto de 2008

MJ – O sorriso mais carismático do Esporte

Lembro como se fosse ontem. Ouço na TV a notícia de que Magic Johnson em uma coletiva com alguns dos maiores astros do basquete reunidos acaba de anunciar que está com o vírus HIV. Fiquei chocado! Mais tarde fui treinar e comentei com um amigo apaixonado por basquete. Ele ria de mim não acreditando. Aliás, quem acreditava no que acabara de acontecer?

Naquele mesmo ano aquela que é para mim até hoje a maior equipe esportiva jamais montada na história do Esporte (seja ela qualquer modalidade) passa a ter a incerteza da presença de uma de suas 3 maiores estrelas que iriam vir a compor o - desculpe o trocadilho - tão sonhado Dream Team. Mas Barcelona acaba sendo presenteada com a presença deste que é em todas as listas americanas (eles amam listas!) sempre apontado como o maior em sua posição em todos os tempos.

Mais de 15 anos depois daquele anúncio em idos 1992, o garotão ainda parece um touro. Foi também depois de quase 15 anos que pude ler seu livro que fala sobre aquele momento do anúncio, sua decisão de jogar os Jogos Olímpicos de Barcelona e também sobre sua dura decisão de abandonar o basquete quando o risco de contrair a doença em partidas começava a preocupar algumas pessoas.

Mais uma vez foi o Ronalt, meu Assessor para Assuntos Basquetebolísticos, quem me recomendou o My Life. É sensacional! Muito mais do que um livro que vangloria o (auto)biografado, é um livro franco, humano, que mostra todos os erros com uma franqueza quase assustadora. Mas estão lá também as demonstrações de que além de muita dedicação, ele possui um talento extraordinário, daqueles que aparecem não mais do que 1 vez a cada 30, 40 anos. Tudo o que ele faz sempre acaba parecendo fácil quando você lê...

Estão lá também a sua descrição sobre o Jordan, sobre o mitológico último treino do Dream Team (há um livro que fala muito bem disso), sobre sua rivalidade com Larry Bird e causos e causos que fazem o livro parecer um gibi de tão rápido que você avança. Recomendo!

De bilhete, fiscalização, seguradora e Economia...


Um blogueiro trouxe à tona um esquema digno do jeitinho brasileiro que só não é genuinamente brasileiro porque é organizado demais...

O sistema de trem de Mumbai serve diariamente 6 milhões de usuários, o dobro do Metrô de SP para que o leitor tenha uma idéia. O sistema lá não possui controle de bilhetes para todos os usuários. Tal como na Europa, eles partem para um controle aleatório aplicando multas para quem não possuir bilhetes. Mas presenciar esse controle não é fácil, pois é baixo o número das fiscalizações. E eis então que um usuário teve uma idéia economicamente inteligente, apesar de transgredir as regras. Ele criou uma espécie de companhia de seguro para o usuários que forem pego sem bilhetes.

Como funciona?
O interessado paga 500 rupees (U$11) para se associar e, no caso de ser pego pelas autoridades, ele paga a multa (50 a 250 rupees) e apresenta o recibo/canhoto para a “seguradora” que reembolsa então 100% do valor pago.

Mas por que não foi um tremendo sucesso?
Os trapaceiros observaram que a maioria das fiscalizações eram sempre por volta do meio do mês (entre os dias 14 e 17) e também ao final do mês (26 a 30/31). E podemos deduzir que uma empresa que transporta 6 milhões de pessoas/dia não deve possuir vagões muito vazios, o que facilita a fuga do mal-intencionado. Além disso, a multa (50 a 250 rupees) parece proporcionalmente baixa, não acha? Assim eles optam por economizar a passagem ou os 500 rupees de associação.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

E com vocês... MJ!


Americano é doido por sigla. Eles sempre chegam a discutir se há alguma para o presidente, para o candidato, para o atleta do momento, para o ator... Eles também são doidos por apelidos. Aqui no Brasil já vi muita gente tentando explicar também essa nossa tara e liberdade por chamar os famosos por apelidos tão pessoais com “inho” no final, por exemplo.

