terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Rio de Janeiro continua (MUITO) violento...

Dizem que o primeiro passo para um alcoólatra (ou dependente químico) na hora de tentar a cura é aceitar e reconhecer o vício. Tão logo as primeiras críticas à então candidatura do Rio de Janeiro como sede olímpica surgiram, alguns afoitos começaram a gritar "anti-patriotas" aos cariocas ou "bairristas" se Paulistas. Mas não é esse o mote do texto. Essa semana ouvi 2 absurdos ditos por José Mariano Beltrame, atual Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Na primeira pérola ele disse:

O Rio de Janeiro não é violento. O Rio de Janeiro tem núcleos de violência”.

Depois disso ele emendou:
Nós temos índices de criminalidade em determinadas áreas do Rio de Janeiro que são índices europeus”.

É um absurdo um sujeito desses ainda estar no cargo já que ele ainda não se deu conta dos níveis de violência que existem na cidade da qual ele é o número 1 em matéria de segurança pública. Ele é acometido do mesmo problema que alguns dos que amam a cidade padecem, não enxergar o óbvio, a violência no Rio de Janeiro atingiu índices de guerra civil.

O secretário quando diz que os índices são localizados ou são em algumas regiões de níveis europeus, deve ignorar que até em guerras há calmarias. Ele que tente explicar aos milhares de mortos essa sua tese estúpida e irresponsável.

O problema nas declarações é o secretário tentar reduzir a questão minimizando as consequências dela. Já disseram alguns que as autoridades comemoraram a escolha como sede olímpica com um discurso como se o mais difícil já tivesse passado, como se os problemas fossem de fácil solução, como se dependêssemos apenas de uma tal vontade política, como se tudo fosse acontecer e funcionar naturalmente.

Já disse aqui em outra ocasião, o brasileiro como em tantos outros aspectos já se acostumou com a violência local, ele a considera inerente, como uma paisagem, como um Cristo Redentor que faz parte do país e que não choca nem dispensa muita atenção. Se o povo mal enxerga o problema e paga para um secretário dizer que ele nem é assim tão sério, é sinal de que chegamos onde esperávamos. Assim é o Brasil.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UNITALEBAN

Não é segredo para ninguém, se você perder o RG dentro da UNIBAN, acabará matriculado lá. É assim também na UNIP, aquela que distribui “pen drives” aos alunos para que façam elogios da instituição no Enade. Esse é talvez o maior efeito colateral do péssimo ProUni. Lula, o presidente que faz apologia para que não se estude, aquele que já falou mais de uma vez que tem sono ao ler, acha que pagar universidades picaretas para aceitar aluno financiado pelo estado é investimento. Antes, essas porcarias de instituições ao menos tinham que convencer os candidatos, hoje basta ter um padrinho que garanta a demanda patrocinada com o seu, o meu, o nosso dinheiro.

Se você voltou de Marte ontem, talvez não tenha acompanhado a perseguição que houve a uma aluna da UNIBAN em função de seu micro vestido vermelho. Uma horda de alunos perseguia a dita cuja aos gritos de “pu.ta”. Fica claro que, mesmo inaceitável, parecia que tudo corria como resultado de uma decisão irracional de uma multidão que ficava inconsequente em sua decisão. Óbvio que isso não justifica em NADA o abuso, mas havia um quê de impulso, mas os problemas começaram quando, passado o momento, você ouvia as pessoas dizendo que a roupa da garota era a razão da revolta, ela seria a culpada, o gesto dos idiotas teria sido motivado, justificado. Se houvesse um estupro, parecia que o criminoso teria a razão. A que ponto chegamos?

A vítima deu mostras de não saber respeitar códigos de condutas sociais, mas NÃO há crimes para isso. Crime é você ameaçar alguém por fazer algo do qual VOCÊ discorde. Mas quando achávamos que havíamos visto o pior, a “conceituada” instituição anunciou nos jornais dominicais a expulsão da garota. Quando pensávamos que a UNIBAN estaria em problemas por ter que dar uma resposta à sociedade julgando os exaltados, ela deu, sim, um sinal às suas clientes: ou vocês se comportam ou o linchamento público, quiçá o estupro, as aguarda! Se nossos delinquentes se exaltarem, não temos nada a fazer que não a expulsão. Afinal, aos olhos da UNIBAN, essa é uma reação legítima, justa, quase a adequada.

