quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sobre 2a Guerra e Stephen Ambrose

*continuo desde 3a (09) fora do país desbravando Bulgária e Romênia. Como de praxe, e-mails e comentários serão gerenciados na medida do possível. Volto sábado ao "batente".

Me lembro perfeitamente. Na minha vergonha por não saber quase nada sobre o “Dia D” e querer ler a respeito cheguei no Shopping Villa Lobos em SP na Livraria Cultura, de longe a melhor rede de livrarias do país. Perguntei de cara ao atendente qual livro sobre o Dia D ele recomendava. Eis que saio de lá com o espetacular “O Dia D 6 de Junho de 1944: a batalha culminante da Segunda Grande Guerra”. Pelo nome você deve achar que um chimpanzé bem treinado teria feito o que o vendedor fez. Não é verdade. O Dia D é considerado por muitos como o dia mais importante da história no século 20. Por isso você deve imaginar quantos livros sobre o tema existem publicados.

Stephen Edward Ambrose. Esse é o nome da fera que escreveu esse que é o melhor livro que já li sobre o assunto. Pois após comprar e devorar o livro de mais de 700 páginas posso dizer que fiquei um apaixonado pela militaria e pela 2a Guerra Mundial. Depois dele foram vários outros livros e documentários. Comecei a ler muito sobre estratégia, inteligência de guerra e mais e mais 2a Guerra. A ética de combate daqueles tempos e os códigos de conduta entre os combatentes foram uma agradável novidade.

Mas talvez o que mais me atraia nas obras de Ambrose sobre a 2a Guerra seja mesmo a visão que ele mais do que ninguém consegue passar sobre aquela guerra, pois ela talvez seja o maior e melhor (e único?) exemplo de quando os invasores chegam para libertar e não conquistar. A 2a Guerra foi provavelmente a maior mostra do que uma Democracia (EUA) e seus aliados (Reino Unido, Rússia e demais aliados) são capazes de fazer quando a liberdade é ameaçada e confrontada. Nesta guerra foi derramado o sangue do que havia de melhor na juventude das nação-líder para que fosse garantido um mundo livre.

Duas coisas muito importantes ensinadas nas obras de Ambrose é que alguns fatos e escolhas da guerra não podem ser avaliados por civis (leigos no assunto guerra) em tempos de paz no conforto de seu sofá. As mortes violentas em algumas rendições e o ataque a Hiroshima e Nagasaki eu colocaria entre elas. Outro ponto é como transportado ao nosso mundo atual uma nação soberana e democrática deveria se comportar em momento de tensão ou ataque a um dos aliados.

Após os ataques terroristas de 11 de Setembro quando ficou claro que deveria haver um esforço conjunto das nações democráticas em um combate contra o terror, as nações européias em um sinal claro de anti-americanismo titubearam nesta guerra ao terror. Até hoje elas confundem um ataque à nossa liberdade com um ataque apenas aos EUA.

Que se pese a absoluta incapacidade de George W. Bush em construir a melhor alternativa, não houve uma unanimidade de apoio irrestrito e incondicional a um combate junto dos EUA por meras razões políticas e ideológicas, não de princípios.

O México não declarou luto oficial e não enviou auxílio para Nova Iorque no que é até hoje tomado como explícito alinhamento não aliado visto que na última posse de Bush ele quebrou uma tradição visitando o México em primeiro lugar, honraria diplomática que sempre foi reservada ao Canadá.

E a França optou por esperar, negociar e descobrir de onde veio o ataque. Como bem lembrou uma alta autoridade inglesa, dela não se poderia esperar nem depender muita coisa, do contrário ainda estariam sob domínio alemão.

Ainda com exemplos da 2a Guerra temos a grande frase dita por Churchill referindo-se ao acordo celebrado pela França com Hitler:

Entre a desonra e a guerra, eles escolheram a desonra e terão a guerra”.

E deu no que deu esse “acordo”. A Alemanha não respeitou a França e lá se foram os EUA libertar. Ou seja, a história já nos ensinou que contra o terror não há nem deveríamos esperar por negociação e cumprimento de acordos. Com eles não há diplomacia, há guerra. Apostar no contrário é se sair com diplomacia inútil. Lembremos que a guerra é a extensão da diplomacia e da política. E ela, infelizmente, se faz por vezes mais do que necessária quando os princípios democráticos ou a mera sobrevivência se vêem ameaçados.

Mas infelizmente boa parte da Europa ainda não aprendeu com a história. Se ela fosse um adolescente, ela pediria ajuda aos pais para tudo. Acontece que por 3 vezes ela precisou da ajuda do irmão mais novo (EUA) e lá foi ele para garantir a sobrevivência deles. Mas na primeira vez que o contrário ocorre, eles negaram ajuda amiga. Eles precisam de mais Ambrose.

p.s.: Se você quer saber mais sobre esse autor, recomendo o melhor livro de militaria que conheço e que citei na introdução. A série “Band of Brothers” (EUA, 2001) foi feita com assessoria dele e baseada em seu livro de mesmo nome. A série é melhor do que o livro. O filme “O Resgate do Soldado Ryan” (Saving Private Ryan, EUA, 1998) também conta várias passagens de seu livro. E outro livro fortemente recomendado é o “Azul sem Fim”. Um outro livro espetacular dele! Aqui em Dublin achei um livro não publicado no Brasil (motivo do post) que acabei de ler. Chama-se "The Victors”.

2 comentário(s):

Ronalto disse...

Assisti a Band Of Brothers há alguns meses... é de chorar! Especialmente o penúltimo capítulo (quando encontram o campo de concentração cheio de judeus). Os depoimentos dos personagens reais no início e fim de cada episódio, mais as entrevistas no DVD de extras também...

Fabio Pimentel disse...

Não sabia que você também se interessa por guerras, especialmente a WWII... se ainda não leu, corra atrás de "Uma História da Guerra", de John Keegan, e das obras de Antony Beevor.
Abraço, Bola.

Blog Widget by LinkWithin