segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Vinho - por que aumentar o preço é o melhor que se pode fazer?


Não faço questão de tomar vinho. Só tomo, como minha mãe mesmo diz, vinho de pobre. Vinho tinto E doce. Mas gosto menos ainda é daqueles que gostam de parecer entender de vinho. Também não gosto da Fernanda Young. Pra falar a verdade, acho que a odeio mesmo. Mas em entrevista recente na Veja ela se saiu com uma sensacional!

"Eu não suporto gente que entende de vinho. O sujeito fica entendendo de vinho, cheirando rolha... Não tenho paciência!"

Sou igual! Acho pedante, beira o insuportável o enólogo amador fazendo caras e bocas. Embriaga (e dá ressaca) mais do que a própria bebida! E se depois do vinho a pessoa pede comida japonesa e faz cara de samurai dando opinião então... pronto! Acabou com minha noite! Quase parto pro Harakiri!

Mas na verdade estou escrevendo porque hoje lendo um artigo o autor fez aquela constatação óbvia que só não admite o mala que torra muita grana em curso: o vinho – NÃO A-CRE-DI-TO! - também – vejam só! - obedece a Lei da Oferta e da Procura! Ou seja, se você não quiser pagar o preço de uma TV 29” pra ficar dando narigada na taça enquanto o francês ensina, escolha pelo preço!

Vou eu aqui ser o trouxa de dizer que não existe vinho bom e barato? Eu não! Sai daqui! Mas não faz muito finalmente li em uma recomendação dizendo para que não perdêssemos tempo e fossemos direto aos mais caros. Muito óbvio!

Mas e o contrário? Poderíamos melhorar o vinho pelo preço? Pois bem, sabe aquele ditado “o que os olhos não vêem o coração não sente”? Ou então a muito americana “You get what you pay for"? Em um estudo do California Institute of Technology com teste-cego os pesquisadores foram dando o mesmo vinho aos indivíduos e dizendo que a cada nova amostra os vinhos possuíam preços diferentes. O segredo estava em esconder desse povo que eles bebiam o mesmo vinho. O objetivo era saber se eles mudariam de acordo com o preço e... bingo! O MESMO vinho ficava melhor a medida que o preço subia! Os de U$90 eram melhores do que os que custavam U$10! Pena que eram o mesmo...

Esse é o bando de mala que fica fazendo cara de conteúdo quando você oferece ou sugere vinho. Mas será que é só pra vinho? Será que aquela calça Diesel de R$900 (paguei 50 euros aqui, chorem!) é tão melhor do que aquela da C&A por R$15? Daria pra fazer um teste desses? Bom, isso já assunto para outro post.

Enquanto esse post não sai, a dica é a seguinte: quando em um jantar você for servir vinho à visita, aumente MUITO o preço que realmente pagou. Eles gostarão ainda mais do que irão beber! Você estará fazendo um bem aos seus convidados! Os restaurantes podem em parte já estar também fazendo isso, então não se sinta só!

4 comentário(s):

Lu Tamaki disse...

Baluuuuu
de calça Dieselllll
arrasouuuuuu!!!!!!!!!!!!

++ Rodolfo Araújo ++ disse...

Rá rá rá rá!! Pode deixar que não vou comentar suas preferências de vestuário! Não tenho essa intimidade...

Não faz muito e o Robert Parker - o cara que mais entende de vinhos no mundo - disse que quem paga mais de US$ 20,00 por uma garrafa é trouxa. E ele já provou mais de 100 mil vinhos diferentes.

Um dia eu estava numa festa com uns amigos e um deles tinha acabado de fazer um curso de sommelier. Aí veio o pobre do garçon servindo vinho e ele ficou perguntando detalhes, tipo que marca, uva, safra. Eu, hein? Toma isso e não enche o saco! Pra mim um chope!

++ Rodolfo Araújo ++ disse...

Pô, esqueci de dizer o principal...!

Esse lance de adivinhar o preço do vinho lembra muito alguns aspectos do "efeito placebo". O Dan Ariely (Predictably Irrational) mostrou, numa pesquisa, que a aspirina que custa mais caro cura mais.

Claro que era exatamente o mesmo comprimido, mas o pesquisador dizia para uns que custava mais caro e esses reportavam melhoras mais acentuadas. Vai entender...

E eles ainda foram agraciados com o prêmio igNobel por esse estudo.

Danilo Balu disse...

Fala Rodolfo!
Bom, deveria censurá-lo pelo 2o comentário porque o post sobre esse estudo já está feito e fiz um paralelo com este post do vinho. Mas tudo bem.... rsrsrs
Dar o igNobel por este estudo foi brincadeira de mal gosto!

Sobre os malas que gostam de cheirar rolha, sem comentário. Tem tb aquele que diz que tem raiva de quem gosta de comida japonesa porque eles se sentiriam mais inteligentes do que os demais. Faz sentido...
Abraço

Blog Widget by LinkWithin