Veja na seleção de futebol, por falta de um Ronaldo, temos 2! É assim também na lista dos maiores craques do seu clube, faça o exercício. Temos também Rubinho (Barrichello), Lula, Robinho, Bernardinho...

A explicação que acho mais plausível e lógica é aquela que diz que nós brasileiros usamos esses apelidos numa forma de intimidade, de nos aproximar daqueles ídolos e famosos em uma informalidade que só o brasileiro tem em todo o mundo.

Aliás, você sabia que o Ronaldo não é Ronaldinho na Europa por uma questão comercial? Ele acha mais vendável. E o Rubens só tem “inho” no Brasil mesmo...

Bom, mas falava dos americanos... existe uma sigla que não pode ser usada por 1 só pessoa pois ela se refere a 4 dos maiores gênios que a Música e o Esporte puderam produzir.

São eles: MJ, MJ, MJ e MJ!

Gênios!
Vou retomar depois o post para “apresentá-los” brevemente.
Você faz idéia de quem eu falo?

Criança café-com-leite...

Já disse, acho o Steven Levitt um gênio e repito sempre: ele só não ganha um Nobel no futuro por ter metido a mão no terreno da religião mostrando os supostos benefícios da legalização do aborto no combate da criminalidade Nova Iorquina. E foi justamente no seu best seller Freakonomics!

E ele novamente aparece com um estudo muito bom dessa vez sobre crianças que têm pais de cores diferentes (um negro e outro branco). No país das estatísticas você consegue saber de tudo sobre as crianças com pais negros OU brancos. Mas e quando os 2 são diferentes?

No artigo dele e dos co-autores Roland Fryer, Lisa Kahn e Jorg Spenkuch eles analisaram os dados e chegaram a 4 interessantes conclusões.

1. Essas crianças crescem em casas de dimensões iguais as das crianças negras e seus pais são ausentes no dia-a-dia tal qual os pais negros;

2. No quesito desempenho escolar, elas ficam entre as brancas e as negras;

3. Elas são consideradas mais atraentes do que as brancas e as negras;

Aí vem o mais interessante para eles.

4. É de conhecimento que as brancas têm um tipo de mau comportamento mais característico delas (com beber álcool e fumar) enquanto as negras têm outros (ver TV em excesso, brigas e maior incidência de DSTs). Já as crianças do estudo possuem os 2 tipos de comportamento!

A explicação econômica deles não pareceu clara para eles mesmos. Então partiram para a sociologia lembrando da teoria que dita a “mistura racial” como um marginalizado que não é nem de um nem do outro grupo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Conseguindo o que deseja. Há ciência na persuasão.


No novo livro, Yes! 50 Scientifically Proven Ways to Be Persuasive, os autores mostram que há uma ciência da persuasão que pode aumentar as suas chances de sucesso. Nele, Cialdini (Professor de Psicologia e Marketing na Arizona State University), Goldstein (Professor Assistente na UCLA) e Steve Martin trazem respostas interessantes para problemas bem normais.

Vai pedir aumento?
O que eles mais tentam enfatizar no livro é justamente o fato de que no relacionamento entre duas pessoas há momentos (janelas de oportunidade) quando o poder de persuasão seria ótimo. Então quando estiver buscando um aumento junto a um superior que tem essa autoridade, o melhor momento do pedido é justamente após obter um excelente resultado em alguma tarefa importante para a empresa e que tenha feito justamente seu superior parece bom aos olhos dos supervisores dele(a). Outra tarefa a não esquecer é que se algum supervisor reconhecer seu trabalho, esteja certo de dividir os créditos com seu chefe, um gesto que gera reciprocidade e gratidão num momento futuro de pedido de aumento.