À aluna, basta lamentar que ela seja uma sem-ONG. Fosse uma negra, uma lésbica, uma índia, hoje estaria sendo amparada pelas incontáveis ONGs patrocinadas com dinheiro público. Como é loira e branca, vai ter que se virar sozinha.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Aquecimento Global? Quem liga pra isso?

O livro Superfreakonomics já está gerando muita polêmica mundo afora por uma razão simples, eles defendem que o aquecimento global pode não ser esse bicho de 7 cabeças que andam pintando. Não li ainda (mas comprarei e lerei com certeza), então prefiro não falar muito pra não cometer os erros que estão cometendo, os mesmos que “não leram (o primeiro livro) e não gostaram” criticando com a absurda acusação de que eles defendiam o aborto de pobres como política de segurança pública quando apenas mostraram a ligação entre os fatos, mais aborto, menos violência.

À época da ECO 92 no Rio de Janeiro, muito se falava dos problemas ambientais. Depois ainda teve o tema da camada de ozônio. Isso tudo saiu da pauta global e voltou apenas com o Nobel da Paz do Al Gore. Mas veio a crise econômica global e novamente a pauta se alterou e hoje pesquisas indicam que os americanos estão muito menos preocupados com o tema aquecimento global do que estiveram recentemente. Egoísmo americano? Duvido. Acredito em resultados similares no mundo todo.

A razão principal é que a nossa atenção mesmo para assuntos políticos ou ideológicos parece ser muito influenciado pela distração com outras coisas, desde temas de interesse global (crise econômica), até a chegada do inverno que nos faz esquecer as altas temperaturas e vai até crianças chatas chorando, pequenas tarefas feitas simultaneamente ou então nossa cabeça está mesmo é pensando no nosso seriado favorito que está prestes a começar e o chato do entrevistador não termina logo o questionário.

Duvida? Este interessante teste online (em inglês) sem valor científico faz perguntas de modo que você responde concentrado e depois com algo bem simples tirando parte de sua atenção. Confira!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Gripe, Escuridão e Vitamina C

Um tempo atrás quando falava sobre vacinas contra gripes usei um trecho de uma música daquela ex-banda em atividade, o Titãs. No verso “o sorvete me deixou gripado pelo resto da vida" eles perpetuam o monte de bobagem que se ouve sobre gripes. As pessoas acham de verdade que tomar sorvete, beber líquidos gelados ou andar descalço causam gripe. Se fosse assim, os dinamarqueses que vivem num frio incrível e devem tomar por baixo umas 9 vezes mais sorvete que os brasileiros, deveriam todos morrer disso.

No mesmo texto lembrei meu grande professor, o falecido Gegê, explicava o mecanismo tonto que faz as pessoas tomarem vitamina C para se curar de gripes e resfriados. Eu ainda acho que todo mundo tem que comprar esses suplementos, pois não resolvem NADA, mas também não fazem muito mal e ainda geram emprego e movimentam a economia. Só não espere que ele TAMBÉM te cure.

Mas daí um dia desses aparece algo que realmente pode ser muito inovador. Um novo estudo mostra que não importa onde você esteja, você estaria sempre mais suscetível a resfriados ou gripes durante o inverno. Mas não seria apenas por causa das aglomerações, pois algumas pesquisas e teorias vêm mostrando que mesmo quando exposto ao vírus também no verão, o risco de contrair esses problemas é menor. Por quê? Isso seria por uma menor quantidade de vitamina D. A vitamina é sintetizada naturalmente pelo nosso organismo quando exposto à luz solar. Como no inverno em algumas regiões do planeta, como na Europa, os dias ficam bem mais curtos, estaríamos menos expostos à ela. Ou seja, contrair essas doenças seria resultado também de uma redução da quantidade de luz solar, algo como a escuridão como um fator de dispersão das doenças e questão. Quero só ver quem vai comprar suplemento de Vitamina D...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Qual o tamanho do gol? Depende.

Nossas percepções provam ser altamente relacionadas com o resultado no desempenho de nossas ações e com o esforço necessário para realizar a tarefa. A distância que temos que caminhar parece maior quando se trata de subida ou se estamos cansados ou indispostos, não é?

