segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Brasileiro meio-otário.


Lendo um artigo muito bom, me lembrei de um outro causo. No tal fórum de treinadores que já falei aqui disse uma vez lá que discordo da imensa maioria em tudo, mas somos cavalheiros e nos desentendemos de forma civilizada. Lembro que tempo atrás surgiu uma lei bizarra que dava desconto a maiores de 60 anos em corridas de rua. Para quem não sabe, sempre trabalhei com isso. Pois bem, devo ter sido o único “opressor” que poderia levantar voz contra os velhinhos, visto que o governo só tinha a boa intenção de “promover a atividade física nesse grupo”. Como sabemos há cada maneira tosca de se fazer ou promover algo...

Duas coisas: uma, nem sei se a lei vale, creio que não. Dois: se vale, estou ainda mais seguro de ter feito a coisa certa saindo do país. Ela mostra o tipo de país que temos e que queremos.

Há algumas coisas que governos populistas adoram fazer. Fazer dinheiro imprimindo papel, irresponsabilidade com os gastos públicos e fazer gastos com dinheiro alheio. Não falo do atual governo, não! Essa idéia de dar desconto a grupos é velha nesse Brasilzão! Por quê? Porque é fácil! Papel aceita qualquer coisa e sabemos das dificuldades que as pessoas têm com números.

Como disse, lembro-me que tenha sido talvez o único contra lá. Daí fiz a contra-proposta. Sabendo-se que há lá vários sócios de assessorias esportivas eu sugeri que o governo desse então vagas gratuitas a todos com mais de 50 anos nessas equipes. Gritaria geral. Estranho, não?

O brasileiro tem o péssimo hábito de pensar apenas no próprio umbigo e de não saber jamais igualar o tratamento do público com o privado. Já falei aqui sobre o livro “O que faz o Brasil, brasil” do DaMatta em que ele fala muito bem desse maldito vício. Tem outra, temos o hábito latino-americano de achar que o rico (na forma das grandes empresas organizadoras) é mal e o pequeno é que é bom. Como disse, acharam injusto porque as assessorias não comportariam o aumento de gasto, mas devem achar que as organizadoras de evento acham dinheiro na rua.

O artigo que citei na 1a linha e que me inspirou esse texto fala justamente da fábrica de carteiras de estudante e dessa política de conceder desconto a todos por meio da canetada e sem fundamento econômico. Quem poderia ser contra passagens gratuitas à 3a idade em ônibus intermunicipais como foi feito tempos atrás? Ficava moralmente difícil negar a boa intenção da medida porque você seria taxado de caçador de velhinhos. No fórum sugeri que o governo obrigasse então donos de carros a dar carona para quem não tivesse carro. Grita geral novamente...

Bom, é inegável que falte tanto responsabilidade nos gastos públicos quanto falta também de administradores públicos que tenham o mínimo de conhecimento de regras básicas de economia. O de não haver almoço grátis é uma delas!

Mas e onde entra o cidadão comum nessa? Eu lembro que eu fiz de tudo por questões ideológicas para não ter que fazer a carteirinha da UNE. Deu certo, a da USP passou a ser aceita tempos depois. Mas o triste é constatar que muitos são os ex-estudantes, inclusive grandes amigos meus, que falsificam para pagar meia. Você ouve todo tipo de desculpa, mas a pior é alegar que os preços são caros. É a pessoa mentindo para si mesma talvez na ânsia de convencer a ela e aos amigos de que o que ela faz não é crime. Mas sabemos, é crime, sim!!! E no Brasil do bolsa-para-todo-mundo, no país do vale-tudo e do brincar com o dinheiro alheio, não é surpresa que aconteça tanto.

algumas entidades fizeram uma carta aberta pedindo regulamentação do setor no cinema porque hoje é uma grande várzea. E no próprio link que mando o autor contesta porque ele acha que não haveria uma redução de preços de 50%. Como se precisasse... É um fato que tem gente que sempre late pra ávore errada, mas o autor não percebe que a ordem tem que ser feita para que alguns não paguem mais pela malandragem de outros. Que o preço não se reduza 1 mísero centavo, mesmo assim tem um picareta ganhando um dinheiro que não lhe pertence! Maldita mania essa de achar que a briga é contra os "ricos" e não contra os que infringem as leis...

4 comentário(s):

++ Rodolfo Araújo ++ disse...

Fala, meu caro, tudo bem? Obrigado mais uma vez pelos comentários!

Esses descontos que o governo dá - e que ardem no furículo alheio - é pródigo em produzir aberrações. Vamos ver o caso das corridas:

O motivo desse desconto é dar acesso à população carente, aos pobres, certo? Na boa - e sem preconceito nenhum - mas será que o pobre que por ventura consegue chegar aos 60 anos (apesar do salário mínimo, apesar do INSS, apesar do SUS) tem condições de correr alguma prova?

Ou será esse mais um benefício que privilegiará os já privilegiados?

Eu lembro o caso dos medicamentos genéricos. Sabe quem mais compra genéricos? As classes média e alta, porque são as que têm acesso à informação. E o pobre que não tem R$ 30,00 para comprar Amoxil, também não tem R$ 15,00 para amoxicilina genérica.

Sobre as carteirinhas falsificadas, falei a respeito no "Seu ladrãozinho barato". Pergunte ao seus amigos larápios se eles teriam coragem de tirar R$ 10,00 do caixa do cinema, quando o bilheteiro estiver distraído. Porque é isso que ele faz toda vez que usa sua carteirinha falsa.

Teve um repórter lá no Rio que fez uma carteira falsificada do Mickey Mouse...

Grande abraço,
Rodolfo.

Danilo Balu disse...

Fala Rodolfo! Tranqüilo?

O pior é que acho que nessa lei sobre corrida de rua é mto mais aquela história do gde contra o pequeno, sabe? Lógico que tem a burrice de atacar a causa errada de um problema, mas vc não faz idéia de como o pessoal vibrava com a possibilidade de ir contra uma "empresa gde"... a impressão que dá é que algo não pode dar certo porque sempre "oprime" alguém, do contrário o sucesso não viria.

Mas quem defende essas saídas toscas deve imaginar que a empresa vai morrer com o prejuízo. Bando de tontos! O custo disso é integralmene repassado. E ninguém sai beneficiado.

Abraço
Balu
p.s.: sim, os beneficiados que já corriam continuam correndo pagando menos. Eu pago mais e nenhum passo adiante para a solução do "problema inicial".

Marcio ("Bodão") disse...

E eu que não falsifico carteirinha praticamente parei de ir ao cinema...Essa lei é uma aberração. Subsídio de privilégios.
Era contra a meia-entrada mesmo quando ainda tinha o direito. Ela não faz sentido algum. Não agrega em nada e ainda prejudica quem anda na linha...

Danilo Balu disse...

Bodão, não sei s sou contra ou a favor. Sou 100% contra ao modo falho que é feita a fiscalização e tb sou contra a falta de critério que faz de um show de poperô a 50% ser um evento cultural.
Abrax

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