O que oferecer na hora da palestra.
Pesquisas mostram que a cafeína quando dado a um grupo de ouvintes em uma palestra aumenta o covencimento neles de seus argumentos se comparado a um grupo controle. Isso significa que nada melhor do que oferecer café, chá ou refrigerante do tipo cola ainda antes da reunião ou logo em seu início já que a absorção demora por volta de 30 minutos.

E aquele maldito colunista que falou mal do seu negócio?
Poderia uma revista ou jornal ajudar você mesmo com um artigo crítico? Pode em algumas circunstâncias! A mais óbvia é quando seu produto é ainda desconhecido do consumidor. Se a crítica não for extremamente negativa ela ainda irá familiarizá-lo com o novo produto em uma futura ida às lojas e ele pode inclusive esquecer o teor da coluna.

E o que fazer para receber um sim em um encontro...
Ao contrário do que todos pensamos, o mais difícil não é conseguir o “sim”, mas fazer com que a pessoa apareça ou não desmarque. Uma das muitas táticas então seria criar uma sensação de comprometimento na pessoa. Para isso, ao final do convite evite frases “soltas” do tipo “Vejo você lá!” ou “Me avise sobre qualquer mudança de planos” conforme se despedem. A solução é ser mais enfático e direto usando algo como “Você, por favor, poderia me ligar caso apareça algum impedimento e precisemos mudar os planos?” e espere até ouvir o tão desejado, “Sim, eu aviso!”

E isso não é só para assuntos pessoais. Um restaurante em Chicago mudou o padrão de atendimento para reservas antecipadas. Isso porque muitas pessoas faziam reservas e não apareciam sem mesmo avisar cancelando. Do antigo “Por favor, ligue se tiver que cancelar” eles passaram para um “Você, por favor, vai ligar caso tenha que cancelar?”. Mudança sutil, não? Pois assim o cliente quase se compromete a ligar. Pois bem, houve uma redução de 30% para 10% no no-show.

Oprah para presidente!


Quanto vale o seu voto? O meu vale 1. E a sua opinião? Vale quanto? A minha vale (bem) pouco. Pois bem, um estudo nos EUA mostra que a da apresentadora Oprah Winfrey vale 1 milhão de votos. Isso mesmo! 1 MILHÃO.

Como ela também vende (muita) revista, fizeram o cruzamento de dados de assinaturas de revistas e livros dela estimando assim o efeito-Oprah que foi avaliado em 1 milhão de votos em Obama nas primárias.

Sendo assim, Hillary Clinton poderia ter vencido as primárias se não fosse esse apoio! Ou seja, o futuro do mundo também está nas mãos de Oprah!

Juca Kfouri - o Colunista da hipocrisia


O Juca Kfouri é mesmo um idiota. Não bato nele querendo fama, não. É que não suporto esse populismo barato e vagabundo dele. O primeiro a me chamar a atenção pra isso foi o Diogo Mainardi anos atrás justamente em uma fase em que eu ainda lia e ouvia o Kfouri. Comecei a reparar, e não é que ele é rasteiramente atraente justamente por escrever e alimentar aquilo que os nossos desejos pueris de oposição mais querem?

Pois vejamos: em 02 de Julho deste ano, após a derrota do Fluminense na Libertadores ele saiu com esse discurso porco:

“Um aspecto, no entanto, chama a minha atenção, me decepciona e preocupa: a elitização de nosso futebol se faz gritante. Não há negros no Maracanã.”

Ele deve ser da turma esquedóide que logo logo vai defender o bolsa-ingresso. Ele é o mais racista quando diz que a elite é branca. Mas ele não sabe disso. Ele não é capaz disso. Por isso também ele é um idiota.

Pois agora mais uma vez no seu blog ele vem com um discursinho populista como sua alma. Lá, em 11 de Agosto, ele fala os seus motivos para não ir acompanhar os JOs em Pequim. Vem com um papinho babaca de que o doping e o ufanismo da cobertura televisiva brasileira o desanimaram. Ele quer nos fazer acreditar que estava em Marte desde 1992 quando a TV entrou mais onipresente na transmissão.