Pois há uma história curiosa naquela traumática decisão de pênaltis entre Brasil e França nas quartas-de-final da Copa de 86. Júlio Cesar, um baita zagueiro que marcou toda uma geração, disse certa vez em entrevista na TV com aquele sotaque caipira forte que quando levantou a cabeça após ajeitar a bola para a cobrança viu o gol “piquinininho” e o goleiro francês Joël Bats de braços abertos tocando as duas traves com as mãos. Qual foi o resultado? A bola explodiu na trave, o Brasil chorou e há quem jure que até hoje a trave balance por causa de tamanha pancada.

Até o Rei Pelé disse certa vez que no momento de cobrar o pênalti o gol diminui e o goleiro cresce. Pois estudos nos últimos anos vêm mostrando que esses são mais do que causos, que o desempenho pode afetar de verdade a percepção momentânea de grandes atletas.

Jessica Witt e colaboradores da University of Virginia em estudos passados com jogadoras de softbol comprovaram que há mudanças da percepção do tamanho da bola nessas jogadoras em função dos resultados de desempenho nas rebatidas. Ou seja, quando elas acertam, a bola parece ser maior do que realmente é e quando erram, ficam menores. Já com golfistas eles verificaram que o tamanho do buraco também se altera de acordo com o resultado.

Com 23 jogadores da National Football League (NFL) nos EUA eles fizeram um outro experimento avaliando o tamanho do Y (o “gol” no futebol americano) após 10 chutes. Aqueles que fizeram 3 ou mais acertos avaliaram o gol como sendo maior e quem acertou 2 ou menos, como menor. E não é só isso! Nos erros eles também achavam que o lado para o qual erraram parecia encurtado, ou ainda com o Y mais alto ou baixo do que o correto quando o erro era no eixo vertical.

Para que não houvesse dúvidas de que essa percepção fosse APÓS os erros ou acertos, na pesquisa com o pessoal da NFL eles fizeram também medidas antes E depois. E eis que a percepção de tamanho foi a mesma antes e mudou apenas depois em função do resultado!

p.s.: a foto do post é o do pênalti em 94 que eu prefiro lembrar depois de ter chorado com o Júlio César em 86. Ele deu a volta por cima, o italiano Roberto Baggio também, como mostra esse belo comercial.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Nome pode atrapalhar? - parte 2

Um tempinho atrás em um post sobre a influência dos nomes no futuro das pessoas, falava da minha teoria de que alguns nomes característicos de regiões do país (notadamente e francamente o Nordeste) ou de classes sociais (sem hipocrisia, as mais pobres) poderiam receber um tratamento menos justo em ocasiões como aquelas em que você não tem contato com a pessoa, mas apenas lê (carta ou e-mail) ou ouve (telefone) ela dizer como se chama.

Em outro post que falava sobre criminalidade e a aparência da pessoa (feios e bonitos) eu citei o fato de alunos mais bonitos receberem mais atenção dos professores. Mas parece que não são apenas os mais bonitinhos, não. Um estudo da University of Oldenberg baseado em um extenso questionário online preenchido anonimamente conclui que a grande maioria dos professores alemães traça um paralelo entre o desempenho escolar dos alunos e o primeiro nome deles.

Cerca de 2000 professores do ensino elementar anonimamente disseram que nomes tradicionais e obviamente germânicos são associados com melhor desempenho e melhor comportamento. Por outro lado, de nomes não-tradicionais e não-germânicos (de imigrantes, por exemplo) eles esperam piores notas e mais “arte” em classe.

Por incrível que pareça, a gritante maioria dos professores disseram fazer essa associação com o primeiro nome sem nem pensar duas vezes. Apenas uma pequena porcentagem disse na pesquisa anônima fazer uma segunda consideração. Ou seja, há um claro sinal de rotular negativamente alguém pelo nome. Vai ficando claro que nome não ajuda, mas pode atrapalhar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Calorias nos cardápios


No minha última coluna no Webrun falei um pouco mais sobre as leis que visam colocar a quantidade de calorias dos pratos em alguns restaurantes e a verdadeira eficácia da medida.

Para ler o artigo, clique aqui.

Vejo você lá!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Como é grande o seu... caráter!

A – como diremos..? – comissão de frente, seria importante para uma mulher? Tem gente que ainda acredita que não, que o importante seria somente a beleza interior. Pois em um experimento o psicólogo francês Nicolas Gueguen pediu que algumas mulheres fossem a barzinhos com enchimentos simulando diferentes níveis de “comissão de frente”. Conforme esperado, quanto maior era o caráter delas, maior o número de homens que se aproximavam para puxar assunto.