Desse argumento rasteiro ele passa pro descontentamento dele (e de muitos outros) com o Carlos Nuzman, presidente do COB. Como se o Nuzman tivesse algo a ver com apenas 12% de nossa rede escolar ter quadras de esporte. É aquele discurso idiota que relaciona presídio e escola. Como se um estivesse necessariamente ligado ao outro. Ele que ache argumentos melhores pra não ir pra Pequim, mas não esse!

Mais rasteiro ainda é atrelar alto rendimento, inclusão social (??) e Saúde Pública. Ele descobriu uma fórmula de incentivo retro-alimentado que ninguém consegue ainda explicar totalmente. É um gênio esse Kfouri!

Mas tal qual todos esses puritanos que estão de plantão sempre a nos defender ele “lembra” que é “tudo por dinheiro, tão simples assim”. Acrescenta depois que “a Coca-Cola alijou Atenas de receber (os JOs do centenário) num crime contra a história”. Olha só! Ele já tem até culpado! A Coca-Cola é vilã e eu nem sabia!! Vou de Pepsi na próxima refeição.

Mas o melhor fica sempre pro final. Ele gostou de Barcelona porque lá “os equipamentos até hoje são utilizados por quem os pagou, os catalães”. Dessa parte você acaba concluindo que quem irá utilizar as instalações chinesas serão, sei lá, os opressores americanos que trabalham na Coca-Cola lá em Atlanta. Só pode...

Haja paciência.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Concorrência desleal


Bilhões de dólares são disputados dente-a-dente no mercado global. A competição é dura a ponto de beirar e atravessar a fronteira da ilegalidade dentre outras vias pela forma da espionagem corporativa.

E por que apenas roubar as idéias da concorrente? Num mundo onde é tão fácil contratar um assassino e onde a morte de um CEO causa um declínio considerável no lucro da empresa, por que não há uso recorrente desse recurso no mundo corporativo atual?

A polêmica discussão foi lançada em um (bom) blog.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Fazer o bem sem nem olhar a quem? Me engana que eu gosto...

David DeSteno, o professor de Psicologia da Northeastern University já citado aqui nesse blog continua me surpreendendo. Dessa vez ele me aparece com um estudo sobre gratidão.

Ele questiona: o homem possuiria uma classe de emoções que nos levaria a ser um bom parceiro? Ele e outra pesquisadora, Monica Bartlett, fizeram um ótimo experimento. As pessoas em laboratório enfrentavam duas situações distintas. Na 1ª elas tinham uma tarefa difícil a ser cumprida e em outra uma tarefa fácil. Na 1ª uma outra pessoa ajudava o participante dedicando seu próprio tempo e esforço gerando um sentimento de gratidão pela ajuda.

Assim que deixavam o laboratório o participante se deparava com alguém (um ator contratado) pedindo ajuda em uma outra tarefa qualquer! A observação do comportamento leva a conclusão de que o sentimento de gratidão dos participantes que receberam ajuda fez com que ajudassem muito mais o “necessitado” na rua do que aquele que cumpriu uma tarefa fácil sem ajuda.

Outro ponto interessante nessa pesquisa é que em outro estudo similar quando as pessoas antes da saída do laboratório eram lembradas de que haviam recebido ajuda externa na tarefa elas acabavam por não ajudar os estranhos mais do que o grupo controle! Ou seja, claramente há um sentimento misto de retribuição e gratidão.

Agora já sabe, se alguém solicita sua ajuda no momento em que você tem essa sensação de gratidão, a chance de êxito dela é com certeza muito maior.

Sobre tenistas, agressividade de jogo e o porquê das mulheres ganharem menos no mundo corporativo...

Eis que M. Daniele Paserman, professor de Economia da Boston University faz um estudo interessantíssimo! Ele analisou e concluiu que no tênis feminino as atletas jogam mais conservadoramente e cometem mais erros não-forçados nos pontos críticos. Com isso ele tenta estabelecer um paralelo com a diferença de salários no mundo corporativo!

Sabemos que apesar de décadas de aumento da participação da mulher na força de trabalho uma diferença salarial se mantem. E é sobre o porquê dessa disparidade que ele mergulhou nos dados esportivos. Óbvio que ele não quer somente assim explicar tudo já que as razões são das mais diversas e complexas possíveis. Uma delas, das mais intrigantes, seria que as mulheres seriam menos efetivas em ambientes altamente competitivos apesar de possuírem similar competência em ambientes não-competitivos. Por essa diferença de resposta sob grande pressão que ele usou dados dos mais famosos torneios de tênis.

Mas... Por que o tênis???
Partidas de tênis parecem estatisticamente perfeitas para as análises nesse caso! Nele o ponto final pode ser um winner ou um erro-forçado ou um não-forçado. Além disso, por ser de contagem não linear acaba havendo uma significante variação da importância dos pontos além deles serem em maior número ao longo da partida.

Sabendo da importância dos pontos e da freqüência em que os atletas cometeram os erros não-forçados ele pode analisar a influência disso no estilo de jogo. Pois ele analisou 42.000 pontos em 238 partidas dos recentes Grand Slams encontrando importante diferença entre os sexos. Isso porque enquanto os homens parecem não variar muito o desempenho em função da importância do ponto as mulheres parecem perder muito em desempenho conforme os pontos vão ganhando importância.

A habilidade de cada jogador, a fase do torneio, a duração da partida, o local do torneio e a quadra da partida mostram que o sexo do atleta influencia na qualidade da resposta sob pressão. Enquanto cerca de 30% dos pontos deles terminam em erros não-forçados, para elas o valor fica em cerca de 36% subindo para quase 40% nos mais importantes de todos!

Óbvio que você deve estar atentando para o fato de que os homens são mais “fortes”, mas a atencão do estudo está na diferença da resposta entre os sexos quando há aumento da pressão competitiva.

E você insiste perguntando: a diferença não pode ser física?
Uma diferença potencial para explicar a diferença e propensão ao erro entre os sexos seria a atitude e nível de agressividade imposto conforme os pontos vão ficando mais importantes. Os homens sacam o 1º serviço ainda mais forte quando os pontos são mais importantes. Enquanto isso as mulheres fazem o oposto reduzindo a velocidade do 1º saque. O interessante é que as mulheres reduzem a velocidade do saque para se certificarem de que o ponto será disputado achando que isso aumentaria as chances de um winner, mas o que ocorre é exatamente o oposto!

Para isolar a variável física dos atleta ele os separou de acordo com seu biotipo. Com isso ele chegou que os menos potentes são também menos agressivos e fazem mais erros não-forçados nos pontos decisivos independente do sexo.

Enquanto a literatura atual mostra que os melhores do mundo aumentam o desempenho quando sob alta pressão elas contradizem os resultados que mostram que as melhores tenistas apresentam queda de rendimento.

Tênis e o mecado de trabalho
O próprio autor é o primeiro a reconhecer que seria até inapropriado extrapolar um único estudo para um grupo tão seleto do mercado de trabalho. Com certeza o tênis profissional e a sua pressão são substancialmente diferentes daquelas no mercado de trabalho. Além disso, todos sabemos que o tênis requer hablidades motoras – e não apenas habilidade cognitivas – e por fim suas decisões devem sempre ser tomadas em décimos de segundos, coisa encontrada apenas em um número limitadíssimo de profissões. Mas o tema é interessante o suficiente para gerar um maior interesse no assunto que explique a diferença de salários.

sábado, 9 de agosto de 2008

Da série: Melhores discursos da história do Cinema - parte 3

E dando prosseguimento à série, eis que chego a um dos meus discursos preferidos, feito em um dos meus filmes preferidos por um dos meus personagens preferidos. Nesse ponto o Aragorn tem muito de Rock Balboa...