Em um outro experimento mais engraçado, Gurguen pediu que mulheres na faixa dos 20 e poucos anos fizessem o mesmo com diferentes enchimentos pedindo carona na estrada de forma que os motoristas mal vissem o rosto delas, somente os peitos. Resultados? Mais homens pararam quando a mulher tinha a maior versão do que com a menor. Já as motoristas mulheres não mudaram o padrão em função do tamanho dos peitos da pedinte. Não é difícil concluir que uma prótese de siliocne é um investimento financeiro, não um mimo pro ego.

Fica aqui como dica para as mulheres que para aumentar ainda mais a taxa de sucesso, ande maquiada e com um cachorro junto de você.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Mande um e-mail e doaremos 1 centavo...

Lembra daqueles e-mails sobre a AOL doar 1 centavo para uma determinada criancinha em doença terminal para cada e-mail que encaminhássemos para nossos contatos? Pois a vida parece imitar a arte. Foi divulgado que o Yahoo apresentou uma novidade em que o usuário de e-mail pode doar 1 centavo à caridade a cada vez que enviar uma mensagem. A proposta tem como objetivo o de reduzir a imensa quantidade de spams. A ideia central do projeto, chamado de CentMail, é diferenciar assim o que é realmente e-mail útil de apenas mais um spam. Lixo puro...

Como já disse aqui, apesar de o retorno ser baixo, spam é algo muito comum justamente porque enviá-lo é quase gratuito. O sistema para combater isso funcionaria assim: o usuário tem um crédito pré-pago e um selo virtual seria automaticamente colocado na mensagem enviada e o valor de U$0,01 seria então doado à instituição escolhida pelo remetente.

Os problemas são vários. Não há ainda qualquer garantia que em um futuro muito próximo os spammers não irão criar códigos falsos com doações que na realidade nunca farão. Mas eles não são os únicos culpados, não. A ideia desse tipo de ação como sempre se baseia mais em esvaziar de culpa a consciência pecadora do doador do que sua caixa de entrada. Como já disse aqui (e aqui e aqui também), é o tipo de ação que a simples adesão aplaca a consciência sem resolver nada. Como um centavo não custa quase nada, ficaria então o senso de ter feito alguma coisa, então poderemos cometer nossos verdadeiros pecados já que teríamos pagos pela nossa indulgência.

Outro problema é de ordem ideológica já que como receber algo contribuindo indiretamente por uma causa que você é contra? Imagine que o centavo doado vá a uma instituição cuja causa você combate. O que fazer? Como se pode ver, a despeito da inviabilidade de ordem técnica, essa solução está é longe de ser interessante.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

De Seriados, Novelas e o que isso em a ver com algumas de nossas outras decisões

Ainda na linha não-sabemos-o-que-estão-fazendo-conosco, um novo estudo sugere que as emoções vividas em alguns dos nossos programas televisivos preferidos têm influência em como encaramos algumas questões na vida real. Toda vez que vai começar uma nova novela da autora Glória Perez os programas vespertinos saem perguntando qual será o novo “tema da atualidade”. Ela já falou sobre doação de órgãos e barriga de aluguel e quem é do ramo jura, mesmo que sem provas em mãos, que o efeito na sociedade foi muito positivo com aumento da doação. E foi isso que esse estudo veio mostrar, que novelas ou séries podem ter efeito positivo.

Segundo o estudo essas séries seriam um potente estimulador, moldando assim a atitude da população frente a alguns aspectos em condições especiais. Se o telespectador se identifica com algum personagem, a chance de ser influenciado é ainda maior!

A líder da pesquisa, Susan Morgan, professora da Purdue University, analisou programas como CSI, Numbers, Grey’s Anatomy e House para saber se isso faria as pessoas doarem mais órgãos. Mais de 5000 participantes responderam ao questionário para saber o quanto foram influenciados e o quanto esses participantes (doadores ou não) pareciam mais inclinados e decididos a virarem doador depois dos episódios.

Se tudo parece ser notícia positiva, lembremos que a responsabilidade dos diretores passa a ter socialmente maior peso porque se doar órgãos for passado de uma maneira negativa, esse efeito reverso seria também observado.

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