Costumo dizer que a famosa - por que não dizer a também mais bem sucedida? - trilogia não é uma trilogia, mas um filme com 9h de duração. Diferentemente de, por exemplo, "De Volta Para o Futuro" ou da não mais trilogia "Indiana Jones" que perdendo um pouco (seria muito??) você consegue assistir fora da ordem natural cronológica já que contam com histórias diferentes que têm em si ligação. Com "O Senhor dos Anéis' fica quase impossível em função do grande número de personagens e por ser um road movie de um livro que (óbvio!) tem começo, meio fim.

Voltando... eis que Aragorn, um do maiores heróis da história do cinema decide atacar com um pequenino exército a fortaleza por onde outro herói (Frodo) precisa entrar pelo seu famoso portão tido como impenetrável. Seus homens obviamente estão receosos, temerosos e deseperançosos do êxito. Como um grande líder ele toma a frente e a palavra num discurso sensacional para levantar a moral dos combatentes.

Tenho que confessar que nessa hora após o dicscurso eu procurava embaixo do meu assento no cinema alguma espada para ajudar na batalha.

Acompanhe abaixo o vídeo e as sábias palavras do Sir Aragorn.

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"Hold your ground, hold your ground! Sons of Gondor, of Rohan, my brothers! I see in your eyes the same fear that would take the heart of me. A day may come when the courage of men fails, when we forsake our friends and break all bonds of fellowship, but it is not this day. An hour of woes and shattered shields, when the age of men comes crashing down! But it is not this day! This day we fight! By all that you hold dear on this good Earth, I bid you *stand, Men of the West!"

video

Escócia! Freeeeeeeeedom...


"Gato mole em pedra dura tanto bate até que acaba matando o gato".

Se você, assim como eu, também prefere cachorros a gatos, Edinburgo começa bem! Logo na entrada de um dos principais cemitérios da cidade (centro turístico), você verá que ao lado da placa informando a proibição da entrada de cachorros há também um túmulo que recebe inúmeras oferendas dos visitantes. Trata-se do jazigo de Bobby, o cachorro de um antigo coveiro do local. Após morte deste, cujo túmulo está ao lado do de Bobby, você é informado que o dog passou alí seus últimos 14 anos de vida sempre fiel ao seu dono. Essa lealdade lhe rendeu a homenagem. Mas o corpo de canino foi enterrado em frente ao cemitério e lá se encontra uma pequena estátua que com certeza absoluta é uma das mais fotografadas da cidade.

Edinburgo foi com certeza a mais agradável surpresa que já tive na Europa! Fui quase mais que por obrigação cultural do que por vontade. Chegando lá, tal como disse uma amiga, você vê que está realmente na Europa com todos os castelos, igrejas, organização, turistas, táxis típicos...

A cidade é pequena (450mil habitantes) o que facilita para quem deseja conhecê-la bem e em poucos dias. Os mapas gratuitos que você encontra são um belo guia. Mas se você deseja saber mais detalhes e também muitas das histórias violentas do passado medieval, sugiro que faça o tour gratuito. É excelente! Veja também no site caso se interesse para fazê-lo também em algumas outras capitais européias em que o servico é disponibilizado.

Glasgow
Glasgow era meu destino principal quando comprei as passagens. Mas eis que mudei por completo. E sugiro que faça o mesmo. É ao que se vê uma cidade para trabalhar e conta com pouquíssimas atrações. Ela é muito bonita, limpa e organizada, mas nada que dispense mais do que um dia lá. Por ser tão próximo de Edinburgo (10 libras ida-e-volta de ônibus) você pode visitá-la facilmente. Não deixe de ir na Catedral e também entre nas universidades para ver se tem sorte de ver algum ensaio com eles tocando gaita-de-fole.

Lago Ness
Para fechar, tente reservar um dia para dar de cara com o Monstro no Lago Ness. É caro, mas vale pelo folclore. O mesmo folclore que vende saias ou as miniaturas do Mel Gibson como Willian Wallace.
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